Pais

O querido Henrique Rodrigues mandou este poema do Drummond para a lista de emails amigos que alimenta semanalmente com textos quase sempre comoventes. Ele dedicava o poema ao pai, recentemente falecido. Hoje, se vivo, seria o meu que completaria 73 anos. O meu pai: Francisco, canceriano, botafoguense e imperiano. O pai dele: Marcus, a quem não conheci. Em comum, a saudade que os dois deixaram.

"O homem, as viagens"

Carlos Drummond de Andrade

"O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a colonizar.

Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de conviver. "



 Escrito por Marcelo às 13h05
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14 x 30

"Amor"

J. G. de Araújo Jorge 

"E nunca chegamos ao fim da taça,
Por mais que a esvaziemos.

Agora,
sei que isto é amor..."



 Escrito por Marcelo às 11h50
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Cidades invisíveis

Li no Todo prosa, do Sérgio Rodrigues, que tentaram transformar definitivamente a pequenina Aracataca, cidade onde Gabriel García Marquez nasceu, em Aracataca-Macondo. A proposta, levada aos moradores através de plebiscito, era consagrar de vez a localidade com o nome ficcional que lhe foi conferido pelo escritor no célebre Cem anos de solidão. E o resultado foi que, dos 22 mil eleitores da cidade, apenas 3.600 apareceram para votar e, como o total ficou abaixo da metade do número mínimo necessário para a aprovação, Aracataca continuou sendo apenas Aracataca mesmo.

O assunto seria um prato cheio para o Calvino, não?



 Escrito por Marcelo às 11h11
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Futebol e Política

Hoje, às 18h30, acontecerá mais uma edição dos Encontros no Subsolo, série promovida pela Livraria Leonardo da Vinci e da qual sou curador. O tema em debate - Futebol e política - será analisado pelos historiadores Francisco Carlos Teixeira da Silva e Ricardo Pinto dos Santos, com mediação do professor Victor Andrade de Mello. Após a discussão, haverá no local o lançamento do livro Memória social dos esportes - Futebol e política: A construção de uma identidade nacional (Mauad Editora). A entrada é gratuita e o evento acontecerá na galeria do Edifício Marquês de Hevral (Av. Rio Branco, 185). 



 Escrito por Marcelo às 14h36
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Adélia

"Leitura"

Adélia Prado

"Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras.
As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha
de escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coisas
fora do seu tempo desejadas.
Ao longo do muro eram talhas de barro.
Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo
que lá fora o mundo havia parado de calor.
Depois encontrei meu pai, que me fez festa
e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria,
os lábios de novo e a cara circulados de sangue,
caçava o que fazer pra gastar sua alegria:
onde está meu formão, minha vara de pescar,
cadê minha binga, meu vidro de café?
Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera."



 Escrito por Marcelo às 10h49
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Canção para hoje

"Trem de doido"

Lô Borges / Márcio Borges

"Noite azul, pedra e chão
Amigos num hotel
Muito além do céu
Nada a temer, nada a conquistar
Depois que este trem começa a andar, andar
Deixando pelo chão os ratos mortos na praça
Do mercado

Quero estar onde estão
Os sonhos desse hotel
Muito além do céu
Nada a temer, nada a combinar
Na hora de achar o meu lugar no trem
E não sentir pavor dos ratos soltos na praça
Minha casa

Não precisa ir muito além dessa estrada
Os ratos não sabem morrer na calçada
É hora de você achar o trem
E não sentir pavor dos ratos soltos na casa
Sua casa"



 Escrito por Marcelo às 10h35
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O "poeta" Bial

Aliás (e ainda sobre a Copa): há coisa mais contrangedora na cobertura jornalística do que o Pedro Bial tentando fazer "poesia" em suas matérias para o Jornal Nacional?



 Escrito por Marcelo às 21h56
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Ronaldo e Adriano

Há jogadas que são emblemáticas. Duas delas, quase que seqüenciais, demarcaram com precisão no jogo de hoje contra Gana a diferença abismal que existe entre Ronaldo e Adriano. No primeiro gol do Brasil, Ronaldo recebeu livre, arrancou com velocidade e, tendo apenas o goleiro à sua frente, aplicou-lhe um drible belíssimo e fez o gol com a simplicidade dos craques. Minutos depois foi a vez de Adriano partir sozinho em direção à grande área da seleção ganesa. Frente a frente com o arqueiro, também tentou o drible. Só que, ao contrário do companheiro de equipe, enrolou-se com a bola, restando-lhe a tentativa de simulação do pênalti.

