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Cena de carnaval

(...) Talvez por fingimento, talvez simples desinteresse, permanecia sentada naquele banco, estátua viva, a limpar vez por outra com a parte posterior da mão o suor que descia pela face. Tirara o chapéu, o calor era forte de fato. Mas ele não atinava para isso. Então levantou-se novamente e decidiu que, se não beijaria alguém até a manhãzinha, ficaria a dançar, com os mesmos dedos em riste, abraçando desconhecidos como se fossem antiqüíssimos amigos, e apostaria os últimos trocados na derradeira caipira.
No ar, além daquele bombardeio eventual de olhares, havia confetes, e vez por outra uma serpentina cortava o salão como um arco íris apressado, que surge com a chuva ainda a desabar. Uma das fitas coloridas atravessou o lugar, esbarrou no teto e foi descer justo em cima dela. A ponta da serpentina prendeu na aba do chapéu e se colou no rosto úmido. Foi neste instante, depois de se esquecer da existência da menina que o ignorara, que ele voltou a mirá-la e sentiu o cansaço. Decidiu caminhar por entre o emaranhado de corpos que se mexiam e se sentar também. Em segundos estava, então, ao lado dela.
O suor aumentara, em razão da dança e também estimulado pelo nervoso que o abateu ao encostar com o antebraço nos ombros da menina. Ela rapidamente chegou-se um pouco para o lado, deixando-o ainda mais desconfortável. Seria nojo de seu corpo suado ? Seria maneira de impedir um diálogo qualquer? Seria simplesmente o quê?
Aqueles minutos ali, lado a lado, pareceram-lhe eternos: ele olhava para o salão onde as pessoas dançavam, ou para a sacada do varandão, mas não era capaz de virar o pescoço em direção a ela, com medo de um cruzar de espreitas que imediatamente o abateria, o faria perder de modo instantâneo todas as forças do corpo, toda a vitalidade, multiplicando aquele suor e transformando-o numa pequena e rasa poça d’água, ameaçada tanto por sóis abrasadores, quanto pelo simples passar do tempo que faz evaporar as coisas. No entanto, ele não pôde evitar quando em meio à música, aos gritos do salão e a toda a algazarra local uma voz fina como um alfinete penetrou vagarosamente em seu ouvido esquerdo.
"Você pode me informar as horas?".
Era como se os lábios dela espetassem sutilmente a sua orelha e um arrepio frio subiu pela coluna, fazendo do calor que sentia um frio súbito. Ele não tinha como responder sem tocar com os olhos naqueles olhos assustadores e pensava nisso quando mais uma vez a voz, agora mais altiva, afagou seus ouvidos.
"Desculpe, mas você pode me dizer as horas?"
Ao ouvir de novo a pergunta, ele saiu daquele transe de sofreguidão e prazer, ergueu lentamente o braço, pôs os olhos no relógio e respondeu, num balbucio:
"Três e meia".
"Hã?", disse ela. "Não ouvi, desculpe. Você pode repetir?"
Ele procurara evitar aquele esbarrar de instintos de fim de baile, mas não havia jeito. Mirou novamente o relógio, virou-se para ela e, antes que pudesse falar enfim que números marcavam as horas naquele instante, quase tremeu com a brisa de olhar lançado em sua direção. Se antes o rosto empinava uma vaidade solitária, agora tinha a expressão de quem recebe girassóis pela manhã e os oferece generosamente ao primeiro que chega. Ela trazia uma lua amarelada no lugar dos olhos, uns olhos mendigos, de quem quer salvação sem ter pecado.
Que conversa poderiam então travar aqueles dois pobres diabos? Que palavras seriam capazes de estender aqueles desejos e essa história, sem recair em redundância das mais reles? A noite terminou sem o dizer das horas, mas com mãos entrelaçadas e toques, tão sedutores quanto o simples e imaginário encostar entre lábios e orelhas que houvera logo antes. (...)
Trecho do conto Dos ventos que sopram, que está no meu livro Memória dos barcos (7Letras/2001)
Escrito por Marcelo às 17h10
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Mais Hilda

"Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo: Como quem come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro"
Hilda Hilst
P.S. Fiz a foto acima numa tarde do outono passado, no Parque Lage...
Escrito por Marcelo às 13h27
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Mais um bloco de coleguinhas
Por falar em botar o bloco na rua, hoje vai rolar o Devotos da Madá, que reúne os coleguinhas do jornal O Dia. A concentração está marcada para 21h, em frente ao bar Mangue Seco, na Rua do Lavradio. O convite foi feito pela Olívia e eu estarei lá!
Escrito por Marcelo às 13h03
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Sérgio Sampaio

"Eu quero é botar meu bloco na rua"
Sérgio Sampaio
"Há quem diga que eu dormi de touca Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga Que eu caí do galho e que não vi saída Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada Que eu não sou de nada e não peço desculpas Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira E que Durango Kid quase me pegou
Eu, por mim, queria isso e aquilo Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso É disso que eu preciso ou não é nada disso Eu quero todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua Brincar, botar pra gemer Eu quero é botar meu bloco na rua Gingar, pra dar e vender"
Escrito por Marcelo às 12h14
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Da série 300 toques - Número 22

Vermelho
Na mesinha junto à cama, entre flores e a luminária, o porta-retrato vermelho que lhe dei. Quando dormia lá, ele me observava, estático, quase íntimo, como que à espreita. Fitava-me entre os reflexos brancos do quarto no vidro sem foto, ainda sem imaginar seu fim: guardar (para sempre?) uma espera.
Escrito por Marcelo às 12h01
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Frase

"É incrível a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer"
Caetano Veloso
Escrito por Marcelo às 11h39
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Mônica

