200 anos de imprensa

A Fundação Casa de Rui Barbosa e a PUC-Rio vão promover, de 4 de setembro a 9 de outubro, um curso que parece ser bem interessante. Em O Rio por escrito: 200 anos de imprensa na cidade, será analisado, em 15 encontros, como a fotografia, as polêmicas, a música, as crônicas, a política e a religião foram retratadas nas páginas dos jornais cariocas ao longo dos últimos dois séculos. As aulas acontecerão da Casa de Rui Babosa e mais informações podem ser obtidas pelo telefone 0800-909556.



 Escrito por Marcelo às 10h46
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Classificados

Procuro apartamento amplo, de 2 ou 3 quartos com dependência, nos bairros da Urca, Botafogo, Laranjeiras, Humaitá ou Jardim Botânico. Quem souber de algo, pode me avisar através do e-mail m.moutinho@uol.com.br.

 Escrito por Marcelo às 13h09
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Cidades

"Lisboa
Quando atravesso - (...) o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse"

Sophia de Mello Breyner



 Escrito por Marcelo às 10h54
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16 meses

"Pontos cardeais"

Ivan Lins / Vítor Martins

"Seu olhar
É pra mim um mar bravio
Onde arrisco meus navios
Toda vez que deixo o cais
Perco tudo
Esse ar de quem não sonha
O orgulho, a vergonha
Os meus pontos cardeais

Perco ainda
Os maus pressentimentos
O cordão de isolamento
Dos meus dias sempre iguais
Perco tudo
O rancor dos infelizes
O temor das cicatrizes
Que um grande amor nos faz

Pra que querer mais
Pra quer dizer mais
se eu nunca vi tão perto de ser feliz"



 Escrito por Marcelo às 23h07
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Jules e Jim

Como vocês podem ver na própria logomarca do blog (quem já foi lá em casa, lembra do cartaz em plena sala), sou fã de carteirinha de Jules e Jim, de François Truffaut. Pois bem: o romance de Henri-Pierre Roché, que deu origem ao filme e nunca havia saído no Brasil, esá sendo lançado pela Jorge Zahar, em edição acrescida do roteiro de Tuffaut e muitas fotos. O lançamento oficial acontece hoje, às 17h, no Odeon, com projeção do filme, coisa rara por aqui, e posterior debate, que contará com a presença de Jean-Michel Frodon (diretor da Cahiers du Cinema) e dos cineastas Cacá Diegues e David França Mendes.



 Escrito por Marcelo às 10h58
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Minhas sete maravilhas

Ontem, na coluna Gente Boa, o Joaquim Ferreira dos Santos publicou as listas das sete maravilhas do Rio de Janeiro feitas por alguns cariocas, entre eles a cantora Beth Carvalho e o amigo escritor João Paulo Cuenca. Seguindo a idéia do Joaquim, listo, aqui neste meu cantinho, as minhas sete particularíssimas:

. O restaurante Nova Capela;

. O GRES Império Serrano;

. O Bip Bip;

. O pôr-do-sol visto da murada da praia da Urca;

. Os Arcos da Lapa;

. O Centro histórico da cidade;

. O Maracanã.


P.S. 1. Como são apenas sete itens, tive que deixar de fora muitos outros. Lamento, por exemplo, pela lua cheia sobre a Praia Vermelha, que é de deslumbrar...

P.S. 2. Tirei esta foto aí em cima há cerca de dois anos, de dentro do meu carro, a caminho da Rua Joaquim Silva...



 Escrito por Marcelo às 10h32
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Na mosca

Leitor obsessivo de jornais, sou sobretudo um admirador de bons títulos. Há muito tempo não lia um tão adequado, tão 'na mosca', como o que ilustra a capa do suplemento de Esportes de O Globo de hoje. Ao anunciar o hecampeonato dessa nossa admirável seleção de vôlei, a manchete alfineta com toda a pertinência aquela outra, a de futebol, que se afundou na própria prepotência.



 Escrito por Marcelo às 13h15
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Flávio Carneiro

Na próxima quarta, o amigo Flávio Carneiro lançará A confissão, seu novo romance. O livro é protagonizado por um seqüestrador que, durante uma longa madrugada, tenta explicar para sua vítima as razões de sua captura. O lançamento acontecerá na Livraria Prefácio, a partir das 19h.



 Escrito por Marcelo às 11h56
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Imperianos de fé

Ontem, durante a comemoração do aniversário da Vicki no Bar Urca, tive o prazer de papear com o grande Délcio Carvalho. É claro que, entre muitos assuntos e promessas de futuras parcerias, a conversa acabou enveredando pela nossa paixão pelo Império Serrano. E foi aí que pude conferir in loco uma preciosidade: a cédula de compositor da escola, datada de 1966, que ele carrega guardada num escaninho especialíssimo de sua carteira. Mui humildemente, também mostrei minha carteirinha verde-e-branca, bem mais recente e que é de simples componente, mas que guarda uma paixão do mesmo tamanho, daquele tamanho que só os imperianos de fé conhecem. Ah, sim: por falar no Délcio, adianto aqui que no próximo dia 11 de setembro, às 19h, ele lançará seu próximo disco - Profissão compositor - no Teatro Rival. Anotem desde já.



