Pra desanuviar

"Pra conquistar seu coração"

Wanderley Monteiro / Luiz Carlos da Vila

"Se o limite for o infinito
Vou subir até o pico do Everest
Nadar o oceano sem um grito
E de joelho atravessar o agreste
Faço isso tudo e muito mais
Pra te encontrar, te conquistar
E até provar que é minha paz
O inverso dos meus ais

Preto no branco num poema, vou pôr sim
E onde houver um mal começo pôr fim
Fazer de tudo pra mudar
Um novo mundo instalar
E com o mundo em minhas mãos
Onde houver talvez ou não eu vou sim
Com as próprias mãos andar a pé ao Bonfim
E num xaxim eu vou plantar
Um baita de um jequitibá
Enraizar mesmo sem chão
São Tomé vai crer sem olhar
E todo mundo vai cantar
Que eu conquistei teu coração"



 Escrito por Marcelo às 19h11
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Retratos de viagem

  

  

     

   

  

Caprichosa que só, a F. montou um álbum virtual com as fotos de nossas andanças pela Argentina e pelo Chile. São imagens de Buenos Aires (Palermo, Palermo Viejo, La Boca, San Telmo etc.), Tigres, Santiago, Valparaíso, Viña del Mar e de nossa deliciosa visita à Concha Y Toro, como desmonstram algumas das chapas acima. Confira tudo aqui.


Legendas: 1. Eu na Bombonera (essa camisa aí é a primeira do Boca, de 1905), 2. La Boca, Havana (palavra mágica para quem gosta de alfajores), 3. Eu, observando a cidade (após três empanadas e suas Quilmes), ou, segundo a F. dando uma de "cronista do cotidiano", 4. F. no tango, 5. eu em Palermo Viejo, onde estão a casa onde morou Borges e a Plaza Cortázar, 6. Eu e F. no passeio pelo Delta do Paraná, 7. Freddo de doce-de-leite (palavra mágica para quem gosta de sorvete), 8. garrafas na feirinha de antigüidades de San Telmo, 9. visão aérea dos Andes, 10. troca de guarda no Palácia La Moneda, 11. jornais chilenos registrando a vitória histórica de Michele Bachellet (chegamos no dia da eleição), 12. Concha Y Toro (caverna onde "descansam" os Casilero Del Diablo), 13. pés do ladrão que tentou roubar a F. em Valparaíso (o flagrante foi feito por ele mesmo quando tomava a máquina), 14. aspecto de uma das salas da casa de Pablo Neruda em Bella Vista...  



 Escrito por Marcelo às 10h28
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Woddy e Scarlet

Marquem em suas agendas: para o próximo dia 10 há, desde já, um compromisso inadiável. A data marcará a estréia carioca de Ponto final, o elogiado retorno de Woody Allen ao drama após uma longa seqüência de comédias. Com um aspecto adicional: não é todo dia que temos a oportunidade de ver juntos, num filme, um cineasta grandioso como ele e uma atriz singular como é a Scarlett Johansson.



 Escrito por Marcelo às 13h27
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9 meses (ainda em clima portenho)

"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha.
Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas cavernas onde o ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim como uma lua na água."

Trecho de O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar...



 Escrito por Marcelo às 12h05
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Mais uma do Nei Lopes

Cada vez mais teórico e, proporcionalmente, mais distanciado da verdadeira vivência empírica do fenômeno que estuda - o samba -, Nei Lopes acrescentou ontem novas bobagens a seu repertório recente. Na reportagem de capa do Caderno B, assinada pela Monique Cardoso e cujo objeto era a (real) decadência do gênero samba-enredo, o compositor e "erudito" afirma:

- É muito difícil para o não iniciado perceber a enorme diferença que hoje existe entre samba e escola de samba e o grande fosso que se cavou entre essas duas instituições. Para compreender essa diferença, basta comparar a escola com suas velhas guardas e, de quebra, evocar qualquer um grande sambista, principalmente falecido, e ver se seu nome é sequer lembrado nos ensaios das quadras de hoje, cheias de gente bonita e famosa.