Como já registrei aqui anteriormente, acredito que Adriano é um atleta importante para o grupo, porque se trata de um centro-avante à antiga, daqueles que cabeceiam e chutam bem. Mas - não obstante o tento que marcou no decorrer da partida - seu lugar é no banco, como arma de reserva para uma necessidade singular. Jogador que não sabe dominar a bola pode ser titular do Flamengo, mas não da Seleção Brasileira.

Em resumo, é o seguinte: está claro que não há lugar para dois avantes no time. Então deveríamos ir de Ronaldo, de preferência com Ronaldinho Gaúcho a seu lado no ataque e Juninho no meio...



 Escrito por Marcelo às 21h21
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Crônica da Copa

Copa de alma botafoguense

Marcelo Moutinho

Embora sem muito brilho, os favoritos até agora têm feito a sua parte. Inglaterra e Itália venceram Equador e Austrália, os donos da casa passaram sem sustos pela Suécia e os hermanos – meus adversários de coração para uma suposta finalíssima sul-americana – fizeram valer a tradição da camisa no jogo contra o México. De nossa parte, apesar da insistência do Parreira em barrar Juninho Pernambucano, a expectativa é que também nos classifiquemos às quartas-de-final, derrotando Gana.

Tudo anda tão previsível que esta Copa parece espreitada por uma insidiosa alma botafoguense. Explico: o alvinegro é um torcedor essencialmente trágico. Quanto mais positivos são os prognósticos, quanto mais unanimidade houver com relação ao júbilo absoluto e definitivo, maior será seu assombro. O combustível da paixão pelo clube que escolheu para torcer alimenta-se desse pessimismo atávico, em que cada fracasso serve sobretudo como a confirmação de seus piores pressentimentos.

Uma semana antes das finais do último Estadual, favas contadíssimas contra o Madureira, encontrei um amigo, fiel representante da espécie, num bar em Copacabana. Tristonho, ele lamentava previamente pela derrota contra um pequeno. Confessei-lhe que, fiel ao bairro onde nasci, torceria pelo Tricolor Suburbano. Ponderei, contudo, que com sinceridade não acreditava que o alvinegro pudesse perder o título. "Se fosse um grande clássico, eu estaria confiante. Mas o Madureira... O Madureira... O campeonato já era, rapaz", ele retrucou. Lapidar, a frase é uma síntese perfeita da ânima botafoguense.

A maré mansa em que corre a Copa me fez lembrar da conversa. Não houve grandes polêmicas quanto à convocação de nosso escrete. A preparação – excetuando-se a bolha e o bate-boca do ex-gordinho com o presidente – e a passagem pela primeira fase foram aparentemente tranqüilas, e as zebras não deram ainda as suas caras na competição. "Algo muito grave, portanto, está para acontecer", decerto põe-se a pensar o meu amigo, enquanto se prepara para assistir ao jogo de hoje no mesmo lugar e com a mesma camisa que usou na decisão de 2002, contra a Alemanha.

Não há meios de sabermos se a seqüência da competição virá confirmar esse sentimento tão alvinegro. Esperemos, pois – e com as velas acesas, por precaução. Só não vale me acusar de estar secando. Afinal, o Botafogo foi campeão este ano, não foi?

* Escritor



 Escrito por Marcelo às 10h41
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Louise Gluck

"Música celeste''

Louise Gluck

"Tenho uma amiga que acredita ainda no Céu,/de jeito nenhum uma pessoa estúpida, mas com todos os seus conhecimentos, ela literalmente fala com Deus, /pensa que alguém a escuta no Céu./Na Terra, ela é extraordinariamente competente,/E corajosa também, capaz de enfrentar o que é desagradável.//Encontramos uma lagarta morrendo na poeira, formigas ávidas subiam por ela./Sempre me mobilizam a fraqueza, o desastre, tenho sempre a vontade de lhes opor a vitalidade./Mas, também tímida, sou rápida em fechar meus olhos./Enquanto que minha amiga era capaz olhar, de deixar os eventos seguirem conforme a natureza. Por mim, ela interveio/Tirando algumas formigas da coisa despedaçada, e deixando-a em paz/Estendida na estrada.//Minha amiga diz que eu fecho os olhos para Deus, que nada mais explica/minha aversão à realidade. Ela diz que eu sou como a criança que enfia a cabeça no travesseiro/Para não ver nada, a criança que diz para si mesma/que a luz deixa a gente triste –/Minha amiga é como a mãe,/Paciente, insistindo para que eu levante e acorde/na condição de pessoa adulta, como ela, uma pessoa corajosa—//Nos meus sonhos, minha amiga me repreende. Estamos andando/pela mesma estrada, mas é inverno agora;/ela me conta que quando você ama o mundo você ouve uma música celeste:/olhe para o alto, ela diz. Quando olho para o alto, não há nada./Somente nuvens, neve, uma breve agitação nas árvores/como noivas saltando rumo a uma grande altitude—//Então sinto medo por ela; vejo-a/presa numa rede deliberadamente armada sobre a Terra—//Na verdade, sentamos num dos lados da estrada, vendo o sol se pôr;/de tempos em tempos, o silêncio é ferido pelo chamado de um pássaro./Esse é o momento em que cada uma de nós está tentando explicar o fato/De que estamos à vontade diante da morte, da solidão./Minha amiga traça um círculo na poeira; dentro, a lagarta não se move./Ela está sempre tentando fazer algo de inteiro, de bonito, uma imagem/capaz de vida fora dela mesma./Ficamos muito quietas. Dá uma sensação de paz sentar aqui, sem falar, a composição/de tudo está fixada, a estrada escurecendo de repente, o ar/ficando frio, aqui e ali as pedras luzindo e faiscando—/E essa quietude o que nós duas amamos./O amor à forma é um amor por tudo o que finda."



