Moacyr e Marçalzinho

 

Hoje vai rolar também show do amigo Moacyr Luz com Marçalzinho, na Letras e Expressões de Ipanema. Em formato voz-violão-percussão, a dupla apresentará canções de Aldir Blanc, Martinho da Vila e Paulo César Pinheiro, da dupla Bide e Marçal, além de composições do próprio Moa. O espetáculo está marcado para 21h, e os ingressos custam R$ 15.



 Escrito por Marcelo às 10h41
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São Tomás

A Editora Sétimo Selo, comandada pelo amigo Sidney Silveira, lança hoje seu terceiro título na área da filosofia medieval: Sobre os anjos, de São Tomás de Aquino. O lançamento da edição bilíngüe incluirá um debate, reunindo os professores Sérgio de Souza Salles e Carlos Frederico Calvet da Silveira, Paulo Faitanin e o tradutor do livro, Luiz Astorga. O evento acontecerá às 17h30, no auditório do CCBB (4º andar), com entrada gratuita e senhas distribúidas meia-hora antes.



 Escrito por Marcelo às 18h43
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No Almanaque virtual

Acaba de sair mais uma resenha sobre o livro. Desta vez, a (ótima) análise é da também escritora Victoria Saramago, resenhista do Almanaque virtual (aliás, um ótimo site de cultura e entretenimento). Segue o texto:

"Sobre as coisas simples da vida"

 

Victoria Saramago

 

"O desejo de encontrar um grande amor, a alegria de comprar um carro novo ou de ganhar um livro, as dificuldades da aposentadoria e a dor do fim de um romance, a ânsia de conhecer um ídolo ou a responsabilidade de organizar um desfile de escola de samba. Em seu segundo livro de contos, Somos iguais nesta noite, Marcelo Moutinho trata dessas situações que parecem íntimas de todos nós, mesmo que não as tenhamos vivido. Intercalando contos e mini-contos, o autor vai aos poucos compondo um universo tão familiar que se torna poético, e justamente o que há de poético nessa aproximação excessiva gera uma espécie de movimento contrário, um afastamento, como se as coisas familiares demais guardassem certos segredos. Ou como o personagem que, em "Da profundeza do azul", afirma poder ver o mar de sua janela, ainda que todos saibam que o conjugado em que vive não dá vista para a praia.

O livro está dividido em duas partes, "Iguais" e "Noites". Ainda que não haja diferenças significativas entre ambas, a organização dos contos segue uma lógica interessante. Na primeira parte, "Iguais", estão mais presentes temas mais singelos e mais alegres. São bem freqüentes, por exemplo, as histórias sobre crianças, cuja leveza marca, sobretudo, uma postura de certa maneira esperançosa, e até mesmo carinhosa. Já na segunda parte a "noite" cresce, prevalecendo temas adultos e personagens mais noturnos. A amargura então se torna latente nas variadíssimas situações que se vão desenvolvendo, numa progressão que se estende até ápice no último conto, homônimo do livro.

Nessa segunda parte estão certamente os melhores contos, como "Da profundeza do azul" e "Sexta-feira de cinzas" - cujos próprios nomes já sugerem a melancolia de que se revestem. Essa melancolia, porém, longe de marcar alguma desesperança, traduz uma espécie de amor para com a humanidade, como se, com todas as suas tristezas e dificuldades, ainda houvesse no homem algo que vale a pena cultivar. Esse algo, que se vai delineando ao longo da leitura das histórias, é precisamente a poesia. Não a complexa e rebuscada, mas a que transparece numa rosa recebida ao acaso após uma dura noite de trabalho. Essa poesia, a das coisas simples da vida, perpassa o livro por inteiro e lhe dá o tom. É ela, afinal, que nos faz todos iguais."



 Escrito por Marcelo às 15h05
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No 'Emendas e Sonetos'

O jornalista e escritor André Luís Mansur, que há cinco anos resenhou Memória do barcos para o Prosa & Verso, agora debruçou-se sobre Somos todos iguais nesta noite. Em seu blog, o Emendas e Sonetos, Mansur faz uma interessante leitura do livro, que reproduzo aqui:

“Somos todos iguais nesta noite"

André Luís Mansur

"Não sei porque vivo com essa mania de recordação, recordação...lembrança até quando é boa, dói”, afirma a personagem de “Desfile”, um dos contos do ótimo livro do jovem escritor Marcelo Moutinho, uma das boas revelações da literatura feita no Rio de Janeiro nos últimos anos.

Marcelo já havia publicado “Memórias dos barcos” (“7Letras”, em 2001) e organizado e participado de algumas coletâneas. Criado no subúrbio carioca de Madureira, “entre a Carvalho de Souza e a Dagmar da Fonseca”, coração do bairro, o autor, que hoje mora no Jardim Botânico, zona sul do Rio, faz da saudade do subúrbio um dos seus temas preferidos nos dois livros. Sem ser piegas, ele mostra o que a região tem de melhor, mesmo nos tempos violentos e estressantes de hoje.

Sua visão, quase sempre, é a da criança, e neste caso ele desenvolve ao máximo o lado lúdico da infância, o mundo todo próprio que as crianças constroem e que hoje, com tanto apelo à falta de ingenuidade, vai se perdendo. Isso acontece em “Jujuba verde”, “Dia de festa”, “Noites” e no conto que abre o livro, “Passeio em família”, quando a estréia do carro novo do pai vira uma grande festa. Um pequeno trauma dá o toque dramático à história, recheada de observações singulares sobre o pai. “Eu não podia entender como podia preferir cerveja, aquela bebida amarga, a churros.”

“Dedicatórias” traz uma estrutura toda especial, na qual um relacionamento amoroso é contado através das dedicatórias dos livros que os namorados trocam entre si. Mário Quintana, Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector e outros escritores acabam assumindo o papel de coadjuvantes neste conto em que o autor mostra que para ser criativo e original não é preciso desenvolver “inovações” de caráter altamente duvidoso, como escrever parágrafos inteiros sem pontuação ou apenas com letras minúsculas. Outra estrutura interessante se encontra no conto “Desfile”, em que os prazos apertados de uma costureira de escola de samba são narrados em capítulo nomeados pelas alas de uma escola.

