Márvio e Thiago

 

Hoje, a partir das 22h, o gente-muito-boa Márvio Ciribelli recebe com seu trio um convidado muito especial no St. Moritz Bar: trata-se do amigo Thiago Pellegrino, cujo repertório vai passear por canções de Johnny Alf, Toninho Horta, Chico Buarque, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho e Tom Jobim. Thiago promete apresentar também músicas inéditas. Depois do show, garante Márvio, haverá canjas e uma jam session. O St. Moritz é um anexo à Casa da Suiça, que fica na Rua Cândido Mendes, 157 - Glória. Couvert a R$ 15, sem consumação mínima.



 Escrito por Marcelo às 11h19
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Primeira chamada

Faço hoje a primeira convocação de todos os amigos (inimigos também podem ir) para o lançamento do livro Contos sobre tela, organizado por mim para a Editora Pinakotheke, que vai acontecer no próximo dia 8 de novembro, a partir das 20h, na galeria da própria Pinakotheke (um sobrado de época lindo, lindo, na Rua São Clemente). A obra reúne narrativas de 16 autores, que tiveram 45 dias para imaginar histórias a partir de pinturas, gravuras e esculturas de alguns dos nossos principais artistas plásticos, do figurativo ao abstrato, do clássico ao contemporâneo.

Meu conto foi inspirado no quadro Tudo é falso e inútil I, do Iberê Camargo, e, além de mim, estão no livro Adriana Lunardi (Pedro Weingartner), Ana Paula Maia (Goeldi), Antônio Mariano (Pedro Américo), Arnaldo Bloch (Gonçalo Ivo), Bianca Ramoneda (Waltércio Caldas), Diana de Hollanda (Isamel Nery), Fabrício Carpinejar (Guignard), Flávio Izhaki (Di Cavalcanti), Ivana Arruda Leite (Pancetti), João Anzanello Carrascoza (Raimundo Cela), João Filho (Rubem Grilo), João Paulo Cuenca (Leonilson), Luciano Trigo (Adriana Varejão), Nelson de Oliveira (Cândido Portinari) e Pedro Süssekind (Milton Dacosta).

O prefácio é do crítico José Castello, que observa: "Os 16 escritores conseguem chegar a um estado de introspeção e de evevação, de delicadeza e de fúria, espaço instável, mas potente, que anda escasso em nossa literatura. (...) São artistas cujos projetos nada guardam em comum, evocados por autores que também se contradizem e se distanciam, sendo dessa dissonância, dessa separação que vem a força de Contos sobre tela. É da própria incapacidade de haver um paralelo entre arte e literatura, é sobre esse abismo sem pontes, que os escritores se põem a escrever. Comportam-se como equilibristas que se exibem sem redes de proteção, sem cintos de segurança, sem garantias, e é no risco, e do risco, que tratam de avançar."

P.S. A capa, baseada em pintura do Leonilson, assim como todo o projeto gráfico, tem a assinatura da talentosa amiga Mariana Newlands...



 Escrito por Marcelo às 10h13
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Escândalo

O que antes eu chamava aqui de armação, roubo ou assalto, terei que chamar de ESCÂNDALO. Isto porque perderam de vez a vergonha: depois de ficarmos atônitos com o benefício ao time da Máfia Russa com a remarcação de partidas cujos resultados - dentro do campo - não tiveram relação alguma com a atuação do árbitro, agora estamos assistindo a uma seqüência incrível de jogos manipulados em seu favor. A peleja de ontem, contra o Paissandu, em que a Máfia Russa ganhou do juiz e dos bandeiras um gol em impedimento e ainda contou com a anulação de um tento claramente legal dos paraenses, foi só a ponta mais visível desse lamentável processo. Estranho muito o silêncio geral sobre o absurso acontece à nossa frente. Talvez investigações futuras venham a trazer informações interessantes. Pois se de fato todas as equipes da competição já foram vítimas e levaram vantagens com erros da arbitragem, a verdade é que somente os alvinegros paulistas contabilizam apenas erros pró.

O título é da Máfia, mas está irremediavelmente manchado, porque o escrete do Kia, além dos atletas, contou com o trio da arbitragem e o presidente do STJD. São 14 x 11. Vergonha, vergonha, vergonha, que ocorre, repito, sob o completo silêncio da domesticada imprensa esportiva. 

P.S. Na foto, Kia Joorabchian, o dono do dinheiro russo que ajuda o Timão a garantir o título, sugere sem querer seu lugar na sociedade...



 Escrito por Marcelo às 09h43
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Gullar, hoje

"Mau despertar"

Ferreira Gullar

"Saio do sono como
de uma batalha
travada em
lugar algum

Não sei na madrugada
se estou ferido
se o corpo
tenho
riscado
de hematomas

Zonzo lavo
na pia
os olhos donde
ainda escorrem
uns restos de treva."



 Escrito por Marcelo às 10h40
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Roberto Moura

Registro com tristeza, muita tristeza, o falecimento do ex-professor e querido amigo Roberto Moura. Quando, ontem à noitinha, recebi o aviso de que ele estava internado em "estado gravíssimo", já estava vacinado pela recente morte do Fernando e temi pelo pior. De fato, infelizmente ele não resistiu à força da dengue hemorrágica que contraíra. Nos últimos meses, vinha encontrando bastante o Roberto, sempre com aquele jeitão expansivo que torna impossível não se gostar dele. Na Primavera dos Livros, fez questão de abraçar ao final de um dos painéis, e disse, citando alguns outros ex-alunos, que se orgulhava de ter me dado aula. Dias depois, enviou-me um email, falando que tinha lido minha resenha sobre No princípio era a roda, seu livro mais recente, e que ela captava em essência o que ele quis defender. Essas lembranças todas voltaram na madrugada, interrompendo por diversas vezes meu sono, e me puseram a pensar (novamente) sobre como essa maravilhosa merda toda é transitória. Mais do que nunca, então, recordei-me do texto que escrevi a respeito do livro, cujo desfecho é uma ode à vida, aqui e agora, e que disfarçando a tristeza ofereço a ele.

Decifrando os mistérios da roda

Marcelo Moutinho

Ao anoitecer de cada domingo, num minúsculo boteco de Copacabana reúnem-se alguns dos mais talentosos músicos cariocas. Aos poucos, eles chegam com seus instrumentos, tocam e cantam, sem cobrar couvert artístico e pagando do próprio bolso a cerveja que consomem. A tradicional roda de samba do Bip Bip, porém, tem suas regras. Sob olhar atento do proprietário do estabelecimento, Alfredo Jacinto Mello, ou simplesmente Alfredinho, os participantes devem falar baixo e evitar pedidos ou aplausos. Além disso, só os músicos sentam-se nas cadeiras de ferro do bar. Muitos dos desavisados que chegam à Rua Almirante Gonçalves estranham e juram nunca mais voltar. Outros encantam-se com o ambiente e acabam por se tornar assíduos, embora não saibam exatamente nomear o que os move a cada domingo em direção ao apertado boteco.

