Debate no Sesc Flamengo

No próximo domingo, às 17h, o Sesc Flamengo vai exibir gratuitamente o interessante 'Swimming pool', de Fraçois Ozon. Após o filme, haverá debate com o crítico Ricardo Cota e com este que (ainda sem estar 100%) vos escreve. A retirada das senhas começa uma hora antes.

P.S. Escrever de café virtual é uma droga. É por isso que não tem imagem aqui. Estou com o laptop quebrado, além de tudo. Fase braba, que há de passar...

 Escrito por Marcelo às 15h18
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Recesso

Amigos, o recesso por esses dias resulta de uma amigdalite barra pesadíssima que anda me deixando derrubado há dias. Mas eu volto. E ainda esta semana...

 Escrito por Marcelo às 11h46
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Livro místico

"Elegia"

Caetano Veloso*

"Deixa que minha mão errante adentre
Atrás, na frente
Em cima, em baixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa,
Meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo,
Nudez total: todo prazer provém do corpo
Como a alma sem corpo, sem vestes
Como encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la

Eu sou um que sabe..."


* Letra baseada em poema de John Done... Post inspirado em F., o livro que a cada dia mais encanto-me em ler...



 Escrito por Marcelo às 10h29
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Poesia, simplesmente

"Até quando
sementes
estaremos entregues
a este passar sobre a terra
exausta de nos esperar?

Até quando havemos de sonhar
ser flor e fruto
e não a dor infinita da morte
do teu olhar?"

Cruzeiro Seixas


P.S. Grande dica, amigo Absorto...



 Escrito por Marcelo às 09h56
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Lembranças (e saudades) da estrada

"Nuvem cigana"

Lô Borges / Marcio Borges

"Se você quiser eu danço com você no pó da estrada
Pó, poeira, ventania
Se você soltar o pé na estrada, pó, poeira
Eu danço com você o que você dançar

Se você deixar o sol bater nos seus cabelos verdes
Sol, sereno, ouro e prata
Sai e vem comigo
Sol, semente, madrugada
Eu vivo em qualquer parte do seu coração

Se você quiser eu danço com você
Meu nome é nuvem,   pó, poeira, movimento
O meu nome é nuvem
Ventania, flor de vento,
Eu vivo em qualquer parte do seu coração

Se você deixar o coração bater sem medo
Se você deixar o coração bater...."



 Escrito por Marcelo às 11h06
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Um ano do Bar Getúlio

O Bar Getúlio completará um ano de existência em agosto próximo e o mês será cheio de comemorações, como me informou o promoter Baiano ontem à noite. Às segunas-feiras, haverá rodas de choro, reunindo gente do calibre de Zé Paulo Becker e Paulão 7 Cordas. Às terças, será a vez das rodas de bate-papo mediadas pelo próprio Baiano. Entre os temas em pauta, estão O bar e os atores, com Antonio Pedro e Stephan Nercessian, e Ser dono de bar, com Alfredinho do Bip Bip e outros proprietários de botecos. No dia 23, o debate vai girar em torno de O bar e os jornalistas, e a mesa será composta por Sérgio Cabral, pelos amigos Marceu Vieira, Hugo Sukman, Álvaro Costa e Silva (o "Marechal), João "Janjão" Pimentel, e por este que vos escreve. A programação inclui ainda ainda um sarau de poesias (com Mariozinho Lago e Elisa Lucinda), a leitura dramatizada da carta de despedida do ex-presidente Getúlio e um show com Moacyr Luz e Luiz Carlos da Vila. Tudo de graça.



 Escrito por Marcelo às 10h37
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Relembrando João

Acabo de chegar de mais um encontro na casa do Moacyr Luz, regado a cerveja e brindado pelas comidinhas da "baixa gastronomia" que são especialidade da casa. Dessa vez, jiló temperado, beringela com alecrim, pimenta do reino e aliche, pescadinha com geléia de pimenta e carne seca à campanha. Além do papo de primeira, valorizado pela companhia do amigo Christiano Menezes, e da audição, em primeira mão, do novo disco do artista, ficou a certeza de que o resultado final do livro em que estamos trabalhando vai ficar bacana.