"E amanhã, se esse chão que eu beijei For meu leito e perdão Vou saber que valeu delirar E morrer de paixão"
Foi numa noite despretensiosa no Bar do Mineiro que conheci a tal "jornalista que escrevia sobre música para a revista Bravo!". "Ávida" como sempre, assim que fomos apresentados ela me abraçou de um jeito forte, de certa forma antecipando, ainda sem saber, a firmeza de uma relação que desembocaria rapidamente naquela condição suprema do amor que é a amizade. Moniquinha é extremamente parecida comigo, em nossas dores (a ansiedade desmedida, a hiperatividade...) e em nossas delícias, quais sejam elas, já que não nos cabe falar. Não foram poucas as vezes em que - usando as palavras de outro amigo querido - "mostramos nossos corações um para o outro". E justamente quando esses corações estavam pequenininhos, recolhidos, acovardados...
Nesses momentos, até por reconhecermos no coração do outro um irmão-siamês, o simples olhar sobre o que sentíamos, em geral acompanhado daquele ombro que não raro prescinde dizeres, foi capaz de garantir a retomada do pulso natural das coisas. Até que venham novos tombos, e até que precisemos outra vez expor nossas dores mais fundas, sabendo que o simples silêncio do outro, ao nos ouvir, é um jeito de abraçar e compreender e estar junto. Porque somos mesmo corações inquietos. E que só conseguem conservar certa serenidade por saber que temos, pertinho de nós, ao alcance de um telefonema no meio da madrugada que seja, um afago absolutamente regenerador. Para nos lembrar que a vida é mesmo assim para quem mergulha nas coisas sem se preocupar com a rede lá embaixo. E pra nos certificar de que é isso mesmo o que vale - e que, como bem assinalou na canção o Abel Siva, não podemos ser devorados pelas palavras não-ditas. Então, é preciso dizê-las sempre, repeti-las se acharmos que aquela é a nossa verdade, mas sempre tendo a certeza de, caso não encontrem eco, temos um ao outro para contar.
Escrito por Marcelo às 10h47
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Pérola

"(...) o que incomoda agora é a gente ter sempre dois destinos, ou uma válvula de escape. O que desespera agora é o ontem mal resolvido, é a lembrança não apagada - a boneca precisa ser dada se quiser crescer. - E aí, já decidiu? - Decidi. E isso tudo só porque tomar decisões é muito complicado: o certo dói um vez, mas o errado dói para sempre. E jogou a loirinha sem braço no saco de coisas para dar."
(o trecho acima é dos poderosos e apaixonados posts da Pérola Simões, fã do Caio F. que começa a caminhar com as próprias pernas e já é capaz de criar pequeninos e poéticos recortes de vida como este...)
Escrito por Marcelo às 10h38
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Feminices

O Eduardo Simões (O Globo) colocou o bonequinho pra dormir. Já o Rodrigo Fonseca (JB) concedeu três estrelas. Diante de tanta indecisão, fiquei bastante interessado em ver Feminices, novo filme do boa-praça Domingos de Oliveira (o cara que eu quero ser quando crescer, com um pouco menos de uísque na carcaça, evidentemente...). Boa pedida para este dia chuvoso, não?
Escrito por Marcelo às 14h57
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Roberto Ribeiro

Depois de muito tempo sem passar lá, resolvi aproveitar o pós-almoço e visitar a barraca do Carlinhos, na Pedro Lessa. Ir no Carlinhos em geral significa gastar algum, já que o camarada tem um acervo delicioso de raridades do samba e da MPB. Só que não esperava encontrar as três preciosidades que agora felizmente fazem parte da minha discoteca: três discos do Roberto Ribeiro, nenhum dos quais lançado em cd. Um deles, de 1973 e cujo título é o próprio nome do cantor, eu simplesmente desconhecia. Segundo o Carlinhos, trata-se do primeiro trabalho solo do sambista, apresentado na contracapa por Hermínio Bello de Carvalho: "Roberto é maneiro, cheio dengues, meio esquivo e arredio - impressão que se destrói logo que a gente se aproxima de seu coração..." O disco reúne canções de Lupiscínio Rodrigues, Wilson Batista, Xangô da Mangueira e Délcio Carvalho, entre outros bambas.
Molejo, cujo ano de lançamento não pude identificar, também tem texto de apresentação, este assinado por Roberto Moura, que destaca o álbum como um momento de "volta às raízes" do cantor: "Numa época em que os intérpretes desapareceram, o puxador de samba do Império Serrano não poderia ficar cantando as agridoces crises existenciais da classe média e abandonar a vivência que trazia, de uma música popular mais pura, ligada diretamente ao tipo de cultura que o fez emergir" (meio datado e talibamba, não?). No repertório de Molejo, estão canções de seu Wilson Moreira, Zé Ketti e Monarco, além dos sambas enredo Estrela de Madureira e Os cinco bailes da história do Rio, ambos da querida verde-e-branco de Madureira.
Fecha o pacote Coisas da vida, de 1979. Lembro-me bem que este disco era um dos preferidos de meu pai, que por acaso foi amigo particular de Roberto. O pai costumava ouvi-lo no som da sala ou no carro, através de uma fita cassete com o teor do vinil gravado. Coisas da vida é um clássico, bom da primeira - Vazio (Está faltando uma coisa em mim) - à última faixa, a que lhe dá nome. Entre as duas, há delícias como Triste desventura (Monarco/José Mauro), Amor aventureiro (Mano Décio da Viola/Silas de Oliveira) e Não sei, rara incursão do cantor pela composição, em parceria com David Corrêa.
Ao lado de João Nogueira, Roberto Ribeiro é meu cantor de samba preferido. Não vejo a hora de botar os cds para girar...
Escrito por Marcelo às 13h00
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Bola de Nieve