O conto que dá título ao livro (que também é uma música de Ivan Lins e Vitor Martins) se passa numa mesa de bar, este ambiente perfeito para se observar caracteres e criar personagens. “Quem senta nos bancos ao redor do balcão de um bar é sempre a solidão”. Entre figuras decadentes e solitárias, está o Rapaz, que quase não fala, toma oito long-necks todas as noites e desperta a curiosidade dos freqüentadores, que um dia resolvem segui-lo após a saída do bar. O que eles descobrem não tem nada de extravagante, mas é profundamente revelador – como nos demais contos do autor, que em nenhum momento seguem a linha da grande revelação no final.

“Rosa noturna”, que mostra a rotina de um travesti no bairro da Glória, destoa um pouco dos outros contos, mas nem por isso perde a qualidade. A ânsia de Teresa em “ganhar a noite” e pagar as dívidas é o mergulho numa vida de imprevistos arriscados. A linguagem é explícita, porém longe de ser chula, mesmo quando entra em detalhes impregnados nos quartos de hotel. “Faço de tudo, amor. Menos beijar na boca”. A surpresa positiva com um cliente dá o toque redentor àquela vida difícil. “Hora de ir para casa: a noite estava ganha”.

Entre diversos minicontos que sempre trazem algum momento de reflexão (“Ignoravam que chorar é um fato, não uma opção”), a história que melhor sintetiza o estilo de Marcelo Moutinho, a meu ver, é “Da profundeza do azul”, em que o autor narra a despedida do trabalho de um funcionário prestes a se aposentar. “A velhice chega assim, sem aviso, sem fanfarras, sem eventos, num olhar banal lançado ao espelho do banheiro para conferir a barba antes de sair”. A euforia do início dá lugar à melancolia do final, quando um pequeno espelho no meio de uma selva de pedra cheia de antenas parabólicas, roupas dependuras e aparelhos de ar-refrigerado reflete um mínimo de vida."



 Escrito por Marcelo às 15h59
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A musa diluída (ou "O livro do Buddy")

"Amigos não têm medo de mostrar o coração um para o outro", disse-me certa vez o HR. Havíamos tomados umas e outras num boteco lá em Paraty e caminhávamos (um tanto bêbados, ainda mais emocionados) em direção à casa do meu irmão, que nos hospedava. Nunca me esqueci daquele encontro, e muito menos da frase, que define com extrema precisão a amizade. E o HR é um desses camaradas que não guarda receios em expor o coração - e, generoso, faz questão de estar junto quando é o nosso que está fragilizado.

Pois bem, só por isso (e ainda que o livro fosse ruim), ele já mereceria todo o espaço que eu pudesse oferecer aqui no blog para saudar o lançamento de sua nova seleta de poemas. Mas o fato é que A musa diluída é um dos trabalhos mais interessantes que tive a oprtunidade de ler ultimamente. Um livro algo sofrido, como de resto os bons livros; um livro sincero, como deve ser a literatura; um livro despretensioso, como pede a maturidade. Um livro sobretudo comovente, pela coragem de fazer, da palavra, pele sensível.

HR lança A musa diluída amanhã, a partir das 19h30, na Livraria da Travessa de Ipanema, e eu, é claro, estarei lá. Para vocês sentirem um gostinho prévio, posto abaixo um dos poemas do livro:

 

"Lugar"

 

Henrique Rodrigues

 

"viver se faz em si – própria poeira

dispersa esfarelada no seu onde

refeita de uma cinza derradeira

 

é antes no seu quando que se esconde

memória desdobrada em peça inteira

viver é ser? pergunta que responde

 

tão falsa que a sentimos verdadeira

viver não está no fundo, mas na beira"



 Escrito por Marcelo às 11h11
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É de Madureira...

O JB trouxe, na edição de ontem, uma matéria de página dupla sobre o fascínio que Madureira voltou a despertar para além de suas fronteiras. Ao lado da reportagem, foi publicada uma pequena crônica que, a convite do jornal, eu escrevi sobre o bairro. Segue o texto:

Direto do Jardim Botânico para a nostálgica raspadina de groselha

Marcelo Moutinho *

Mesmo com meu Flu fora da parada, fui ao Maracanã na decisão do último Campeonato Carioca. Com aquele orgulho mais essencial - o que nasce do pertencimento-, vesti minha velha camisa de listas azul, amarelo e grená e engrossei o coro que, embalado pelos agogôs imperiais, incentivou o escrete do Madureira contra o poderoso Botafogo no inusitado duelo final.

Perdemos. Mas desde o começo ficou claro que a questão ali não se limitava à banal dualidade entre vitória e derrota. Era algo maior: o emblema de um renascimento. A empolgação dos madureirenses que dividiam um dos anéis do mítico estádio, cantando antigos sambas, gritando os mesmos gritos, no fundo exaltavam o modo de ser de um bairro até há pouco ameaçado de dissolvição, num triste paralelo à crise que, profetizada no enredo das Superescolas de Samba S.A, quase maculou as duas jóias de sua coroa: o Império Serrano e a Portela.

Sou um moço que nasceu e cresceu entre a Carvalho de Souza e a Edgard Romero. Freqüentei o parquinho do Tem Tudo, tomei raspadinha de groselha em frente ao colégio Lemos de Castro, comi trilha frita na Carolina Machado, subi com meu tio Chico os degraus da Igreja de São José Operário. Fiz colônia de férias no Madureira Esporte Clube, cujas cores defendi, já adolescente, no I Campeonato Estadual de Futebol de Mesa (o nome pomposo que escolheram para o jogo de botão). A cada carnaval, corria empolgado para o sobrado da família no afã de assistir, com ângulo privilegiado, à passagem do Bloco das Piranhas.

Foi da sacada daquele mesmo prédio - ainda de pé - que vi o bairro viver seu dia mais feliz. Beto Sem Braço e Aluísio Machado desfilaram em carro aberto, homens e mulheres se abraçavam, grupos de Clóvis movimentavam suas bexigas e sombrinhas, inimigos se reconciliavam, a auto-estima estalava em cada morador porque, com Bum bum paticumbum prugurundum, o Império havia vencido o desfile. Com a Portela em segundo, o Rio todo era Madureira.

Foi essa Madureira da minha infância que brilhou, cheia de viço e lustre, naquela tarde no Maracanã. E que hoje, felizmente, volta a reluzir a cada feijoada nas quadras das escolas, a cada baile soul sob o viaduto Negrão de Lima, a cada passo de jongo onde quer que seja. Reluz em resistência porque o madureirense, como o sertanejo, é sobretudo um forte.

