Três adendos

 1. De acordo com o exposto  abaixo, minhas vencedoras no Especial são: 1. Mangueira, 2. Beija Flor, 3. Unidos da Tijuca, 4. Vila Isabel, 5. Salgueiro, 6. Viradouro ou Império

 

2. Só quero ver se o júri da Liesa vai confirmar, amanhã, uma antiga tese minha: o que na verdade tira pontos são quesitos como fantasia, harmonia, conjunto e alegoria. Duvido muito que a Tijuca receba notas baixas por seu péssimo samba-enredo (o que seria merecido) e, em contrapartida, aposto que as escolas que tiveram problemas em outros quesitos perderão pontos… É a corruptela da lógica do próprio carnaval da Liga: o tecnicismo aplica-se em apenas alguns casos…

 

 

 

3. No grupo de Acesso, minha torcida é pela Estácio de Sá, que fez um desfile emocionante, com seu lindo samba (revivido), muita animação e alegorias deslumbrantes, como o pierrô de Paulo Barros...



 Escrito por Marcelo às 18h55
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Pitacos sobre o desfile

Depois de conferir o desfile de todas as escolas, aí vão os meus pitacos sobre o carnaval de 2006 (abstenho-me de comentar sobre a Rocinha e a Porto da Pedra, por motivos óbvios).

 

 

 

Salgueiro – O engenhoso desenvolvimento do enredo me surpreendeu. Ao contrário da maioria dos analistas, achei o desfile criativo e de muito bom gosto. A Academia trouxe ainda um samba acima da média. No meu rol particular, estaria entre as seis primeiras.

 

Imperatriz –  Também quanto à escola da Leopoldina, discordo dos analistas. Sem novidades, a agremiação no entanto pecou justamente num de seus pontos fortes, que são os carros alegóricos. Estavam pouco criativos e, pior, com problemas de acabamento (o que supreende quando se trata de Rosa Magalhães). Merecia ali por volta do oitavo lugar (mas é certo que, devido à boa política da Liesa e ao respeito dos jurados, vai conseguir mais do que isso).

 

Caprichosos – Desfile apenas correto, o que já foi muito diante do tema e do fraquíssimo samba.

 

Vila Isabel – Luxuosa, muito em razão do patrocínio estatal venezuelano, e empolgante, muito em virtude do samba fácil (e ruim), a Vila teve uma bela passagem pela Sapucaí e felizmente deve conquistar um lugarzinho entre as campeãs.

 

Grande Rio – Uma espécie de sub-Imperatriz. Atenta às exigências técnicas, a escola contudo mostrou certa frieza.

 

Beija Flor – Mais um desfile perfeito, com carros e fantasias adequados, organização absolutamente impecável, bom samba-enredo e, o que é muito importante – os integrantes todos cantando. Só não entendo porque, se é para fugir da proposta inicial e dinheiro não parece ser problema em Nilópolis, a agremiação continua optando por enredos patrocinados. No meu ranking de 2006, seria a vice-campeã.



 Escrito por Marcelo às 18h00
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Mangueira – Melhor desfile do ano, com perfeição em todos os quesitos e um diferencial com relação à Beija Flor: incendiou a Sapucaí. Para mim, é a campeã.

 

Viradouro – Foi uma passagem interessante, com bom gosto e cuidado na escolha e no acabamento de alegorias e fantasias. A bateria deu um show à parte. Eu colocaria entre as seis primeiras (brigando com o Império).

 

Mocidade – Não havia compreendido o enredo antes do desfile. Depois dele, continuei sem compreender…

 

 

 

Tijuca – Abaixo dos desfiles de 2004 e 2005, a Tijuca me pareceu irregular. Ao lado de ótimas idéias, como o carro abre-alas, havia verdadeiros monumentos ao mau gosto (exemplo: carro do bebê Chucky "afrodescendente") e fantasias questionáveis. E o péssimo samba (de longe, o pior do ano, digno do Troféu Framboesa) agrava um pouco a situação. Pela criatividade do Paulo Barros, um terceiro lugar cairia bem.

 

 

 

Império – Para quem fez um carnaval de recuperação, pensando numa oitava colocação, minha escola até que surpreendeu. Alguns problemas corriqueiros voltaram a acontecer – peças que não chegam, certo desleixo com a preservação das fantasias -, mas outros foram sanados, como foi o caso da harmonia. Carros alegóricos e fantasias melhoraram muito com o Paulo Menezes e o samba, que confirmou a excelência na Sapucaí, garantiram um desfile digno da Serrinha, com garra e senso de conjunto. Seria justo brigar (com a Viradouro) pelo sexto lugar e voltar no sábado (mas, sinceramente, duvido muito que isso aconteça, pelos motivos expostos entre parênteses no tópico da Imperatriz).

 

Portela – Bem abaixo da grande Portela que conheci quando pequeno, o desfile foi apenas razoável – o que já soa alvissareiro se lembrarmos da tragédia de 2005. Não sei o que acontece, mas a escola parece desanimada, sem noção de sua imensa força. O enredo ufanista e de difícil realização fora dos moldes do óbvio e o horário da passagem (pela manhã, quando o público já estava cansado) também atrapalharam vôos maiores da águia. Ponto positivo para a bateria, comandada com excelência por esse novo diretor, Nilo Sérgio.



 Escrito por Marcelo às 17h59
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Dapieve

Em sua coluna de hoje no Segundo Caderno (O Globo), o Dapieve toca na mesma ferida em que toquei há algumas semanas aqui no Pentimento, didivindo opiniões. O texto vale a leitura e, por isso, segue na íntegra:

"A resistência do samba"

Arthur Dapieve

"Não é de hoje que o samba vem discutindo sua relação com o carnaval. A reportagem de Cesar Tartaglia e Marcia Cezimbra publicada na última revista do GLOBO expõe a mais recente rusga: a puxada de tapete que a Unidos de Vila Isabel aplicou logo em Martinho da Vila e Luiz Carlos da Vila. Convidada pela diretoria a concorrer ao samba-enredo da escola, a dupla de bambas serviu apenas para valorizar a vitória de outrem.

Talvez seja oportuno, também, discutir algo que, a meu ver, tem feito tanto mal ao gênero musical quanto a clonagem anual de sambas-enredos indigentes, o pagode-mauricinho ou o aluguel das escolas a políticos, celebridades e turistas: o clichê “a resistência do samba”. Fora do carnaval, época em que bem ou mal os tamborins soam ainda mais alto, a expressão surge quase sempre que se fala ou escreve sobre o assunto.

No entanto, é bem difícil entender contra quem o samba resiste. Parece o discurso paranóico do Lula. O sambista Zeca Pagodinho talvez seja, hoje, o cantor mais popular do Brasil. A dúvida fica por conta, claro, do longevo reinado de Roberto Carlos. Pagodinho talvez seja, também, o maior cantor de samba vivo. Aqui, a minha dúvida fica por conta de outro grande Roberto, o Silva, de 85 anos, intérprete, entre outros, dos quatro formidáveis álbuns intitulados “Descendo o morro”, do fim da década de 50 e do começo da de 60.