O rígido ordenamento interno e os mistérios singulares, ambos conhecidos da grande maioria dos freqüentadores do Bip, são sintomáticos também do que ocorre em tantas outras rodas ao redor da cidade, esmiuçadas com erudição pelo jornalista, crítico e produtor Roberto M. Moura em No princípio, era a roda – Um estudo sobre samba, partido-alto e outros pagodes, que acaba de ser lançado pela Editora Rocco. Baseado em tese de doutorado em Música defendida na Unirio, o livro parte da premissa de que as rodas precedem as escolas e mesmo o próprio “samba”. Acredita o autor que elas vieram favorecer e proporcionar uma “ambiência sonora” que desembocaria no surgimento do gênero, já que representam sua “matriz física”, sua célula original. Da casa de Tia Ciata, Praça XI, no início do século passado, as rodas teriam tomado forma no bairro do Estácio e se espalhado pelos subúrbios cariocas através dos encontros de terreiro, realizados dentro das próprias escolas e decerto fomentadores dos chamados “sambas-de-quadra” que tanto sucesso fizeram em agremiações como Portela e Império Serrano.

Ainda sob perspectiva histórica, Moura sinaliza para o fenômeno seguinte, que ocorreu nos anos 60. Com a institucionalização das escolas - elevadas a ponto principal do carnaval carioca - e o imenso sucesso popular dos sambas-de-enredo, as composições de terreiro foram paulatinamente aniquiladas, obrigando os sambistas a transferirem as suas rodas das quadras para teatros e bares, como o mítico Zicartola. Foi uma época de shows memoráveis, caso do célebre Rosa de Ouro, que levou ao palco, entre outros bambas, Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Clementina de Jesus. Se o sambista não podia mais fazer da quadra o seu quintal, levava-o para outros cenários, talvez nem tão maravilhosos, mas onde lhe seria permitido reencenar, por intermédio da realização da roda, uma representação possível da própria “casa”.

Sim, porque na oposição entre os conceitos de “casa” e “rua”, cunhados pelo antropólogo Roberto DaMatta, encontra-se o cerne do trabalho de Roberto Moura. Não se trata, evidentemente, de espaços geográficos, mas de esferas simbólicas, áreas de ação social, domínios culturais. O jornalista identifica nas rodas a reprodução de relações íntimas e de pertencimento nas quais os laços de amizade e sangue são permanentemente renovados. A intimidade da “casa” confrontaria-se com o mundanismo da “rua” em que se transformaram as escolas de samba a partir da espetacularização do carnaval. Tal traço é sublinhado no livro por intermédio do depoimento de músicos como Nei Lopes, Monarco e Luiz Carlos da Vila, de entrevistas realizadas com freqüentadores e de versos de sambas que tratam do tema, todos eles citados e relacionados ao final do volume.

Felizmente, o autor não se furta em comentar também processos mais recentes, como as importantes inovações efetuadas pelo Cacique de Ramos na década de 80 e a atualíssima revitalização capitaneada por produtores corajosos como Lefê Almeida e por jovens artistas como Galotti, Teresa Cristina, Nilze Carvalho, Pedro Miranda, agentes ativos e fundamentais de uma nova geração sem medo do diálogo com a tradição e cuja voz é registrada talvez pela primeira vez num estudo mais aprofundado.

Moura sustenta que, apesar do longo percurso histórico - da casa de Tia Ciata à Lapa de hoje -, pelo menos sob o ponto-de-vista da significação e das relações de hierarquia interna as rodas não mudaram tanto. No livro, ele enumera algumas das “regras” que perduraram: não se pode manejar um instrumento sem competência, nem falar mais alto do que o som. Imperdoável puxar um samba e esquecer a letra pela metade. Mais uma distinção: não importa o artista ser um sucesso de vendas ou execução, “nada lhe assegura qualquer respeitabilidade ou diferenciação dentro da roda. Seu lugar será sempre determinado pelo que for capaz de fazer ali.” Quando aos participantes, explica ainda o autor: “O modo mais natural de participar é cantando ou tocando, mas aqueles que integram o coro também são considerados ‘parte’ da roda”.

Outra característica seria o repertório em permanente busca por “saudar o passado”, embora paradoxalmente a roda funcione também como área de “legitimação” para novas canções, já que os sambistas costumam apresentar ali, entre seus pares, as composições inéditas. “Como em qualquer ritual, a roda preserva e atualiza o que terá em sua origem”, resume Moura, situando-a como uma resultante da “dialética entre o cotidiano e a utopia”, capaz de instaurar no sambista “a ilusão da eternidade”. “É como se o tempo tivesse parado e o mundo ficasse lá fora”, destaca Moura.

Entretanto, diante de tantas reflexões fundamentadas sobre o tema, não é do autor, nem de algum sambista entrevistado, ou mesmo do pensamento sempre sagaz de Roberto DaMatta, a melhor síntese sobre aquele mistério aludido no primeiro parágrafo: o motivo pelo qual alguém sai de sua casa e se aperta entre tantos outros para ouvir (e cantar) samba numa roda como a do Bip Bip. A fala é de André Vianna Dantas, professor de História, morador de Niterói e simples freqüentador, em resposta à pesquisa feita pelo site Agenda do Samba e do Choro. Diz André: “No meu caso, vou às rodas porque preciso mesmo. Não é frescura, é necessidade. Sai do plano individual e vai para o coletivo. É como se todo mundo se olhasse e dissesse: - A vida é foda mas é boa pra cacete”.

E não é mesmo?



 Escrito por Marcelo às 10h17
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Milton

Outro aniversariante do dia é Milton Nascimento. O que dizer de um camarada que foi o principal responsável por duas obras-primas (Clube da Esquina 1 e 2), pelo magnífico Milagre dos peixes e, entre muitos outros grandes discos, compôs um sem número de pérolas de nossa música, cuja harmonia revolucionou ao mesclar os Beatles à tradição do barroco mineiro? Vocês, que estão cansados de saber do tanto que gosto do pessoal cujo sucesso ele sem dúvida ajudou a catapultar (Beto, Lô, Toninho, Nelson Ângelo, Fernando Brant), podem ter idéia da importância do Milton na minha vida. E entre as dezenas de canções que fazem parte da minha particularíssima trilha-sonora, há uma que significa ainda mais, sabe-se lá por que razões. Falo de Clube da Esquina, a de número "1", não tão conhecida como a "2", e talvez por isso raramente cantada nos shows. Tive a feliz oportunidade de ver Milton interpretá-la justamente numa ocasião em que nunca poderia esperar: o Rock in Rio 3. Quando os primeiros versos - "Noite chegou outa vez..." - soaram na Cidade do Rock (!), foi absolutamente desesperador. Afastei-me de todos que foram ao show comigo e, aos prantos, só conseguia olhar e sussurrar: "É isso, é isso, é isso"... 