 Escrito por Marcelo às 11h21
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Torquato Neto

Estréia no Rio (mas ao contrário do que divulgaram os jornais, a sessão de hoje é so para convidados) a peça Atorquato, que pretende contar a vida do grande Torquato Neto. Poeta, letrista, ator - ou seja, artista multifuncional, de imenso talento e cuja obra admiro intensamente -, Torquato nasceu em Teresina (PI) em 1944. Aos 22 anos, veio para o Rio para estudar jornalismo e por aqui trabalhou em diversos jornais, entre ele a Tribuna da Imprensa, onde manteve a célebre coluna Geléia Geral. Torquato foi também um dos 'fundadores' do movimento Tropicalista e é autor canções fundamentais, como Mamãe, coragem, Geléia geral, Louvação e a dilarecante Pra dizer adeus. Em 1972, ele suicidou, deixando um bilhete em que anotava: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar". Parte de seu legado está reunido no livro Os últimos dias de paupéria, recentemente relançado, e na antologia 26 poetas hoje.

A peça dirigida por Antonio Quinet e estrelada pelo competente Gilberto Grawronski (Cristina Aché e Rodolfo Botino também estão no elenco) vem, portanto, relembrar a trajetória desse artista singular. E eu, que não sou bobo, vou conferir logo que puder. Ficam, aqui, a dica e um poema do moço.

"Cogito"

Torquato Neto

"Eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

Eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

Eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

Eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim".



 Escrito por Marcelo às 15h51
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Aldir contra o Malvadeza

Chamado de "canalha" por aquele que, melhor do que ninguém, personifica a palavra - o senador Toninho Malvadeza -, o grande Aldir Blanc preparou uma crônica-resposta que o Jornal do Brasil não quis publicar. Convocados pelo Eduardo Goldenberg, vários blogs estão fazendo o seu desagravo ao Aldir, com a veiculação do texto, que se segue. Quem quiser divulgá-lo, basta copiar daqui.

"BOLÔ-FEDEX

Leva, meu samba, meu mensageiro, esse recado...

O Sena-Sênior ACM, vulgo Malvadeza, me acusou de ser “um elemento lulista infiltrado” no JB. E concluiu seu arrazoado (?) me chamando de canalha.

Senadô-Skindô, por mais que eu viva nenhum elogio me trará orgulho maior do que ser chamado de canalha por V. Excrescência. Quem lê minha coluna sabe que o pau canta à direita, à esquerda e, claro, no centro, com igual prodigalidade. Espero que a grande famiglia pefelista já tenha providenciado junta médica competente para lubrificar os parafusos do Cacicão. A julgar pelas suas mais recentes declarações, as encrencagens, desculpem, engrenagens, estão precisando de uma lubrificada urgente: ginkgo biloba, piracetan, talvez um viagrinha... O senador, craque em prestidigitação, mais uma vez misturou as bolas: combatividade é muito diferente de baba paranóica escorrendo gravata parlamentável abaixo.

A ojeriza é mútua. Estou farto de maquiavelhos de fraldão deitando regras. Toda essa mixórdia envolvendo valeriodutos, mensaleiros, sanguessugas e saúvas, começa com políticos da sua estirpe. O mecanismo é manjado. Se as denúncias favorecerem meu partido, palmas, vamos apurar. Agora, se a canoa virar, o denunciante passa a bandido e fim de papo, vai ser preciso buscar a propina em outro guichê. A máscara-de-pau que descrevo acima é suprapartidária. Os que não a exibem são as exceções que confirmam as regras vigentes. Quando as regras rompem os diques e escorrem periferia abaixo, não há Lembo Pétala-Macia que evite derramamento de sangue - na maioria dos casos, inocente. Mas o meu negócio não é discurso, é galhofa. Já que falei em bolas misturadas... Dizem que um velho político pefelista, preocupado com as más performances nos palanques, procurou um médico, antigo cupincha de castelo e carteado.

- Tô com um problema, num sabe? Bem na... plataforma de lançamento.

- Hein?

- Pois é. Gases. Uma coisa impressionante. Além das explosões e dos odores, tem hora que chego a levitar. Uma assessora já foi arremessada contra meu contador de caixa 2. Estão hospitalizados. Isso não pode continuar.

O amigo explicou que aquela não era a especialidade dele, mas que pensaria no assunto, conversaria com colegas renomados, faria até pesquisa na internet.

No comício seguinte, o esculápio apareceu com um vidro misterioso, sem rótulo, e entregou ao político:

- É pra...

Mas o tumulto, o puxa-saquismo, os vivas, a euforia bem remunerada impediram a necessária e urgente troca de informações. Cerca de meia hora depois, o SSJE (Secretário para Superfaturamento Junto a Empreiteiras) agarrou o ilustre médico pelo paletó.