A popularidade e a excelência de Pagodinho fazem com que ele receba, o ano inteiro, o tipo de cobertura jornalística dedicada apenas eventualmente a um Mick Jagger: o que disse, onde esteve, o que fez, o que comeu (ou bebeu). O canal por assinatura Sportv, por exemplo, estava na casa do alvinegro Pagodinho quando ele recebeu os amigos americanos Monarco e Mauro Diniz para assistirem à decisão da Taça Guanabara. E o anfitrião — a quem assisti pela primeira vez em 1986, no velho campo do América, num showmício do PDT com a falecida Jovelina Pérola Negra e Almir Guineto — já foi até garoto-propaganda disputado por duas das principais marcas de cervejas do país.

Cabe, então, perguntar: a que resiste o samba, se a sua face mais visível goza deste merecido prestígio na grande mídia? A que resiste o samba, se ele é, há décadas, o ramo mais robusto da nossa música, transmutando-se na bossa nova, influenciando o pessoal dos festivais e da Tropicália, fundindo-se ao pop-rock nativo? (Isso num dos três países do mundo que mais escutam a própria música; os outros, a propósito, são EUA e Japão.) A que resiste o samba, se o culto a ele movimenta as casas noturnas da Lapa?

E, no entanto, ouvimos e lemos que o bairro sedia “a resistência do samba”...

Todo clichê, ao imobilizar a fala, imobiliza também o pensamento. O que se quer dizer quando se diz que uma coisa resiste a outra? Que ela está na defensiva, sob ataque, está em posição inferior, de vítima. A intenção dos retransmissores de clichê pode até ser boa, calcada na lembrança da antiga perseguição referida em “Agoniza mas não morre”, de Nelson Sargento. Contudo, na prática, eles diminuem o gênero que pretendem engrandecer.

O samba não é escravo, o samba é senhor. Dizer menos que isso de um gênero musical que vive em, além dos já mencionados, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nei Lopes, Jamelão, D. Ivone Lara, Aldir Blanc, Moacyr Luz, Beth Carvalho, Walter Alfaiate, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, soa-me até ofensivo. Invocados pela “resistência do samba”, estes nomes acabam é servindo de álibi para a abolição de todo espírito crítico.

Como tal retórica tem caráter patriótico, um mero senão equivale a alta traição. Os bambas são usados, dentro desta lógica, exatamente como Martinho e Luiz Carlos foram usados no concurso da Vila: para referendar gente sem o seu talento. Porque é uma impossibilidade estatística-estética que não haja disco ruim de samba, que toda jovem cantora seja maravilhosa ou que todo velho sambista obscuro seja uma preciosidade.

Admitir isso, todavia, seria crime de lesa-pátria. Então, tome elogio à “resistência do samba”. Este discurso paternalista e mediocrizante já teve conseqüências nefastas na cultura brasileira. Enquanto considerou-se (e foi) merecedor de “uma força” do Estado e da crítica, por exemplo, o nosso cinema patinou. Hoje, mesmo ao largo da retórica nacionalista, a falta de senso crítico alimenta a nostalgia esterilizante do rock dos anos 80.

O conservadorismo é, por sinal, outra faceta da “resistência do samba”. Dois anos atrás, no site “NoMínimo”, o jornalista Paulo Roberto Pires, ao defender Marcelo D2 numa discussão com os xiitas do gênero, criou um termo feliz: talibambas . Foram eles que pediram para Mart’nália tocar mais baixo seu pandeiro numa roda de samba na Lapa, como ela se queixou aqui no Segundo Caderno, também há dois anos, ao repórter João Pimentel.

Recentemente, outro renovador do samba, Leandro Sapucahy, teve até dificuldades de se apresentar no bairro. Só conseguiu graças ao aval de Zeca Pagodinho, que participa de seu ainda inédito CD, bem como Marcelo D2. Aos ouvidos do pessoal entrincheirado no passado, Sapucahy comete a heresia de lançar uma ponte do samba ao rap, falando de tráfico, mineira, bala perdida, Nextel. De tanto proteger o gênero, os talibambas perigam sufocá-lo. Afinal, como diz o samba de Aluizio Machado, “água demais mata a planta”."



 Escrito por Marcelo às 17h07
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E vamos ao carnaval!

Bom, pessoal, não sei se durante a folia atualizarei este espaço. Por causa da hepatite, viverei um carnaval diferente, mais recolhido, menos estridente, voltado sobretudo para o desfile da próxima segunda-feira. E por isso mesmo neste ano eu só desejo uma pequena alegria, que de tão pouco provável decerto se tornaria a maior delas.

Não, não falo de campeonato. Estou cansadíssimo de saber que o buraco é mais embaixo, que há os quesitos técnicos, a questão da grana, da "boa política" com agremiações que de uma hora para outra de tornaram "grandes", em detrimento de redutos tradicionais do samba. Ganhar já integra, faz um bom tempo, o rol das impossibilidades absolutas. 

Portanto, o que eu realmente queria, e queria tanto que não consigo dar dimensão, era ver o Império e a Portela entre as cinco primeiras escolas, desfilando novamente no sábado das campeãs. Simplesmente isto.

Seria bonito...

Um bom carnaval para todos vocês!



 Escrito por Marcelo às 11h21
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Curso sobre o documentário brasileiro

Uma ótima notícia: o Grupo Estação começará, a partir de março, a promover cursos - e não será apenas na área de cinema, estendendo-se à música e a outras áreas da cultura. Estão previstos módulos de feras como Domingos de Oliveira, Hamilton Vaz Pereira e Viviane Mosé, entre outros. No rol dos primeiros cursos, eu destaco antecipadamente Arquitetos do caos - O novo documentário brasileiro, ministrado pelo amigo Carlos Alberto Mattos. Profundo conhcedor do assunto, o Carlinhos é autor de um livro fundamental sobre o maior documentarista brasileiro (Eduardo Coutinho - O homem que caiu na real), além de outras obras na esfera da Sétima Arte, como Walter Lima Júnior: Viver cinema e Jorge Bodanzky - O homem com a câmera.

O curso centra seu programa num exame geral sobre a riqueza do documentário brasileiro contemporâneo, a partir do trabalho de cineastas como João Moreira Salles, Evaldo Mocarzel, Kiko Goifman e o já citado Coutinho. Além disso, vai situar a nova fase em relação à história do gênero e às influências internacionais que sobre ele se exerceram desde os anos 1960. As aulas (no total de oito) começarão no dia 16 de março e acontecerão à quintas-feitas, das 20h às 22h, com o custo (R$ 400) podendo ser parcelado em duas vezes. Para se inscrever, basta enviar e-mail
com nome completo, telefone e curso escolhido para cursos@estacaovirtual.com.



 Escrito por Marcelo às 10h40
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Velha Guarda

A Biscoito Fino acaba de lançar uma preciosidade: o cd Império Serrano - Um show de Velha Guarda, que reúne sambas, boa parte deles nunca antes registrados, de bambas como Nilton Campolino, Mano Décio da Viola, Mestre Fuleiro, Silas de Oliveira, Osório Lima, Avarese, todos eles responsáveis pelas bases que até hoje sustentam a escola. Em caprichada edição, o disco traz pequenas biografias dos integrantes da Velha Guarda (Zé Luis, Ivan Milanês, Wilson das Neves, Cizinho, Toninho Fuleiro, Fabrício, Ninca, Aloísio Machado, Capoeira da Cuíca, Silvio, Lindomar e Balbina) e um ótimo texto de apresentação, assinado pela querida Rachel Valença.