"Clube da Esquina"

Milton Nascimento / Lô Borge

"Noite chegou outra vez, de novo na esquina
Os homens estão todos, se acham mortais
Dividem a noite, a lua, até solidão
Neste clube, a gente sozinha se vê pela última vez
À espera do dia, naquela calçada
Fugindo de outro lugar perto da noite estou
O rumo encontro nas pedras
Encontro de vez um grande país
Eu espero, espero do fundo da noite chegar
Mas agora eu quero tomar suas mãos
Vou buscá-la aonde for
Venha até a esquina
Você não conhece o futuro
Que eu tenho nas mãos
Agora as portas vão todas se fechar
No claro do dia, o novo encontrarei
E no curral D'El Rey
Janelas se abrem ao negro do mundo lunar
Mas eu não me acho perdido
No fundo da noite partiu minha voz
Já é hora do corpo vencer a manhã
Outro dia já vem e a vida se cansa na esquina

Fugindo, fugindo, pra outro lugar"



 Escrito por Marcelo às 10h05
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Belchior

Quem completa 59 anos de idade hoje é Belchior, cantor que fez muito sucesso na década de 70 com sua voz grave e as composições marcadas pelas longas letras, com um "quê" narrativo a la Lou Reed. Filho da tradição dos trovadores, o cearense Belchior cantou com lirismo e dureza a diáspora dos nordestinos e a ressaca pós-utópica da luta política. Embora atualmente esteja meio fora de moda, continuo ouvindo seus discos, sobretudo os primeiros, como Alucinação - que certamente está entre os clássicos fundamentais da música brasileira. Em homenagem a ele, posto aqui uma das minhas preferidas (que faz parte do disco homônimo)...

"Coração selvagem "

Belchior

"Meu bem, guarde uma frase pra mim, dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim, sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja no seu copo
No seu colo e nesse bar
Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa, eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo
Tenho pressa de viver
Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo
Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente
Sim, já é outra viagem, e o meu coração selvagem
Tem essa pressa de viver
Meu bem, mas quando a vida nos violentar
Pediremos ao bom Deus que nos ajude
Falaremos para a vida: “Vida, pisa devagar
Meu coração, cuidado, é frágil;
Meu coração é como vidro, como um beijo de novela”
Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, e a minha fúria, e essa pressa de viver
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
E arriscar tudo de novo com paixão
Andar caminho errado pela simples alegria de ser
Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo
Vem morrer comigo, meu bem, meu bem, meu bem
Talvez eu morra jovem:
Alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído
Completará o meu destino, meu bem… Que outros cantores chamam baby"



 Escrito por Marcelo às 09h36
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Ana C., sempre

"Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.
Não há razão
para conservar
este fiapo de noite velha.
Que significa isso?
Há uma fita
que vai sendo cortada
deixando uma sombra
no papel.
Discursos detonam.
Não sou eu que estou ali
de roupa escura
sorrindo ou fingindo
ouvir.
No entanto
também escrevi coisas assim,
para pessoas que nem sei mais
quem são,
de uma doçura
venenosa
de tão funda."

Ana Cristina César



 Escrito por Marcelo às 13h01
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Sobre o referendo e flores

Malgrado a campanha terrorista, que lembrou os programas de Collor em 1989 ao tentar (e conseguir) assustar uma classe média já cheia de paranóia, malgrado a tentativa canalha de legar ao referendo um absurdo viés antidemocrático, malgrado a imensa lista de sofismas travestidos de argumentação, malgrado ainda as capas da Veja, movidas a pouco escrúpulo e muito dinheiro, venceu o "dente por dente, olho por olho". Fiquei com a minoria largamente derrotada. Sigo acreditando que a busca deve ser pela não agressão (assim como muitos outros, graças a Deus), na postura pacífica que tanto foi ironizada pelos "teóricos" pró-armas.

Só fico pensando em momentos como este: que país nós, de fato, queremos? Sinto que estamos andando pra trás, começando a justificar atitudes com base no desregramento alheio. É a ponta visível do começo de toda decadência.

Claro, todas essas coisas passam pela cabeça só até o exato instante em que flagro a foto da F., sorrindo para mim, no porta-retrato que fica ao lado do laptop. Aí, como se flores amarelas pousassem no meio do redemoinho, tudo começa a ficar em paz novamente...



 Escrito por Marcelo às 09h53
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Poesia hoje

"Houve dias cheios de sol e jogos ágeis
em redor dos lagos, uma jornada na montanha
para ouvir o eco e a sombra da nuvem
ganhando alento nas vertentes como um barco
prodigioso.

Perseguíamos nas raízes do dia uma ausência
que alastrava para o norte, para essas planícies inventadas
onde pássaros ávidos tomariam por sementes
as palavras que dizíamos.

Éramos demasiado jovens
e aos nossos olhos
o mundo tinha a idade que mais nos convinha."

Rui Pires Cabral



 Escrito por Marcelo às 09h35
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Raphael Rabello em dois tempos

Quem faz o convite é a amiga Moniquitcha Ramalho, que roteirizou e co-dirigiu o documentário sobre o músico:

"Nesta terça-feira, 25, às 16h, o Centro Cultural Carioca (CCC) recebe a imprensa de música e televisão para o lançamento do documentário sobre Raphael Rabello, dirigido por Monica Ramalho e Lara Velho, que será exibido pelo Canal Brasil quatro dias depois, dentro do programa ‘Luz, câmera, canção’. No mesmo evento, a cavaquinista Luciana Rabello, irmã de Raphael e sócia de Mauricio Carrilho na Acari Records, relança um disco histórico do músico, ‘Lamentos do morro’, de 1988, jamais editado em CD. Depois da entrevista coletiva, outra irmã do violonista, a cantora Amélia Rabello, faz, com Áurea Martins e Regional Carioca, um show em homenagem à Elizeth Cardoso, com quem Raphael gravou o antológico álbum ‘Todo o sentimento’, de 1991. Além de todos esses ganchos para eventuais matérias, há a feliz coincidência de tudo desenrolar na semana do aniversário de nascimento do músico, que faria 43 anos no dia 31 de outubro.

Morto precocemente há uma década, mais precisamente no dia 27 de abril de 1995, Raphael Rabello é muito lembrado pelo virtuosismo latente, pela técnica impecável e pelo repertório original que, depois dele, foi incorporado no roteiro básico de todo e qualquer violonista do país. Mais do que aproveitar a data redonda, o documentário, que dura cerca de 26 minutos, pretende difundir sua música e fomentar o interesse das gravadoras em relançar seus discos em CD, a exemplo da própria Acari. Assim como a maioria de seus discos permanece exclusiva para quem o admira, as pessoas não têm acesso fácil a imagens de Raphael em ação com seu precioso instrumento. Neste pequeno filme, a história de Raphael é contada por três pessoas diretamente ligadas a ele e ao seu trabalho como instrumentista: Luciana Rabello, que começou na música com o irmão, no célebre regional ‘Os Carioquinhas’; Amélia Rabello, até então única intérprete de suas canções; e o compositor Paulo César Pinheiro que, além de cunhado, é seu principal parceiro.