A generalização do depoimento, temperada com preconceito, demonstra desconexão com o que de fato acontece, pelo menos em algumas das escolas. Só para citar um exemplo, meu Império Serrano repetidamente reverencia seus grandes mestres, seja nas efemérides ou mesmo durante os ensaios e feijoadas. Além disso, é lamentável também a referência à presença de "gente bonita" nas quadras, em expressão que reforça um estereótipo padrão de beleza que, como deveria saber o próprio Nei, foi imposto historicamente. Fica patente que o compositor precisa descansar um pouco da teoria e voltar à quadra. É que muitas vezes, quando escastelamos na erudição, ficamos mesmo com o olhar meio embaçado...



 Escrito por Marcelo às 11h23
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"Contos sobre tela" no JB

O suplemento Idéias (Jornal do Brasil) de sábado passado traz ótima resenha sobre o livro Contos sobre tela, que nesse meio-tempo de férias mereceu destaque também na Folha de S. Paulo e em publicações nordestinas. Quem assina o texto do JB é o Henrique Rodrigues. Segue a íntegra:

A escrita das imagens

Coletânea de narrativas a partir de obras de arte sugere um exercício lúdico de leitura

Henrique Rodrigues

"No romance de José Saramago, Manual de pintura e caligrafia, o narrador-personagem transita do mundo da pintura para o literário, relatando algumas fronteiras marcadas pelas diferentes necessidades de representação. Ao refletir sobre essa transcendência, afirma: ''Brinco com as palavras como se usasse as cores e as misturasse ainda na paleta. Mas em verdade direi que nenhum desenho ou pintura teria dito, por obras de minhas mãos, o que até este preciso instante fui capaz de escrever, e atrever''. A comparação indica que retrato pode, ainda que com suas limitações diante da escrita, sugerir de uma história - ou mais de uma -, como o instantâneo de uma linha contínua que o observador pode, a partir de seu conjunto internalizado de narrativas, puxar e reconstruir.

E quando quem observa é um escritor, essas possibilidades tendem a ser exploradas das formas mais inusitadas. É o caso da coletânea Contos sobre tela, que acaba de sair pelas Edições Pinakotheke. O escritor carioca Marcelo Moutinho convidou outros 15 autores de diversas partes do país com o desafio de escreverem um conto baseado numa pintura ou escultura de um artista plástico brasileiro. Como em toda antologia desse tipo, são fornecidas amostras da literatura que vem sendo produzida pela geração atual, ainda que dentro dos limites de uma temática pré-estabelecida.

Como já afirma José Castello no prefácio, ''os contos são acima de tudo um exercício dos jovens autores''. Ao associar esses textos às imagens do início do livro, o leitor recria uma parte desse mesmo exercício. Os diferentes modos de escrita - pois estamos falando de uma geração cuja peculiaridade é o desprendimento de um todo, seja cronológico, seja de estilo, seja de temática - permitem uma leitura também diversificada no que se refere ao estabelecimento de relações entre o conto e o respectivo quadro.

Desse modo, alguns contos têm um fio sutil e alegórico que os liga à obra de arte correspondente, como no poético ''A sala dos pássaros'', de João Paulo Cuenca, numa narrativa docemente trágica acerca da morte, a partir da obra do pintor cearense Leonilson. Em outros casos, como no ótimo ''Enquadramento'', de Adriana Lunardi, a tela de Pedro Weigärtner funciona apenas como o retrato de uma situação narrada. Já em ''A carioca'', de Antônio Mariano, a história é justamente sobre a suposta modelo que posou para o quadro homônimo de Pedro Américo, em 1882. Esse tipo de relação, na qual a descrição das imagens se integra à narrativa, ocorre em boa parte dos contos. Desse grupo, merece destaque ''A muda carne das coisas'', de Luciano Trigo, que criou a partir de ''Azulejaria em carne viva'', da carioca Adriana Varejão, uma narrativa na qual a carne, numa representação dos conflitos humanos, salta por detrás dos das calmarias ilusórias: ''Mas de dentro vem o cheiro das tripas do azulejo: a carne, o sangue que palpita por trás das cerâmicas impolutas, que se racham e deixam ver a vida, o esforço, a dor''. O texto de Marcelo Moutinho, baseado em ''Tudo te é falso e inútil'', de Iberê Camargo, apresenta uma história na qual todos os objetos desaparecem diante dos olhos do protagonista: ''Porque o precário é escuro, e B. cismou que precisava do escuro para, por contraste, ter luz própria''. Ao lançar mão desse recurso, a narrativa se converte num tipo inverso de simulação, da qual a perspectiva da realidade é revelada - no sentido de ser descoberta e velada novamente.