- Corre que o Chefe tá pegando fogo nas... nas partes baixas.

- O quê?!?

O socorrista encontrou o parlamentável feito um bebê, sem calças, com uma brutal reação alérgica na proa da região pélvica.

- Mas... Eu mandei você beber a poção e você esfregou nos...

- No calor da luta política, eu confundi peido público com pêlo púbico."

Aldir Blanc



 Escrito por Marcelo às 12h57
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Aldir, 60 anos

Saideira no Capela, após o ótimo show de Vera Mello (sobre o qual em breve comentarei) em homenagem ao Aldir no CCC: na seqüência em sentido horário, Hugo Sukman, Mary, Aldir, Luis Pimentel, F., eu e Paulo Roberto Pires...



 Escrito por Marcelo às 15h09
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Não me abandone jamais

 

Em meio a tantas estréias (confira abaixo), tenho minha primeira resenha publicada no Jornal Rascunho. O livro em questão é o ótimo Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro (foto), que recomendo com entusiasmo. De todas as que já escrevi, esta talvez tenha sido a resenha cujo resultado final mais me satisfez. Leia abaixo um trecho do texto. Confira a íntegra aqui.

(...) Assim como os personagens, o leitor é conduzido gradualmente da atmosfera idílica do internato à revelação do porvir inexorável e terrível que os aguarda. O vácuo que o amanhã representa é aceito com resignação, e na esteira de sua carência eles se agarram às próprias reminiscências, como revela a passagem em que Kathy tenta consolar Tommy: "Sabia que estava perto de concluir, de modo que me fazia descrever as coisas de forma que elas penetrassem em sua lembrança. A intenção dele, talvez - durante as noites insones devido aos remédios, à dor e à exaustão -, era tornar indistintos os contornos que separavam as minhas memórias das suas. Só então compreendi quanta sorte tivéramos".

Vertida no humaníssimo sentimento da esperança, a felicidade ficara, portanto, em Hailsham - onde, a despeito do relativo cerceamento, ela e os colegas de fato "viveram". Lá, o fio do afeto os unia. Ishiguro sublinha essa idéia em cenas líricas, como o instante em que Kathy vislumbra, de longe, um palhaço com balões de gás presos à mão. Os balões estampam desenhos de rostos sorridentes, e ela o escolta, aflita com a eventualidade de se soltarem. A imagem de fora doía dentro: "Pensei em Hailsham e fiz uma relação de seu fechamento com alguém munido de tesouras que se aproximasse e cortasse o barbante dos balões, bem onde todos eles se entrelaçavam no punho do homem. Assim que isso acontecesse, não restaria mais nenhuma evidência de que algum dia eles estiveram ligados uns aos outros".

Esse intimismo denso e atravessado por metáforas marca toda a narrativa, tornando dispensável a teorização que atravanca um pouco a parte final. Pois é na entrelinha que Ishiguro inventaria com mais força o dilaceramento causado pelas sucessivas perdas que esvaziam a protagonista (e, por que não?, a todos nós). Kathy, Tommy, os cuidadores, os doadores e também os beneficiários de seu padecimento, tendo ou não complacência diante do que vêem, são apenas matéria de memória, à espera da morte, líquida e certa.(...)



 Escrito por Marcelo às 12h18
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Jornal Musical

Quem também está em fase de estréias é a amiga Monica Ramalho, que integra a redação do Jornal Musical, lançado ontem. O site, que certamente virará referência no assunto, reúne resenhas, reportagens, agenda e ensaios e é um produto do Instituto Memória Musical Brasileira. Nesta primeira edição, há um texto analítico sobre o funk, matérias sobre Elton Medeiros, Donga e Tia Ciata e muitas críticas de discos recém-lançados. O Jornal Musical é editado por Tarik de Souza. Confira aqui.



 Escrito por Marcelo às 12h09
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Cuenca no Meganize

O Pentimento registra sua alegria com o anúncio, feito na edição de hoje, do novo colunista do caderno Meganize (O Globo): ninguém menos do que o amigo João Paulo Cuenca. Ele assinará semanalmente uma crônica no suplemento.



 Escrito por Marcelo às 11h55
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Os detetives selvagens

Primeiro foi o Álvaro 'Marechal', que me revelou estar encantado com o livro, recomendado a ele pelo Carlito Azevedo. Depois, foi o próprio Carlito, que num papo rápido lá em Paraty me garantiu que se trata de um daqueles romances que mudam nossa visão sobre a literatura. Agora, Os detetives selvagens, do chileno Roberto Bolaño, é objeto de um post entusiasmado no blog do Sérgio Rodrigues. Conclusão: assim que terminar A paixão de Amancio Amaro, vou mesmo ter que encarar as mais de 600 páginas do tijolo, que está lá em casa me olhando, todo oferecido.