Com roteiro assinado por Monica Ramalho (que pesquisa, há cerca de um ano e meio, sobre a vida e a obra do violonista para uma futura biografia musical), o documentário está recheado de falas do próprio Raphael, retiradas de entrevistas – no Programa Ensaio, por exemplo – e traz uma cena inédita até para a família do músico: ele, aos 16 anos, tocando Ernesto Nazareth num curta-metragem de Luiz Carlos Lacerda sobre o pianista. Tudo o mais só saberá quem for ao CCC no dia 25."



 Escrito por Marcelo às 13h07
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Bartleby

No sábado passado, o Idéias (Jornal do Brasil) publicou minha resenha sobre Bartleby, livraço do Melville. Segue o texto:
 
 

Novas e sinuosas rotas de Bartleby

Marcelo Moutinho (Escritor e jornalista)

No plástico que envolve a embalagem, a advertência: ''melhor não ler''. Vencida a primeira etapa - removê-lo -, o curioso leitor precisará ainda descosturar a capa e refilar cada uma das 48 páginas da caprichada edição da Cosac & Naify para enfim ser apresentado a Bartleby, o escrivão. Revolucionário, autista, gênio, imbecil, niilista ou simplesmente inocente, Bartleby vem colecionando adjetivos e desafiando as certezas dos críticos desde 1853, quando foi publicada originalmente sua história, gerada na imaginação de Herman Melville. O feliz projeto gráfico de Elaine Ramos com que a novela chega às livrarias antecipa, entre tantas e tão plausíveis chaves de compreensão, a única evidência inquestionável a respeito do personagem: Bartleby é, sobretudo, duro na queda.

Além, evidentemente, de um enigma. Mesmo seu chefe, o advogado que narra as desventuras ''do mais estranho de todos os escrivães que jamais encontrou ou ouviu falar'', confessa a incapacidade de precisar uma definição que dê conta do funcionário: ''Creio que não existe material suficiente para uma biografia integral e satisfatória desse homem''. Apesar da ponderação, é com base no esboço construído por sua narração que o leitor poderá tentar vislumbrar um perfil possível do amuado escrivão que a partir de certo dia decide não mais cumprir as tarefas a ele solicitadas, retrucando-as passivamente com a frase que viraria bordão: ''Acho melhor não''.

Suas recusas não têm estridência. Não há raiva, impertinência ou grosseria nas respostas negativas. ''Parecia que analisava com cuidado cada palavra que eu proferia, compreendia o que eu queria dizer, não conseguia se opor à conclusão irresistível, mas, ao mesmo tempo, uma razão superior o levava a responder daquela forma'', observa o perplexo narrador, cuja indulgência cada vez maior permite que a situação perdure. Bartleby passa a morar no escritório, de onde não sai sequer para comer, e o advogado, sem encontrar uma solução exeqüível para o problema, resolve pedir demissão. A anti-ação do copista, além de desconcertar o chefe, provoca tremores internos no escritório, irritando seus colegas de ofício, Turkey, Nippers e Ginger Nut. O trio é o alvo preferencial do sarcasmo de Melville, que, como habitualmente, desenha os personagens com impressionante apuro, descrevendo minúcias físicas e psicológicas que chegam a suscitar imagens.

Em Bartleby, porém, o filtro do narrador vale-se da imprecisão para provocar vertigem. Ao informar ao leitor ''tudo o que sabe'' com relação ao protagonista, o que seu chefe tenta veladamente é erigir um tratado sobre as próprias virtudes. ''Para uma pessoa sensível, a piedade é quase sempre uma dor'', concede ele, auto-indulgente, numa das muitas passagens em que busca expor seus atos generosos. Mas o olhar condescendente diante das recusas do escrivão enfumaça uma falsa neutralidade, configurando um caso típico do ''narrador não confiável'', definição de Henry James bem lembrada por Modesto Carone no posfácio.

Bartleby já foi tomado como precursor do absurdo beckettiano, símbolo da luta anticapitalista e modelo de transtorno psíquico. Fascinou desde filósofos, caso de Gilles Deleuze, para quem o copista simbolizava a ''encarnação da fraternidade'', a escritores, como Jorge Luis Borges, que no célebre prólogo de edição anterior (lamentavelmente não republicado) aponta uma afinidade secreta entre as ficções de Melville e Franz Kafka, sustentando que a obra do escritor tcheco joga sobre Bartleby ''uma luz posterior''.

Curiosamente, também sobre Melville foi lançada uma luz posterior. Nascido em 1819, em Nova Iorque, o escritor apaixonou-se cedo pela navegação e passou parte da juventude viajando pelos mares do Pacífico. A experiência inspiraria seus primeiros livros, como Typee, a peep at Polynesian life or four months residence in a valle of the Marquesas, que relata os quatro anos de cativeiro sob o domínio de canibais, e serviria de alicerce para a composição da obra-prima Moby Dick. O autor, contudo, era considerado um mero cronista da vida marítima. Assim o classificava, já passados 20 anos de sua morte, a respeitada Enciclopédia Britânica, num nítido retrato do desdém que a crítica lhe dispensava. Hoje, quando o nome de Melville resplandece no olimpo do cânone literário, seu legado sofre com o opressivo vínculo ao romance mais célebre, que acaba embotando a apreciação das demais obras - pequeninas pérolas da literatura, como Benito Cereno e Billy Budd, que em boa hora voltam a circular no Brasil. Assim como em Moby Dick, os relatos que dão vida a esses livros encenam de forma alegórica e microscópica algumas de nossas dialéticas mais essenciais. Natureza e cultura, culpa e inocência, Deus e homem e, principalmente, Bem e Mal: eis a argamassa com que trabalhava Melville. É nesse labirinto simbólico que Bartleby abre novas (e sinuosas) rotas.



 Escrito por Marcelo às 11h17
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No som...

"Comes a time"

Neil Young

"Comes a time
when you're driftin'
Comes a time
when you settle down
Comes a light
feelin's liftin'
Lift that baby
right up off the ground.

Oh, this old world
keeps spinning round
It's a wonder tall trees
ain't layin' down
There comes a time.

You and I we were captured
We took our souls
and we flew away
We were right
we were giving
That's how we kept
what we gave away.

Oh, this old world
keeps spinning round
It's a wonder tall trees
ain't layin' down
There comes a time"



 Escrito por Marcelo às 14h02
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Guelman

"Cómo sabe Andrea que la poesía no tiene cuerpo, no tiene corazón, y en su hálito de niña pasa, o puede pasar, y habla de lo que siempre no habla? En la boca cuaja el mundo, y en la luz de pasados que Andrea ignora para nunca, su memoria es una casa nueva donde otros rostros vivirán y otros amaneceres, otros llantos. Mejor así; todo lo que se hunde ahora, este tiempo que se disuelve, serán para ella páginas amarillentas olvidables. Un día sabrá que existieron, como ella misma, entre lo imaginario y lo real.  Ah vida, qué mañana, cuando termines de escribir."