O conto de Flavio Izhaki, ''Apenas eco'', escrito a partir do quadro ''Moças'', de Di Cavalcanti, é o que encontra a mais equilibrada realização da proposta do livro, ao estabelecer uma dança imagético-textual ao longo da narrativa sobre as reminiscências sexuais da vida de uma mulher: ''Crescer foi borrar-me aos poucos, desatar o laço que as mãos fazem com os joelhos, desapegar de mim para outro, para outros. Romper os limites negros da fronteira com o mundo, inundar de vermelho o branco enevoado da vida adulta''. O início da história, em que o desassombro da narradora é transmitido a partir das suas sensações cromáticas, pode representar, por metonímia, a idéia de toda a coletânea.

É muito comum encontrar personagens de ficção recriados em quadros, esculturas ou em instalações. Mas o oposto também é possível. Contos sobre tela é um exemplo de que a arte da escrita pode beber de outras fontes, sobre as quais repousa ou se esconde uma história a ser narrada. Trata-se, portanto, de uma possibilidade de transfiguração de manifestações artísticas em que a que a literatura, com sua concisão e abertura simultâneas, estabelece com o leitor uma espécie de jogo de imagens e palavras. "



 Escrito por Marcelo às 11h11
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Sobre viagens e filmes

Decidi não postar sobre a deliciosa viagem com a F. pela Argentina e pelo Chile (que incluiu uma inusitada e frustrada tentativa de roubo em Valparaíso), porque lá de vão duas semanas e um blog, afinal de contas, tem que ter acima de tudo agilidade. Desde que voltei, tenho dormido pacas, lido bastante também e sobretudo e trabalhado na mostra Os Melhores Filmes de 2005, cujas sessões até agora estiveram lotadas, com gente voltando da porta do cinema. Os debates com Fernando Gabeira, o psicanalista Luiz Fernando Galego, o diretor Sérgio Machado e o animador César Coelho foram ótimos, bem movimentados.

Aproveito para convidar vocês para as especialíssimas projeções de quarta-feira e sábado próximos. Na quarta, o grande Sérgio Sant'anna vai discutir com os críticos Marcelo Janot e Mário Abbade a respeito de Oldboy e Marcas da violência, que passam, respectivamente, às 16h e 18h. No sábado, às 17h, será a vez de o dramaturgo (e cineasta) Domingos de Oliveira analisar Menina de ouro, ao lado de Gilberto Silva Junior e Tony Tramell.

 



 Escrito por Marcelo às 11h03
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Melhores filmes de 2005

Antes de comentar sobre a verdadeira aventura que foi a viagem, convido vocês para a Mostra Os Melhores Filmes de 2005, que acontecerá de amanhã a 5 de fevereiro no CCBB. Durante o evento, serão projetados os títulos eleitos pela Associação dos Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, com debate após a sessão entre um convidado especial (entre eles, há nomes como Fernando Gabeira e Sergio Sant'Anna) e dois críticos. O evento tem entrada gratuita e tem curadoria do Janot em paceria comigo. Segue a programação:

Dia 24/01 (3ª feira)

17h "Ninguém Pode Saber", de Hirokazu Kore-Eda (Japão) Após a sessão, debate com os críticos Daniel Schenker Wajnberg e João Luiz Vieira

Convidado: Luiz Fernando Gallego (psicanalista)

Dia 25/01 (4ª feira)

16h - "Cinema, Aspirinas e Urubus", de Marcelo Gomes (Brasil) 18h - "Cidade Baixa", de Sergio Machado (Brasil) Após a última sessão, debate com os críticos Alexandre Werneck e Hugo Sukman