Cubano, negro, místico, homossexual, pró-revolucionário, o pianista e cantor Bola de Nieve, ou Ignácio Villa, veio à lembrança hoje, durante um papo com a Hilda, que acaba de chegar da ilha de Fidel. Com seu piano dolente e sua voz a la Louis Armstrong, Bola de Nieve foi um sucesso em seu país nos anos 50, quando lotava casas como o tradicional bar La Bodeguita del Medio, o restaurante Monsegnor e o teatro Amadeo Roldán. Dois de seus (ótimos) discos saíram no Brasil. E Caetano Veloso gravou, no cd Fina estampa, uma das canções mais belas da lavra do cubano: Ay, amor!.
"Ay, amor!"
Ignácio Villa
"Amor, yo se que quiers llevarte mi ilusión. Amor, yo se que puedes también llevarte mi alma. Pero, ay amor, si te llevas mi alma, llévate de mí también el dolor, lleva en tí todo mi desconsuelo y también mi canción de sufrir. Ay amor, si me dejas la vida, déjame también el alma sentir; si sólo queda en mi dolor y vida, ay amor, no me dejes vivir"
Escrito por Marcelo às 11h54
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Sueli Costa

Navevando pela rede, acabei descobrindo o site da Sueli Costa, que é bem bacana. Além de informações sobre a vida e a obra da compositora - autora de pérolas como Coração ateu, Jura secreta, Cão sem dono e Medo de amar nº 2 e um tanto subvalorizada diante de suas líricas melodias - a página traz imagens e possibilita a audição de algumas canções, entre elas Dentro de mim mora um anjo, que, aliás, está na lista abaixo...
"Dentro de mim mora um anjo"
Sueli Costa / Cacaso
"Quem me vê assim cantando não sabe nada de mim dentro de mim mora um anjo que tem a boca pintada que tem as asas pintadas que tem as unhas pintadas que passa horas a fio no espelho do toucador dentro de mim mora um anjo que me sufoca de amor
Dentro de mim mora um anjo montado sobre um cavalo que ele sangra de espora ele é meu lado de dentro eu sou seu lado de fora Quem me vê assim cantando não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo que arrasta as suas medalhas e que batuca pandeiro que me prendeu nos seus laços mas que é meu prisioneiro acho que é colombina acho que é bailarina acho que é brasileiro"
Escrito por Marcelo às 11h21
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Dez músicas

Por sugestão da minha irmã-gêmea Monica Ramalho, decidi voltar às listas, começando com as 10 canções brasileiras da minha vida (a ordem é aleatória). Êta trabalho difícil é selecionar!
. Clube da esquina nº 1 (Milton Nascimento/Lô Borges/Mácrio Borges)
. Janelas abertas (Tom/Vinícius)
. Todo sentimento (Cristóvão Bastos/Chico Buarque)
. Dentro de mim mora um anjo (Sueli Costa/Cacaso)
. Para ver as meninas (Paulinho da Viola)
. O samba é meu dom (Wilson das Neves/Paulo César Pinheiro)
. Redescobrir (Gonzaguinha)
. Futuros amantes (Chico Buarque)
. Resposta ao tempo (Cristóvão Bastos/Aldir Blanc)
. Flor de ir embora (Fátima Guedes)
Escrito por Marcelo às 11h06
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"Eu não tenho filosofia, tenho sentidos"

"O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... Creio no mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar..."
Fernando Pessoa
Escrito por Marcelo às 10h42
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Vininha por Bethânia

A Biscoito Fino já está fazendo pré-vendas de um dos cds que mais prometem este ano. Refiro-me a Que falta você me faz - músicas de Vinícius de Moraes, que Maria Bethânia gravou. Estou desde já impressionado com a beleza da capa - as cores remetendo aos trabalhos de César Vilela na mítica Elenco, a foto com o Poetinha a observar uma Bethânia ainda bem menina tocando violão... As reservas do disco podem ser feitas aqui.
Escrito por Marcelo às 10h23
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Canção para hoje

"Um seqüestrador"
Francis Hime / Vinícius de Moraes / Adriana Calcanhoto
"Que verso poderia Ganhar seu amor? Que verso me traria você De onde for? Estilo caudaloso, Barroco, conservador? Ou tipo nunca visto Inaugurador?
Popular Amador Radiofônico Verso que com ou sem poesia Te daria o que você Mais desejasse ter Rimas ricas, Maluquices obscenas
Popular Amador Pragmático Verso pra te trazer Pros meus braços Um verso seqüestrador"
Escrito por Marcelo às 15h15
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No Portal e no PACC
Em tempo: o Portal Literal e o site do PACC também noticiaram o Sarau de Santa:
Portal: "Já está marcada para o dia 29 de janeiro a próxima edição do Sarau Literário de Santa Tereza, organizado pela jornalista Elis Galvão. Com temática livre, o Sarau de Santa contará com a presença dos escritores João Paulo Cuenca e Marcelo Moutinho. Haverá espaço para quem quiser levar o seu texto para ler. O evento é gratuito e começa a partir das 18h, no Bar De Carli, em Santa Tereza, no Rio. Mais informações pelo telefone 21-2221-9174."
PACC - "Acontece no dia 29 de janeiro o Sarau Literário de Santa Teresa, organizado pela jornalista Elis Galvão. A idéia é promover um encontro entre escritores e apaixonados por literatura de forma leve e alegre, com direito a bebidas e cardápio especialmente elaborado para o evento. Os convidados da próxima edição serão os escritores João Paulo Cuenca, Rosana Caiado e Marcelo Moutinho. O sarau acontecerá no terraço do bar De Carli, que tem vista para o casario do bairro. A temática dessa vez será livre, diferente do primeiro sarau, em que foram lidas correspondências de autores célebres. Os convidados e alguns membros do grupo lerão textos de sua autoria. Marcelo Moutinho já antecipou que apresentará um texto ainda inédito, que sairá na próxima edição da revista Ficções. O sarau é aberto e gratuito. Quem quiser aparecer e ler seu texto será bem-vindo."
Escrito por Marcelo às 12h14
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Hilda

"Enquanto faço o verso, tu decerto vives. Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue. Dirás que sangue é o não teres teu ouro E o poeta te diz: compra o teu tempo.
Contempla o teu viver que corre, escuta O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo. Enquanto faço o verso, tu que não me lês Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala. O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas: "Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas". Irmão do meu momento: quando eu morrer Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo: MORRE O AMOR DE UM POETA. E isso é tanto, que o teu ouro não compra, E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto."
Hilda Hilst
Escrito por Marcelo às 11h10
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Jujuba verde