Por isso, mesmo morando atualmente no Jardim Botânico, insisto em voltar lá sempre que posso. Seja para ouvir os versos nos quais Roberto Ribeiro exaltou a arte e lamentou a morte da vedete Zaquia Jorge ou para pedir um calor à baiana mãe de todos nós; seja para simplesmente olhar para aquelas ruas, refinar a alma e chorar um choro pungente, um choro para dentro, autenticamente feliz - como se Madureira inteira chorasse dentro de mim.

* Escritor e autor de "Somos todos iguais nesta noite"



 Escrito por Marcelo às 10h45
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Docblog

Resenhista de cinema de O Globo e do site Críticos.Com, além de autor de livros sobre Eduardo Coutinho e Maurício Capovilla, entre outros diretores, o amigo Carlos Alberto Mattos acaba de estrear, no Globo OnLine, um blog exclusivamente voltado para os documentários. No Docblog, o Carlinhos pretende contar novidades sobre a produção na área, além de analisar, com seu rigor e conhecimento sobre o tema, o que chega às salas de projeção ou à forma digital. Um dos destaques entre os posts atualmente no ar é a reedição do clássico O país de São Saruê, de Vladimir Carvalho, que acaba de ser lançado em DVD. O Docblog, é claro, já entrou para a listinha de links aqui ao lado.



 Escrito por Marcelo às 12h01
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Globo Zona Norte

O suplemento Globo Zona Norte trouxe, na edição de domingo passado, uma simpática matéria sobre meu livro. No texto que reproduzo a seguir, a repórter Vivian Rangel enfocou sobretudo a ambiência suburbana de alguns dos contos. 

"O retorno de um suburbano"

Marcelo Moutinho lança coletânea de contos inspirados na sua volta a Madureira, onde nasceu

Vivian Rangel

"Quando voltou a freqüentar a quadra da Império Serrano, há quatro anos, Marcelo Moutinho mergulhou no lapso entre a Madureira de suas lembranças e o bairro atual. Assustou-se com o êxodo de comerciantes e saudou a permanência da alegria na quadra da verde-e-branca. Despejou saudade, críticas e traumas em 22 contos que compõem o recém-lançado "Somos todos iguais nesta noite", editado pela Rocco.

Como adianta a orelha do livro - a segunda coletânea de contos do autor - o leitor deve esperar encontrar "meninos, velhos e moços, bêbados, travestis e namorados ingênuos que transitam por cenários suburbanos do Rio de Janeiro, choram e celebram suas fantasias de carnaval, se esquecem em botequins, vibram com a perspectiva da visita à casa do tio".

- Nesse livro, a visão do subúrbio está presente de forma mais direta. É o clímax de várias histórias. Os contos são inspirados pelo meu retorno ao bairro, mas também pelo espanto que senti em ver tantas transformações. Sinto saudades de uma Madureira sem tanto verniz - desabafa.

O verniz, para Moutinho, é pincelado pela mídia e intelectuais que só enxergam no subúrbio o que há de exótico, de interrupção. A crítica é evidente no conto "Jujuba verde" que se passa em um bairro onde o tempo estancou. Bairro "afastado do centro da cidade, e com a distância parecia que tudo ia desacontecendo à medida que suas ruas se aproximavam".

Ao lado dos protestos há homenagens como um conto dividido pelos quesitos de julgamento de uma escola de samba: da comissão de frente à dispersão. Que também relembra um dos ídolos do Império Serrano, o sambista Roberto Ribeiro. Obcecado pela infância, Moutinho descreve doces recordações, como um passeio pela praia de carro novo, e a paixão pela prima mais velha. Delícias que se misturam a dores do crescer como um tapa injusto ou uma demão de tinta que decreta fim de festa.

Apesar de admirar escritores como Lima Barreto e João do Rio, que trilharam o cotidiano dos subúrbio décadas atrás, Moutinho se inspira em Clarice Lispector e Dostoievsky. Em Kafka e Caio Fernando Abreu:

- Gosto da cidade, de observar a interseção de caminhos e pessoas. Como no poema de Ferreira Gullar: "todas as coisas de que falo estão na cidade entre o céu e a terra"."



 Escrito por Marcelo às 11h54
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Robert Altman

Com atraso, lamento aqui a morte de Robert Altman, cineasta singularíssimo, que como poucos soube usar a sinuosidade elegante dos planos-seqüência. Um cara que dirigiu M*A*S*H, O jogador e Short cuts merece, só por isso, todas as homenagens. 



 Escrito por Marcelo às 14h56
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Mais impressões

Vinícius Jatobá, por email - "Li seu livro ontem. Achei ele ótimo, do começo ao fim. Ao que parece vou ficar com Irajá e Madureira apenas para mim enquanto território ficcional, mas o que você está criando é uma literatura muito diferente daquela escrita por nossa geração. Essa estória de geração é uma bobagem, diria que diferente do que se publica hoje no país. É claro que há uma aproximação com aquilo que a Lisboa faz, senti isso em cada pequena linha, e também creio que você bebeu mais nos bons cronistas do que nos contistas de nosso passado. É uma pena que jornais não contratem mais cronistas, porque você certamente possui o talento para dar belos textos breves à nossa cidade maltratada. Por uma questão óbvia tenho me eximido esses anos todos de escrever sobre autores brasileiros, e me dói não escrever sobre gente como Figueiredo, Bracher ou até Mirisola; acho que poderia contribuir de alguma forma com minhas leituras, mas a política é pesada e prefiro escrever sobre literatura estrangeira, assim fico longe de problemas e pressões. E me dói não poder escrever nada sobre seu livro, porque ele é um ponto luminoso na prosa nacional hoje: um pequeno tomo que aponta o possível retorno do breve e cotidiano e desimportante como tema de livros. Os escritores pararam de se dedicar à vida de todos; é isso que seu livro parece apontar. Acho apenas que você pode mais, pode extrair mais de muitas situações que você cria. Acho que irá apreciar sobremaneira a literatura da canadense Alice Munro. Ela escreve sobre coisas banais e delas retira tudo, tudo: só fica o bagaço. Mas você é novo, a própria Munro só publicou o primeiro livro dela com 39 anos, então o que está fazendo hoje já é muito, bastante. Mas não pare. Continue."
 