Convidado: Sergio Machado (diretor de "Cidade Baixa")

Dia 26/01 (5ª feira)

16h "Marcas da Violência", de David Cronenberg (EUA 18h "Old Boy", de Chan-wook Park (Coréia do Sul)

Dia 27/01 (6ª feira)

16h - "Um Filme Falado", de Manoel de Oliveira (Portugal) 18h "Bom Dia, Noite", de Marco Bellochio (Itália) Após a última sessão, debate com os críticos Carlos Alberto Mattos e Leonardo Ferreira

Convidado: Fernando Gabeira (deputado federal)

Dia 28/01 (sábado)

19h - "Menina de Ouro", de Clint Eastwood (EUA)

Dia 29/01 (domingo)

16h "A Fantástica Fábrica de Chocolate", de Tim Burton (EUA) 18h - "A Noiva-Cadáver", de Tim Burton (EUA) Após a última sessão, debate com os críticos João Marcelo Mattos e Rodrigo Fonseca

Convidado: Allan Sieber (animador e cineasta)

De 31/01 a 05/02 (3ª a domingo):

 

Dia 31/01 (3ª feira)

16h "Bom Dia, Noite", de Marco Bellochio (Itália)

18h - "Um Filme Falado", de Manoel de Oliveira (Portugal)

Dia 01/02 (4a feira)

16h "Old Boy", de Chan-wook Park (Coréia do Sul)

18h - "Marcas da Violência", de David Cronenberg (EUA)

Após a última sessão, debate com os críticos Marcelo Janot e Mario Abbade

Convidado: Sergio Sant´Anna (escritor)

Dia 02/02 (5a feira)

16h - "Cidade Baixa", de Sergio Machado (Brasil)

18h - "Cinema, Aspirinas e Urubus", de Marcelo Gomes (Brasil)

Dia 03/02 (6a feira)

17h - "Menina de Ouro", de Clint Eastwood (EUA)

Após a sessão, debate com os críticos Gilberto Silva Junior e Tony Tramell

Convidado: Domingos Oliveira (ator e cineasta)

Dia 04/02 (sábado)

19h "Ninguém Pode Saber", de Hirokazu Kore-Eda (Japão)

Dia 05/02 (domingo)

16h "A Fantástica Fábrica de Chocolate", de Tim Burton (EUA)

18h - "A Noiva-Cadáver", de Tim Burton (EUA)



 Escrito por Marcelo às 18h45
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Sobre a coluna do Jabor

Daqui de Buenos Aires, nao posso deixar de indicar (embora sem acentos) o contundente e verdadeiríssimo texto que o amigo Paulo Thiago escreveu em seu blog Pindorama, analisando a coluna de Arnaldo Jabor sobre 2046. Ainda nao vi o filme, e gosto bastante do trabalho anterior do diretor Wong Kar Wai, mas havia me perturbado bastante a analise do colunista, na qual o carater fragmentario das atuais relacoes e saudado como um dado positivo dos tempos em que vivemos. Tao de vanguarda isso, nao? Queria muito que me poupasseem dessas diatribes pos-modernas. E e por discordar radicalmente do Jabor sobre a questao que indico com enfase o post do Paulo. Abaixo, um trecho. Confira tudo aqui.

"(...) Deixando o filme pra lá, o que me interessa refletir aqui é exatamente essa fragmentação da vida e do afeto que, aliás, tem sido tema recorrente das crônicas do Jabor, quando ele não está ocupado batendo no governo Lula e beatificando o de Fernando Henrique Cardoso. Jabor não deixa dúvida de sua condição, digamos, pós-moderna. E não por uma defesa dessa forma particular de ver e estar no mundo contemporâneo, mas justamente por expressar de forma contundente o mal-estar do preço a pagar que a pós-modernidade embute em sua ideologia e que pode ser resumido apressadamente como o fim das utopias. A utopia política, a utopia afetiva e por aí vai... a constatação da impossibilidade do sonho feliz, seja ele qual for.
Quando você chega a uma posição dessas, é como provar do fruto da árvore do conhecimento e, com a primeira mordida na maçã, paga-se o preço da expulsão do paraíso por Deus, irado com a nossa perda de inocência. Saber que o sonho acabou nos coloca diante da realidade nua e crua e algumas pessoas lidam com isso de forma brilhantemente agressiva, libertas que estão de qualquer propósito de felicidade. É, portanto, um sentimento ambíguo que traz, de um lado, a impossibilidade de ser feliz e, de outro, a satisfação de uma liberdade de escolhas, já que a opção pela felicidade não faz mais sentido. (...)"