"Ouvir a Velha Guarda me remete a um tempo diferente. Um tempo que não acaba nunca: é o tempo da simplicidade, que fala às nossas almas. Tudo é autêntico: as palavras, as vozes rudes, graves ou agudas, que parece saídas do ventre da terra, o ritmo inconfundível, nossa marca, e o imenso amor pelas cores da escola, um soberbo desinteresse por tudo o que não vem de lá, um misto de altivez e alegria de falar das nossas coisas e da nossa gente. Em nenhum outro momento fica tão claro para mim o significado da expressão 'escola de samba': aí estão os que aprenderam com seus pais e tios, ensinando a seus filhos e netos", anota Rachel.

No repertório do cd, clássicos como o hino Menino de 47 (de Campolino e Molequinho) e a pérola Amor aventureiro (Silas de Oliveira e Mano Décio) e sambas mais conhecidos apenas pelos próprios imperianos - casos de Império tocou reunir (Silas de Olveira e Dona Ivone Lara) e Sou imperial (Avarese) - estão ladeados a composições pouco tocadas, como Dei-te um lar (Luiz Carlos Nega Véia) e O que seus olhos têm (Mestre Fuleiro). A produção deste que não é apenas um disco, mas um verdadeiro documento histórico, é do gente-boa (e onipresente) Paulão Sete Cordas.



 Escrito por Marcelo às 12h16
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No Rival

Dando mais uma prova cabal - quem não vê é porque não quer ver - do respeito que empresta à própria memória, o Império Serrano realizou um show absolutamente emocionante, ontem à noite, no Teatro Rival. Mesmo debilitado pela hepatite, venci o cansaço e fiz questão de estar lá, mui bem acompanhado dos amigos Chico e Júlia Bosco. O espetáculo representou um verdadeiro passeio pela trajetória de resistência da verde-e-branco de Madureira, com lugar para o ancestral jongo da Serrinha, para antigos sambas-de-enredo e de terreiro, uma homenagem aos baluartes (Roberto Ribeiro, cuja morte completou dez anos em 2006, entre eles), além de participações da Velha Guarda, de João Bosco, de Jorge Goulart e da recente (e bem chegada) Mariana Bernardes. De forma alegre e sem didatismo bobo, pudemos ver um recorte possível da participação do Império não apenas na história de nosso carnaval, mas na sedimentação desse caldo riquíssimo e multifacetado que é a cultura brasileira. As apresentações serviram também como ponte para os dias de hoje. Então a bateria, com seus agogôs singulares e Quitéria (como samba essa moça...) à frente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, passistas e o puxador Nego subiram ao palco, convocando a família imperiana para o desfile da próxima segunda. A se tirar pela empolgação com o samba O Império do Divino, que, a exemplo do que em acontecendo em Madureira, foi cantado em êxtase por todo o Rival, será bonita a festa na Sapucaí.

P.S. É uma pena, uma pena mesmo, que mestre Nei Lopes não estivesse lá ontem...



 Escrito por Marcelo às 12h09
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Eugénio

"Coda"

Eugénio de Andrade

"Nenhum pensar agora: calma
e profunda corrente de silêncio
entre mim e o que de mim ainda
se aproxima: simples fulgor
antes de arder no cume
talvez a cal: ou só o seu rumor."



 Escrito por Marcelo às 14h21
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Dragões

"(...) Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada. (...)"*

Sim, de vez em quando os dragões vêm me visitar...


* Caio F., em Os dragões não conhecem o paraíso



 Escrito por Marcelo às 14h11
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Canção para hoje

"Eu quero é botar meu bloco na rua"

Sérgio Sampaio

"Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca
Que eu fugi da briga
Que eu cai do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa
Mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Ginga pra dar e vender
Eu por mim queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo
Um grito menos nisso
É disso que eu preciso
Ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval
Eu quero é botar meu bloco na rua...
Há quem diga que eu dormi de touca...
Há quem diga que eu não sei de nada...
Eu quero é botar meu bloco na rua..."



 Escrito por Marcelo às 17h51
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Termômetro

 

“Sábado era aniversário da minha esposa e nós combinamos que iríamos convidar nossos amigos para comemorarmos na quadra do Império Serrano. Pois bem: formamos um grupo de 16 amigos e parentes, levamos bolo e bolas verdes e brancas para o ensaio. Era o aniversário da Simone mas todos os nossos convidados foram presenteados com o belíssimo ensaio na quadra. Amigos meus que torcem para outras escolas me falaram na hora que nunca tinham visto isso nos ensaios das escolas deles: a bateria e os intérpretes finalizaram a apresentação do samba e a família imperiana continuou a cantar e sambar, sem parar, mostrando a todos que a escola esta muito unida e com garra. Todos saíram da quadra impressionados com o ensaio e com muita fé no desfile da escola.”
Silvio César

 

“Eu nunca vi isso no Império. Por duas vezes os imperianos não deixaram que o samba se calasse; mesmo após o corte da bateria e cantores, a quadra continuou cantando o nosso hino, se recusando a abrir mão de um direito seu: cantar e sambar!”

Rodrigo

 

“É verdade. Estava na quadra e fiquei impressionado com o pique do ensaio, a motivação das pessoas e a força do samba.  A quadra já estava num astral e energia maravilhosos durante a feijoada. Ontem, durante o ensaio de rua, o clima permaneceu numa crescente, com Madureira inteiramente tomada pelo povo. Durante o ensaio o samba voltou a empolgar e a mostrar sua força, com destaque para a bateria e o puxador Nêgo. A passarela em frente à quadra foi tomada por pessoas que queriam assistir a passagem da escola e acenavam lenços, toalhas e camisas. Fiquei nostálgico ao ver a cena, pois lembrei de antigos e grandiosos carnavais da escola. Vamos com tudo!"
Carlos Pereira

 


Trechos dos comentários de quem esteve nos ensaios do dia 18 (quadra) e 19 (nas ruas de Madureira)...



 Escrito por Marcelo às 18h52
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Flip 2006

Centenário de Mário Quintana, cinqüentenário de Grande sertão, veredas, obra máxima de Guimarães Rosa, e me escolhem Jorge Amado como homenageado da Flip 2006. Sinceramente, não entendi...



 Escrito por Marcelo às 12h15
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Império no Rival

 

Na próxima quarta-feira, quem é imperiano de fé (ou simplesmente gosta da escola) tem um programa obrigatório. Afinal, a verde-e-branco de Madureira realiza uma grande festa no Teatro Rival, com a participação de imperianos ilustres, como Jorge Goulart, João Bosco, Jorginho do Império e Wilson das Neves, apresentações da Velha Guarda e do Jongo da Serrinha, além da presença do puxador Nego e da bateria, com sua rainha Quitéria Chagas. O show começa às 20h30 e os ingressos custam R$ 15 (os 200 primeiros) e R$ 20.