Juan Guelman

P.S. O quadro é de Pablo Picasso...



 Escrito por Marcelo às 10h04
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Jongo da Serrinha

 

Outra boa pedida para o fim-de-semana (caraca, isso aqui tá parecendo o Rio Show!) são as apresentações que o Jongo da Serrinha vai fazer no Teatro Carlos Gomes, em temporada que segue até dia 13 de novembro (sábados, às 19h30; domingos, às 18h). O roteiro do espetáculo, comandado por Tia Maria, inclui 12 jongos inéditos e alguns dos clássicos sambas do meu querido Império Serrano. Esta é realmente imperdível!



 Escrito por Marcelo às 09h38
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Dodô fala sobre Cortázar

Amanhã, às 16h, no Sebo Dantes (dentro do Cine Odeon), o pessoal da revista virtual Bagatelas vai promover mais uma edição do Encontro & Bagatelas. Desta vez, o convidado é o escritor e dj Dodô Azevedo, que convesará com o pesoal do site sobre o grande Julio Cortázar (foto). Da última vez, quando a atração foi Sergio Sant'anna, estive lá e foi muito bacana...



 Escrito por Marcelo às 09h32
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Prêmio Visa

Fico feliz em anunciar que a amiga paulistana Ana Luiza ficou em segundo lugar no 8º Prêmio Visa, cujo resultado foi divulgado ontem. Ana prepara-se para lançar um disco chamado Olhos d'água, cuja canção título foi composta pelos amigos Rodrigo Zaidan e Luciano Garcez. Parabéns à moça!



 Escrito por Marcelo às 13h22
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Mafalda



 Escrito por Marcelo às 11h13
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Fernanda Cunha no Novo Canto

A simpática e talentosa Fernanda Cunha é atração de hoje no projeto Novo Canto. A cantora, que recentemente lançou ótimo cd dedicado às canções de Sueli Costa e Johhny Alf, apresenta-se no Sesc da Avenida Graça Aranha, ao lado de Denise Pinaud e do próprio Alf e acompanhada de superbanda sob a batuta de mestre Cristóvão Bastos. O show começa às 19h e tem ingressos bem acessíveis. Confiram!

Ah, sim: quem quiser saber mais sobre a Fernanda, pode visitar o site dela.



 Escrito por Marcelo às 11h02
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Calvin pra desopilar



 Escrito por Marcelo às 11h51
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Do meu cronista preferido...

"Acorrentados"

Paulo Mendes Campos

"Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre".



 Escrito por Marcelo às 11h36
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Vininha

É alentador descobrir, numa manhã cheio de pequenos aborrecimentos com a mediocridade alheia, que hoje, se vivo, o Vininha completaria mais um ano. "Poeta da paixão", como precisamente o definiu José Castello na ótima biografia que escreveu, Vinícius de Moraes sempre alimentou sua vida atribulada e feliz com esse perigoso (e delicioso) combustível. Poderia postar aqui algumas das preciosidades que ele criou no ofício de poeta ou de cronista. Ou ainda escolher uma das geniais parcerias com o grande Tom. Mas o que me veio à lembrança imediata foi essa canção, feita com o Toquinho, e que fica aqui como um antídoto contra as pequenezas cotidianas - sejam as de trabalho, sejam as de amor (ouviu, Lu?) - que machucam só pra exigir mais coragem da gente.

"Amigos meus"

Vinicius de Moraes / Toquinho

"Amigos meus, está chegando a hora
Em que a tristeza aproveita pra entrar
E todos nós vamos ter que ir embora
Pra vida lá fora continuar

Tem sempre aquele
Que toma mais uma no bar
Tem sempre um outro
Que vai direitinho pro lar

Mas tem também
Uma sala que está vazia
Sem luz, sem amor, sombria
Prontinha pro show voltar

E em novo dia
A gente ver novamente
A sala se encher de gente
Pra gente comemorar"



 Escrito por Marcelo às 11h16
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Gudin e PC Pinheiro

 

Voltei a ouvir por esses dias as deliciosas canções compostas pela dupla de craques Eduardo Gudin e Paulo Cesar Pinheiro. É realmente impressionante como as letras do PC caem bem em melodias de diferentes parceiros (João Nogueira e Wilson das Neves são apenas dois exemplos óbvios). Com Gudin, ele gravou três discos (dois deles com participação da cantora Marcia) e compôs diversas pérolas, como esta que se segue e não me canso de escutar...

"Recado ao poeta"

Eduardo Gudin / Paulo Cesar Pinheiro

"Vai, porque a tua missão é de paz
Ser poeta é difícil demais
Pra que querer quer um coração normal
Um dia vá te compreender
Olha só como a lua parece chamar
E essa rua, esse amigo, esse bar
E eu peço à Deus que nada mude mais
Não faz dos teus os teus rivais
E se couber explicação real
É que o poeta é o coração geral
Por isso fique aqui
Onde teu samba está
Que toda a cidade quer cantar"



 Escrito por Marcelo às 10h54
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Grande Otelo

Caso estivesse vivo, completaria 90 anos hoje o Grande Otelo, mito da cultura brasileira cuja grandeza era trazida no próprio nome. Fica, aqui, a lembrança saudosa do Pentimento.



 Escrito por Marcelo às 10h47
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Livro do Gustavo

O amigo Zeh Gustavo (ou Gustavo Dumans, se descontado o heterônimo) lança hoje, a partir das 19h, na Livraria Luzes da Cidade (dentro do Espaço Unibanco), o livro Idade do zero, sua nova seleta de poemas. Editada pela Escrituras, a publicação é o quarto trabalho do autor, que assina também Mito da origem do futebol (Cone Sul, 1997), O povo e o populacro (Cone Sul, 1998) e Solturas, balões e bolinhas de papel (Damadá, 2001) e pode ser encontrado no querido Bip e em outros pontos obrigatórios do circuito do samba carioca.



 Escrito por Marcelo às 10h36
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Manual de sobrevivência nos butiquins mais vagabundos

  

  

Queria agradecer a todos os amigos que prestigiaram no domingo o lançamento do Manual de sobrevivência nos butiquins mais vagabundos, de Moacyr Luz, cujo projeto editorial tive o prazer e a honra de coordenar. Era tanta gente que o Bar Getulio ficou completamente tomado, e o pessoal chegou a ocupar toda a calçada do entorno. Estou certo de que o Moacyr ficou feliz. Agora, é torcer para que o livro continue a ter uma boa acolhida... 


Fotos: 1. Hilda Badenes, Hugo Sukman, Crib Tanaka e Christiano Menezes (o "hômi" do projeto gráfico do livro), 2. Fred Zaidan (vindo diretamente de BH), Luise Campos e Henrique Rodrigues, 3. Moacyr, Beth Cavalho e Jaguar (que fez as ilustrações), 4. Moacyr e eu, 5. Aspecto do Getulio ainda vazio, 6. Eu e F.