 Escrito por Marcelo às 11h50
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Pausa de mil compassos

 

Se este blog anda meio abandonadinho, é porque tive que fazer um milhão de coisas para poder curtir duas semanas de férias. Aliás, "mais ou menos" férias, pois lazer mesmo será só na primeira parte (na segunda, haverá a Mostra dos Melhores Filmes de 2005, no CCBB) - que, em compensação, promete ser uma ótima "primeira parte". Viajo amanhã, com a F., para Buenos Aires e Santiago. Tomaremos bons vinhos, veremos novas paisagens, ouviremos uma língua diferente (embora parecida), e, sobretudo, tentaremos descansar um pouco.

Descansar, aliás, é minha palavra de ordem agora. Mesmo porque as últimas semanas foram um verdadeiro teste cardíaco. Trabalho, trabalho e trabalho, somado a um estado instrospectivo no qual não me reconheço. E contudo é preciso assentir quando a vida pede, como disse o Paulinho da Viola, "uma pausa de mil compassos". É tempo de recolhimento. É tempo de olhar pra dentro. É tempo de plantar novamente, sem esperar colheita.

Que venha o tango, pois...   



 Escrito por Marcelo às 11h39
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Menino de 47

 

"O meu Império é raiz, herança..."

Registro da animadíssima noite-madrugada de sábado, quando eu e F. lideramos comitiva formada pelo querido Chico Bosco (que apesar de torcer pela Beija-flor, é filho de um nobre imperiano) e por seus adoráveis amigos. O ensaio foi uma delícia, revezando sambas clássicos da Serrinha com sucessos de algumas de suas coirmãs (coisa rara em ensaio de escola). A maior e mais feliz constatação, contudo, é que o samba deste ano de fato está rendendo ao vivo: sob o comando do puxador Nego, o Império cantou unido e feliz, num bom prenúncio do desfile que vem aí...



 Escrito por Marcelo às 10h46
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Penha

Entardecer de sábado, um dia intenso de casamentos, samba e subúrbio, visto do alto da Igreja da Penha...



 Escrito por Marcelo às 10h03
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Canção para dentro

"Cais"

Milton Nascimento / Ronaldo Bastos

"Para quem quer se soltar
Invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento a lua nova a clarear
Invento o amor
E sei a dor de encontrar

Eu queria ser feliz
Invento o mar
Vento em mim o sonhador

Para quem quer me seguir
Eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar"



 Escrito por Marcelo às 14h19
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Zé da Zilda

Morto precocemente, vítima de um derrame cerebral, o compositor Zé da Zilda (apelido de José Gonçalves) completaria hoje, se vivo, 98 anos de idade. Pra quem acha que não conhece suas canções, basta dizer que ele é autor da hilária Calo de estimação, gravada no clássico álbum Rosa de Ouro e costumeiramente tão bem interpretada pelo Pedrinho Miranda, e da popularíssima Não quero mais amar a ninguém, parceria a seis mãos com Cartola e Carlos Cachaça, muitas vezes atribuída só aos últimos. Com os dois, aliás, Zé da Zilda assinou vários sambas de terreiro da Mangueira. O tributo do Pentimento se dá com Aos pés da cruz, outra pérola do cancioneiro do compositor.