 Escrito por Marcelo às 17h04
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34 anos e muitos amigos

   

    

   

   

   

   

    

Agradeço aos amigos queridos que ajudaram a tornar a noite de sexta-feira inesquecível. A temperatura ajudou, o samba rolou solto e a companhia de vocês todos no Bip Bip certamente me confirmou a impressão de que sou um homem feliz.

Nas fotos (tiradas pela F.): 1. Loredano, Rosana e Rodrigo Lobo; 2. Sidney Silveira e Rodrigo Zaidan: 3. Marcos e Ronize Aline; 4. Moacyr Luz e Toninho Galante; 5. Paulo Maurício; 6. Pepê Paulo Malta, Henrique Rodrigues e Flávio Vaz; 7. Vivian Ribeiro; 8. Alessandra Vaz, com a Malu e o Toni; 9. Elis Galvão; 10. Paula e Leonardo Lichote; 11. Roberta e Moniquitcha Ramalho; 12. Marcos e Flávia Moutinho; 13. Delfin e esposa; 14. A roda de samba; 15. Eu e F.; 16. Flávio Izhaki, Rosana e Bá; 17. Crib Tanaka e André Mansur; 18. Eu e Aline, com a cabeça, em detalhe, da Rosana Caiado; 19. Angelita, Rodrigo e Fipo; 20. Guilherme Sucena, Fernanda e Jorge Luiz; 21. Chiquinho Genu e Márcia; 22. Ana P. e eu; 23. Nelson Hoineff e sua mulher; 24. Hugo Sukman; 25. Hilda Badenes; 26. Luiz Carlos e Solange; 27. Tatiana Salem Levy e Paloma Vidal; 28. Érico e Renata Albinante; 29. Marvio Ciribelli e Thaís Motta.



 Escrito por Marcelo às 19h35
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Em tempo

O Pentimento ultrapassou ontem 10 mil acessos desde a segunda quinzena de março, quando foi instalado o sistema de contagem. Sim, eu sei, esta é uma informação inútil.



 Escrito por Marcelo às 17h42
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Frase-chave da classe média brasileira

Como diria um amigo meu: "Quem não deve não tem".



 Escrito por Marcelo às 17h26
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Pitacos sobre a Copa

Pelo menos por um dia, foi corrigida aquela que decerto é a maior injustiça na escalação da Seleção Brasileira: Juninho Pernabucano atuou como titular da equipe. De longe o jogador mais completo do grupo - desarma, passa e chuta com perfeição -, Juninho é um típico meia-armador, posição carente não só no escrete canarinho, como nos times de todo o mundo.

É claro que a troca dos imóveis laterais Cafu e Roberto Carlos por Cicinho e Gilberto (este deixou a desejar, mas perto do titular é, como diria o Gerson, "brincadeira!") e a entrada do Robinho no lugar do poste Adriano*  ajudaram muito, mas a participação do Juninho, distribuindo o jogo e chegando para o arremate foi, para mim, a principal mudança na partida de ontem com relação às anteriores.

Agora espremos para ver se o Parreira vai se convencer...


* É admissível, com boa vontade, que um jogador como Adriano faça parte do elenco. Sua utilidade aperece sobretudo quando é necessário jogar no "abafa". Mas ser titular da Seleção Brasileira é muito diferente e não pode estar ao alcance de um atacante que não consegue dominar minimamente a bola. É constrangedor ver o rapaz, que é até simpático, lutando contra as próprias pernas ao receber bons passes. Parece uma parede: a bola bate e volta. Banco já (e sempre, exceto em situações singulares) para ele...

P.S. Quem também está dando seus pitacos sobre a Copa - e num blog exclusivo para tal - é o amigo Flávio Izhaki. Confira aqui.