Márcia Novaes, por email - "Seu livrinho (carinhosamente falando) é um falso-magro. Na verdade é um livrão. Não me espantei totalmente ao lê-lo porque já li seus outros dois livros e diversos contos em antologias e sei que você escreve muitíssimo bem mas, convenhamos, lhe daria a grande revelação do ano. Seu livro é amplo como um mundo que se expõe. E se reparte, multiplica, apresenta diversas visões como se espelhado fosse. Escolher um conto específico que tenha mais gostado é impossível. Senti a mão queimando na coxa direita e me lembrei do fusca azul anil em que minha própria família viajava para acampar em Cabo Frio ou visitar os avós em B.H. Um conto com gosto de ar no rosto.
'Jujuba Verde' eu já conhecia pois havia escutado de sua própria voz naquele encontro no teatro em Ipanema em uma noite de chuva onde várias pessoas leram seus textos. Lendo-o pela primeira vez me pareceu mais denso, mais emotivo, mais expectativa (minha e da menina, pela vida).
'Desfile' foi muito interessante. Sentia pelas linhas toda a movimentação, a correria pela preparação pela hora da largada, a ansiedade, mais uma vez a expectativa, era visual puro. Os diálogos, então, simplesmente perfeitos. 'Dia de festa' me fez quase colocar as mãos na cabeça quando Fabinho corre na expectativa, na voracidade de ver as marcações. Era como se eu o visse, correndo por uma escada, pulando dois em dois degraus para chegar mais rápido. 'Rosa noturna' é estupendo. Engraçado, trágico, romântico e cheio de esperança. Nunca havia lido um conto como esse, que misturasse tantos ingredientes diferentes e não perdesse a delicadeza. 'Menino no escuro' eu já conhecia. Novamente o li e ratifiquei meu gostar.
'Vermelho' foi um tombo. Seis linhas que me fizeram parar, fechar o livro com os dedos marcando a página e fechar os olhos, sentindo um oceano brotando sob minhas pálpebras. 'Da profundeza do azul' teve, para mim, um gosto de nostalgia. Não me pergunte por quê... ainda não descobri.
'Dedicatórias' foi uma delícia de referências maravilhosas dadas de mão beijada para quem procura por um bom itinerário. Felicidade em ver livros e autores que me encantam, ali personificados quase. Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles, Fernando Pessoa, Vinicius e João A. Carrascoza... Que timão! De todos eu sentia a sua escrita, uma mistura de carnes, estilos, cortes, delicadezas, precipícios, ensimesmamentos, sutilezas. 'Dias Raros' é belíssimo...você já leu 'Duas tardes'? E os infanto-juvenis? Ontem comprei três desse Carrascoza danado de bom, direcionados para crianças e adolescentes, mas como não acredito que boa literatura seja estanque, compartimentada por idade, estão aqui na fila de livros a serem lidos ao lado da cama. Enfim, 'Dedicatórias', para mim, foi como uma declaração à Arte, à Vida, à Escrita.
'Fragmentos de um espelho partido' me tocou - novamente - fundo (tenho seus livros pela 7 Letras e reencontrar seus contos é um reencontro de antigos amigos). 'Somos todos iguais nesta noite' me soou como se fosse a Crônica das crônicas, a grande mãe de todos os observadores, o imenso coração que bate em todos nós. Como se estivéssemos em rede, interligados, conectados ao mesmo tempo de vida, diferentes porém iguais nessa cumplicidade que é o sentir. É isso, meu caro amigo Moutinho, se é que posso chamá-lo de amigo mesmo nunca tendo conversado muito ou trocado muitas idéias... acredito que posso já que ninguém que não seja um grande amigo traz tanta coisa boa, sincera e bonita para alguém. Parabéns pelo livrão, seja feliz com seu amor e inspirado, sempre, para nos abençoar com tanta gentileza."


 Escrito por Marcelo às 17h46
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No "Idéias"

 

O suplemento Idéias publicou ontem a primeira resenha de Somos todos iguais nesta noite. Quem assina o texto, que se segue, é o escritor Alberto Mussa.

 

"Humanidade e delicadeza nas histórias de Moutinho"

 

Alberto Mussa

 

"Talvez ainda não se saiba explicar por que a maioria dos leitores prefira o romance ao conto, mas uma das razões é certamente a maior extensão da obra romanesca: o senso comum, parece, tende a considerar que um trabalho mais extenso resulta de um esforço maior de elaboração – tendo, portanto, maior qualidade. A esse propósito, é interessante observar o modo cada vez mais freqüente com que os contistas brasileiros têm se preocupado com a organização “exterior” das suas coletâneas, com o problema da coesão entre as narrativas. É raro o escritor que ainda adota o formato clássico (falo especificamente da literatura ocidental de origem européia), que consiste numa antologia de histórias soltas. Tem predominado, com efeito, a idéia de que um livro de contos deva possuir um “conceito” que lhe dê unidade – para enfrentar o romance e demonstrar que o gênero também decorre de um processo coerente e complexo de composição.

Na literatura brasileira, essa estratégia é relativamente antiga: começa com Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, passa por Pelo sertão, de Afonso Arinos, e chega até O vampiro de Curitiba, de Dalton Trevisan  – que reúne histórias de um mesmo protagonista e se torna muito pouco distinto de um romance. Mas há conjuntos em que o elemento aglutinador é menos aparente. Osman Lins, em Os gestos, dá coesão às histórias pelo emprego dos mesmos processos literários. Essa via tem sido a opção de contistas contemporâneos, como Rubens de Figueiredo (Contos de Pedro) ou Amílcar Bettega (Os lados do círculo).

E é também o caso de Marcelo Moutinho, que acaba de lançar Somos todos iguais nesta noite, sua segunda coletânea de contos. O livro está segmentado em dois blocos – “Iguais” e “Noite” – , cada um deles contendo onze textos: seis contos intercalados por cinco singelos fragmentos narrativos, funcionando com uma espécie de “liga”. Essa disposição, rigorosamente simétrica, é em si bastante para tornar as partes indissociáveis do todo. E vai além: cria um ritmo interno de leitura. São estes fragmentos, aliás, profundamente líricos e não seria exagero aproximá-los da poesia. Como este “Vôo”, por exemplo:

“Quando atirou-se pela primeira vez teve medo. Os pulsos não eram firmes como hoje, nem havia força bastante nos braços. Com os anos, o salto virou afazer: coração a oitenta, suor nenhum, só a espera do banho. Mas o medo dera lugar ao fastio, não à coragem. A expectativa da rede pode tirar o prazer do vôo.”