 Escrito por Marcelo às 10h14
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Aplaude, Abramovich!!!

Vocês lembram que ontem mesmo, no post dobre o jogo do Flu, alertei que deveríamos pôr a pulga atrás da orelha para a partida remarcada entre o time da Máfia Russa e o Santos. Ora, Ora: não deu outra. A partida estava empatada até os 41 minutos do segundo tempo, quando o soprador de apito decidiu inventar um pênalti pró-Corinthians. Daí as (injustificadas) invasões ao campo por parte de torcedores do clube santista, revoltados (com razão) diante de mais esse roubo descarado em favor da equipe da Máfia.

Mais uma vez: se era para continuar com a roubalheira, pra que punir o Edílson Pereira da Silva.

E ainda: se o título já é do chamado "Timão", por favor, que parem de roubar o Fluminense...



 Escrito por Marcelo às 10h17
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Pós Mistura

Fui comemorar a suada vitória do Flu no showzaço que o Moacyr Luz fez no Mistura Fina. Terminado o espetáculo, seguimos em romaria para tomar a saideira no Belmonte do Flamengo. Na foto, eu, F., Moacyr, Ize, Hugo, Chico Caruso e mais dois companheiros que prestigiaram o show e cujos nomes, devido ao consumo etílico da noite, simplesmente esqueci.



 Escrito por Marcelo às 13h06
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Assalto

Se é pra escalar um assaltante como juiz, de que vale punir o Edilson Pereira de Carvalho?

Na partida de ontem, contra o Juventude, o Fluminense foi criminosamente roubado. Há muito tempo não via um escândalo tão grande. Não satisfeito em validar um gol em impedimento e inventar um pênalti em favor dos gaúchos, o soprador de apito Clever Assunção Gonçalves interrompeu um ataque em que o Flu tinha nítida vantagem (eram cinco jogadores contra um defensor) para marcar falta e expulsou inexplicavelmente o Milton do Ó (minutos antes, eu tinha comentado com a F.: ele está distribuindo cartões amarelos para daqui a pouco expulsar alguém. Não deu outra...). O Tricolor virou na garra, vencendo o Juventude e o ladrão. Mas é bom abrir o olho, porque o Vasco também foi roubado. E enquanto isso, em Parque São Jorge, a Máfia Russa descansa em águas tranqüilas. Observemos o jogo contra o Santos hoje já com a pulga devidamente alocada atrás da orelha...



 Escrito por Marcelo às 13h01
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"Só os mais vagabundos"

E quem fala que o livro é bom, não sou eu, que o coordenei, mas o Paulo Roberto Pires, em sua coluna no site No Mínimo:

"Só os mais vagabundos"

Paulo Roberto Pires

"Moacyr Luz não resiste aos botequins mais vagabundos. Eu também não. Isso, é claro, antes de o Figueiredo, minha consciência hepática, ter pedido um tempo, morto de medo de virar um fois gras de Hans Staden. Por isso, folheio com uma lágrima nos olhos as páginas de “Manual de sobrevivência nos butiquins mais vagabundos”, mistura de crônica e auto-ajuda de boemia em que o compositor, como todo bom freqüentador de butiquim (de agora em diante, me ensina o Moa, a grafia é essa), defende suas inúmeras teses sobre temas capitais como desarmamento, cerveja gelada, saideira e pendura.
As 25 crônicas, entremeadas pelos depoimentos de alguns célebres parceiros de copo e conversa, não são para principiantes. Aquele casal do interior de Minas que vem passar o fim de semana no Rio e quer conhecer um “autêntico” estabelecimento carioca, não tem muito o que fazer com o manual do Moa. Pois só freqüentadores curtidos em picles de cenoura e couve-flor podem entender os percalços de quem vira profissional daquele perímetro azulejado que, como os livros antigos, costuma resumir o universo. Não por um acaso, aliás, o livro tem o formato de um azulejo e é repleto deles, pontuados aqui e ali por um interruptor encardido, daqueles fluorescentes no escuro.
Freqüentar butiquim não se resume a ir ao estabelecimento e pronto. É toda uma filosofia de vida, que inclui máximas como “o lar é seu segundo bar”. É, como diz o Aldir, envelhecer entre o torresmo e a moela, viver um tempo e espaço completamente diversos do que conhecemos. Outro dia mesmo, na varanda do Jobi, o relógio saltou de meia-noite para três da manhã e ninguém reclamou. Na saideira, por exemplo, o Moa ensina que você deve insistir em tomar “a última” mesmo quando “os garçons estão com o nome da mãe na boca do sapo”. E, ao chegar em casa e sentir tua mulher abrindo a porta por dentro: “se prepara para chorar, porque o sermão tem pontuação e conjugação perfeita”.
O butiquim pode estar em qualquer lugar, mas mantém intocado o espírito do subúrbio. É lá que a turma se encontra, que o sujeito afoga as mágoas da briga com a patroa, xinga a sogra e paquera discretamente a vizinha. Também é lá que, depois de duas capirinhas, os colegas de trabalho ficam cheios de amor para dar na festa da firma, aquela com amigo oculto e, como lembra o Moa, disco novo do Roberto Carlos de presente.
A baixíssima gastronomia, é claro, é assunto importante neste Manual. E Moacyr dá ensinamentos preciosos como o princípio de nunca, jamais, em tempo algum, sob nenhuma ameaça, pedir batata frita como tira gosto – conheço um bebedor profissional que insiste no provolone a milanesa, talvez o acepipe mais gorduroso do planeta. E, com requintes literários, repara na perícia de relojoeiro com que o portuga fura a lata de azeite. Você aperta, ela resfolega, faz barulho de carro amassado, dá um trabalho danado, e eis que se faz o milagre: verte uma precisa lágrima oleosa que não consegue nem molhar a casca do bolinho de bacalhau. É realmente uma arte.
Para quem vive em regime de sobriedade-albergue – ou seja, pode dar uma voltinha de vez em quando pelas graduações, desde que não sejam destiladas – o “Manual” é uma espécie de “Em busca do tempo perdido”. Madeleine de botequim é moela e o Moa, apesar de espada, é o meu Proust da Muda. “Meu irmão...”, posso ouvi-lo dizer. Que saudade..."



 Escrito por Marcelo às 15h08
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Livro do Moa

 

Queria convidá-los para o lançamento do livro Manual de sobrevivência nos butiquins mais vagabundos, escrito pelo Moacyr Luz e cujo projeto editorial tive o árduo trabalho (e o imenso prazer) de coordenar para a editora Senac Rio. Com inspiradíssimo projeto gráfico inspirado do amigo Christiano Menezes, que se baseou nos azulejos típicos dos botecos, o livro traz 25 crônicas ambientadas em bares. Acompanhando os textos, há ilustrações de Jaguar e entrevistas com boêmios célebres, entre eles Lan, Sergio Cabral, Alfredinho do Bip Bip, Luiz Carlos da Vila, Ruy Castro, Paulão 7 Cordas, Tia Surica da Portela, Roberto Moura e Aldir Blanc. O lançamento será no próximo domingo (dia 16), no Bar Getulio (Rua do Catete, em frente ao Museu da República), a partir das 18h, com chope da Brahma e cachaça Magnífica. Espero vocês lá!