Entre os tantos capítulos emocionantes desta breve tarde quase noite, o clímax foi, com certeza, as fotos mostradas pelo Moa. Folheando velhos álbuns, ele, emocionado, relembrou amigos. Ao saudar o grande João Nogueira, um silêncio então se fez na sala. E, com as lágrimas ameaçando pular dos olhos, Moacyr cantou a bela Albatrozes. Fiquei mudo. Uma mudez que domina quem não tem nada a falar. E nem deve.

Para minha linda F.:

"Albatrozes"

João Nogueira

"Eu quero ter a liberdade

De um bando de albatrozes

Eu quero ouvir meu canto na cidade

Multiplicado em muitas vozes

Eu quero ver o sol morrendo

De trás de uma noite nua

E o teu amor correndo na rua

Eu quero ver a juventude

A se integrar o com o povo

Eu quero que o mundo volte

Pra eu ser guri de novo

Eu quero o cheiro dessa mata

E ver no céu todo esse azul

Eu quero ouvir os cantos tristes

Da minha América do Sul

E quero depois de um desejo

O beijo puro da manhã

Te enredar nos braços e dizer

Te amo"



 Escrito por Marcelo às 18h00
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Repúdio

Queria aproveitar este modesto espaço também para repudiar a matéria grosseira que a Veja, através do repórter JerônimoTeixeira, publicou em sua última edição. No texto, o jornalista valeu-se de uma verdadeira profusão de adjetivos (a maioria deles gratuitos) para atacar os escritores Marcelino Freire e João Filho. É normal que se tenha críticas (estéticas) em relação ao trabalho que desenvolvem - eu mesmo as tenho. É inadmissível, porém, utilizar uma revista de enorme circulação nacional para promover pequenas e medíocres vinganças pessoais, erigidas com base num sarcasmo a la Diogo Mainardi, ou seja, sem nada por dentro.

Minha solidariedade ao Marcelino e ao João.



 Escrito por Marcelo às 10h02
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Cadeia de vento

"Ignoro o dia de hoje.
Correria urgindo liberdade,
Mas não consigo me apagar de mim.

Quebrassem os relógios do mundo
Inexistisse tempo-espaço

Inda assim haveria tiquetaquear intenso
Ruflando no peito como asa de beija-flor."

O poema acima é da Diana de Hollanda, a quem conheci por intermédio do amigo Flávio Izhaki. A moça escreve prosa também e vai participar de um projeto que desenvolvo atualmente (e sobre o qual brevemente darei mais detalhes). É dela também o blog Candeia de vento, que apresenta sobretudo textos de ficção. O link estréia hoje no Pentimento.



 Escrito por Marcelo às 09h37
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Novos links

Três novos links estréiam aqui no Pentimento hoje: Andréa Del Fuego e Ronize Aline, das escritoras homônimas, e Doidivana, da Ivana Arruda Leite.



 Escrito por Marcelo às 13h13
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Inconscientes

Ao entrar no cinema, imaginava que iria assistir a um drama com toques de humor. No entanto, o filme Insconscientes, de Joaquín Oristrell, é na verdade uma comédia de rara inteligência, que satiriza a Psicanálise e a confusão que as teorias de Sigmund Freud provocaram em meio à intelectualidade européia no início do século 20. O roteiro esperto engendra uma trama de mistério a la Sherlock Holmes e está repleto de tiradas espirituosas. Fica aqui a dica.



 Escrito por Marcelo às 11h35
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Mia Couto

"Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer"

Mia Couto



 Escrito por Marcelo às 11h18
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Trilha-sonora da viagem

No sábado, dirigindo rumo a Paracambi, pude relembrar as canções desse disco tão querido e que andava esquecido em meio aos meus cds. Ao lado do clássico Clube da esquina, foi Lloyd Cole que fez companhia a mim e a F. durante a viagem. Uma viagem leve, singela e ratificadora, para nossa alegria.