 Escrito por Marcelo às 12h39
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Encontros no Subsolo: humor

Na próxima quarta, às 18h30, vai rolar mais uma edição dos Encontros no Subsolo, evento mensal promovido pela Livraria Leonardo da Vinci e do qual tenho a honra de ser curador. Nesta edição, o cartunista Ique e o quadrinista André Dahmer (autor das tirinhas Os malvados) debaterão O traço do humor: olhares sobre o cotidiano, com mediação de nosso amigo Henrique Rodrigues. Como de hábito, a conversa acontecerá na galeria do Edifício Marques de Herval (Av. Rio Branco, 185 - Subsolo), com entrada franca.



 Escrito por Marcelo às 12h32
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Adélia e o 'filão' da literatura feminina

Estava lá eu começando a curtir os dez cds da Bethânia que comprei na semana passada (o relançamento de toda a obra dela, remasterizada, será assunto de post em breve) quando F. veio com a Folha de S. Paulo na mão e me perguntou: "você leu isso?". Não, eu não tinha lido, mas o fiz naquele mesmo instante e então entendi a indignação dela.

O "isso" em questão era a matéria Público pede mulheres "maduras", assinada pelos repórteres Eduardo Simões, Marcos Strecker e Sylvia Colombo e cujo subtítulo anunciava: "Sucesso da poeta mineira Adélia Prado na Flip aponta para a explosão de novo filão de literatura feminina no mercado". No texto, os três coleguinhas pretendem convencer o leitor de que a emocionante e aplaudíssima palestra da escritora - classificada pelos três como "um espetáculo catártico" - foi "apenas mais um sinal do aumento do interesse do mercado por um filão da literatura feminina que também abarca outras autoras, como as gaúchas Lya Luft, 67, e Martha Medeiros, 44, e a norte-americana Joan Didion, 71 (que já vendeu 32 mil cópias de "O Ano do Pensamento Mágico" aqui)".
Você poderia parar aqui e perguntar: mas, peraí, o que Adélia tem a ver com Martha Medeiros, ou mesmo com os trabalhos recentes da Lya Luft? Os repórteres "respondem": "Essa vertente de-e-para mulheres "maduras" caracteriza-se por fisgar principalmente as leitoras de 40 anos ou mais, pelo sentimentalismo exacerbado e por tratar de temas como a família, a perda e a religião. Faz contraponto à linha "Bridget Jones", na qual escritoras, geralmente mais jovens, falam de relacionamentos e de sexo (a turma do discurso "ele não liga no dia seguinte")". E na estocada final no bom senso, chegam a categorizar a literatura que tais escritoras produzem como um "gênero": "Lya Luft talvez seja o maior expoente desse "gênero" - já vendeu 550 mil cópias de "Perdas e Ganhos", mistura de ensaio e memória cujo tema é o amadurecimento, de modo bastante pessoal. Em outubro, chega às livrarias seu novo livro, "Em Outras Palavras", também pela Record."

Além das relações bizarras que a matéria faz, recaindo no lamentável vício do jornalismo de compartimentar tudo a partir de ninchos, parece que nenhum dos três jornalistas presenciou a palestra de Adélia na Flip. Porque quem esteve lá percebeu perfeitamente que a emoção que a poeta despertou na platéia pouco teve a ver com a idéia redutora de que ela "falava" para mulheres de 40 anos. Eu sou homem, tenho 34 e posso atestar isso.



 Escrito por Marcelo às 12h08
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Caio F.

"E hoje não. Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda."



 Escrito por Marcelo às 12h04
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Helga Moreira

"Um outro assunto isento
queria aqui deixar.
Por exemplo.
Levanto-me cedo, tomo o pequeno almoço
fumo um cigarro, ou quantos?

Depois de pronta desço
das escadas os três lanços.
E logo em baixo café, tabaco, jornais.
Inusitado no poema –
queriam um lírio, uma açucena –
e não coisas tão banais?"



 Escrito por Marcelo às 10h47
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Ana Luiza & Luis Felipe Gama

Os amigos Ana Luiza e Luis Felipe Gama convidam para o show de lançamento carioca do primeiro cd da dupla, que acontecerá amanhã (no Armazém Digital do Leblon) e segunda (no Bis Espaço Musical). A canção que dá o título do disco - Linha d'água - é uma parceria dos queridos Rodrigo Zaidan (meu parceiro em algumas músicas) e Luciano Garcez. Vou lá conferir!



 Escrito por Marcelo às 10h43
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Novo livro do Torres

Quem me ligou há pouco foi o querido Antonio Torres. E era para dar notícia boa: no próximo dia 19 de setembro, a partir das 19h, ele lançará (na Letras e Expressões do Leblon) o seu novo livro: Pelo fundo da agulha. O romance sairá pela Record, com orelha assinada pelo Miguel Sanches Neto e capa de Victor Burton. Ao contrário de seus recentes trabalhos, adianta Torres, o enredo não terá pano de fundo histórico. Estaremos lá!