Abaixo, um trecho do conto Jujuba verde, que, derrotada a timidez, será lido por mim no sarau de sábado...
Jujuba verde (Um conto suburbano)
Marcelo Moutinho
A menina, era como a chamavam. Assim, simplesmente - e com artigo definido: a menina. Na padaria, no açougue, quando passeava com a mãe, nas festinhas com prato de alumínio-peito-de-peru-maionese, na casa da vizinha Antonia, no trabalho de Dona Augusta. Até na chamada de classe o nome mudara de posição. Do R para o A. Disso, até que ela gostava. Terceira a entregar ou receber o teste, terceira a pegar a caderneta, terceira a ser liberada do exame médico... sentia-se privilegiada em alguma coisa nessa vida.
Morava num subúrbio de pipas no ar e balões cortando o céu nos meses de junho, subúrbio onde o tempo, de alguma forma, em algum ponto, estancou. O bairro era distante do centro da cidade, tão distante que parecia que tudo ia desacontecendo à medida que suas ruas se aproximavam. Na casa de sobrado, só ela e a mãe. O pai morrera quando ainda mais novinha e tornara-se tão só um marido com mil e uma qualidades (no dizer da mãe). A menina espiava-o de vez em quando na pose séria bigode-cerrado-olhar-vincando-a-testa do quadro que enfeitava a sala, ou no jeitão menos sóbrio do porta-retrato ao lado da cama de Dona Augusta. Mas lembrança mesmo, só dela, não tinha não. (...)
Escrito por Marcelo às 10h11
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Sarau de Santa no Globo
O Globo Zona Sul de hoje traz simpática matéria sobre o Sarau de Santa, organizado pela amiga Elis Galvão, e para o qual fui convidado, ao lado do Cuenca e da Rosana Caiado. O evento rolará no sábado, às 18h, no De Carli, um charmoso bistrô próximo ao Largo dos Guimarães (Rua Almirante Alexandrino, 256). Espero vocês lá! A íntegra da reportagem:
"Chance para tirar textos da gaveta"
Suzana Velasco
"Depois de duas oficinas literárias organizadas no Sesc pelo jornalista e escritor Marcelo Moutinho, os alunos decidiram continuar a troca de idéias e em dezembro surgiu o Sarau Literário de Santa Teresa, organizado pela jornalista Elis Galvão, cria dos cursos. No restaurante De Carli, próximo ao Largo dos Guimarães, a estréia foi movida pela leitura de cartas de autores célebres, como Goethe, Oscar Wilde, Clarice Lispector, Fernando Sabino e Graciliano Ramos. A partir da edição deste sábado, a idéia é criar um espaço de interlocução entre novos autores e gente que, mesmo sem ter publicado um texto, tenha os seus escritos guardados na gaveta e queira compartilhá-los. É só chegar, acomodar-se e, se quiser entrar no clima, ainda provar o cardápio preparado especialmente para as edições do sarau. — A estréia foi meio escondida, mas o pessoal das oficinas compareceu e as pessoas que estavam no bar pararam para ver. Agora queremos que o evento seja mensal, sempre com um convidado que já tenha algo publicado, com tema livre — conta Elis. Sábado, a partir das 18h, o sarau terá a participação de Moutinho, do escritor João Paulo Cuenca — que foi professor das oficinas com a escritora Adriana Lisboa — e da roteirista e escritora Rosana Caiado. Todos lerão textos de sua autoria, como o inédito “Jujuba verde”, conto de Moutinho a ser publicado na próxima edição da revista Ficções."
Escrito por Marcelo às 09h59
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"Num tempo da delicadeza..."

"Todo sentimento"
Cristóvão Bastos / Chico Buarque
"Preciso não dormir Até se consumar O tempo Da gente Preciso conduzir Um tempo de te amar Te amando devagar E urgentemente Pretendo descobrir No último momento Um tempo que refaz o que desfez Que recolhe todo o sentimento E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer Até o amor cair Doente Doente Prefiro então partir A tempo de poder A gente se desvencilhar da gente Depois de te perder Te encontro, com certeza Talvez num tempo da delicadeza Onde não diremos nada Nada aconteceu Apenas seguirei, como encantado Ao lado teu"
Escrito por Marcelo às 13h44
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Quintana

"Operação alma"
Mário Quintana
"Há os que fazem materializações...
Grande coisa! Eu faço desmaterializações.
Subjetivações de objetos.
Inclusive sorrisos,
Como aqueles que tu me deste um dia
Com o mais puro azul de teus olhos
E nunca mais nos vimos.
(na verdade a gente nunca mais se vê...).
No entanto, há muito que ele faz parte de certos estados
Do céu, de certos instantes de serena, inexplicável alegria.
Assim, como um vôo sozinho põe um gesto de adeus na paisagem,
Como uma curva de caminho, anônima,
Torna-se às vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo!"
Escrito por Marcelo às 12h25
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Ao vivo, em Minas