 Escrito por Marcelo às 13h36
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Como se pode perceber, o estilo de Moutinho é leve e transparente, totalmente isento dos experimentalismos formais que tantas vezes dificultam a apreensão do sentido. O tema da solidão domina o livro: o amor que morre (“Dedicatórias”, “Fragmentos de um espelho partido”); o que não se realiza (“Fogos”, “Sexta-feira de cinzas”); as frustrações da infância ante a insensibilidade adulta (“Passeio em família”, “Jujuba Verde”, “Dia de festa”). São histórias de pessoas comuns, submissas à rotina trivial da vida, tendo o Rio de Janeiro como fundo.

De certa forma, Somos todos iguais nessa noite é um título contraditório, porque – embora esteja debruçado sobre situações quotidianas – Moutinho tenta captar o que nelas há de singular. Em “Desfile”, por exemplo, temos uma velha costureira meio cega que identifica as cores pelo som dos tecidos. Este conto, aliás, é uma feliz inserção pelo universo do carnaval e das escolas de samba, de que tanto carece a literatura brasileira.

Na peça que dá o título e fecha a coletânea, um grupo de pessoas solitárias, que freqüentam o mesmo botequim, tomam a decisão inusitada de seguir um misterioso freguês, que não fala com ninguém. Em “Menino no escuro” (conto inspirado numa tela de Iberê Camargo), objetos desaparecem numa atmosfera aterrorizante e fantástica, na melhor tradição de Cortázar. Em “Rosa noturna”, acompanhamos os programas de um travesti na praça Paris, que se encerram com um incidente inesperado, de que Moutinho extrai uma conclusão belíssima.

Adriana Lisboa, que assina a orelha, diz que “Rosa noturna” é o melhor conto do livro. Eu talvez escolhesse “Da profundeza do azul” – um das histórias mais comoventes que pude ler nos últimos anos. Os leitores, certamente, poderão ter outras preferências. Porque Somos todos iguais nesta noite é uma obra muito humana, muito delicada, que – no panorama atual do conto brasileiro – sobressai."



 Escrito por Marcelo às 13h35
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Línguas

"Ouço os meus filhos falar inglês
entre eles. Não os mais pequenos só
mas os maiores também e conversando
com os mais pequenos. Não nasceram cá,
todos cresceram tendo nos ouvidos
o português. Mas em inglês conversam,
não apenas serão americanos: dissolveram-se,
dissolvem-se num mar que não é deles.
Venham falar-me dos mistérios da poesia,
das tradições de uma linguagem, de uma raça,
daquilo que se não diz com menos que a experiência
de um povo e de uma língua. Bestas.
As línguas, que duram séculos e mesmo sobrevivem
esquecidas noutras, morrem todos os dias
na gaguez daqueles que as herdaram:
e são tão imortais que meia dúzia de anos
as suprime da boca dissolvida
ao peso de outra raça, outra cultura.
Tão metafísicas, tão intraduzíveis,
que se derretem assim, não nos altos céus,
mas na caca quotidiana de outras".

Jorge de Sena

P.S. Encontrei este poema no blog Absorto, do amigo Eduardo Graça...



 Escrito por Marcelo às 11h20
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Fílmicas

Enfrento atualmente uma verdadeira maratora de filmes, para me qualificar a um voto justo na reunião de fim-de-ano da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ). Entre as produções a que assisti nos últimos destacaria três:

. O ano em que meus pais saíram de férias - A ótima estréia de Cao Hamburguer em longa-metragem rendeu um filme admirável, no qual a cromatização cinzenta, sem brilho, reforça a idéia-força do enredo: o desamparo de um menino que vê abruptamente desfeito seu núcleo familiar sem razões aparentes (o sumiço de seus pais, fugindo da repressão, não lhe é explicada, obviamente). A condução da história é feita com delicadeza, e o diretor tem a sabedoria de, mesmo diante da aridez da situação, sublinhar com poesia o amadurecimento 'a fórceps' do garoto, que aliás é interpretado com grande talento por Michel Joelsas. O trabalho de Cao Hamburguer me remeteu a pelo menos dois outros filmes: o metafórico Quando papai saiu em viagem de negócios, de Emir Kusturica, pela evidente proximidade temática, confessada na alusão do título, e o adorável Um dia muito especial, de Ettore Scolla, entre outros elementos pelo filtro de um quadro social dramático a partir de um microcosmo.

. Eu me lembro -  Aqui também há uma influência clara: Armacord, de Federico Fellini. O filme de Edgard Navarro realiza uma espécie de balanço afetivo de sua trajetória pessoal, da infância numa conservadora família baiana ao desbunde no auge da repressão. Lírico, bem-humorado e lisérgico em alguns momentos, o trabalho de Navarro vence alguns problermas de ritmo com sua extrema sinceridade. O recorte do passado, feito pela memória, é menos um olhar didático do que um inventário subjetivo, fragmentário, estilhaçado, daquilo que tornou o protagonista um homem. Mas apesar desse foco individual, o filme não deixa de "comentar" traços culturais eminentemente brasileiros.

. Corte - Demonstrando boa forma, Costa-Gravas debruçou-se sobre a questão do desemprego causado pelas "reengenharias" características do processo de globalização. Sem panfletarismo barato, seu filme expõe o degredo a que pode ser levado um indivíduo quando centrou as bases de sua vida sobre o sucesso burguês. A trama - homem que fica desempregado e resolve 'eliminar' seus possíveis concorrentes numa vaga de traabalho - é urdida com eficiência, a ponto de o espectador torcer pelo protagonista mesmo diante de seus crimes. 

Ainda faltam os novos Almodóvar e Scorcese. E hoje estreou aquele que talvez seja o filme pelo qual mais aguardei neste ano: Amantes constantes, do diretor francês Phillippe Garrel, um veterano cineasta cujo trabalho (ao que parece) nunca fori exibido no Brasil...

Fechando a lista de boas novas: acaba de sair em DVD o raro São Paulo S/A, de Luiz Sérgio Person...



 Escrito por Marcelo às 10h43
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Primeiras impressões

Temendo soar cabotino, estava em dúvida sobre postar aqui os emails recebidos de amigos que já leram o novo livro. No entanto, como pretendo reproduzir as resenhas que porventura saírem (elogiando ou atacando), decidi colocar também essas mensagens, cuja principal marca é a sinceridade.