 Escrito por Marcelo às 17h05
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Sophia de Mello Breyner Andresen

"Exílio"

"Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades"



 Escrito por Marcelo às 13h00
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Candeia

Hoje é aniversário de muita gente bacana de nossa música: João Donato, Elba Ramalho, Ed Motta, Monarco e Paulinho Tapajós. Outro que, se vivo estivesse, completaria nova idade seria o bamba portelense Candeia. Antonio Candeia Filho foi levado ainda bem jovem para a escola de Oswaldo Cruz, pelas mãos de Alvaiade. Rapidamente entrou para a ala de compositores. Com 17 anos de idade, compôs (com Altair Marinho) o samba-enredo Seis datas magnas, que foi o primeiro a obter nota máxima no carnaval e com a qual inauguraria uma carreira repleta de pérolas. Entre elas, descataria a bela e tristonha Minhas madrugadas (com Paulinho da Viola), além de Samba da antiga, A flor e o samba, De qualquer maneira, Lua, Ouro, desça de seu trono, Dia de graça, Gamação, De qualquer maneira, Viso isolado do mundo (com Alcides Malandro Histórico e Macacéia) e a obra-prima Preciso me encontrar, dos existencialistas versos Deixe-me ir/ Preciso andar / Vou por aí a procurar / Rir pra não chorar...

Acredito que não haja nenhum disco original de Candeia relançado em CD, mas existem dois trabalhos que podem ajudar a quem quiser conhecer mais sobre sua obra: Eterna chama/Candeia, coletânea com vários artistas produzida por João de Aquino, e A luz do vencedor, magnífico álbum do Luiz Carlos da Vila, que traz a canção-homenagem O sonho não acabou, com a qual o cantor/compositor prestou tributo ao mestre. Acendendo velas para ele, posto aqui minha preferida dentro de seu amplo e genial repertório.

"Pintura sem arte"

Candeia

"Me sinto igual a uma folha caída
Sou o adeus de quem parte
Pra quem a vida
É pintura sem arte
A flor esperança se acabou
O amor vento levou
Outra flor nasceu
É a saudade

Me invade, tirando a liberdade
Meu peito arde igual verão
Mas se é pra chorar
Choro cantando
Pra ninguem me ver sofrendo
E dizer que estou pagando

Não, não basta ter inspiração
Não basta fazer uma linda canção
Pra cantar samba se precisa muito mais
Samba é lamento, é sofrimento
É fuga dos meus ais
Por isso, agradeço à saudade em meu peito
Que vem acalentando
Meu sonho desfeito
Jardim do passado
Flores mortas pelo chão
Pétala, semente de paixão"



 Escrito por Marcelo às 10h23
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Gringo é lindo

Sou um crítico do deslumbramento terceiro-mundista de parte dos jornalistas brasileiros com relação a estrangeiros. Num evento como a Flip, este lamentável traço se exacerba ainda mais, e rapidamente um razoável e até então desconhecido autor é alçado às raias da genialidade. Certamente, esse comportamento decorre de uma das mais condenáveis - porém comuns - operações do jornalismo literário: assumir para si, sem a devida ponderação sobre sua singularidade, regras que são imperiosas, sim, só que no âmbito da reportagem em geral.

Será que o fato de ser uma presença mais rara entre nós do que os autores brasileiros lega obrigatoriamente a um convidado gringo uma aura especial, que lhe deva conferir privilégios em termos de espaço e importância na cobertura? É assim que funciona na prática, mas devo dizer que discordo radicalmente disso. E basta a quem esteve na Flip lembrar da palestra de Adélia Prado para que possa efetuar uma comparação. Há quanto tempo Adélia não é pauta por aqui?

Sem xenofobia, o fato é que o oba-oba de muitos de meus coleguinhas jornalistas parece revelar um inconfesso - ou inconsciente - sentimento de inferioridade, como se entrevistar um autor vindo de fora simbolizasse a concessão de uma dádiva, à qual se deve agradecer com todos os mimos possíveis. A literatura? A qualidade da obra? Mas é preciso mesmo levar isso em conta?


Pegando carona no assunto, embora a questão e a abordagem sejam outras, peço que não deixem de ler o relato que o amigo Marcelino fez em seu blog, sobre o descaso da festejadíssima Prêmio Nobel Toni Morrison com relação a três humildes leitoras que suplicavam por um autógrafo. Trata-se de uma história exemplar. Confira aqui.



 Escrito por Marcelo às 20h36
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Alfredo Stroessner

Já vai tarde.



 Escrito por Marcelo às 13h42
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Império 2007: os sambas

 

Ouvi, ontem à noite, os 28 sambas que concorrem no Império Serrano para o carnaval do ano que vem. Como era de se esperar, a safra não é das melhores, muito em virtude de o enredo - reconheçamos, reconheçamos - ser bastante complicado, tentando fazer uma ponte entre o mote Ser diferente é normal e os 60 gloriosos anos da escola da Serrinha. Entre as composições, sobressai mais uma vez o samba de Aluizio Machado, Arlindinho Cruz, Carlos Senna e Maurição, trupe que desta vez teve a companhia de João Bosco * na artesania dos versos. É desde já o meu preferido. Posto, abaixo, o refrão principal da letra. Você pode escutar este e os outros 27 sambas aqui.