Ontem enfim comprei o disco Antonio Carlos Jobim em Minas ao vivo - piano e voz, que a Biscoito Fino lançou em parceria com a Jobim Music e registra um show dado pelo maestro em 1981, no Palácio das Artes (Belo Horizonte). Comprei e ouvi todo ele de uma só vez. Confesso que estava meio desconfiado quanto ao cd, principalmente em razão do repertório, repleto de canções - não obstante sua qualidade - maciçamente gravadas, casos de Desafinado, Samba de uma nota só, Eu sei que vou amar, entre outras. Só que, ao escutar o disco, saquei seu diferencial. O que temos ali é o Tom, acompanhado apenas de seu piano, cantando, tocando e contando coisas num clima tão intimista que a gente chega a pensar que ele está ao nosso lado. Meus destaques no cd ficam por conta de Eu não existo sem você, Falando de amor, Retrato em branco e preto, mas, principalmente, Eu preciso de você e Por causa de você. Na primeira, parceria com Aloysio de Oliveira, o maestro começa a canção ("Como o sol precisa de um poente / Eu preciso de você, só de você") arrancando otimismo da melodia, para na estrofe doída ("Só você não sabe a solidão / De tão imensa é uma doença") desacelerar o ritmo, esticando as notas e os versos num lamento bonito como em geral os lamentos costumam ser. Na segunda, letra inspiradíssima de Dolores Duran, a interpretação do Tom é de arrepiar. Trata-se da terceira faixa do disco, e foi o primeiro momento em que realmente me vi desconcertado, totalmente desconcertado. "Ah, você está vendo só / Do jeito que eu fiquei / E que tudo ficou", canta ele, quase sussurrando, como se estivesse ao pé do ouvido de quem precisa saber daquilo. A afagar as palavras, um piano minimalista, quase quieto, no ponto.
Um parêntese: ontem, conversando com a Juli sobre essa música, fiquei sabendo de uma coisa curiosa. A letra original era do Vinícius. Foi assim: Roberto Menescal levou Dolores Duran à casa do Tom, onde o maestro estava com o Poetinha dando retoques finais na canção. Os dois mostraram-na para os visitantes. Dolores ouviu atentamente, mas não pronunciou palavra, causando certo constragimento. Dias depois, ela telefonou para Menescal, pedindo que seguissem imediatamente rumo à casa do maestro, e que Vinícius fosse convocado. Chegando lá, mandou de pronto: "Sabe aquela música? É linda, mas tem um detalhe. A letra não é aquela que vocês apresentaram." Em seguida, tirou um papel da bolsa e entregou para a dupla. Era uma letra que ela mesmo havia escrito. Ainda atônitos, Tom e Vinícius aceitaram casar a letra de Doores com a melodia. Ao final da audição, Vininha então ratificou, humildemente declarou: "Você tem razão, a verdadeira letra dessa canção é esta." Sábio Poetinha...
Escrito por Marcelo às 11h42
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Sobre o sofrimento

Iria postar e acabei esquecendo trechos da ótima entrevista que o antropólogo Roberto da Matta concedeu a O Globo no último domingo. Hoje, em sua estréia como colunista do jornal, ele se superou. O artigo Sobre o sofrimento é uma aula concisa e certeira a respeito do assunto, que explora a interrogação essencial do homem quando se vê vítima da dor e cujo ápice está no último parágrafo, no qual da Matta sublinha que "o amor que não precisa de recompensa e que é ponte entre esquecimento e lembrança, entre os vivos e os mortos", é a única sobrevivência e o unico significado". Segue a íntegra:
"Sobre o sofrimento"
Roberto da Matta
"Que o leitor me perdoe o tema sombrio, e quase tabu, numa modernidade voltada para privilegiar o superficial, o fácil e o prazeroso, ainda mais neste momento pré-carnavalesco que demanda passar por cima das agruras desta vida. Melhor do que falar da dor, seria usar os remédios que cotidianamente usamos para esquecê-la: discutir política, desancar o governo, reclamar disso ou daquilo. Por que, então, não ver somente o lado iluminado da vida do mundo? E, no entanto, apesar das prescrições fáceis (evite as preocupações, alivie a neurose, não pense em coisas desagradáveis), esse fim de ano pariu um sofrimento indizível e inesperado dando, com a catástrofe da Ásia, uma prova concreta de que também vivemos num vale de lágrimas. Testemunho cruel de que temos de honrar uma “vida humana” marcada pela tragédia da finitude e da dor neste mundo, o que torna imperativo sugerir um “outro mundo” melhor e mais justo. E, pior que isso, que nossas vidas transcorrem com cotas e escaladas de sofrimento e alegrias que operam sem nenhuma lógica ou padrão. Por que as tsunamis atingiram a Ásia no dia em que nossos entes mais queridos estavam na praia? Por que nasci em Sri Lanka e não na França? Por que João Bondade pegou aquela doença terrível enquanto aquele fdp daquele “político” ladrão, bandido e velhaco continua esbanjando tudo que é público, inclusive saúde? Esse desacordo entre vidas corretas e sofrimentos humanamente injustos, e desproporcionais relativamente ao tamanho dos atingidos, é um assunto que interessa a todos nós neste Brasil das violências incontidas pelos administradores, das ruas onde os motoristas sustentam a guerra de todos contra todos e das balas perdidas... Max Weber, que talvez tenha escrito o mais profundo comentário sobre esse assunto, diz mais ou menos o seguinte: como é que um Deus onipotente, fonte de infinita justiça, bondade e compaixão pela Humanidade, pôde ter criado um mundo marcado pela irracionalidade, pela injustiça e sofrimento gratuito? Se não podemos estabelecer uma contabilidade moral entre padecimento e beatitude, ou Deus não é onipotente e realmente bom ou, então, somos governados por uma lógica que não conseguimos entender por ser muito diferente de nossa sociabilidade, marcada por reciprocidades diretas (ou primitivas) como a do “dar e receber” a do “amor com amor se paga” e a do “olho por olho e dente por dente”. Essa desconcertante interrogação faz nascer os grandes sistemas morais e religiosos com seus postulados de fé, cujo objetivo seria transcender o sofrimento deste mundo, sem esquecer os sistemas de bruxaria, panema e azar, típicos das sociedades tradicionais e tribais, mas igualmente presentes, residualmente ou não, em todo grupo humano. Sistemas que explicam os acidentes substituindo a vontade impessoal de Deus, da Natureza, das “forças históricas” ou do mercado“, para atribuí-los a alguma pessoa concreta que vive do nosso lado. Jó, que resignadamente aceitou um sofrimento incessante, é talvez o melhor exemplo desse perseverar na crença num Deus impessoal, cujas razões são inacessíveis aos humanos. Cristo, os mártires e santos são o exemplo máximo nesta confiança num poder maior e numa ética de salvação no outro mundo. As doutrinas socialistas são o testemunho secular e “materialista” dessa mesma reação, quando postulam o alívio para o sofrimento humano com a radical junção deste mundo com o outro, o que muda tudo. Só o pensamento metafísico político ou religioso, que postula um fim dos tempos ou da História, como queria Cristo ou Marx, pode responder satisfatoriamente aos infortúnios desta vida. O dito de Tertuliano, o grande codificador do cristianismo expresso há quase dois milênios, “Creio porque é absurdo”, aclara o caminho. Quando não posso explicar, acredito; e acredito exatamente porque explicar é impossível. Mas onde, perguntaria o leitor tão ou mais cético que eu estaria esse “acreditar”? Qual o seu conteúdo? Como isso poderia ser traduzido numa linguagem menos religiosa ou eventualmente sectária, como ocorre nas doutrinas políticas fechadas? Thornton Wilder, um dos mais sensíveis escritores americanos, no seu belíssimo livro, “A Ponte de São Luís Rey”, sugere uma resposta. Diante da impossibilidade de transformar a teologia numa ciência exata, na base da suposição que diz: “Se em algum lugar há leis, elas devem existir em toda parte”, um de seus personagens, frei Junípero, concorda que a discrepância entre a fé e os fatos é maior do que supomos. A resposta, entretanto, não estaria na precisa contabilidade moral projetada pelo frade, mas na boca de uma religiosa, cuja fé e solidariedade pelos desamparados, abria mão de resultados e recompensas. Para ela, a resposta ”explicação“ para o sofrimento estava na dedicação guiada pelo amor. Esse amor que não precisa de recompensa e que é a ponte entre esquecimento e lembrança, entre os vivos e os mortos. Única sobrevivência e único significado."
P.S. A pintura é O grito, de Munch, o quadro que mais me impressionou na vida entre todos os que vi (inclusive ao vivo, pois quando esteve no Brasil fui à Bienal de São Paulo conferir de perto...)
Escrito por Marcelo às 11h24
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Ouvindo