"Aos pés da cruz"

Marino Pinto / Zé da Zilda

"Aos pés da Santa Cruz
Você se ajoelhou
E em nome de Jesus
Um grande amor
Você jurou
Jurou mas não cumpriu
Fingiu e me enganou
Pra mim você mentiu
Pra Deus você pecou

O coração tem razões
Que a própria razão desconhece
Faz promessas e juras
Depois esquece
Seguindo esse princípio
Você também prometeu
Chegou ate a jurar um grande amor
Mas depois se esqueceu"



 Escrito por Marcelo às 11h25
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Luiz Carlos da Vila e Moacyr Luz

Ah, sim: hoje tem Luiz Carlos da Vila (da Penha) e Moa cantando a Vila Isabel no Carioca da Gema!



 Escrito por Marcelo às 18h30
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Flávio Izhaki

Merecida, merecidíssima aliás, a eleição do meu querido amigo Flávio Izhaki como maior aposta de novo talento da literatura para 2006, segundo os jurados ouvidos pelo suplemento Meganize, de O Globo. Conheci o Flávio através da Rosana Lobo, amiga em comum, que numa comemoração no Plebeu disse-me que "queria me apresentar um rapaz que, assim como eu, era jornalista e amava literatura e futebol". O Plebeu seria palco de outros encontros nossos, que logo se estenderiam para outros bares da cidade, consolidando uma amizade que hoje viceja vigorosa para além da literatura e do futebol - amizade daquelas de alegria, na hora da alegria, e de dor, na hora da dor. Ou seja: daquelas que ficam.

Minha felicidade hoje foi, contudo, ainda maior, porque entre os outros quatro indicados do Megazine estão Diana de Hollanda e Ana Paula Maia, duas autoras que convidei para participar do Contos sobre tela. Segue a íntegra do texto sobre o Flávio:

"Futebol, literatura e drible no oba-oba"

"Flávio Izhaki é apaixonado por literatura e futebol. Por causa da segunda paixão, começou a trabalhar num site esportivo em 2002. Uma de suas atribuições era escrever uma coluna sobre times do Rio Grande do Norte e de Sergipe. Detalhe: Flávio nunca viu um time desses estados em campo.

— Como os canais do Rio não passam os jogos de lá, eu escrevia a coluna a partir de entrevistas com os técnicos e os jogadores dos times — lembra ele, rindo.

Recentemente, Flávio, de 26 anos, abandonou o jornalismo e decidiu se dedicar só à literatura. Mais especificamente, ao seu primeiro romance. O livro, ainda sem título, não será a estréia do carioca no mundo editorial. Lançadas em 2004 e em 2005, respectivamente, as coletâneas “Paralelos” (Editora Agir) e “Contos sobre tela” (Edições Pinakotheke) trazem contos seus.

Ambos falam de solidão e contam com uma linguagem simples e ainda assim poética e áspera. O romance, que deve ficar pronto este mês, é sobre um escritor que lançou um livro que não deu certo.

— O personagem muda de cidade e um dia acha num sebo um exemplar do livro, cheio de anotações. Ele decide encontrar a pessoa que fez as anotações e retomar sua vida do ponto onde ela parou anos antes — conta Flávio.

Admirador do escritor franco-argelino Albert Camus (“Gosto da personalidade e da honestidade dele”), Flávio diz que atualmente muita gente escreve para “virar artista”.

— É importante fazer o nome circular, mas tem gente que só quer aparecer — critica ele, que se define “desempolgado com o oba-oba”.

Autor de “Corpo presente”, o escritor João Paulo Cuenca elogia o senso crítico de Flávio.

— Além do talento, chama a atenção o seu compromisso com o que faz. Isso certamente o faz destoar de outros escritores da nossa geração, que às vezes estão mais preocupados com a foto no jornal do que com a literatura que produzem — diz Cuenca."