"Eu quero ver

O amor florescer

Ser diferente é normal

E o Império taí

Pra levantar seu astral

Se liga no meu carnaval"


* O Andreazza esclarece, nos comentários, que esse João Bosco não é o parceiro do Aldir, mas um homônimo...



 Escrito por Marcelo às 10h38
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Esporte é cultura

Acessei há pouco o Globo OnLine para conferir o novo visual do site. Ao teclar no link Cultura, vieram as notícias em destaque. Uma das três principais anunciava, sob o antetítulo Com tudo em cima: "Ellen Jabour: boa forma com muito surfe". Alguém pode me explicar?



 Escrito por Marcelo às 13h05
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Primavera dos Livros - Sampa

Depois da Flip, a Primavera dos Livros: o evento acontecerá em São Paulo (entre 18 e 20 de agosto) e no Rio (15 a 17 de setembro). A programação carioca ainda não está definida, mas em Sampa os debates prometem ser, no mínimo, engraçados. Para vocês terem uma idéia, uma das mesas vai juntar as amigas Índigo e Ivana Arruda Leite com a jornalista Rosana Hermann e ninguém menos do que a best-seller Bruna Surfistinha. As moças tricotarão sobre uma velha e eterna questão: se blog é literatura. O escritor Daniel Galera, o cartunista Jaguar, o professor Aziz Ab'Saber serão outras das atrações. Confira o programa completo aqui.



 Escrito por Marcelo às 11h18
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Mascavinhas de volta

Uma notícia alvissareira: depois de 15 longos meses, o Mascavinhas está de volta. Acabei de descobrir que o blog do amigo Pepê, um dos mais divertidos e interessantes da internet, estreou hoje em novo endereço. Confira aqui.



 Escrito por Marcelo às 13h22
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Balanço da Flip

Ontem, quando deixávamos a pousada, F. ouviu duas moças comentando que a Flip deste ano havia sido fraca. Curioso: achei justamente o contrário. Talvez com relação ao quase-obrigatório quesito "badalação", a edição de 2006 possa de fato ter sido devagar: as esperadas e anunciadas festas*, que corriam de ouvido a ouvido, acabaram não acontecendo. Em termos de palestras e debates, no entanto, o panorama foi outro. Além de tudo, durante os quatro dias houve sol, o que deixou a já deslumbrante Paraty ainda mais mágica, charmosa, irresistível.

O show de abertura, feito pela Maria Bethânia na quarta à noite, foi aquilo que se esperava: mais uma apresentação à beira da perfeição de uma artista na plenitude da maturidade. Nem os pequenos erros na leitura dos poemas conseguiram macular a força do espetáculo, centrado em músicas do recente Tempo tempo tempo tempo, mescladas com canções notabilizadas por lembrar a Bahia ou o próprio Jorge Amado, o homenageado da festa. Meu destaque ficou com a dilacerante Coração ateu, pérola da caixa de Sueli Costa, que não escutava há tempos e entrou no repertório por ter feito parte da trilha da novela Gabriela.

Na manhã seguinte ao show, rolou o primeiro painel, que reuniu André Laurentino, Juliano Garcia Pessanha e Maria Valéria Rezende. Simpático e cheio de verve, Laurentino me conquistou de pronto. O trecho que selecionou para ler, parte de seu romance A paixão de Amâncio Amaro, é de uma beleza desconcertante, talvez o melhor texto de prosa que ouvi durante o evento. Juliano, numa confessada ressaca, e Maria Valéria, dona de uma narrativa apenas correta, completaram bem a mesa, mediada pelo neo-jabuti Marcelino – que aliás, foi parceiro de todas as horas nesta Flip.

À tarde, conferi o painel De onde vem as palavras, com David Toscana e Mário de Carvalho. Comprei recentemente os dois livros de Toscana – O último leitor e Santa Maria do Circo -, inspirado pelos enredos que se sugerem engenhosos, mas o texto em si, pelo menos a se tirar pela leitura feita na Flip, não parece alçar vôo. Autor do ótimo Era bom que trocássemos umas palavras sobre o assunto, que tive o prazer de resenhar, Mário foi subaproveitado no debate. Em suma: creio que faltou química entre os dois convidados.

Na sexta, foi a vez de assistir ao debate sobre As matérias do romance, com Ignácio de Loyola Brandão, Miguel Sanches Neto e Wilson Bueno. O painel foi interessante sobretudo pelo humor wildeano de Bueno e a torrente emocional da leitura de Miguel, que narrou o último capítulo de seu bom Chove sobre minha infância. Destoando do grupo, Loyola apresentou duas crônicas bem fraquinhas.

À noite, carreguei F., Flavio, Henrique e Analice para Cunha, onde rolou o espetáculo Contos negreiros, baseado no livro homônimo e estrelado pelo Marcelino e pela sempre querida Fabiana Cozza. Para resumir a história, é o seguinte: quem não viu, deve aproveitar qualquer outra oportunidade que haja para fazê-lo. O show é capaz até de mudar opiniões consolidadas.