"While my guitar gently weeps"
George Harrison
"I look at you all See the love there that's sleeping While my guitar gently weeps I look at the floor And I see it needs sweeping Still my guitar gently weeps I don't know why nobody told you How to unfold your love I don't know how someone controlled you They bought and sold you I look at the world And I notice it's turning While my guitar gently weeps With every mistake We must surely be learning Still my guitar gently weeps Look at you all Look at you all Look at you all Look at you all I don't know how you were diverted You were perverted too I don't know how you were inverted No one alerted you Look at you all Still my guitar gently weeps Look at you all Look at you all Look at you all Look at you all Still my guitar gently weeps"
Escrito por Marcelo às 13h52
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Diários no Oscar

Acaba de sair a notícia: Diários de motocicleta, do Waltinho Salles, foi indicado ao Oscar nos quesitos Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção -com Al Otro Lado Del Río, do ótimo Jorge Drexler. Em Melhor Roteiro Adpatado, o filme concorrerá com Antes do pôr-do-sol, Em busca da Terra do Nunca, Menina de ouro e Sideways, entre umas e outras. Já a canção do uruguaio disputará com Accidentally in love (Shrek 2), Believe (O expresso polar), Learn to be lonely (O fantasma da ópera) e Look to your path (As coristas).
Escrito por Marcelo às 13h46
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Suvaco

Acabo de receber um email convocando para o desfile do Suvaco do Cristo, que acontecerá no próximo domigo, às 12h. A concentração começa às 10h30, em frente ao Bar Jóia. O texto convocatório:
"Amigos e amigas, domingo é dia de Suvaco. A divulgação vai ser assim, e-mail a e-mail, boca-a-boca... Como não haverá Monobloco, nossa babá de pit-boys, sairemos cedo mesmo. A idéia é fazer um desfile não tão longo, não tão cheio, com crianças e senhoras de todas as idades.. Vai ter caminhão-pipa para refrescar os foliões, bandinha do Bola Preta e outros baratos. Já que vai ter sol e muita água, sugerimos fantasias frescas (com ou sem trocadilho). Mas já sabemos que teremos profetas do apocalipse, Netuno, Yara, Yemanja e outras entidades para nos proteger das forças da natureza e de George W. Bush. Bem, é isso aí. Nos vemos e bom carnaval para todos. Avisem aos amigos, aos amigos dos amigos e quem mais for da folia"
"Será que a Terra tremeu? (ou a gente que bebeu demais...)"
Ala dos Compositores do Suvaco do Cristo
"Ninguém sabe, ninguém viu (ôô)
Quando a fumaça subiu
Me sacode que eu deixo
Hoje eu tô fora do eixo
Nosso bloco já saiu
Você passa por mim
Dá início ao meu fim
Jogo tudo pro ar
Abalou meu jardim
Num doce balanço
A caminho do mar
O Suvaco é epicentro Dessa onda de alegria Até o Cristo já sentiu a maresia
Se não me falha a memória Em um passado remoto
Já dizia o profeta Lerfa-mu
Celacanto provoca maremoto Será que a Terra tremeu
Ou a gente que bebeu demais?
Hecatombe, cataclisma, carnaval
Apocalipse now!"
Escrito por Marcelo às 13h25
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Dia e noite

"Night and day"
Cole Porter
"Like the beat beat beat of the tom-tom When the jungle shadows fall Like the tick tick tock of the stately clock As it stands against the wall
Like the drip drip drip of the raindrops When the summer shower is through So a voice within me keeps repeating You, you, you
Night and day, you are the one Only you beneath the moon or under the sun Whether near to me, or far It's no matter darling where you are I think of you Day and night, night and day, why is it so
That this longing for you follows wherever I go In the roaring traffic's boom In the silence of my lonely room I think of you Day and night, night and day
Under the hide of me There's an oh such a hungry yearning burning inside of me And this torment won't be through Until you let me spend my life making love to you Day and night, night and day"
Escrito por Marcelo às 11h44
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Juventude