 Escrito por Marcelo às 12h04
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Match point

Apesar de algumas incongruências na composição dos personagens, Match point*, o novo filme de Woody Allen, é biscoito fino. O trabalho lembra - e muito - o ótimo Crimes e pecados, tanto pela trama em torno da questão da "culpa", quanto pelos ecos dostoievskianos e até mesmo por itens mais prosaicos, como a ausência do próprio Woody no elenco. É um drama com toques noir, valorizado pelos diálogos (como costumeiramente) inteligentes, pelo senso de humor cortante e pela atuação dos atores, com destaque para a deslumbrante Scarlett Johansson. A indicação à categoria de Roteiro Original, a única recebida pelo filme, foi uma injustiça da Academia...

* Recuso-me a chamar pelo péssimo título que deram por aqui...



 Escrito por Marcelo às 11h42
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DVDs brazucas

  

Entre os tantos filmes a que assisti no decorrer desse período de repouso forçado, há um destaque negativo e outro positivo. O negativo é, sem nenhuma surpresa, Quanto vale ou é por quilo, mais um panfleto demoagogo que o diretor Sergio Bianchi quis transformar em cinema - e, a exemplo dos também péssimos A causa secreta (pobre Machado de Assis) e Cronicamente inviável, não conseguiu. Malgrado a relevância do tema - a situação do negro no Brasil, da época da escravatura à atualidade -, cinema não é tese meramente ilustrada por imagens (muito menos quando tal tese não consegue ir além de correlações já bastante gastas - e o pior: conduzidas através de rimas visuais primárias). Não sei mesmo porque insisto em ver filmes desse moço...

Já o destaque positivo fica por conta de Cabra cega, de Toni Venturi (que dirigiu o razoável Latitude zero). Não se trata de nenhuma obra-prima, mas a história dos militantes abrigados num "aparelho" durante o período mais duro da ditadura militar é narrada com as devidas nuances - e valorizada pela ótima trilha sonora. Venturi é muito feliz no casamento entre as imagens e as canções, como se pode notar quando filma as cenas de sexo e sobretudo na seqüência do terraço, uma verdadeira explosão emocional que se dá ao som da catártica Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio.



 Escrito por Marcelo às 15h01
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Noites de circo

Um filmaço acaba de ser lançado em DVD no Brasil. Refiro-me a Noites de circo, que Ingmar Bergamn dirigiu em 1953 e nunca chegou a entrar em cartaz por aqui (passou apenas em festivais). Assisti a esse poético, belíssimo e dilacerante trabalho do cineasta sueco há alguns anos, durante um curso de cinema no Museu da República. Fiquei tão impressionado com olhar trágico lançado em direção à praxis cotidiana da arte circense, (tema que muito me interessa), que a partir do filme fiz nascer um conto, homônimo, hoje integrante de Memória dos barcos, meu segundo livro. Não deixem de conferir o DVD e atentem especialmente para a magistral fotografia de Sven Nykvist (que trabalhou com Bergman pela primeira vez em Noites de circo, inaugurando uma profícua parceria) e para a metafórica seqüência inicial, em que o palhaço Frost, o protagonista, leva nos braços a mulher que o traiu, como se carregasse uma cruz.



 Escrito por Marcelo às 14h51
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De molho

Explicando o sumiço: estou desde a semana passada em casa, de molho, por causa de uma Hepatite. Sim, sim, vocês leram certo: Hepatite - e logo às vésperas do carnaval. O resultado é que minha participação nos blocos será absolutamente restrita* e o desfile no meu Império vai depender da autorização do médico (é claro que estou enchendo a paciência dele...). Isso sem contar o longo período sem beber. Venho aproveitando essas semanas compulsoriamente "sabáticas" para ler, escrever e ver filmes (aliás, darei algumas dicas aqui). De qualquer maneira, a partir da próxima segunda volto a atualizar este espaço.

* Curioso, o jornalismo: no domingo passado, eu e F. aparecemos sorridentes numa foto em matéria na Revista do Globo, cujo objeto era justamente a preparação para o carnaval. A reportagem fora feita antes que eu descobrisse estar com Hepatite - e confesso que foi esquisito (quase triste) ler aquilo, ciente de que não aconteceria mais. Enfim, é vida que segue...



 Escrito por Marcelo às 11h11
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Sangue!

Foi realmente de marejar os olhos ver antigos torcedores - cabeças brancas, de mãos dadas com meninos que possivelmente são seus netos e só ouviram falar da equipe no tempo verbal pretérito - voltando ao Maracanã para vibrar com o América. O depoimento do jornalista José Trajano, na ESPN Brasil, confessando que ontem era um homem feliz como talvez só o tenha sido na infância, deu exatamente a medida (se é que é possível medir) do que aconteceu: o renascimento de um clube fundamental na história esportiva do país e que parecia inexoravelmente fadado à morte. 

Há um bom tempo o futebol não me emocionava tanto este tricolor velho de guerra aqui. Com o perdão dos botafoguenses, domingo, portanto, é dia de ir ao ex-maior do mundo, vestido de vermelho, para gritar: "Sangue!"



 Escrito por Marcelo às 12h14
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Série Sambas-de-Enredo / Em Cima da Hora 1976

Escola afilhada da Portela e localizada no bairro de Cavalcanti, a Em Cima da Hora ganhou este inusitado nome em sua primeira reunião, aquela que marcaria a sua fundação, em 1959. Seus integrantes, sem encontrar um título adequado para a nova agremiação, discutiram até às três da manhã, quando um deles reclamou: "Tenho que me retirar, está em cima da hora". De bate-pronto nasceram, então, o nome e o símbolo: um relógio marcando três horas. Apesar de nunca ter chegado às primeiras colocações no grupo principal, a Em Cima da Hora curiosamente levou à Avenida aplaudidíssimos sambas-de-enredo. Com este Os sertões, que animou o desfile de 1976 e é considerado por muitos estudiosos o melhor samba-de-enredo da história do carnaval, obteve um modesto 13º lugar.

"Os sertões"

Edeor de Paula

"Marcado pela própria natureza
O Nordeste do meu Brasil
Oh! solitário sertão
De sofrimento e solidão
A terra é seca
Mal se pode cultivar
Morrem as plantas e foge o ar
A vida é triste nesse lugar

Sertanejo é forte
Supera miséria sem fim
Sertanejo homem forte
Dizia o poeta assim

Foi no século passado
No interior da Bahia
Um homem revoltado com a sorte
Do mundo em que vivia
Ocultou-se no sertão
Espalhando a rebeldia
Se revoltando contra a lei
Que a sociedade oferecia

Os jagunços lutaram
Até o final
Defendendo Canudos
Naquela guerra fatal"



 Escrito por Marcelo às 11h53
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"Lugar, lugares"