Continuando minha peregrinação – e vocês podem notar que "esqueci" a grande Lilian Ross e o radicalóide Tarik Ali, entre outros -, na manhã seguinte fui ver o que tinham a falar André Sant’Anna, Lourenço Mutarelli e Reinaldo Moraes sobre o tema Do amor e outros demônios. André não me supreendeu: achei seu texto bem escrito, mas sem maiores atrativos e às vezes atravancado pelas repetições. Com tom mais melancólico, na linha de seus HQs, Mutarelli falou coisas interessantes sobre a mudança de sua relação com a palavra a partir do ingresso no mundo do romance. Reinaldo Moraes, por fim, divertiu a platéia com o relato sobre o dia em que ganhou uma cantada de ninguém menos do que Michel Foucault, além de ler trecho de seu próximo livro, que retoma o protagonista do conhecido Tanto faz.

Viajando da ficção para a realidade da política, Christopher Hitchens mostrou toda sua iconoclastia ao provocar a platéia e o parceiro de mesa Fernando Gabeira durante a mesa que reuniu os dois. Cheio de farpas e por (muitas) vezes grosseiro, Hitchens chegou a afirmar que conhecia outros "terroristas suaves", referindo-se obviamente ao brasileiro. Gabeira, por sua vez, manteve a habitual serenidade e sobrou no confronto de idéias. A cada vez que escuto Gabeira falar, me impressiona a singularidade de sua lucidez sobre o quadro atual. Trata-se, decerto, de um estranho no ninho.

O sábado reservou ainda a palestra de José Miguel Wisnik, que, com a responsabilidade de substituir Ricardo Piglia, segurou bem a peteca com uma conferência sobre Machado de Assis. Exausto pelas palestras, pelas cervejas e pelo pouco tempo de sono, acabei sucumbindo ao painel de Ali Smith e Jonathan Safran Foer.

Mas não deixei de acordar para assistir à Adélia Prado. E a apresentação dela foi o fecho de ouro da Flip 2006. Vencendo a timidez com simpatia e simplicidade, Adélia fez um pronunciamento contundente sobre a perda do simbólico, chegando a criticar (com meu aplauso) as enganações rasteiras de parte da arte contemporânea, personificadas principalmente com as chamadas "instalações". "Quando tudo é arte, nada é arte", sentenciou a poeta.

Em sua fala, Adélia enfatizou que a arte tem poder semelhante ao da religião, já que também possibilita uma "religação" com o transcendente. Como seu próprio trabalho demonstra, ela entende que tal "religação" - que eu chamaria de epifania – acontece cotidianamente, o que foi ilustrado no momento da palestra com leitura do belo Casamento ("Há mulheres que dizem: / Meu marido, se quiser pescar, pesque, / mas que limpe os peixes...").

Adélia chegou e levou quase todo mundo às lágrimas quando, visivelmente emocionada, engasgou com os versos de um poema em que lembrava do pai. Era a arte, que ela mencionara há pouco, novamente transcendendo, em meio a uma tenda lotada de corações aflitos e subitamente felizes. E assim terminou a minha Flip. Saí da tenda, almocei e voltei ao Rio certo de que, sim, definitivamente estavam erradas aquelas moças lá do início deste post.


* Rolou, sim, uma festa da Casa da Palavra. Mas alguns dos autores da editora presentes à Flip - além de mim, Flávio Izhaki, Henrique Rodrigues, Mariel Reis e Ana Beatriz Guerra - não foram convidados. A prosa lá em Paraty, ao que parece, era mais mexicana do que carioca...



 Escrito por Marcelo às 12h12
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Até depois da Flip

Um jornal e um comunicado urgente a fechar, além da faringite que resolveu se achegar: o resultado disso é que o Pentimento entra em recesso até o fim da Flip. Na volta, espero ter boas novidades para contar.



 Escrito por Marcelo às 16h27
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Promoção Casa da Palavra

Como parte das comemorações de seus 10 anos, a editora Casa da Palavra está fazendo uma promoção interessante para os bibliófilos: você escreve uma resposta "original e criativa" para a pergunta Qual o livro que abalou sua vida e por quê? e concorre a um exemplar do recém-lançado 10 livros que abalaram meu mundo e quatro volumes da coleção Bibliomania. As respostas devem ser enviadas até 31 de agosto para o e-mail divulga@casadapalavra.com.br, acompanhadas de nome completo, endereço e telefone para contato.



 Escrito por Marcelo às 11h08
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Parafraseando Eugénio de Andrade

Acabo de escutar no rádio que houve mais um assalto com assassinato na Avenida Brasil. Um desembargador do TRT, chamado Mello Porto, foi morto. Cheguei a entrevistá-lo há algum tempo. Mal o conhecia - mas me senti mal, muito mal, ao ouvir a notícia.