"Jennifer she said"

Lloyd Cole

"Jennifer we can't go wrong let's put it in writing
Jennifer we can't go wrong let's do it right now
maybe you were a little hasty
but they say love is blind
now her name on you
Jennifer in blue
did you ever have a bad dream wake up and it not stop?
did you ever feel for a girl for a time and then stop?
well it's written there in blue
with a heart and arrow through
her name on you
Jennifer in blue
and forever you said that's forever you said yes forever
and forever she said that's forever she said yes forever
but you change with the weather
you change with the weather
and this is the rain"



 Escrito por Marcelo às 10h57
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TV Literal

Durante a Flip, a TV Literal (do Portal Literal) entrevistou vários dos pesos-pesados que passaram por Paraty, entre eles Salman Rushdie, Ariano Suassuna, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura, Luiz Alfredo Garcia-Roza e Paulo Henriques Britto. O pessoal da raia-miúda - como eu, Cuenca e Marcelino - também deu os seus depoimentos sobre a festa. Vocês pode conferir tudo isto aqui



 Escrito por Marcelo às 10h34
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Ouvindo, com o Tom, no show de Minas

"Estrada do sol"

Tom Jobim / Dolores Duran

"É de manhã
Vem o sol mas os pingos da chuva que ontem caiu
Ainda estão a brilhar
Ainda estão a dançar
Ao vento alegre
Que me traz esta canção
É de manhã vem o sol
Mas os pingos da chuva que ontem caiu
Ainda estão a brilhar
Ainda estão a dançar
Ao vento alegre
Que me traz esta canção
Quero que você me dê a mão
Vamos sair por aí
Sem pensar no que foi que sonhei
Que chorei, que sofri
Pois a nossa manhã
Já me fez esquecer
Me dê a mão vamos sair pra ver o sol..."



 Escrito por Marcelo às 10h12
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Eugénio

 

"Colhe
todo o oiro do dia

na haste mais alta
da melancolia."

 

Eugénio de Andrade



 Escrito por Marcelo às 10h33
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Da extraordinária beleza das coisas simples

"Mais simples" *

José Miguel Wisnik

"É sobre-humano amar
'Cê sabe muito bem
É sobre-humano amar sentir doer
Gozar, ser feliz
Vê que sou eu quem te diz
Não fique triste assim
É soberano e está em ti querer até
Muito mais

A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples

Mas deixa tudo e me chama
Eu gosto de te ter
Como se já não fosse a coisa mais
Humana
Esquecer
É sobre-humano viver
E como não seria?
Sinto que fiz esta canção em parceria
Com você

A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples"


* Com Eveline Hecker...



 Escrito por Marcelo às 10h30
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Diálogo

"Miguilim não sabia muitas coisas.

- Mãe, a gente então nunca vai poder ver o mar, nunca?

Ela glosava que quem-sabe não, iam não, sempre, por pobreza de longe.

- A gente não vai, Miguilim - o Dito afirmou - Acho que nunca! A gente é no sertão. Então por que é que você indaga?

- Nada, não, Dito. Mas às vezes eu queria avistar o mar, só para não ter uma tristeza...


Guimarães Rosa, em "Manuelzão e Miguilim"...



 Escrito por Marcelo às 10h09
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Para F.

"O que for simples"

Vasco Gato

Quero de ti o que for simples
um aceno um postal
o teu nome numa concha

Ter apenas isto:
um banco de jardim
onde te esperar
e esperar"



 Escrito por Marcelo às 09h51
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Avenida Brasil

É nada menos do que sensacional o blog Avenida Brasil, que traz informações de bastidores e faz hilárias gozações com os erros e as bobagens veiculadas atualmente pelo Jornal do Brasil. Quem assina os posts são grandes jornalistas que passaram pela publicação, como João Saldanha, Carlos Castello Branco e Lena Frias (claro que se trata de pseudônimos bem humorados). Até a Condessa dá as caras por lá. Confiram - e morram de rir - aqui.



 Escrito por Marcelo às 16h13
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Oficina com a Adriana

Aqueles que, como eu, são fãs da escritura lírica da Adriana Lisboa terão uma ótima oportunidade a partir do dia 9 de agosto. É que começa neste data uma oficina de criação literária comandada pela autora, e que vai girar em torno da construção do romance. Serão discutidas estratégias de construção de personagem, estruturação de enredo e composição de narrador, a partir de exercícios de escrita e da leitura de textos ficcionais, teóricos e críticos. As aulas acontecerão às terças-feiras, das 19h30 às 21h30, na Estação das Letras do Flamengo. Informações, pelo telefone 3237-3947.