Adriana Lisboa, na orelha - Os personagens deste livro às vezes dizem palavras com gosto de doce de leite. Noutros momentos têm expressão de quem ainda acredita em Godard e na Revolução. Alguns detestam dormir cedo, hesitam quando a mãe os abraça e gostam de janelas embaçadas. É nesses pequenos traços, nessas pequenas rugas de existência que firmam com o leitor seu pacto de cumplicidade. Olhar depurado sobre o humilde cotidiano, que faz pensar na lição de Manuel Bandeira, Marcelo Moutinho observa o mundo com cuidado. E tem com as palavras aquela difícil e necessária relação inovadora – não porque requente ousadias formais passadas, que já não fariam nenhum sentido, mas porque propõe imagens para além do óbvio, expressões que redescobrem a verdade já banalizada e reificada pelo cotidiano. O que vem a ser, aliás, um dos sentidos da palavra poesia, poíēsis, em sua origem: fabricação, confecção. Somos todos iguais nesta noite reúne contos de boxeador, daqueles que nos nocauteiam no primeiro round, conforme ensinou outro mestre, Julio Cortázar. E também de sensível poeta, seguro de si, de mão já treinada por ótimos livros anteriores.  Meninos, velhos e moços, bêbados, travestis, namorados ingênuos transitam por cenários suburbanos do Rio de Janeiro, choram e celebram suas fantasias de carnaval, se esquecem em botequins, vibram com a perspectiva da visita à casa do tio, são felizes com a nesga de mar que adivinham da janela, ganham a noite na zona de prostituição na Praça Paris – como Teresa, no melhor conto do livro. Desenham-se na sinuosidade da memória, na intransigência da dor e da tristeza, mas sobretudo nessa grave insistência, demasiado humana: o amor. O amor da amizade, o amor da vida, o amor do amor. Seja nas narrativas mais longas como nos mini-contos, relâmpagos curtíssimos, criteriosamente intercalados nas duas partes que compõem este livro: somos, leitor e autor, personagens, vida e literatura, de fato, todos iguais nesta longa noite". 

Francisco Bosco, por email - "Descobri, com surpresa, que você é uma mistura de poeta parnasiano com Wong Kar Wai! Brincadeiras à parte, digo isso porque você tem uma habilidade especial quanto às 'chaves de ouro': seus contos quase sempre dirigem-se a um final imprevisto, que os reorganiza retrospectivamente e provoca no leitor um pequeno e delicioso susto. É assim logo no conto de abertura, em que aquele tapa traumático continua ardendo, muitos anos depois, como os membros mutilados, dizem, no corpo daqueles que os perderam. É assim no ótimo e mametiano 'Fogos', em que compartilhamos com você o prazer meio masoquista de tirar a carta mais sustentadora de um castelo tão minuciosamente montado quanto abruptamente derrubado. É assim, ainda, em 'Dia de festa' (um de meus preferidos), quando a parede pintada é o 'correlato objetivo' (Eliot) exato e contundente de uma pequena catástrofe afetiva.  esse final, especialmente, me emociona. Mas todas essas torções finais estão ligadas à questão do instante: é sempre um instante que as causa. Daí eu ter brincado com o Kar Wai, pois no cinema deste há sempre um instante em que as coisas poderiam ter acontecido, e tudo se realizaria; mas não: esse instante é deceptivo - os personagens quase esbarram um no outro, porém sem se tocar, em câmara lenta - e engendra toda uma série de desacontecimentos. Qm seus contos, entretanto, o instante é iluminador, e não dissolvedor do mundo. De resto, não sei se você conhece a conferência em que Borges, citando Montaigne ('não leio nada sem alegria'), afirma que 'a literatura é uma forma de felicidade, e que a felicidade não deve requerer esforço' (por isso, ele prossegue, 'considero Joyce um escritor fracassado'). Não vou entrar propriamente no problema, imenso, como vc deve saber, quero só sublinhar a legibilidade de seus textos, que nunca criam resistência à leitura, sem deixar, entretanto, de buscar surpreender o leitor. Talvez, Marcelo, você devesse dar a essa plena legibilidade uma dose de estranheza um pouco maior; digo isso só porque o conto que mais gosto em todo o seu livro é aquele a partir de Iberê: nele, a legibilidade é envenenada, desde dentro, por um inapreensível, um irreconhecível. Exatamente como na figuração espectral do último Iberê, a legibilidade, sem deixar de ser legível, consegue captar um certo ilegível, irrepresentável. Enfim, talvez a economia de sua escrita ganhasse em radicalidade nessa direção. Tenho que dizer ainda que gosto muito da idéia da alternância entre os contos curtos e os pequenos flashes: dá ritmo à leitura. Parabéns e grande abraço".



 Escrito por Marcelo às 17h11
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André de Leones, em seu blog - “O livro de Marcelo Moutinho, Somos todos iguais nesta noite. Pequeno, portátil, conciso, mas não coube em mim. Há ali: a minha infância, um passeio de carro com meu pai. Há ali: o dia em que eu me aposentar. Há ali: minhas unhas. Marcelo escreveu uma pá de coisas ali pra mim. Obrigado, Marcelo”.

 

Ieda Magri, por email - “Acabei de ler o livro. aAinda estou meio anoitecida e só quero adiantar esse bichão que se instalou aqui dentro. Tenho que discordar de Adriana Lisboa: não posso escolher o melhor conto entre ‘Rosa noturna’, ‘Da profundeza do azul’ e ‘Somos todos iguais nesta noite’. Aliás, o livro não tem nenhum buraquinho. Todos os contos são o melhor. Difícil fazer livro assim, só de coisas boas, difícil manter o tom, difícil, enfim, alcançar profundidade. E os minicontos, visualmente, pareciam a pausa pra tomar respiro antes de novo mergulho: que nada! Uma Atlântida... Um beijo e obrigada por esse mergulho!"

Lucia Bettencourt, por email - “Adorei o seu livro. Mal recebi a sua dedicatória e subi para jantar lá em cima. Só que o que devorei mesmo foram os seus contos. Excelentes. (...) Estou de corrida, fazendo as malas. Mas volto a te escrever. Só queria que você soubesse que seus contos foram fundo nas minhas próprias experiências: sangraram." 