 Escrito por Marcelo às 13h45
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Samba e Cachaça

O amigo Pepê avisa que, aproveitando o feriadão santo de amanhã, ele fará show hoje à noite na Cachaçaria Mangue Seco, ao lado do também bicudo Alfredo Del-Penho e dos figuraças Marcio Hulk (cavaco), Luís Filipe de Lima (7 cordas) e Oscar Bolão (percussão). O repertórios erá composto por sambas que versam sobre pinga e haverá degustação no intervalo. A festa começa às 20h e se repete em todas as terças-feiras do mês, com ingressos a dez pratas.



 Escrito por Marcelo às 13h37
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Da janela lateral

A descontração possível numa sessão de fotos...


P.S. Esta aí foi tirada pela F. 



 Escrito por Marcelo às 11h33
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Filme, samba e uma emoção singular

Depois da Da Vinci - e de uma rápida parada no Bar Brasil para um chope acompanhado de almôndegas com lentilhas ao lado do HR -, eu e F. seguimos para o Teatro Odisséia, onde foi lançado o curta Dia de feira. O filme de Hugo Moss retrata com bom humor uma manhã de sexta na famosa barraca que o Moacyr Luz mantém na feira da Muda. A cena mais hilária é aquela em que Chico Caruso chega no local vestido de Papa (roupa que será experimentada também pelo Lan). Detalhe: João Paulo II morreria um dia depois das filmagens.

Terminado o filme, começou uma roda que reuniu o pessoal que segura as pontas às segundas-feiras no Samba do Trabalhador, do Renascença. O samba teve o comando do Moacyr e contou com participações especialíssimas de Marquinhos Santanna (ex-Satã) e Toninho Geraes. Foi então que pude viver um dos momentos mais emocionantes de meus 33 anos circulando por essas bandas: ver dedicada a mim, pelo próprio compositor, a canção Pra que pedir perdão, que como vocês sabem bem, é um dos meus hinos pessoais. Uma noite pra não esquecer, que se valorizou ainda mais por ter sido vivida ao lado da F.



 Escrito por Marcelo às 11h27
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Encontro no subsolo

Faltou comentar sobre a noite de quarta-feira, quando participei, ao lado da Cristiane Costa (ex-editora do Idéias, hoje à frente da Revista Nossa História e do Portal Literal) e da Elvira Vigna (escritora, ilustradora e crítica de arte do Jornal do Brasil), da primeira edição dos Encontros no Subsolo. Foi muito bacana o evento, que abriu a série promovida pela Livraria Leonardo da Vinci, com curadoria do amigo Jaime Gonçalves. O tema central era A interferência do jornalismo na escrita ficcional, utilizando como gancho o (ótimo) livro Pena de aluguel, lançado recentemente pela Cris. Abrindo as discussões, fiz um pequeno resumo sobre a obra e dei meu depoimento pessoal sobre as relações entre os dois ofícios. Em seguida, a Cris explicou quais foram as motivações de seu estudo, aprofundando ainda mais a minha análise inicial. Elvira também falou sobre a sua experiência nos dois campos, levando o público aos risos ao relatar como escreveu sua primeira matéria para o célebre Correio da Manhã. Instada a entrevistar um grupo de dança que excursionava pelo Brasil, ela acabou não conseguindo encontrar seus integrantes e simplesmente inventou o texto. "Minha entrada no jornalismo foi pela ficção", resumiu Elvira.

O público, apesar de pequeno, foi muito participativo, fazendo perguntas sobre as possíveis relações de compadrio entre os jornalistas-escritores, as diferenças formais entre os dois tipos de texto e a possibilidade do fim do livro e dos próprios jornais, entre outros assuntos. Parabéns à Da Vinci e ao Jaime pela iniciativa. No mês que vem, tem mais!



 Escrito por Marcelo às 11h10
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Amar é...

  

... conversar, antes de dormir agarradinho, sobre ouriços, cangambás, esquilos, ratos e a origem das espécies.



 Escrito por Marcelo às 11h04
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A greve de Dom Luiz

É lamentável que a greve de fome, um instrumento válido em situações extremadas (a prisão, por exemplo), seja banalizada por seu uso como forma de chantagem. A atitude de Dom Luiz Flávio Cappio - interrompendo a própria alimentação em protesto contra o projeto de transposição do rio São Francisco - representa, sob a capa do "heroísmo", apenas um ato eivado de egoísmo. Por que o religioso acha que sua opinião sobre o tema tem que prevalecer a qualquer preço? E, ainda: se é contrário, por que não expor tal posição através de meios democráticos, inclusive arregimentando apoios, se realmente crê que é a mesma de muitos outros. A despropositada atitude de Dom Luiz só não é pior do que os apoios oportunistas que têm aparecido, lá e cá, tanto de setores ditos de esquerda, quanto da direitona mais tradicional. Quando se trata de fazer política, parece que vale até aplaudir absurdos como esse. 



 Escrito por Marcelo às 10h41
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Mais Caio F.

"Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"

Caio Fernando Abreu



 Escrito por Marcelo às 17h38
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Dedo na garganta

"(...) Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.

Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida". Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.

É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na Cultura, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.

Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nos tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.

E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente. (...)"

Caio Fernando Abreu, em carta ao amigo Zézim, em 22 de dezembro de 1979 (com um imenso obrigado à Irena)...



 Escrito por Marcelo às 17h37
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Zé Luiz Mazziotti

Grata supresa o disco Zé Luiz Mazziotti: canções de Chico Buarque. Lançado pela Dabliú, o cd não é fácil de achar, mas reserva boas surpresas para os insistentes (como eu), que batalham loja a loja atrás dele. O timbre da voz do Mazziotti lembra um pouco o de Danilo Caymmi e afina-se perfeitamente com as músicas do Chico. O cantor interpreta com delicadeza e grande apuro técnico, mas não abdicar em nenhum momento da emoção (e aqui marca uma diferença com relação às Mônicas Salmasos dessa vida). No repertório, há desde sucessos absolutos, como Vitrines, até trabalhos menos conhecidos, caso de Mulher, vou dizer o quanto te amo, numa seleção que abarca quase 20 anos da carreira do compositor. Acompanhando Mazziotti, estão Marcus Teixeira (guitarra e direção musical), Fábio Torres (piano), Keco Brandão (teclados), Paulo Paulelli (baixo) e Celso de Almeida (bateria). Meu destaque no cd fica por conta de Dis-moi comment, versão que o próprio Chico escreveu em 1994 para Eu te amo e que foi apresentada pela primeira e única vez pelo autor num show no Olympia em Paris.