 Escrito por Marcelo às 10h58
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João Sem Medo

Hoje faz 15 anos que ele morreu - e o futebol ficou mais burro.



 Escrito por Marcelo às 11h15
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Bicudos de volta

A partir de hoje e em todas as terças o mês de julho, os amigos Pepê Malta e Alfredão Del Penho estarão reencenando "os dois bicudos" na Sala dos Archeiros do Paço Imperial. No espetáculo, assim como no disco homônimo, os dois revivem em repertório e estilo as grandes duplas do samba, defendendo canções de bambas como Cartola, Aluísio Dias, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa e Wilson Batista. Os shows serão às 19h, com retirada de senhas uma hora antes. Já vi (duas vezes!) e recomendo.



 Escrito por Marcelo às 10h30
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Missivas

Promete ser bem bacana o ciclo de leituras Cartas do mundo, que o Centro Cultural dos Correios e a Estação das Letras irão promover entre os dias 19 e 24 deste mês, sempre às 18h30, com entrada franca. A proposta do evento é ler e debater a vida e a obra de grandes personalidades através de suas missivas. As atividades começam no dia 19, com as inquitações e o cotidiano de Wolfgang Amadeus Mozart, cujos textos serão lidos pelo ator Daniel Dantas e pelo comentados pelo crítico Ricardo Cravo Albim. Segue o restante da programação:

Dia 20 – Mário de Andrade, por Affonso Romano de Sant’Anna e Ohton Bastos

Dia 21 – Nise da Silveita, por Marco Lucchesi e Letícia Sabatella

Dia 22 – Simone de Beauvoir, por Marina Colasanti e Zezé Polessa

Dia 24 – Paulo Freire, por Regina e Assis e Michel Melamed

Dia 24 – Cacique Seattle, por Cláudio Heinrich e André Trigueiro



 Escrito por Marcelo às 10h16
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Literatura policial

Para quem gosta do gênero:

Debate com Flávio Moreira da Costa e com italiano Marcelo Fois, que esteve na Flip. Mediação do jornalista Rodrigo Fonseca. Amanhã, às 18h, no Instituto Italiano de Cultura (Av. Presidente Antonio Carlos, 40 - 4º andar - Centro)



 Escrito por Marcelo às 17h51
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Síntese

"O melhor de um evento literário são pessoas com cheiro de páginas novas".

Crib Tanaka, sobre nossos encontros na Flip 



 Escrito por Marcelo às 17h33
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Pitacos sobre a Flip

   

  

. No primeiro dia, os destaques foram a carne assada com molho de ferrugem que eu e HR , mas sobretudo o show do Paulinho da Viola. Mais falante do que o habitual, Paulinho abriu os trabalhos com a canção que mais me emociona – Para ver as meninas – e, a partir daí, passeou pelas muitas pérolas que criou ao longo da carreira. Foi ótimo ouvir Nervos de aço, do grande Lupiscínio, na voz elegante do cantor, exatamente um dia após ser acordado pela lamentável interpretação da mesma música por Bob Jefferson, no programa do Jô. A cena mais bacana do espetáculo, porém, deu-se fora da tenda - que neste ano não era totalmente fechada, permitindo que mesmo aqueles que não tinham ingresso assistissem ao show e aos debates no telão. Paulinho cantava os existencialistas versos "não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar" quando a chuva que já caía forte resolveu desabar de vez. Ao olhar para a praça, flagrei então a imagem mais tocante da Flip 2005: dezenas de guarda-chuvas, de várias cores e tamanhos, bailavam levemente, ao som do Paulinho. Foi de marejar os olhos e de pensar que, apesar dos Bobs Jeffersons que nos cercam, a vida "é bonita, é bonita e é bonita";

. Foi neste dia também que fizeram minha foto, digamos, "ao lado" do Dom Quixote de La Mancha. Nuca imaginei que fosse ser publicada, mas já dei boas risadas com isso. Afinal, como confessei à F. numa das noites após algumas cervejinhas: "Eu adoro Dom Quixote, mas agora prefiro o cavalo" (rs);