“Por outras palavras, quando se adia o amor, a acção política, o romance a escrever. Osório fica assim diante de um dilema incómodo: ou poupar a juventude ou vivê-la. No primeiro caso, de que lhe serve a juventude se não a vive completamente, isto é, se não a aproveita no que tem de mais peculiar, a plenitude e até o excesso? No segundo, adeus juventude transferida. E transferida para quê? Para a poupar de novo? Não, para a perder, como veremos adiante.”
'O Aprendiz de Feiticeiro', de Carlos de Oliveira / Pintura de Iberê Camargo
Escrito por Marcelo às 11h19
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Tom

Hoje, se vivo, ele faria aniversário. Um dos maiores gênios brasileiros, personagem fundamental da chamada "modernidade" de nossa música popular, Tom Jobim foi também um arguto observador de nosso jeito de ser. O apelido como seria conhecido no mundo todo ele ganhou de Helena, que não conseguia dizer Antônio Carlos, então chamava-o de Tom-Tom. De Tom-Tom em Tom-Tom, virou apenas Tom. Mais tarde, foram falar que Tom era um nome americano, assim como Johnny Alf ou Dick Farney. "Tive que carregar essa cruz. Lutei muito para ser Antônio Carlos, mas não consegui. Ninguém vai chamar um cara de Antônio Carlos se pode chamá-lo de Tom", comentou certa vez.
O maestro é autor de algumas das mais brilhantes pérolas da MPB. E sua criação bebia sempre numa angústia, como ele mesmo admitia: "Eu acho que quando você faz uma música você dissolve uma depressão. O piano funciona como espelho na correção de meus defeitos. Procuro uma harmonia, uma coisa boa". Das tantas pequenas maravilhas que fez nascer, boa parte em parceria com o Poetinha, esta canção abaixo, composta em 1958, é das minhas preferidas, principalmente no registro de Elizeth Cardoso e Raphael Rabello no disco que a dupla gravou junta...
"Janelas abertas"
Tom Jobim / Vinícius de Moraes
"Sim Eu poderia fugir, meu amor Eu poderia partir Sem dizer pra onde vou Nem se devo voltar
Sim Eu poderia morrer de dor Eu poderia morrer E me serenizar
Ah Eu poderia ficar sempre assim Como uma casa sombria Uma casa vazia Sem luz nem calor
Mas Quero as janelas abrir Para que o sol possa vir iluminar nosso amor"
Escrito por Marcelo às 10h47
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Poesia pela manhã

"Soneto do Corifeu"
Vinícius de Moraes
"São demais os perigos desta vida Para quem tem paixão, principalmente Quando uma lua surge de repente E se deixa no céu, como esquecida.
E se ao luar que atua desvairado Vem se unir uma música qualquer Aí então é preciso ter cuidado Porque deve andar perto uma mulher.
Deve andar perto uma mulher que é feita De música, luar e sentimento E que a vida não quer, de tão perfeita.
Uma mulher que é como a própria Lua: Tão linda que só espalha sofrimento Tão cheia de pudor que vive nua."
Escrito por Marcelo às 10h31
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Pré-carnaval

Hoje à noite vai rolar na Gafieira Estudantina o baile pré-carnavalesco do Rancho Flor do Sereno, organizado pelos amigos do Bip. A animação começa às 21h e não tem hora pra acabar. Pedro Aragão, Paulo Aragão, João Callado, Rui Alvim e Oscar Bolão são alguns dos integrantes da orquestra do Rancho, que terá o reforço dos amigos Pedro Paulo Malta e Alfredo Del-Penho nos vocais. Serão lembradas algumas das mais famosas marchinhas do carnaval carioca. Ótima pedida, não?
P.S. Aliás, o Imprensa que eu gamo foi uma delícia. Parabéns aos amigos Marceu e Janjão pelo samba, maior responsável pela animação dos presentes...
Escrito por Marcelo às 13h36
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Esboço

“Ao passado não se volta, mas o passado, quando incompletamente vivido, transfere-se (não na memória, mas fisicamente) para o futuro e fica à nossa espera, puro esboço, pronto a desenvolver-se… Nesse sentido, é a própria juventude que vai resistindo ao tempo, que vai esperando por nós lá ao longe.”
'O aprendiz de feiticeiro', de Carlos de Oliveira (a quem descobri no Absorto...)
Escrito por Marcelo às 12h04
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Nei Lisboa

Esta canção faz parte da trilha do filme Meu tio matou um cara, do Jorge Furtado. Foi gravada pelo Caetano, mas é composição do Nei Lisboa, um cara talentoso lá do Sul, daqueles exemplos de sucessos gaúchos que não conseguem extrapolar os limites regionais. Tenho um ótimo disco dele, o Hi-Fi, que reúne músicas gringas de acento folk, entre elas a rara e belíssima Sometimes snows in April (do Prince), sobre a qual comentei ontem mesmo num papo com amigos. Foi nessa mesma conversa que surgiu Pra te lembrar. Corri atrás da letra para postar aqui:
"Pra te lembrar"
Nei Lisboa
"O que á que eu vou fazer pra te esquecer Sempre que já nem me lembro Lembras pra mim Cada sonho teu me abraça ao acordar, como um anjo lindo Mais leve que o ar Tão doce de olhar que nem um adeus pode apagar. O que é que eu vou fazer pra te deixar Sempre que eu apresso o passo passas por mim E um silêncio teu me pede pra voltar, ao te ver seguindo mais leve que o ar Tão doce de olhar que nem um adeus pode apagar. O que é que eu vou fazer pra te lembrar Como tantos que eu conheço e esqueço de amar Em que espelho teu Sou eu que vou estar, a te ver sorrindo, mais leve que o ar Tão doce de olhar que nem um adeus pode apagar"
Escrito por Marcelo às 11h22
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Os melhores de 2004 no CCBB