"Era uma vez um pequeno inferno e um pequeno paraíso, e as pessoas andavam de um lado para outro, e encontravam-nos, a eles, ao inferno a ao paraíso, e tomavam-nos como seus, e eles eram seus de verdade. As pessoas eram pequenas, mas faziam muito ruído. E diziam: é o meu inferno, é o meu paraíso. E não devemos malquerer às mitologias assim, porque são das pessoas, e neste assunto de pessoas, amá-las é que é bom. E então a gente ama as mitologias delas. A parte isso o lugar era execrável. As pessoas chiavam como ratos, e pegavam nas coisas e largavam-nas, e pegavam umas nas outras e largavam-se. Diziam: boa tarde, boa noite. E agarravam-se, e iam para a cama umas com as outras, e acordavam. Às vezes acordavam no meio da noite e agarravam-se freneticamente. Tenho medo - diziam. E depois amavam-se depressa, e lavavam-se, e diziam: boa noite, boa noite. Isto era uma parte da vida delas, e era uma das regiões (comovedoras) da sua humanidade, e o que é humano é terrivel e possui uma espécie de palpitante e ambígua beleza. E então a gente ama isto, porque a gente é humana, e amar é bom, e compreender, claro, etc. E no tal lugar, de manhã, as pessoas acordavam. Bom dia, bom dia. E desatavam a correr. É o meu inferno, o meu paraíso, vai ser bom, vai ser horrível, está a crescer, faz-se homem. E a gente então comove-se, e apoia, e ama. Está mais gordo, mais magro. E o lugar começa a ser cada vez mais um lugar, com as casas de várias cores, as árvores, e as leis, e a política. Porque é preciso mudar o inferno, cheira mal, cortaram a água, as pessoas ganham pouco - e que fizeram da dignidade humana? As reivindacações são legítimas. Não queremos este inferno. Dêem-nos um pequeno paraíso humano. Bom dia, como está? Mal, obrigado. Pois eu ontem estive a falar com ela, e ela disse: sou uma mulher honesta. E eu então fui para o emprego e trabalhei, e agora tenho algum dinheiro, e vou alugar uma casa decente, e nosso filho há-de ser alguém na vida. E então a gente ama, porque isto é a verdadeira vida, palpita bestialmente ali, isto é que é a realidade, e todos juntos, e abaixo a exploração do homem pelo homem. E era intolerável. Ouvimos dizer que numa delas, o pequeno inferno começou a aumentar por dentro, e ela pôs-se silenciosa e passava os dias a olhar para as flores, até que elas secavam, e ficava somente a jarra com os caules secos e água podre. Mas o silêncio tornava-se tão impenetrável que os gritos dos outros, e a solícita ternura, e a piedade em pânico - batiam ali e resvalavam. E então a beleza florescia naquele rosto, uma beleza fria e quieta, e o rosto tinha uma luz especial que vinha de dentro como a luz do deserto, e aquilo não era humano - diziam as pessoas. Temos medo - pensavam. E o ruído delas caminhava para trás, e as casas amorteciam-se ao pé dos jardins, mas é preciso continuar a viver. E havía o progresso. Eu tenho aqui, meus senhores, uma revolução. Desejam examinar? Por este lado, se fazem favor. Aí à direita. Muito bem. Não é uma boa revolução? Bem, compreende...claro, é uma belíssima revolução. E é barata? Uma revolução barata?! Não, senhores, esta é uma verdadeira revolução. Algunas vidas, alguns sacrifícios, alguns anos, algumas. É um bocado cara. Mas de boa qualidade, isso. E o rosto que se perdera, que possivelmente caíra do corpo e rolara debaixo das mesas, o rosto? Lembras-te? Como foi que ficou assim? Não sei: tinha uma luz. Sim, lembro-me: parecia uma flor que apodrecesse friamente. Era terrível. Boa noite. E ela trazia um vestido de seda branca, e nesse dia fazia dezoito anos, e estava queimada pelo sol, e era do signo da balança, e tomou os comprimidos todos, e acabou-se. Não compreendo. E julgas tu que eu compreendo? Quem pode compeender? Ela era a própia força, aquela irradiante virtude da alegria, aquele fulgor radical..., compreendes? Sim, sim. Tinha um vestido de seda, e era nova, e então acabou-se. Para diante, para diante. Não se deve parar. Enforquem-nos, a esses malditos banqueiros. Este vai ter trinta e cinco andares, será o mais alto da cidade. Por pouco tempo, julgo eu. Como? Sim, vão construir um com trinta e seis, ali à frente. Remodelemos o ensino. Cantemos aquela canção que fala da flor da tília. Bebamos um pouco. E outro, o que viu Deus quando ia para o emprego?! Isto, imagine, às 8 h. e 45 m. de uma tranquila manhã de Março. Uma partida de Deus? Boa piada. Não amará Deus essas maliciosas surpresas? Um pequeno Deus folgazão?! Ele ficou doido. Começou a gritar e a fugir. Que Deus vinha atrás dele. E depois? Bem, lá construíram o prédio com trinta e seis andares, e o outro ficou em segundo lugar. Isto é o trabalho do homem: pedra sobre pedra. É belo. Vamos amar isto? Vamos, é humano, é do homem. E então as crianças cresceram todas e andavam de um lado para o outro, e iam fazendo pela vida - como elas própias diziam. E então as condições sociais? Sim, melhoraram bastante. Mas uma delas começou a beber, e depois a coração estoirou, e ficou apenas para os outros uma memória incómoda. Parece que sim, que tinha demasiada imaginação, e levaram-na ao médico, e ele disse: aguente-se, e ela não se aguentou. Era uma criança. Não, não, nessa altura já tinha crescido, bebía pelo menos um litro de brandy por dia. Nada mau, para uma antiga criança. A verdade é que era uma criança, e não  se aguentou quando o médico disse: aguente-se. E as ruas são tão tristes. Precisam de mais luz. Mas nesta, por exemplo, já puseram mais luz, e mesmo assim é triste. É até mais tristes que as outras. Estou tão triste. Vamos para férias, para o pequeno paraíso. Contaram-me que ele tinha uma alegria tão grande que não podia aguentar um copo na mão: quebrava-o com a força dos dedos, com a grande força da sua alegria. Era uma criatura excepcional. Depois foi-se embora, e até já desconfiavam dele, e embarcou, e talvez não houvesse lugar na terra para ele. E onde está? Mas era uma alegria bárbara, uma vocação terrível. Partiu. E agora chove, e vamos para casa, e tomamos chá, e comemos aqueles bolos de que tu gostas tanto. E depois? Ele era belo e tremendo, com aquela sua alegria, e não tinha medo, e só a vibração interior da sua alegria fazia com que os copos se quebrassem entre os dedos. Foi-se embora."

Conto de Herberto Helder + Xilogravura de Goeldi



 Escrito por Marcelo às 11h33
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Tiroteio

Novo blog entre os indicados: trata-se do Tiroteio, do tricolor e gente-boa (redundância...) Luiz Fernando Castro, a quem tive o prazer de encontrar no ensaio técnico do Império. Samba, futebol, política e cultura em geral são os principais temas dos seus posts, que têm um ritmo de atualização de dar inveja. Confiram! 

 Escrito por Marcelo às 17h53
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Aldeotas

"O meu querer não pede esmola..." *

Tantos posts carnavalescos e já ia me esquecendo de comentar sobre a peça mais interessante a que assisti nos últimos tempos. Refiro-me a Aldeotas, de autoria desse talento tão grandioso quanto desconhecido que é o Gero Camilo. O espetáculo é estrelado pelo próprio Gero e pelo não menos talentoso Marat Descartes, com direção precisa de Cristiane Paoli Neto (Prêmio Shell 2004 pelo trabalho).