 Escrito por Marcelo às 14h22
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Maria Schneider com cheiro de Alecrim

Muito interessante o artigo Maria Schneider salvou Portugal, de João Pereira Coutinho, que a Folha de S. Paulo publica na Ilustrada de hoje. O autor faz uma relação curiosa entre o sucesso da atriz no hoje clássico O último tango em Paris e os rumos políticos de Portugal. Segue a íntegra do texto:

"Maria Schneider salvou Portugal"

João Pereira Coutinho

"Deixei decomer manteiga depois de assistir ao filme "O Último Tango em Paris". A seqüência é conhecida: Maria Schneider, então com 19, sodomizada por Marlon Brando. Sou criatura impressionável. Mas tenho certo carinho pela Maria da manteiga. Carinho histórico, entendam. E, quando leio, na imprensa do dia, uma longa entrevista com Schneider, hoje com 54, não posso conter duas ou três lágrimas metafóricas.
Schneider vive em Paris. Melhor: sobrevive em Paris. Depois do filme de Bertolucci, caiu na depressão e na droga. Teve experiência com homens, mulheres. Abandonada, enterrou a carreira e afirma, com visível tristeza, que jamais teria feito o filme se soubesse as conseqüências. A celebridade, aos 19, faz estragos.
Como a seqüência da manteiga: não estava no roteiro. Estava apenas na cabeça de Brando. Ela aceitou fazer. Chorou de humilhação.
Pobrezinha. Como eu a entendo. Mas seria bom que Maria Schneider também entendesse como ela foi decisiva para a vida do meu país. Toda a gente conhece a história: em 1974, Portugal enterrava uma longa ditadura com uma revolução tranqüila. Mas a questão intrigante é tentar saber como uma revolução de esquerda não atirou o país para uma ditadura de esquerda. Kissinger afirmava que Mário Soares, líder dos socialistas, seria devorado por Álvaro Cunhal, líder dos comunistas. Como Kerensky fora devorado por Lênin em 1917. Kissinger errou, Cunhal perdeu, Soares ganhou.
Razões? Sim, Soares ganhou por lucidez política: pela capacidade única de não alienar a igreja e a classe média, que Cunhal desprezara na sua cartilha marxista. E, sim, Cunhal perdeu porque, ao namorar com os militares e perder o controle sobre eles, surgiu ao país com o seu verdadeiro rosto: o rosto das nacionalizações agressivas e outras loucuras revolucionárias. Nas eleições legislativas de 1975, o velho Partido Comunista surgia em terceiro lugar, com resultado humilhante.
Mas existe uma explicação suplementar para a democracia ter derrotado o stalinismo em Portugal. E aqui Maria Schneider tem palavra importante. Durante quatro décadas, os portugueses viveram com a censura sobre os ossos: um mundo fechado e atrasado, onde não existiam homossexuais ou suicidas nos jornais; onde não existia oposição política nas ruas; onde não existia uma garrafa de Coca-Cola nos cafés, porque Salazar não tolerava que o "capitalismo americano" invadisse as estradas do seu Portugal idílico.
Com a revolução, Maria Schneider aterrava em Portugal. Com a manteiga. E Marlon Brando disposto a usá-la. As filas para o cinema eram quilométricas. Um tio meu, já morto, assistiu oito vezes ao filme, no espaço de três dias, com a curiosidade típica de um alienado.
Não, não foi o realismo de Soares a derrotar a utopia de Cunhal. Em 1974, os portugueses não estavam interessados em trocar uma ditadura por outra. Não trocariam a Coimbra de Salazar pela Moscou de Cunhal, sobretudo quando havia Schneider por perto. Alguém deveria contar esta história a uma mulher injustamente amargurada."



 Escrito por Marcelo às 16h27
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Prêmio Sesc de Literatura

 

Amanhã (terça-feira), a partir das 17h30, vai rolar na Academia Brasileira de Letras a cerimônia de entrega do Prêmio Sesc de Literatura. O evento incluirá uma mesa-redonda sobre o atual panorama literário brasileiro, da qual participarei na condição de integrante da comissão julgadora do concurso na categoria Contos. Ao meu lado, estarão a professora Beatriz Resende (julgadora da categoria Romance) e os escritores Eugênia Zerbini (vencedora da edição do ano pasado), André de Leones e Lúcia Bettencourt (laureados neste ano). Na ocasião, serão lançados pela Editora Record os livros Hoje está um dia morto (de André) e A secretária de Borges (de Lúcia). Convido todos desde já! 