. Quinta foi o dia do debate sobre A força do romance, com Beatriz Bracher, Cristóvão Tezza e a ótima surpresa que se revelou o português José Luiz Peixoto. O autor luso, que acaba de lançar no Brasil o livro Nenhum olhar, não só desdenhou do debate sobre "o fim do romance" – "Não é o romance que está moribundo, é esta discussão" -, como apresentou uma interessante visão a respeito da infinita permanência do gênero. "Falar do fim do romance seria como falar do fim do mundo. Às vezes pode parecer que está a terminar, mas segue firme", afirmou ele;

. A mesa sobre Clarice foi uma decepção. Benedito Nunes limitou-se a ler um texto demasiadamente acadêmico para um painel da Flip. Vila Arêas falou apenas sobre seu livro. E Mariana Colasanti foi constrangedora: centrou sua fala num relato minucioso (e vazio) sobre um jantar que promoveu para a escritora em sua casa, há alguns anos. Dando contornos ainda mais fortes ao "mito", Marina parecia deslumbrada ao comentar sobre a roupa que Clarice vestia na ocasião, ou ao compará-la à Cleópatra. Tive vontade de sair no meio do painel;

. Quinta foi também o dia de chegada de F., do lançamento de Contos negreiros, do sempre simpático e mui querido Marcelino Freire, e do show dessa verdadeira força da natureza que é a cantora Fabiana Cozza. O Bar Che (que mais parece um consulado de Cuba em Paraty) ficou lotado para ver a Fabiana interpretar, a seu jeito teatral (no bom sentido), canções de Wilson das Neves, Paulo César Pinheiro, Silas de Oliveira e Mano Décio, entre outros. Confirmando o que eu já conferira no Bip Bip, ficou a pergunta sobre a razão pela qual ela ainda não estourou aqui pelas searas cariocas;

. Do show, fomos todos para a festa que a Casa da Palavra ofereceu em homenagem à Flip e ao escritor Gonçalo Tavares. Cerveja Itaipava, cachaça local, gente bacana e ótima música deram o tom do evento, no qual brilhou nosso amigo Henrique Rodrigues, que, além de praticamente tomar para si a pista de dança, nos mostrou sua versão-paródia da canção Jesus Cristo, clássico do Rei;

. Na sexta, mais debate – com Roberto Schwarz e Beatriz Sarlo (ótima presença!) e o delicioso almoço a dois num bistrô tão discreto quanto sensacional. O pequeno restaurante é de um simpaticíssimo francês especialista em crepes, que veio da Cotê D’Azur para o Brasil. Provei o de tiras de filet com mostarda da Provence (um espetáculo!). F. também adorou o dela. O bistrô fica em frente ao Teatro. Deixamos desde já aqui a sugestão aos amigos;

. À noite, cansados demais e agasalhados de menos, prestigiamos o show da Luciane Menezes com o Pau da Braúna, produzido pelo querido Lefê Almeida no Casarão dos Arcos. Conclui que não adianta mesmo: gosto é de samba. Cocos, cirandas, afoxés e assemelhados agüento no máximo 40 minutos;

. Foi bom (re) encontrar o gente-boa Nelson de Oliveira lá no Casarão;

. No sábado conferi o quentíssimo debate entre MV Bill (grata surpresa, apesar do discurso por vezes contraditório), Luiz Eduardo Soares (espetacular, como de hábito) e Arnaldo Jabor (provocador no tom certo), que, sem dúvida, foi o mais interessante entre os que vi na Flip 2005. Luiz Eduardo expôs uma visão clara e refinada sobre o atual quadro de violência e foi muito feliz ao propor acima de tudo "humildade". "Minha geração tinha respostas prontas para tudo, mas a dúvida que nos acomete agora deve ser louvada, porque comprova que tudo é muito mais complexo do que julgávamos", disse ele, numa auto-crítica necessária. Ao defender conquistas do governo Fernando Henrique, Jabor foi vaiado e aplaudido em proporções semelhantes. Eu aplaudi, principalmente quando ele, numa crítica direta à "ocupação" do Estado a partir do viés meramente partidário, ironizou: "Colocaram gente no Instituto do Câncer, por exemplo, para saber se o tumor é de direita ou de esquerda...";