Aldeotas é uma viagem até a infância e adolescência de dois moradores de uma cidade do interior, antes da partida de um deles para a "cidade grande". As descobertas, os traumas, as brincadeiras, os dramas, as pequeninas alegrias e as grandes dores vividas pela dupla protagonista se cruzam num tempo quase mágico, e coalhado de lirismo - tempo em que a vida ainda esfumaça as fronteiras entre real e imaginário. Durante toda a peça, os atores apresentam um impressionante movimento corporal, que remete à aceleração natural das crianças. A iluminação, simples mas expressiva, consegue transformar o cenário minimalista em palco adequado ao clima onírico que o texto sugere.

Mas tudo isso configuraria apenas um bom espetáculo se exatamente este - o texto - não tivesse tanto primor. Camilo é poético sem ser piegas, é memorialista sem soar falso, é bem humorado sem apelar para humor gratuito. Emociona, enfim. 


* Esses versos, bonitos de doer, fazem parte da música cantada por Gero Camilo antes do início da peça...



 Escrito por Marcelo às 16h20
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Série Sambas-de-Enredo / Salgueiro 1969

Com Bahia de todos os deuses, enredo desenvolvido pelo célebre Fernando Pamplona, o Salgueiro conquistou o carnaval de 1969. O samba de exaltação à Bahia, cujo marcante refrão "Zum, zum, zum, / Zum, zum, zum, / Capoeira mata um!" é ainda hoje lembrado, será revivido este ano pela Tradição no Grupo de Acesso.

"Bahia de todos os deuses"

Bala / Manuel Rosa

"Bahia, os meus olhos estão brilhando,
Meu coração palpitando
De tanta felicidade.
És a rainha da beleza universal,
Minha querida Bahia,
Muito antes do Império
Foste a primeira capital.
Preto Velho Benedito já dizia
Felicidade também mora na Bahia,
Tua história, tua glória
Teu nome é tradição,
Bahia do velho mercado
Subida da Conceição.
És tão rica em minerais,
Tens cacau, tens carnaúba,
Famoso jacarandá,
Terra abençoada pelos deuses,
E o petróleo a jorrar
Nega baiana,
Tabuleiro de quindim,
Todo dia ela está
Na igreja do Bonfim, oi
Na ladeira tem, tem capoeira,
Zum, zum, zum,
Zum, zum, zum,
Capoeira mata um!"



 Escrito por Marcelo às 13h45
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Com comentários

 

 

Do Globo On Line

"Senhor, olhai por nós, até por quem perdeu a fé - principalmente por quem perdeu a fé no samba e diz por aí que o Grupo Especial é e deve ser espetáculo, Broadway, Las Vegas. Quem tem fé e viu o ensaio do Império Serrano confia nos bambas, nos santos e nos guerreiros, e faz a festa porque o samba é brasileiro.

A verde-e-branco de Madureira fez um ensaio de pura emoção à flor da pele na noite desta sexta-feira, na Sapucaí. O canto da Serrinha lembrava mesmo uma oração. E a bateria (Quitéria à frente, de anjo) eletrizou o público. Os ritmistas foram ovacionados ao mostrar uma paradinha, com levada afoxé, na segunda parte do samba. A paradinha "explode" quando a bateria, que se divide em dois grupos, volta à sua formação. Os ritmistas fazem esse retorno pulando, dançando e tocando, como numa celebração. Deu um sacode.

O Império foi alegre e festeiro como canta o seu samba. O que se viu foi uma escola que brincava sorridente, evoluía solta e cantava plenamente, cantava apaixonadamente e feliz, o seu samba-enredo. Se perguntarem pela tal perfeição técnica, o que dizer?

Perfeição?! Não, claro que não. Nego e a bateria de Mestre Átila iniciaram o ensaio com um andamento exageradamente acelerado (que o samba não pede), depois corrigido. A lateral da pista, principalmente perto do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Robson e Ana Paula, e dos ritmistas, estava cheia demais, atrapalhando a evolução. O número de diretores de harmonia parecia insuficiente, ou mal distribuído. Resultado: um buraco aqui, outro ali. E a ala das crianças não cantou como o resto da escola (talvez o cansaço por causa do horário).  Mas a magia que faz as escolas de samba imperou sobre os detalhes. E arrastou o povo.

A escola estava tão feliz que, na "dispersão", ainda cantou quatro vez o samba-enredo (e a bateria repetiu duas vezes a paradinha). As luzes da Sapucaí foram sendo apagadas, e o Império continuou cantando, feliz. Ninguém queria parar."


Aos comentários: embora debilitado pelo cansaço que me perturba lá se vão duas semanas, pude me extasiar com o ensaio. Vi e acenei para conhecidos na arquibancada, reencontrei velhos amigos que também desfilarão e, sobretudo, tive o orgulho de fazer parte da ala mais animada da escola (segundo o próprio Jamelão, um dos diretores de Harmonia). O Império em 2006 está com a "cara do Império". Os componentes parecem mesmo ter adorado o samba e, quando isso acontece, a Serrinha costuma transbordar sua emoção para a Sapucaí.

Ganhar? Sabemos que o buraco é muito mais embaixo, já que há um bom tempo não fazemos parte das queridinhas da Liga. Mas e daí? Se não vencemos com a (histórica) homenagem ao Betinho, se sequer nos classificamos para o sábado das campeãs mesmo tendo incendiado a Avenida com Aquarela Brasileira, por que haveríamos de colocar tal condição como essencial agora?

"Imperiano de fé não cansa". Então, o negócio é ir lá, na segunda-feira, e mostrar nosso carnaval - falho de organização, rico de atributos outros. Por uma hora e vinte mais ou menos, certamente vamos ter uma idéia possível do que é felicidade.



 Escrito por Marcelo às 10h52
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Sem comentários

Do Globo On Line

"Saiba como foram os ensaios de Mangueira, Salgueiro e Portela, no fim de semana"

RIO - Sapucaí, Rio de Janeiro, cidade berço das escolas de samba, domingo, 40 graus (ou quase isso), ali pelas 21h30m. Entra a Estação Primeira de Mangueira na Sapucaí. Bandeiras nas cores verde e rosa tremulam nas arquibancadas, liberadas e lotadas do Setor 1 ao 11. Vai começar o esquenta! Lá vem Mangueira. E então (por quê, meu Deus?) o carro de som puxa... o coro de "Poeira".

Sim, "Poeira".O megahit de Ivete Sangalo foi o "esquenta" da Mangueira. Não foi "O mundo encantado de Monteiro Lobato" ou "100 anos de liberdade, realidade ou ilusão". Não foi nem "Chico Buarque da Mangueira" ou "Brasil com Z é pra cabra da peste...", sambas-enredos mais recentes e, por isso, quentes na memória do povo. Nem mesmo "Exaltação à Mangueira" (hino, oração, cântico, que ficou para depois - só foi cantado depois de "Poeira").

Então, a primeira notícia é essa: a Mangueira "esquentou" com "Poeira" - ligeiramente adaptada, com a palavra "Mangueira" substituindo "poeira" algumas vezes. Que triste.