P.S. Esse assunto merece apenas um parêntese: é claro que eu gostaria de ter votado no Flávio - e efetivamente o fiz, já que constava do grupo de jurados selecionados pelo jornal O Globo. No entanto, numa atitude deselegante, fui posteriormente "desconvidado". O argumento foi que co-editei um livro com o autor. E não sabiam disso quando fizeram o convite? Senti-me desrespeitado, porque a postura de O Globo sugeriu que eu escolhera o Flávio por laços de amizade, e não por reconhecer nele um verdadeiro talento (como de fato o é), para mim hoje num estágio um pouco mais maduro do que o das duas outras escritoras que muito admiro (Diana e Ana Paula) e estavam na relação. Levando ao paroxismo a idiotice 'politicamente correta' que, sob uma frágil capa de ética, desacredita a priori de qualquer pessoa, a ação do jornal foi grosseira com o próprio Flávio. Isento, no lamentável acontecido, o repórter Bruno Porto da trapalhada, já que a ordem para que eu fosse retirado do júri partiu de seus superiores. Felizmente, confirmando o primeiro resultado, na segunda rodada o Flávio voltou a vencer...



 Escrito por Marcelo às 10h20
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O perigo do voto nulo

E porque 2006 é ano eleitoral, o Pentimento começa alertando para o perigo da banalização do voto nulo, que esconde, por detrás do aparente repúdio juvenil "a tudo isso que está aí", uma quase-irresposabilidade política. O texto, coalhado de argumentos bem fundamentados, é do Elio Gaspari, e foi publicado na ediçãod e ontem de O Globo:

"Voto nulo é coisa séria"

Elio Gaspari

"Voto nulo. É aí que mora o perigo de 2006. Depois do massacre do mensalão, das arcas delúbias e das pizzas, o eleitor nutre um desejo secreto de chutar o pau da barraca no dia 1 de outubro. Vai à urna, anula o voto, faz uma careta e usufrui o que sobrar do domingo da desforra. Ninguém tem nada que se meter no voto dos outros, mas a decisão ficará mais rica (ou pobre) medindo-se o alcance desse gesto.

Quem anula o voto numa eleição majoritária (presidente, governador e senador) protesta e não beneficia ninguém. Quem anula o voto no pleito proporcional (deputado federal e estadual) pode beneficiar o tipo de político que pretende punir. Se todas as pessoas que ficaram indignadas com o mensalão anularem seus votos (ou votarem em branco) o resultado será a eleição de um Congresso mensalista.

Em 2002, Nosso Guia se elegeu com um bonito resultado. A soma dos votos em branco e nulos ficou em 5,5 milhões (6%). Em 1998, quando FFHH

venceu, os brancos e nulos chegaram a 15,5 milhões, ou 18,6% do eleitorado, um número feio, prenúncio de um certo horror ao tucanato.

Admita-se que a eleição deste ano fique parecida com a de 1998, com um aumento votos nulos de 10,6% para 20%. Para isso seriam necessários mais de 15 milhões de votos. Nesse caso, a soma da abstenção, dos votos em branco e do nulos passará dos 50%. Número ruim, parecido com o absenteísmo das últimas eleições americanas, nas quais o voto é facultativo. Essas contas são apenas um exercício, pois a Constituição determina que se dê posse ao candidato que tiver metade dos votos válidos, mais um.

É no efeito do voto nulo na eleição proporcional que se esconde o Tinhoso. Na eleição majoritária o protesto é frontal, efetivo e neutro. Desdenha a opção oferecida pela máquina, mas não favorece outros candidatos. Quem anula o voto majoritário se ausenta da escolha conhecendo todas as variáveis da questão.

Na eleição para a Câmara o efeito é muito outro. (Vale lembrar que se pode anular o voto para presidente sem anular o voto para o Congresso.)

Quem anula o voto proporcional não tem como saber a conseqüência da sua decisão. Imagine-se um eleitor de 2002. Ele decidiu não votar em Lula nem em Serra. Tudo bem. Anulando o voto proporcional pode ter favorecido a eleição de um Severino Cavalcanti. Nesse caso, a justificativa do tanto-faz não funciona com a mesma precisão. Uma coisa é ficar indiferente a uma escolha Lula-Serra. Outra é mostrar a mesma indiferença num dilema imperceptível na hora da eleição. O voto negado a Abraham Lincoln pode ter contribuir para a eleição de Severino.

Ao contrário do que pode parecer, voto nulo é coisa muito séria. Tão séria que não deve ser considerada estúpida."



 Escrito por Marcelo às 11h05
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