"Dis-moi comment"

Tom Jobim / Chico Buarque (inclusive versão)

"Ah, si nous ne savons plus quelle heure il est
Si c'est mardi, si c'est le mois de mai
Alors dis-moi comment je dois partir

Si pour t'approcher
J'ai parcouru des routes dérobées
Les ponts derrière moi je les ai tous coupés
Où désormais pourrai-je revenir

Si nous, dans le ballet de nos nuits éternelles
Avons mêlé nos jambes, dis-moi quelles
Seront les jambes qu'iront me conduire

Si c'est dans ma peau que tu prends ta chaleur
Si dans le charivari de ton coeur
Mon sang s'est égaré, trompé de veine

Si dans le désordre de ta garde-robe
Voilà ma veste qui embrasse ta robe
Et mes chaussures qui se posent sur les tiennes

Si on ne connaît pas le mot de la fin
Si dans mes mains je garde encore tes seins
Avec quel masque puis-je m'en sortir

Non, tu ne peux pas rester là, l'air de rien
Je t'ai donné mes yeux, tu le sais bien
Alors dis-moi comment je dois partir"



 Escrito por Marcelo às 10h59
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Justiça Desportiva

Fiquei pasmo com a aprovação dos coleguinhas à decisão do presidente do STJD, Luiz Zveiter, de anular todos os jogos arbitrados pelo ladrãozinho Edílson Pereira de Carvalho, atingindo inclusive as partidas em que os resultados flagrantemente não sofreram influência da atuação do juiz. A meu ver, foi uma posição esdrúxula, a do Tribunal. Mas pior do que ela, só a declaração do mesmo Zveiter, publicada hoje nos jornais:

- Não existe nenhuma chance de inverter (a decisão), a não sr que me provem que o Edílson não é ladrão, que não fez o que fez.

Em meus 13 anos de trabalho na OAB, sempre ouvi dizer que o ônus da prova cabe ao acusador... 



 Escrito por Marcelo às 10h51
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O No Mínimo anda tão conservador...

Sabe aquelas pessoas que batem no peito, vangloriando-se de não ter telefone celular? Ou de não saber enviar e-maila? Falo de uma espécie estranha de orgulho que também acomete alguns que, vindos do subúrbio, crêem que sua origem é desde já um salvo-conduto, ou uma justificativa imediata para qualquer insucesso (e vejam bem: nasci em Madureira, bairro que trago no coração). Pois bem: há poucos dias esse orgulho enviezado foi declarado em artigo pelo Mário Sérgio Conti, colunista do site No Mínimo. Num texto que parte dos blogs - que ele parece só ter conhecido ao retornar ao Brasil, após alguns anos na França (bom, talvez lá não haja internet, não é?) - para analisar outros instrumentos que a tecnologia nos trouxe, Conti transborda de satisfação ao promover primárias generalizações sob a capa de suas frases de efeito. Trata-se de um ataque tão ferino, quanto inócuo, que se estende aos celulares e até mesmo à grafia da palavra 'e-mail'. Pobre No Mínimo: depois do artigo boboca do Antonio Fernando Borges contra os novos escritores, mais uma vez um de seus colaboradores joga uma bola fora. Haja nostalgia vazia! Leia o texto do Conti aqui. Abaixo, um pequeno trecho:

"Um amigo me convidou para fazer um blog. Perguntei o que era um blog. Ele explicou e não entendi direito. Me deu alguns endereços. Fui a eles e fui a outros, franceses e americanos. Fiquei horrorizado. Meio sem graça, disse ao colega que blog não era a minha. Não saberia fazer um porque o que menos quero na vida é ficar ligado em permanência num fluxo alucinado de verborragia. Mas meu horror não vem só disso. O que há nesses blogs de exibicionismo, de violência verbal, de opinionismo sem fundamento, de gratuidade, numa palavra, de asneira, é algo assustador. Chega a ser pior que ter cinqüenta canais na televisão. Uma amiga matou a charada: na internet, blogs são quase tão ruins quanto pornografia pedófila (...)."



 Escrito por Marcelo às 11h48
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O mau jornalismo da Veja

O espanto aconteceu no sábado, logo ao receber em casa a revista, mas a cada vez que me deparo novamente com a capa da Veja desta semana, há um novo susto. Independentemente da posição de cada um no referendo sobre o desarmamento (e a minha - adianto - é a favor), como uma publicação que se diz "jornalística" trazer como matéria principal 7 razões para votar não - A proibição vai desarmar a população e fortalecer o arsenal dos bandidos? Repito: nem entro no fato de o agumento ser primário sobre qualquer ponto-de-vista. O que me deixa realmente embasbacado é a negação do princípio mais salutar do bom jornalismo: ouvir os dois lados. Mesmo numa revista opinativa, negar isso é negar a própria essência de seu ofício. Ou daquele que deveria ser o seu ofício. 



 Escrito por Marcelo às 11h28
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A feira do Moa

 

Depois do debate na Livraria Leonardo da Vinci (ver post abaixo), a esticada será para o Teatro Odisséia, onde será lançado o filme que o cineasta Hugo Moss fez sobre a feira do Moacyr Luz. Para quem não sabe, o cantor e compositor mantém uma barraca na feira da Muda, onde vários amigos se encontram às sextas para iniciar os trabalhos etílicos do fim-de-semana. Após a exibição do filme, haverá roda de samba e som do dj Zé Octavio. 



 Escrito por Marcelo às 10h37
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Encontros no subsolo

Espero vocês lá na próxima quarta, às 18h30! 



 Escrito por Marcelo às 10h35
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F.

"Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos".

Miguel Esteves Cardoso



 Escrito por Marcelo às 10h14
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Pitacos sobre Floripanópolis

Meu primeiro erro notei logo ao desembarcar em Florianópolis: havia levado pouco casaco para o frio que fazia na cidade. E a conseqüência deste equívoco inicial perduraria pelos outros dias de estada, sob a forma de uma gripe insistente. Mas não foi em razão disso - nem da chuva que praticamente impediu que desfrutássemos na bela praia em frente ao hotel - que Florianópolis foi, para mim, uma decepção. É que minha relação com as cidades em geral passa por um elemento subjetivo que é a alma que elas porventura têm. E falta alma à capital catarinense.

Sim, são simpáticos os habitantes locais. Sim, é bonito o entorno da Avenida Beira-Mar, embora os prédios e as auto-pistas me remetam às pósmodernices tão espelhadas quanto vazias de uma Barra que conheço bem. Apesar dessa simpatia e dessa beleza, Floripanópolis me parece não ter desenvolvido aqueles misteriosos traços de personalidade que uma cidade ser única na beleza ou no casos (ou ainda em ambos, como o nosso Rio). Além de tudo, desconfio de lugares aonde não se lêem jornais.

Preciso dar outra chance à Floripanópolis, bem sei. Mas até lá não a chamo mais de "Floripa". Esta intimidade não conseguimos - eu e ela, a cidade - desenvolver não. 



 Escrito por Marcelo às 10h10
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UOL
 
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