 Escrito por Marcelo às 23h41
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O púcaro búlgaro

Este tem sido um ano pródigo em boas peças. Já havia me deleitado com a excelente Aldeotas, encenada e escrita de forma primorosa por Gero Camillo. No último sábado, foi a vez de me encantar com O púcaro búlgaro, adaptação do livro de Campos de Carvalho para o palco operada por Aderbal Freire Filho. Assim como fizera em O que diz Molero, o diretor simplesmente distribuiu o texto entre os atores, que utilizam a terceira pessoa, tal qual o narrador, para contar a história do homem que queria ir à Bulgária para conferir a existência do país. Ágil e criativa, a montagem ressalta ainda mais as evidentes qualidades da novela de Campos de Carvalho e é difícil sair do Teatro Poeira sem deixar por lá gargalhadas de levar às lágrimas. Não percam!   



 Escrito por Marcelo às 10h26
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Às cafeterias, bebuns!

Vejam só a ótima notícia que os jornais trouxeram hoje (pelo menos para quem gosta de beber umas e outras e não dispensa um cafezinho):

"Café ajuda na prevenção da cirrose hepática, diz estudo da France Presse, em Chicago"

"Beber café pode ajudar a prevenir a cirrose hepática, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira nos Arquivos de Medicina Interna da Associação Médica Americana. O estudo, realizado com mais de 125 mil pessoas, revelou que para cada xícara de café que os participantes do estudo ingeriram por dia, eles mostraram ser 22% menos suscetíveis a desenvolver a cirrose.

O abuso prolongado de álcool é a causa mais comum de cirrose em países desenvolvidos. A doença destrói progressivamente os tecidos saudáveis do fígado e os substitui por tecido lesionado. A maior parte dos consumidores de café, no entanto, nunca desenvolvem cirrose. Para os cientistas, outros fatores que podem influenciar no desenvolvimento da doença incluem genética, dieta, tabagismo e a interação com outras toxinas prejudiciais ao fígado.

Os autores disseram não ter conseguido determinar se a cafeína ou outro ingrediente do café tem o poder de proteger o fígado. A ingestão de chá não demonstrou impacto no desenvolvimento da doença; os cientistas lembraram que a bebida tem menos cafeína que o café. O responsável pela pesquisa, Arthur Klatsky, e seus colegas do Programa de Cuidados Médicos do Kaiser Permanente Medical Center, em Oakland, Califórnia, analisaram dados de exames de rotina feitos com 125.580 pessoas entre 1978 e 1985 que não apresentavam histórico de doença hepática.

Os participantes responderam a um questionário, fornecendo informações sobre a quantidade de álcool, café e chá ingeridos diariamente no último ano. Alguns fizeram exames para avaliar os níveis de certas enzimas hepáticas liberadas na corrente sangüínea quando o órgão esteve doente ou lesionado. No fim de 2001, 330 participantes haviam sido diagnosticados com cirrose e 199 com cirrose alcoólica. Entre os que fizeram exames de sangue, os níveis de enzima hepática foram mais altos entre indivíduos que ingeriram mais álcool, indicando doença ou dano hepático. No entanto, aqueles que beberam álcool e café apresentaram níveis menores, enquanto os que ingeriram álcool, mas não café, apresentaram níveis maiores."



 Escrito por Marcelo às 18h34
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Versões

 

Fipo, Arlindo, Angelita, Roberta, Eugenia, Mari, Marcinho, Luise, Joana, Zé, Nininho e Vicki (estes dois retratados acima) aparecem em hilárias versões "south park" no blog Só se for de duas. Confira aqui.



 Escrito por Marcelo às 13h42
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Namorada resenhista

Namoro é amor, carinho, solidariedade e também admiração. Tenho o orgulho de postar a resenha que a F. assinou na edição de sábado passado no suplemento Idéias, do Jornal do Brasil, sobre o livro Os ovários de Mme Bovary:

"A teoria de Darwin à luz da ficção"

Flávia Rocha*

"O que Darwin teria a dizer a Shakespeare? E mais, o que nós, humanos, guardaríamos em comum com melros, elefantes-marinhos, gorilas e morcegos? A resposta estaria na evolução, na necessidade comum de reprodução e propagação de genes às gerações futuras, é o que nos dizem o sociobiólogo norte-americano David P. Barash e sua filha, Nanelle, estudante de biologia e literatura, no despretensioso Os ovários de Mme. Bovary (Relume Dumará), recém-lançado no Brasil. Os autores fazem uso de personagens famosos da literatura mundial, clássica e contemporânea, para dissecar comportamentos, e mostrar que, se constituímos a mais sociável das espécies, com a maior capacidade de raciocínio e considerada a mais evoluída, é simplesmente porque somos, antes de tudo, seres biológicos, moldados durante milhares de anos pela seleção natural.