Eu tenho medo de passar pela Avenida Brasil. Eu tenho medo de cruzar a Linha Vermelha. Eu tenho medo de ficar parado nos sinais. 

Parafraseando Eugénio de Andrade, cada vez mais a nossa cidade é um horizonte de homens bombardeados.



 Escrito por Marcelo às 21h13
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Poema para os dias que correm

"Rosa de Hiroshima"

Vinicius de Morais

"Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada"



 Escrito por Marcelo às 14h39
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Só uma perguntinha

Desde quando o Jonathas joga mais do que o Arouca?



 Escrito por Marcelo às 12h38
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Carlos Cachaça

Falecido em 1998, hoje, se vivo, o grande Carlos Cachaça completaria 104 anos de idade. O compositor nasceu e morou no morro da Mangueira porque era filho de um funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, que alugava casas na região para seus empregados. Carlos e a mãe, Dona Inês, foram abandonados pelo pai muito cedo, e o garoto acabaria sendo criado pelo padrinho, Tomás, que era dono de muitos barracos no morro. Começou a trabalhar justamente ajudando Tómás, analfabeto, a cobrar os aluguéis de seus locatários, e, ainda pequeno, brincava de tocar pandeiro em grupos locais. Aos 16 anos, já integrava o conjunto de Mano Elói, notabilizado por ser um dos primeiros músicos a registrar pontos de candomblé em disco. Em 1922, Carlos Cachaça conheceu Cartola, com quem, dez anos depois, comporia um samba-enredo que levou a Mangueira ao campeonato: Pudesse meu ideal. Com Cartola, ele criou algumas de suas mais conhecidas canções, gravadas por gente como Araci de Almeida, Paulinho da Viola e Beth Carvalho. Entre essas verdadeiras pérolas do cancioneiro popular brasileiro, estão Não quero mais amar a ninguém (que, além de Cartola e Cachaça, é assinada por Zé da Zilda), Alvorada (com Cartola e Hermínio Belo de Carvalho), Quem me sorrindo, Tempos idos, Falso juramento, Tempos idos e Silêncio de um cipestre. Fica até difícil escolher uma delas para postar aqui em tributo ao mestre, mas esta aqui, que gosto de ouvir na voz de meu amigo Lúcio Sanfilippo, me é particularmente cara. A letra, nostálgica, remete a um dos elementos essenciais do samba - a saudade -, e melodia é de uma beleza de fazer chorar...

"Tempos idos"

Cartola / Carlos Cachaça

"Os tempos idos
Nunca esquecidos
Trazem saudades ao recordar
É com tristeza que eu relembro
Coisas remotas que não vêm mais
Uma escola na Praça Onze
Testemunha ocular
E junto dela uma balança
Onde os malandros iam sambar
Depois, aos poucos, o nosso samba
Sem sentirmos se aprimorou
Pelos salões da sociedade
Sem cerimônia ele entrou
Já não pertence mais à Praça
Já não é mais o samba de terreiro
Vitorioso, ele partiu para o estrangeiro
E muito bem representado
Por inspiração de geniais artistas
O nosso samba de, humilde samba,
Foi de conquistas em conquistas
Conseguiu penetrar o Municipal
Depois de atravessar todo o universo
Com a mesma roupagem que saiu daqui
Exibiu-se para a duquesa de Kent no Itamaraty"



 Escrito por Marcelo às 11h08
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Jovelina Pérola Negra

Sempre mencionado por aqui, o imperiano Carlos Andreazza acaba de aprontar mais uma: num texto irresistível (não porque sou citado, mas pela importância da perfilada), ele lança seu olhar sobre essa verdadeira força da natureza que foi Jovelina Pérola Negra. No artigo publicado no Tribuneiros, além de lembrar os discos da cantora (alguns deles relançados em cd), Andreazza sublinha o magnetismo de sua dança, fundada em movimentos "fortalecidos pela cadência ancestral dos gestos, pelo uso dos meneios de braço, pela recriação nas ancas da dança candente". Posto, abaixo, um trecho do texto. Confira a íntegra aqui.

"(...) Jovelina era fera, leitor. E nos deixou sete discos – alguns deles monumentais. O primeiro, “Pérola Negra”, de 1986, é perfeito, o melhor dela, a começar pela capa, linda, completamente tomada pelo seu rosto negro, de perfil, com um pano branco prendendo os cabelos e o olhar fixado longe, realçado ainda pela iluminação precisa.

O disco, relançado já em cedê, traz canções de Serginho Meriti, de Wilson Moreira e Nei Lopes, de Mauro Diniz e Ratinho, e de Acyr Marques, Arlindo Cruz e Beto Sem Braço entre outros craques, e também de Marquinho Pagodeiro e Zeca Sereno, dupla pouquíssimo conhecida, responsável todavia pelo samba de que mais gosto no disco, o partido-alto “Pagode no Serrado”, que traz o delicioso refrão "Olará, cadê Clementina de Jesus/Ah, Jesus, cadê Dona Ivone Lara?” (...) 



 Escrito por Marcelo às 13h44
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