 Escrito por Marcelo às 16h57
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Sorteio

Por iniciativa do amigo imperiano Carlos Andreazza, o site Tribuneiros está sorteando um exemplar de Somos todos iguais nesta noite. Para concorrer, basta se cadastrar lá.

 Escrito por Marcelo às 16h46
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Enfim, as fotos

Foram 104 autógrafos, na presença de uma pá de amigos que me honraram enfrentando a noite chuvosa para prestigiar o lançamento do meu novo livro. Abaixo, estão alguns dos registros da festa, que contou com esticadas ao bar Paz e Amor e ao Jobi, de onde saímos às 4h30 cantando Aquarela Brasileira.

   

  

  

   

  

  

  

  

  

  

  

  

  

Legendas: 1. Débora Tomé, 2. Paulo Roberto Pires, 3. Milena, da Livraria Leonardo da Vinci, 4. Adriana Lisboa, 5. F., 6. Monica Ramalho, 7. Cristiane Costa, 8. Flávia, Patrícia e Nininho, 9. Pepê Paulo Malta, 10. Família Janot, 11. Fipo e Rodrigo, 12. Hugo Sukman, 13. Paula e Leonardo Lichote, 14. Elisa Izhaki, 15. Rosana Caiado, 16. Hilda Badenes, 17. Antonio Torres, 18. Alvinho Marechal, 19. Juliana e Marcelo Gonçalves, 20. HR, 21. Flavio Vaz, 22. Crib Tanaka, Camila Perlingeiro e Mariana Newlands, 23. Nilze Carvalho e Camila Costa, 24. Michelle e Wanderley Monteiro, 25. Lúcia Bettencourt, 26. Sidney Silveira, 27. Luiz Carlos e Solange, 28. Alfredinho do Bip, 29. Lícínio, 30. Beatriz Resende, 31. Minha afilhada Tathy, 32. Luiz Eduardo Matta, 33. Flávio Izhaki e Bá, 34. Reíza, 35. Rosana Lobo, 36. Thaís Motta e Marvio Ciribelli, 37. Jaime Gonçalves Filho, 38. Francisco Slade, 39. Thiago "Pratinha" e Rodrigo Ferrari, da Livraria Folha Seca, 40. Sergio Sant'Anna, 41. A primeira esticada, com Miguel Conde e Arnaldo Bloch, entre outros amigos. 



 Escrito por Marcelo às 11h29
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Fotos do lançamento

As fotos feitas a partir do negativo estão revelando. Até amanhã posto aqui, com comentários sobre a ótima noite de autógrafos.



 Escrito por Marcelo às 13h06
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Poema

Recebi este poema de presente hoje pela manhã, nesta manhã de um dia que começou estranhamente difícil. Misterioso e maravilhoso talento este que certos amigos têm de chegar na hora certa - e ficar. Obrigado, HR.

"Passagem de bicicleta" 

                          Para Marcelo Moutinho

Henrique Rodrigues

"saio de bicicleta e guio pela noite que é memória
ao longo de uma cidade cheia de vertigem

digo cidade porque é o nosso campo de vida
e digo noite porque é longa,
                                             multidão de si
               
os aviões, os carros, os maratonistas que correm
                                  com as próprias pernas
vou mais devagar que todos eles:
veloz não eu, mas esta noite
dentro da qual me projeto no tempo
                                que a bicicleta permite e alonga

o engano de me ter equilibrado
é o que move e projeta, não
                                   o corpo que sua e
                                   pedala e sofre
porém é antes uma espera, um vir-se

intensa, intensamente sobre
                                    todas as coisas feitas
                     - essas que passam devagar –
repousam seus reflexos, suas
                                 auto e inter-sombras

antilembranças, formas, cheiros, sobras

(também quase me derrubam esses buracos
                                     fantasmas de idéias)

as curvas simples
                                               retas longas
                     cruzamentos
os trechos claros, os desvios fáceis
                                    claramente disfarçados de atalhos

(o oco denso e amplo dos caminhos deixados para trás)

há os que guiam sem as mãos
os que assoberbados baralham os próprios pés nas correntes
os que sabendo ou não andam em círculos
os que como você e eu suportam o peso das bagagens

(ai, e essa sensação de esquina...)

todos nós na mesma noite em suas várias sendas

a noite é escura mas sem nuvens, somos
vigiados por estrelas tantos
                                             olhos mortos de Deus
                                       
aumentamos a velocidade, ultrapassamos
tantas contingências, nossas mãos
trêmulas pela dureza da jornada
pernas fatigadas (não retinas)
na espera calma da continuidade:

estamos levemente amanhecendo"



 Escrito por Marcelo às 15h36
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Segunda-feira, na Travessa de Ipanema

Leitores, amigos e inimigos: espero vocês todos lá!



 Escrito por Marcelo às 11h00
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Antonio Candido

Muito boa a entrevista que o amigo Rafael Cariello fez com o grande Antonio Candido na Ilustrada (Folha de S. Paulo) de hoje. No ganho do relençamento de toda a sua obra, o escritor comenta, entre outros assuntos, sobre as relações entre a literatura e a cidade, seus livros e o trabalho da crítica. Lúcido, Candido defende que a clareza deve ser uma das buscas de quem se dedica ao ofício. Reproduzo, abaixo, um trecho da entrevista. Leia a íntegra aqui.

"FOLHA - O sr. chegou a ser criticado por esse seu estilo?
ANTONIO CANDIDO - Há muito tempo um colega do Rio disse que sou claro por ser superficial, pois as coisas profundas são necessariamente complexas e só podem ser expressas de maneira equivalente. Quem sabe? É preciso notar que em matéria de estudos literários sou autodidata, formado, não em letras, mas em ciências sociais. Aprendi a fazer crítica na imprensa, sobretudo neste jornal, depois de um início em nossa revista "Clima", de modo que me acostumei à fluência jornalística. Mas no fundo não gosto mesmo de termos difíceis, como os que predominaram no tempo da moda estruturalista. Freqüentemente eles são um jeito de dar aparência profunda a coisas simples."