Machos ciumentos, donzelas à procura de um marido, nepotismo genético, competição entre pais e filhos, rejeição do filho bastardo, e muitas outras ações e sentimentos bastante conhecidos de todos nós, não são exclusividade dos humanos. Sobre quase todos os capítulos do livro paira a famosa frase em que Dobzhansky assevera que "nada faz sentido a não ser à luz da Evolução". Espécie de mantra para os amantes da biologia evolutiva, a afirmação deste que é considerado um dos pais da genética indica ser justamente esse traço que nos une às outras espécies animais.

Otelo casa-se com a adorável Desdêmona. Seu ex-assistente, Iago, consegue convencê-lo de que a jovem esposa o trai com seu atual braço direito. Otelo mata Desdêmona e depois a si mesmo. Era um homem ciumento, mas, antes de tudo, um macho da espécie Homo sapiens, e machos são natural e evolutivamente inseguros: sabem que o tempo todo há outro de olho em sua mulher e nunca têm certeza se são mesmo os pais dos filhos que criam.

As mulheres, por sua vez, estão permanentemente à procura do parceiro ideal - que o digam a Bridget Jones de Helen Fielding e as heroínas dos romances de Jane Austen. Perceber que nem sempre o mais atraente é o mais seguro, saber quem será o melhor provedor de recursos, garantir o cuidado dos filhotes, são dilemas com os quais as fêmeas de todas as espécies têm que lidar. E se são elas que escolhem os (supostamente melhores) machos, como podemos explicar a existência de mulheres adúlteras, como Madame Bovary, de Gustave Flaubert? A teoria evolutiva hoje já se atreve a responder, segundo os autores. Por não encontrar o tão desejado "pacote completo" com o qual todas sonham (recursos, segurança e atrativos físicos), algumas fêmeas garantem o futuro da prole ("ele pode criar meus filhos") criando um relacionamento estável com um macho, sem que deixem de seguir buscando os "melhores genes" ("gostaria que meus filhos tivessem os olhos e a força dele") em outros.

Os Barash ainda colocam sob o microscópio outras teorias darwinianas: a seleção de parentesco, como em O Poderoso Chefão, de Mario Puzzo (sempre vale mais a pena investir em um gene parecido com o seu); a redução de investimento parental em relação a filhos adotivos, como em Cinderela, dos irmãos Grimm, Os Miseráveis, de Victor Hugo, e Harry Potter, de J. K. Rowling (por que investir energia em um filho que não é seu?); o conflito entre pais e filhos, em O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, e Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski (os pais querem o melhor para os filhos, ou para si próprios?); e o suposto altruísmo de Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas (só vale a pena ajudar se isso trouxer benefícios, diretos ou indiretos).

É, sem dúvida, um livro para dividir opiniões: os teóricos da crítica literária podem encará-lo como uma afronta; biólogos evolutivos possivelmente irão considerar seu potencial didático; para os leigos, decerto representa uma forma leve e divertida de conhecer as teorias científicas e – por que não? – a si mesmos. Vale lembrar que a obra não tem a intenção de simplificar o olhar e reduzir a literatura a algumas poucas teorias científicas, como fazem questão de assinalar os autores, no capítulo introdutório. Até porque os cientistas, biológicos ou sociais, ainda não sabem explicar as razões do surgimento da literatura na espécie humana e seu real significado para a nossa cultura. Consideremos, então, que há várias formas de interpretação da arte e esta é apenas mais uma.

Os Barash, no mínimo, ajudam a suscitar a pergunta: por que personagens da literatura são universais e eternos? Não seria porque, por mais irreais que pareçam, reconhecemos nossos atos e sentimentos nos seus? Como observou Mark Twain, "a única diferença entre ficção e não-ficção é que a ficção deveria parecer completamente verossímil". Otelos, Cinderelas e Madames Bovarys fazem parte do nosso dia-a-dia. Darwin, seus predecessores e discípulos, só identificaram cientificamente o que os escritores já sabiam. Muito mais do que um livro sobre livros, Os ovários de Mme. Bovary trata essencialmente da natureza humana, na sua forma mais primitiva".

*Doutora em Ecologia



 Escrito por Marcelo às 12h18
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Primeira crônica no JB

Faço hoje minha estréia na Seleção das Letras do Jornal do Brasil. Durante toda a Copa, ao lado de escritores como Sérgio Sant'Anna, Adriana Lisboa, Nelson de Oliveira, Marcelino Freire e J.P. Cuenca, escreverei crônicas esparsas no caderno de esportes. Segue o primeiro texto:

Olaria x Madureira em Berlim

Marcelo Moutinho

Sobrou o Ricardinho, faltou o Alex. Juninho na reserva é inconcebível. Roberto Carlos não vai à linha de fundo desde a época em que usava relógio de camelô e chamar o Arouca não teria sido má idéia. Mas agora, com o leite já fervido, vale é que enfim a pasmaceira pré-Copa – maquiada pela efusão dos treinos lotados, a discussão sobre o melhor esquema (vamos de quarteto ou não vamos?) e a insuspeita troca da limonada pela caipirinha como bebida oficial dos suíços – dará lugar à peleja propriamente dita. Bola pro mato, portanto.