Foi assim que começou o ensaio técnico da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, na Passarela do Samba-Enredo. A Mangueira não precisa de Ivete Sangalo. Quando quer, e quando a pegada do seu samba-enredo é poderosa, a Mangueira levanta poeira sozinha. E ela, em parte, mostrou isso nesta noite.  Embora o samba-enredo não tenha "segurado" o ensaio todo (ele caiu da metade para o final, sem de fato arrepiar o público), a comunidade cantou com raça, e sambou com energia, muita empolgação. Ali sim estava a Mangueira (...)"



 Escrito por Marcelo às 10h42
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A águia sobe o Morro da Urca

E por falar na Azul e Branco de Madureira, no próximo dia 14 sua águia vai subir o Morro na Urca para apresentar o espetáculo Raízes da Portela, que reunirá alguns dos maiores bambas da escola, como Paulinho da Viola (foto), Noca, Tia Surica e Monarco. Em breve, mais informações sobre o show. 



 Escrito por Marcelo às 11h55
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Série Sambas-de-Enredo / Portela 80

A safra de sambas-de-enredo de 1980 foi, sem dúvida, uma das melhores da história. Se a Vila, novamente com Martinho, citava Drummond (Sonho de um sonho), a Imperatriz perguntava o que a Bahia tem, com os versos "Quem vai querer? Quem vai querer? Fubá de castanha, pé-de-moleque, dendê...), e a Ilha reiterava o perfil de seu carnaval "bom, bonito e barato" ("Colori / Com toda minha simpatia / Um visual de alegria / Cante comigo essa canção de amor..."). Três escolas - Portela, Imperatriz e Beija Flor - chegaram empatadas ao campeonato. E me lembro claramente de ter ficado o dia todo na varanda do sobrado da minha bisavó, assistindo "de camarote" à festa que lotou as ruas de Madureira e transformou o bairro numa filial do circo que a Azul e Branco levou à Sapucaí.

"Hoje tem marmelada"

David Correia / Jorge Macedo / Norival Reis

"A brisa me levou ôô
Para um reino encantado
Onde eu me fiz menino-rei
E era o circo
O meu palácio dourado
Como é doce
Ser criança outra vez
E me atirar nos braços da alegria
Quero me perder na minha imaginação
E brincar na ilusão
Ôôôô ôôôô
Vem de lá ó criançada
Que hoje tem marmelada
Pois o circo já chegou
E nesse reino encantado
A arte se faz aplaudir
Me embala na rede do tempo
Feliz sonhador
Sou criança e vou sorrir
Arranco do peito um aplauso
E num abraço venho homenagear
Hoje a alegria do palhaço
Na tristeza dá um laço
E faz minha escola cantar
Ó raia o sol o dindin
Suspende a lua dindin
Salve o palhaço
Que está lá no meio da rua



 Escrito por Marcelo às 11h15
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Dalmo Castello

Quem completa nova idade (63 anos) hoje é Dalmo Castello, a quem tive o prazer de conhecer há alguns anos, numa noitada especialíssima regada a cerveja e undenberg, comandada pelo piano do amigo Anselmo Mazzoni. Dalmo é parceiro de feras como Johnny Alf, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Carlinhos Vergueiro, Claudio Jorge e Monarco, mas foram sobretudo suas canções com Cartola (como Disfarça e chora e Corra e olhe o céu) que o notabilizaram como compositor. Como sei que a segunda é uma das músicas preferidas da F... 

"Corra e olhe o céu"

Cartola / Dalmo Castello

"Linda te sinto mais bela
Te fico na espera
Me sinto tão só, ai!
O tempo que passa
Em dor maior, bem maior
Linda no que se apresenta
O triste se ausenta
Fez-se a alegria
Corra e olha o céu
Que o sol vem trazer bom dia
Ah, corra e olha o céu
Que o sol vem trazer bom dia" 



 Escrito por Marcelo às 10h51
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Arenas cariocas

Com imperdoável atraso (ainda assim, me perdoa, vai, Olga...), acrescento hoje aos indicados do Pentimento o link do Arenas cariocas, blog da já mencionada Olga, que conheci através do sempre delicioso Pindorama (do Paulo Thiago). Posts leves e bem humorados sobre a arte de se viver nesta cidade, além de pitacos culturais, são a alma do Arenas, que se autodefine como "relatos para quem gosta de gente, praia, mate, sol e chuva, enquanto luta para caminhar sobre a areia quente". Confira!



 Escrito por Marcelo às 10h44
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Série Sambas-de-Enredo / Vila 1972

Entrando de vez em clima pré-carnavalesco, o Pentimento dá início hoje a uma série que relembrará diariamente alguns dos sambas-de-enredo mais bacanas de todos os tempos (no entender mui humilde deste que vos escreve). Abrindo os trabalhos, a belíssima composição do Martinho da Vila (hoje infelizmente brigado com a escola) que embalou o desfile da Vila Isabel em 1972, levando a agremiação ao sexto lugar na disputa.

"Onde o Brasil aprendeu a liberdade"

Martinho da Vila

"Aprendeu-se a liberdade
Combatendo em Guararapes
Entre flechas e tacapes
Facas, fuzis e canhões
Brasileiros irmanados
Sem senhores, sem senzala
E a Senhora dos Prazeres
Transformando pedra em bala
Bom Nassau já foi embora
Fez-se a revolução
E a festa da Pitomba é a reconstituição
Jangadas ao mar
Pra buscar lagosta
Pra levar pra festa
Em Jaboatão
Vamos preparar
Lindos mamulengos
Pra comemorar a libertação

E lá vem maracatu, bumba-meu-boi, vaquejada
Cantorias e fandangos
Maculelê, marujada
Cirandeiro, cirandeiro
Sua hora é chegada
Vem cantar esta ciranda
Pois a roda está formada
Cirandeiro
Cirandeiro, Ó
A pedra do seu anel
Brilha mais do que o sol" 



 Escrito por Marcelo às 18h14
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E viva o Donga!

"A maldição do samba"

Marcelo D2 / Gonzalez

"Quer dançar? quer dançar? Então prepara
A maldição bateu, sambou, nunca mais pára
E tá na cara a raiz tá cravada no chão
Do tronco ao fruto para bee-boy fazendo a conexão
E sangue bom eu disse sangue bom
Tem coisas que invadem o coração já disse o João: não,
Ninguém faz samba porque prefere
Sobre o poder da criação força nenhuma no mundo interfere
E fabricado em série é o coringa do baralho
Resistência cultural casa do caralho
E passo a passo foi tomando conta de mim
É coisa fina DJ com tamborim
Fortaleceu meus braços abriu minha cabeça
Um ser humano digno aconteça o que aconteça
Hip hop rio um punhado de bamba
E sabe o que que é isso a maldição do samba
O gringo subiu o morro e bebeu cachaça
Fumou maconha e obteve a graça
Depois do samba sua vida nunca mais foi a mesma
Show time a batida arregaça o melhor som da praça
O grave racha o muro e o agudo quebra a vidraça
Na vida tudo passa não a nada que se faça
Mas rima após rima não é de graça
Show time agora sabe como é que é samba no pé
Samba samba no pé
A percussão é eletrônica, a favela na internet
O coco é enlatado e a banana é com chiclete
A maldição do samba
O flow é na batida e o relógio tic-tac
O papel e caneta, o coração deu piripaque
Globalizado ou não eu mantenho os meus laços
Do hip hop ao samba é compasso por compasso
Nem feliz nem aflito nem no lugar mais bonito
Nada mais interfere no quadro que eu pinto
A benção velha guarda o samba de terreiro
A maldição te pega no Rio de Janeiro"



 Escrito por Marcelo às 12h05
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Conti

"(...) Volpato, Tajes, Abade, Vidal Porto e Schwarcz são ficcionistas novatos. Cada um à sua maneira, têm talento. Mais: são empenhados, escrevem a sério, estão à procura de sua expressão justa. Sem querer ser paternalista, deveriam ser mais lidos que o são. Cheguei a seus livros por caminhos tortos: foram-me presenteados ou enviados por editoras. Não li resenhas de seus livros que me incentivassem a procurá-los em livrarias. Aliás, depois que os li, percorri livrarias e, mesmo nas maiores, não os encontrei. É uma pena. Para os autores e para os leitores.(...)"