. Ainda neste dia, fui solidário à F., assistindo ao debate sobre a Literatura Policial, no qual quem sobressaiu foi Luiz Alfredo Garcia Roza. Isto apesar do emocionante momento em que, ao lembrar de sua Cuba natal, para a qual não pode retornar, José Latour caiu em choro compulsivo;

. No sábado, rolou ainda um almoço em grupo num restaurante italiano de ótima massa e vinho ruim, risadas e mais risadas com os trocadilhos do HR, sensacionais papos sobre literatura e bobagens com os amigos que lá estiveram e, principalmente, instantes únicos com a minha F., em nossa primeira (e desde já inesquecível) viagem juntos;

. Compras? Dois livros das Edições K e Escritos, reunião de textos dispersos da Clarice;

. Dá vontade de voltar para lá, mas é vida que segue, né? Ano que vem tem mais!


P.S. As fotos acima: primeiro dia de debates, Marcelino e Fabiana Cozza, HR, Cuenca e eu, eu e F., a cidade tomada pela maré alta e os bonecos que estavam espalhados pelas ruas (neste caso, Rapunzel e seu "pretendente"...)



 Escrito por Marcelo às 11h36
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Flip

Não, não é preguiça, nem falta de vontade de escrever (muito pelo contrário!); é trabalho mesmo. Tive que correr e adiantar tudo (reportagens, copidesques, edições...) para poder estar em Paraty já na abertura da Flip, ouvindo mestre Paulinho da Viola cantar seus mares, suas dores e a inexplicável beleza que a vida guarda em sua simplicidade aparente. Pois bem: amanhã, escudado pelo amigo Henrique Rodrigues, seguirei para aquela cidade tão querida e que costuma me soprar segredos através de suas ruas disformes, de seu casario colonial, do clima peculiaríssimo que paira em seu ar. Cidade onde eu também já tenho história. F. chega na quinta, com mais gente querida, para oferecer brilhos ainda mais novos à paisagem. Estaremos todos entre a literatura e os amigos. Lugar melhor não há.

Na medida do (im) possível, atualizarei o blog, contando o que rola por lá. Dito isso, "inté"!



 Escrito por Marcelo às 14h51
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É amanhã!



 Escrito por Marcelo às 13h35
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Escritores-jornalistas

Acaba de sair o novo livro da jornalista Cristiane Costa, ex-editora do Idéias (Jornal do Brasil) e que hoje está à frente do Portal Literal e da revista Nossa História. Em Pena de aluguel, adaptação de sua tese de doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, Cris tenta responder nos tempos de hoje uma pergunta feita por João do Rio em 1904: a atividade jornalística atrapalha ou ajuda quem queira se dedicar à literatura? Na época, a questão foi comentada por medalhões como Olavo Bilac. Passando por ele e por outros que se dedicaram a jornais e livros, como Lima Barreto, Graciliano Ramos, Oswald de Andrade, Nelson Rodrigues e Caio Fernando Abreu, a autora esquadrinha a enquete proposta no início do século e abre novas perspectivas ao entrevistar 33 escritores-jornalistas que despontaram após os anos 90. Entre eles, Arthur Dapieve, Arnaldo Bloch, Heloisa Seixas, Cinthia Moscovich, Luciano Trigo, Marcelo Coelho, Michel Laub, Paulo Roberto Pires e este que vos escreve. Complementando o livro, há uma home-page, que traz a íntegra dessas de todas essas entrevistas. Confira aqui.



 Escrito por Marcelo às 10h09
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Nilze no "Palco MPB"

Na próxima terça, a querida Nilze Carvalho vai estrelar o programa Palco MPB, na Rádio MPB FM. O roteiro do show inclui, além de um bate-papo sobre a carreira e o disco solo de estréia, sambas próprios, de Wilson das Neves, Délcio Carvalho e Dona Ivone Lara. Quem quiser concorrer a convites para assistir ao programa ao vivo, deve ligar para o 2509-4790.



 Escrito por Marcelo às 09h43
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