Engrosso a partir de hoje o coro da minoria – 130 milhões contra o resto – na torcida pelo hexacampeonato, com a disposição de trocar o melhor livro por um memorável Irã x Angola. Sim, porque há vida além da Seleção Brasileira, e nem sempre o embate mais interessante do campeonato acontece entre gigantes como Argentina e Holanda. Quem já assistiu a um Madureira x Olaria na Rua Bariri bem sabe quão tocante é ver aquele atacante trombador, com quem a bola não quis papo durante toda a partida, deslizar de carrinho pelo barro, esticar a rede adversária e correr, com o joelho esfolado e sem pensar em departamento médico, em direção à torcida que comemora como se fosse o título do Brasileirão. Nesses jogos, à margem da exuberância óbvia que exalam os gigantes das quatro linhas, a beleza nasce justamente do precário – do uniforme mal desenhado, da bizarra furada do zagueiro, da magreza sub-nutrida do lateral, do esforço comovente do camisa dez em honrar o número ao qual legou o rei Pelé uma mística inequívoca.

Guardadas as devidas proporções, na Alemanha também teremos esses anticlássicos por (falta de) excelência. Que venham, então, Inglaterra x Suécia, Alemanha x Polônia, Portugal x México, mas ainda Gana x Estados Unidos, Arábia Saudita x Tunísia, Togo x Coréia do Sul. Que venham Ronaldinho e Akwá, Zidane e Sterjovski, Crespo e Martinez, craques absolutos e pernas-de-pau de pelada no Aterro, que, com a compreensão previamente rogada aos nossos amores, povoarão nas próximas semanas as telas das TVs e de nossa imaginação. É tempo de Copa do Mundo, meus caros. E duro – duro mesmo – será apenas ficar um mês sem ver o Fluminense jogar.



 Escrito por Marcelo às 11h00
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Revista Mercearia

Quem tiver por São Paulo hoje deve dar uma esticada até a Mercearia São Pedro, que lança, a partir das 20h, a primeira edição de sua revista. Talvez seja o primeiro caso brasileiro de boteco a enveredar por publicação literária própria, que promete ser periódica. O número de estréia traz textos de João Cabral de Mello Netto, Sergio Sant'Anna, Jose Roberto Torero, André Sant'Anna e dos amigos Ivana Arruda Leite, João Gabriel de Lima, Joca Terron e Marcelino Freire, entre outros.



 Escrito por Marcelo às 12h22
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Blog do Marcelo Coelho

 

Tenho uma ótima notícia para aqueles que, assim como este que vos escreve, acostumaram-se a admirar a inteligência e a sagacidade do Marcelo Coelho através da leitura de seus textos na Folha de S. Paulo: o colunista acaba de lançar um blog, abrigado dentro do Folha On Line e no qual comenta sobre cotidiano, arte, cultura, política etc. Confira aqui.



 Escrito por Marcelo às 15h03
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Bip no JB

Na edição de ontem, o Jornal do Brasil publicou matéria sobre as rodas de samba da cidade, tendo como ponto de partida o dia em que são realizadas. Ao lado da reportagem, intitulada Samba de domingo a domingo, saiu um pequeno artigo meu, enfocando especificamente a roda do Bip Bip. Segue o texto (que ganhou novo título lá dos editores do jornal):

Na roda do Bip Bip, o tempo pára e a vida fica lá fora

Marcelo Moutinho*

Certa vez perguntei ao Chiquinho Genu por que enfim todo domingo, esteja triste ou alegre, disposto ou desanimado, ele pega seu violão e ruma para o Bip Bip. Espécie de líder informal da roda de samba que acontece semanalmente, com a mesma voz rascante que enverniza as canções de Nelson Cavaquinho e Chico Buarque, Genu me respondeu: "Precisamos mostrar para os mais jovens o que é o Bip, porque caberá a eles levar adiante".

Comovente em sua simplicidade, a explicação dá conta do significado maior que alimenta não só a roda do Bip, mas tantas outras que se espalham pelo Rio, alheias a modismos eventuais. Evidentemente, o minúsculo bar da Avenida Almirante Gonçalves tem lá suas peculiaridades, a começar pelo dono. Alfredo Jacinto Mello, o Alfredinho, é a personificação do poema de Maiakovski: "todo coração". Apaixonado pelo Botafogo e pela Mangueira, socialista e cristão daqueles que vão mesmo à missa, é o elemento aglutinador daquela pequena multidão que se reúne no crepúsculo do fim de semana em Copacabana.