O parágrafo acima é trecho do artigo de Mário Sergio Conti em sua coluna desta semana no site No Mínimo. Em iniciativa digna de aplauso, ele dedica seu espaço a saudar os "novos" autores de nossa literatura, citando, entre outros, Cadão Volpato, Daniela Abade, Alexandre Vidal Porto, Claudia Tajes e Luiz Schwartz como destaques da safra de ficção que leu recentemente. No entanto, uma coisa me chamou a atenção no texto - e foi justamente na parte que reproduzi acima. Conti pondera não ter visto resenhas sobre os livros dos escritores citados nos suplementos literários (Tajes e Schwarcz foram bastante - e bem - resenhados). Lamentou, também, não encontrar os trabalhos mencionados nas livrarias em que esteve (Tajes, com A vida sexual da mulher feia, chegou e permaneceu por um bom tempo na lista dos mais vendidos e Schwartz, dono da Companhia das Letras, evidentemente teve seu interessante Discurso sobre o capim muito bem distribuído). Sinceramente, não entendi.

Leia a íntegra do artigo aqui.



 Escrito por Marcelo às 11h03
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Luiz Peixoto

Hoje quem, se estivesse vivo, faria aniversário é Luiz Peixoto. Natural da cidade de Niterói e nascido em 1889, o dramaturgo, redator, caricaturista, poeta, compositor e cenógrafo Peixoto encenou musicais de sucesso nos anos 20 - como o célebre Abre-alas (com trilha de Chiquinha Gonzaga) - e assinou pérolas da nossa canção, casos de Sussuarana, Maria, É luxo só e Quando eu penso na Bahia (as três com Ary Barroso) e Disseram que eu voltei amerizanizada (notabilizado pela gravação de Carmen Miranda). A lembrança do Pentimento se completa com Ai, ioiô (com Henrique Vogeler), essa explosão de lirismo em forma musical, que foi gravada por tantas grandes cantoras e mereceu da amiga Nilze Carvalho um registro especialmente tocante no show em que ela lançou seu primeiro disco solo.

"Ai, ioiô"

Luiz Peixoto / Henrique Vogeler

"Ai, ioiô
Eu nasci pra sofrer
Foi olhar pra você
Meus oinho fechou
E quando os óio eu abri
Quis gritar, quis fugir
Mas você
Eu não sei por que
Você me chamou

Ai, ioiô
Tenha pena de mim
Meu senhor do Bonfim
Pode inté se zangar
Se ele um dia souber
Que você é que é
O ioiô de iaiá

Chorei toda noite, pensei
Nos beijos de amor que te dei
Ioiô, meu benzinho do meu coração
Me leva pra casa, me deixa mais não
Chorei toda noite, pensei
Nos beijos de amor que te dei
Ioiô, meu benzinho do meu coração
Me leva pra casa, me deixa mais não"



 Escrito por Marcelo às 10h43
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Época de arbitrariedade

Empresto, aqui, minha solidariedade ao colega e crítico de cinema Cléber Eduardo, vítima de uma atitude autoritária e absurda (sobre todos os aspectos) dos editores da revista Época, que alteraram acentuadamente um artigo escrito por ele, mantendo contudo sua assinatura. Cléber, que com toda a razão está de saída da publicação, mandou o seguinte e-mail:

"É empenhado em responder a indagações feitas a mim por email e pessoalmente, não sem indignação, que presto um necessário
esclarecimento sobre a matéria, de seis páginas, co-assinada por mim na revista Epoca, edição 402, dessa semana, com o título "HOLLYWOOD É AQUI". Em sua gênese, o artigo-reportagem tratava das mudanças e continuidades que caracterizaram a "safra" de novos diretores dos últimos 10 anos, seja na ponta dos milhões de espectadores (Breno Silveira, Fernando Meirelles, Jaime Monjardim, Guel Arraes, Moacyr Goes, e alguns outros), seja na ponta dos realizadores sem resultados tão vistosos de bilheteria, mas fundamentais para a identidade estética (multifacetada) dessa produção desde 1994 (Beto Brant, Luiz Fernando Carvalho, Tata Amaral, Marcelo Gomes, Sergio Machado, Lais Bondanski, Claudio Assis, Eliane Café, etc). Tratava-se de um texto sóbrio (em meu entender), sem superlativismos, com dados apurados e constatações objetivas, que se pautavam por informações e não por palpites e reinvenções.
Em sua versão final, completamente reescrita, o texto mudou de cara, de tom, de relação com a realidade, mas meu nome foi, contra o meu desejo e o meu pedido, mantido no alto da matéria. Não respondo por aquelas palavras, que pouco têm a ver com minha apuração e com minhas considerações. A versão publicada manipula dados, inventa contextos e reinventa o cinema brasileiro.
É um tanto bizarro desmentir um texto assinado por mim, mas me sinto no dever e no direito de fazê-lo, já que, se sempre assumi os custos de minhas posições e de minhas palavras escritas ou faladas, não o farei quando meu nome está acima do que não foi escrito ou pensado por mim. Alugar o nome para terceiros o utilizarem na defesa de suas idéias e interesses não faz parte de minha atribuição como jornalista ou como funcionário da revista Época. Adianto que estou de saída da referida publicação, decisão tomada antes desse episódio, mas a ser praticada com um mal estar inexistente anteriormente."



 Escrito por Marcelo às 10h44
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Império na Sapucaí

 

 

Quem ainda não tinha um bom programa para a próxima sexta acaba de resolver seu problema. Após o cancelamento motivado pela tempestade da semana passada, a Liga das Escolas de Samba marcou para depois de amanhã o ensaio técnico do Império Serrano. A concentração será às 21h. Às 23h, a Serrinha entra da Avenida com todas as suas alas, mestre sala e porta-bandeira, baianas, bateria e puxador oficial (Nêgo), cantando o belo samba deste ano, O Império do Divino. Os ensaios técnicos na Sapucaí são uma ótima - e gratuita - oportunidade de conferir o que as agremiações vão mostrar no carnaval. O clima em geral é de descontração, com as arquibancadas abertas e vendedores de cerveja e refrigerante garantindo o fim da sede. Estarei lá, na Ala dos Devotos!


P.S. As fotos acima, tiradas pelo Janot em 2004, são uma pequena amostra do que a sexta promete...



 Escrito por Marcelo às 10h24
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