 Escrito por Marcelo às 15h20
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Transcriações

  

 

Grafiteiros e escritores - além do DJ Machintal, que mostrou extrema sensibilidade na seleção das bases que serviram de fundo às leituras - foram responsáveis por um delicioso encontro ontem na Glória. O I Grap (Grafite + Rap + Poesia) já nasceu prometendo dar frutos, e eu fiquei particularmente tocado com a "transcriação" que a grafiteira Ira fez de meu miniconto Pescaria (que, aliás, faz parte do novo livro). Além deste, tive "transcriado" também o texto Peso, que foi trabalhado pelo Chico, e outros grafiteiros, como Preas, Bragga e Ment, inspiraram-se em poemas de Claudia Roquette-Pinto, Paulo Henriques Britto, Eucanaã Ferraz, Marcelo Diniz, ALberto Pucheu, Angélica Freitas, Antonio Cícero, Sergio Cohn e Francisco Bosco, para imaginar telas desconcertantes. Acima, estão algumas imagens da noite de ontem. Abaixo, as reproduções de Pescaria e Peso, com os correspondente grafites da Ira (comigo na foto) e do Chico.

Pescaria

Como fosse possível pescar estrelas com tarrafa, ele joga a rede ao céu toda noite. Menos quando o tempo nubla.

("Não consigo enxergá-las", explica).

Que não perguntem por que cata estrelas, nem digam que explodiram e são só brilho esparso, quimera, tapeação.

Pescar nada tem a ver com pegar peixes.

Peso

Levantou, abotoou a calça, deu dois passos até a porta - e se foi. Queria uma liberdade à qual não sabia dar nome; um vôo rasante, um salto impossível. Hoje flutua - lívido, leve como pluma -, sem as enormes asas de ferro. E contempla o chão, com saudade.



 Escrito por Marcelo às 11h03
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Qualquer

Bacana pacas o novo cd do Arnaldo Antunes, mais uma produção do competente Alê Siqueira. Qualquer é um disco cheio de meio-tons, de cores pastéis, de delicadezas que escorrem de músicas que são quase sussurradas pelo cantor. No trabalho, ele mistura canções inéditas com regravações dos Novos Baianos (Acabou chorare) e da própria lavra (Lua vermelha), que se integram à perfeição e lhe dão uma impressionante organicidade. É um disco para ser ouvido em volume baixo e bem devagar, para que a beleza dos versos e arranjos ultrapassem uma (possível) primeira impressão de monotonia e se mostrem inteiramente. Versos metafisicos como "em volta de um assunto / uma lente / depois de cada luz / um poente / para cada ponto / um olhar rente", de Para lá (Arnaldo e Adriana Calcanhotto); ou contundentes, como "Quando as sirenes começam a tocar / antecipando as mil bombas que vão despencar / e me lembro dos ataques de outros tempos / sobre a nossa bagdá", de Nossa Bagdá (de Péricles Cavalcanti), ganham registros que se aproximam da chamada MPB, com suaves orquestrações marcadas pelas profusão de cordas - violões, baixo, bandolins, guitarras e piano. Uma beleza, em suma.



 Escrito por Marcelo às 16h50
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Maravilhas contemporâneas

Do blog do Fernando Moreira, no Globo On:

"Sinal dos tempos: ator desmente boatos de que seja hetero"

"Gays lutam pelo direito de ter o casamento reconhecido pelas leis. Gays lutam pelo direito de adotar crianças. Paradas gays se espalham pelos cinco continentes. Apesar de claros sinais de avanço em diversas sociedades, ainda há forte preconceito. Temendo represálias, não é incomum ver estrelas pop desmentindo boatos sobre sua sexualidade. Mas o que o ator americano Neil Patrick Harris fez é inédito para mim! A estrela de 33 anos veio a público para desmentir rumores de que seja heterossexual! "Tenho muito orgulho de dizer que sou um homem gay muito contente, vivendo minha vida ao máximo", disse ao site da revista "People" o astro da série de TV americana "How I Met Your Mother", da rede CBS. Ao mesmo tempo, um dos maiores líderes evangélicos dos EUA, Ted Haggard, está envolvido em um escândalo em que é acusado de manter uma relacionamento de três anos com uim garoto de programa. O pastor, feroz crítico do casamento gay, jura de pés juntos: é hetero!"



 Escrito por Marcelo às 16h33
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Grafite + Rap + Poesia

Amanhã a Galeria Severo 172 (Rua Augusto Severo, 172 - Glória) vai sediar o I Grap = Grafitti + rap + poesia, exposição/evento que reunirá escritores e grafiteiros numa interessante troca artística. O encontro foi idealizado pela poeta Cláudia Roquette-Pinto, que convidou outros 17 autores para cederem textos que serviram de inspiração ao trabalho em grafite. A idéia é explorar as possíveis afinidades e relações entre a palavra e o universo da cultura de rua, incluindo ainda o rap. Quinze integrantes dos coletivos Nação e TPM foram os responsáveis pelos grafites e haverá VJs projetando imagens formuladas a partir dos poemas. Um miniconto que faz parte do meu novo livro será um dos textos trabalhados, ao lado de poemas de Paulo Henriques Britto, Antonio Cícero, Francisco Bosco, Alberto Pucheu, Marcelo Diniz, Agélica Freitas, Chacal, Sérgio Cohn e da própria Cláudia, entre outros, que estarão presentes. O evento começa às 19h30 e quem quiser ir deve deixar o nome aqui para que eu possa incluir na lista de convidados. 



 Escrito por Marcelo às 11h47
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Ruffato, Chico e Eucanaã

  

Começa amanhã a maratona de lançamentos deste mês de novembro: no Bar Desacato (Rua Conde de Bernadote, 26A - Leblon), às 19h, Luiz Ruffato apresenta aos leitores cariocas o romance Vista parcial da noite, parte final da triologia Inferno provisório. Na Travessa de Ipanema, a partir das 20h, o amigo Chico Bosco e o gente-boa Eucanaã Ferraz lançam, respectivamente, os volumes sobre Dorival Caymmi e Vinícius de Moraes da coleção Folha Explica. Até dia 31, ainda tem o meu, o do Henrique e o da Ana Beatriz Guerra.



 Escrito por Marcelo às 12h22
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Release

A quem interesar possa: o release do novo livro já está no ar no site da Rocco. Confira aqui.

 Escrito por Marcelo às 17h34
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Revista Bravo!

Na confusão da minha mudança, perdi uma edição da revista Bravo! que me era muito cara. Trata-se do número de agosto de 2001, cuja capa traz a manchete O país surreal (imagem acima). Se alguém por acaso tiver essa revista em casa, gostaria de comprar. Peço a ajuda de vocês para tentar consegui-la...



 Escrito por Marcelo às 16h21
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