Mas para além de qualquer singularidade – e cada espaço decerto tem as suas -, há nesses redutos aquelas relações íntimas de pertencimento que meu saudoso professor e amigo Roberto M. Moura apontou no livro No princípio, era a roda – Um estudo sobre samba, partido-alto e outros pagodes. Laços de amizade e sangue são construídos, dores individuais são maceradas em ritmo e álcool, diluídas no canto forte e sinuoso que, num feliz paradoxo, embala o lamento característico de boa parte das letras de samba. "É como se o tempo tivesse parado e o mundo ficasse lá fora", observou Moura.

E a dor que se canta não é só aquela mais comum e profunda: a dos amores que se foram e não se sabe se voltarão. Canta-se também a dor coletiva – no caso específico dos cariocas, a dor das flechas que, como alertaram Aldir Blanc, Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro em Saudades da Guanabara, foram fincadas sobre o corpo frágil do padroeiro São Sebastião. Canta-se a nostalgia de uma cidade que, ainda imune a Cesares e Garotinhos, era mais Cabral pai e menos Cabral Filho. E onde, para nos mantermos no boteco de Aldir/Moacyr, as nossas histórias pessoais escorrem, queiramos ou não.

Essa cidade ainda é possível porque sua alma, embora machucada, viceja em cantos como os que foram citados na matéria ao lado, pequenos recintos nos quais as ondas do momento, sempre passageiras, não imperam. Microcosmos onde a herança é motivo permanente de tributo, sem que isso signifique colocar vendas sobre aquilo que é novo – e, bem processado, encaminha-se para virar memória também. Porque sempre haverá dor, e amores, e histórias escorrendo pelas esquinas. Sempre haverá, enfim, samba. E, se Deus quiser, haverá Bip Bip também - para que a gente possa no domingo ter a fina alegria de atravessar o bar, espremendo-se entre os músicos e os outros freqüentadores, e pedir: "Anota mais uma cerveja, Alfredinho!"

* Escritor e jornalista 



 Escrito por Marcelo às 11h50
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O chamado de Deus

Ainda no campo da Sétima Arte: também no próximo domingo, à meia-noite, o programa Cadernos de Cinema (TVE) trasmitirá o surpreendente O chamado de Deus, documentário de José Jofily que examina a questão da vocação regiliosa. Participo do debate pós-filme ao lado do jornalista Luiz Paulo Horta, do padre Abimar Oliveira de Moraes (doutor em Teologia pela Universidade Salesiana de Roma) e de Cláudio da Costa (coordenador do curso de Cinema da Estácio de Sá). O programa terá reprise no sábado seguinte (dia 10), às 23h. 



 Escrito por Marcelo às 11h03
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HR no Museu

Por falar no Henrique, ele participará no próximo domingo do programa Museu e público jovem, tocado  pelo Museu Histórico Nacional. Ao lado do ator José Dumont e do professor Mário Chagas, HR vai debater o filme Narradores de Javé (de Eliane Caffé). O evento está marcado para 14h30 e as senhas serão distribuídas meia-hora antes (são, ao todo, 200 lugares). Após as atividades, haverá visita orientada às exposições em cartaz no Museu. Mais informações, pelo telefone 2550-9257.



 Escrito por Marcelo às 10h54
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O novo "Poema sujo"

Henrique Rodrigues, a quem tenho o orgulho de chamar de amigo, acaba de escrever o Poema sujo da nossa geração. Isto não é mero confete. Fiquem de olho no livro dele: poesia viva, dura, virulenta, visceral e sem afetação. Em suma, a melhor seleta de inéditos que leio em muito tempo. Intitulado A musa diluída, o trabalho sairá pela Record, em novembro...



 Escrito por Marcelo às 12h15
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Bagatelas nº 2

O gente boa Rafael Vidal, do sítio Bagatelas!, convida para o lançamento do segundo número da revista do grupo, que acontecerá no próximo domingo, às 19h, na Livraria da Travessa de Ipanema. A nova edição traz entrevista com o escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, depoimento de Luiz Ruffato, além de textos de Waldir Araújo (de Guiné-Bissau), Luís Naves (de Portugal), quadrinhos de Rafael Adorján, ensaios literários, resenhas e uma coluna de novidades da área editorial. Assinam contos na revista também os 15 escritores que compõem a Bagatelas!: Luciano Silva, Miguel do Rosário, Amanda K., Julio Cesar Corrêa, Rodrigo Melo, Nilovsky, Tatiana Carlotti, Flávio Corrêa de Mello, Márcio Calixto, Eloise Porto, Emerson Wiskow, Rogério Augusto, Camilla Lopes, Luis Filipe Cristóvão e o próprio Rafael.



 Escrito por Marcelo às 10h34
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