Começa amanhã no CCBB a mostra dos melhores filmes de 2004, segundo a Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro. Após as sessões, haverá debate com críticos e convidados. O evento será encerrado no domingo, quando estarei, ao lado do Rodrigo Fonseca (crítico do JB) e do ator Carlos Gregório, na mesa que analisará Os sonhadores e Má eduação. Espero vocês lá! Segue a programação completa:
Terça, 25/1 17h - DOGVILLE Após a sessão, debate com os críticos Ivana Bentes, Luciano Trigo e Marcelo Janot. Convidado: Amir Haddad (diretor teatral)
Quarta, 26 16h30 - O PÂNTANO 18h30 - CONTRA TODOS Após a última sessão, debate com os críticos Carlos Alberto Mattos e Daniel Schenker Wajnberg. Convidado: Roberto Moreira (diretor de "Contra Todos")
Quinta, 27 16h30 - FAHRENHEIT 9/11 18h30 - ENTREATOS Após a última sessão, debate com os críticos Denise Lopes e Ricardo Cota. Convidado: Fabiano Santos (cientista político)
Sexta, 28 16h30 - ENCONTROS E DESENCONTROS 18h30 - ELEFANTE Após a última sessão, debate com os críticos Pedro Butcher e Tony Tramell. Convidado: Luiz Fernando Gallego (psicanalista)
Sábado, 29 18h40 - KILL BILL VOL.2 Após a sessão, debate com os críticos Gilberto Silva Junior e João Marcelo Mattos. Convidado: Ivan Sugahara (diretor teatral)
Domingo, 30 16h30 - OS SONHADORES 18h30 - MÁ EDUCAÇÃO Após a última sessão, debate com os críticos Marcelo Moutinho e Rodrigo Fonseca. Convidado: Carlos Gregório (ator, roteirista e diretor de cinema, teatro e TV)
Escrito por Marcelo às 11h09
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Máxima

"O perfeccionismo está mais próximo do vício do que da virtude"
Ouvi isso em algum lugar. É de uma verdade que vou lhes contar! Os quadrados perfeitamente alinhadinhos podem logo virar uma prisão.
Escrito por Marcelo às 10h53
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Noite de Tom

Início da noite de um domingo esplendoroso de sol no coração de Ipanema. Jovens, senhoras e senhores sentados em seus banquinhos ou simplesmente de pé, celebrando o grande Tom Jobim, num clima de informalidade e emoção. Tudo isso aconteceu ontem em frente à Toca do Vinícius, com o show da Turma da Bossa, que é capitaneada pela amiga Juli. Dentro do irretocável repertório de pérolas do maestro, o destaque ficou com duas delas. A clássica Dindi, não só pela interpretação emocionada da Juli, mas também pela curiosidade revelada antes que ela começasse a cantar: a canção foi inspirada num rio, não numa mulher. O outro ponto alto foi Eu não existo sem você, momento "à flor da pele" da Juli. E que ficou ainda mais bonito pela cena a que assisti. Num cantinho ao lado da entrada da loja, enquanto a música rolava, o dono da Toca do Vinícius observava o show abraçado à mulher. Quando soavam os versos "Não há você sem mim / E eu não existo sem você", ele então voltava-se para ela e sorria. Era possível ler o tanto que era dito naquela rápida troca de olhares, o tanto de manhãs, tardes e noites, o tanto de brigas e reconciliações, o tanto de carinhos e incompreensões, que perduraram justamente porque, como sabiamente anotou o Vininha, "a canção só tem razão se se cantar".
Escrito por Marcelo às 10h28
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A dor do amor

Estamos apenas em janeiro, mas um dos grandes filmes de 2005 já está em cartaz. Falo de Perto demais, dirigido pelo irregular Mike Nichols. Adaptação da peça homônima de Patrick Marbe, o filme ofecere ao espectador um ensaio dolorido sobre as relações amorosas, cuja excelência calca-se basicamente nas ótimas interpretações do quarteto de atores - Julia Roberts, Jude Law (ambos no tom), Natalie Portman e Clive Owen (com atuações excepcionais) - e na força do texto original, repleto de diálogos cortantes e de um realismo de maltratar o estômago. A mão precisa de Nichols transparece não apenas na direção dos atores, mas também em seqüências significativas, como aquela em que o personagem de Law entra na vernissage da fotógrafa vivida por Julia Roberts e a câmera, como se tomasse o lugar dos olhos dele, sinuosamente a procura em meio a um bando de gente. Discordo radicalmente da idéia que o filme passa, um tanto pessimista ao debruçar os olhos sobre o amor como uma espécie de miragem cuja ponta é a volta ao cotidiano enfadonho ou o fim simplesmente. Apesar disso, Perto demais merece a visita. Nem que seja para reafirmar dentro de nós mesmos que tudo pode ser diferente.
P.S. Sobre o filme, aliás, a Isabela Boscpv (crítica da Veja, de quem quase sempre discordo) escreveu uma ótima análise, que foi publicada na penúltima edição da revista...
Escrito por Marcelo às 17h26
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Patrice Leconte

Resenhei o filme Confidências muito íntimas, de Patrice Leconte, para o site Críticos.Com. Segue a íntegra do texto:
Drama correto, mas sem alma
Marcelo Moutinho
A versatilidade talvez seja a principal marca do cineasta francês Patrice Leconte. De comédia agridoces, como O Marido da Cabelereira e Um Homem Muito Esquisito, a dramas densos (A Víuva de Saint-Pierre), o diretor já trafegou por diferentes gêneros, com maior ou menor êxito, mas sempre demonstrando domínio técnico da arte de filmar. Em Confidências Muito Íntimas, a intimidade com a “gramática” básica do cinema está mais uma vez patente. O problema é que parece faltar algo. Leconte narra a história de Anna (Sandrine Bonnaire), que no auge da crise matrimonial procura um psicanalista. Por distração, logo na primeira consulta ela erra de consultório e vai parar na sala do tributarista William Faber (Fabrice Luchini). Estranhamente fascinado por Anna, Faber não desfaz o engano e passa a ministrar sessões. Aos poucos, a relação avança para um sentimento mútuo de dependência, cuja essência localiza-se no problema que mitiga a vida de ambos: a solidão. As circunstâncias propostas na trama obedecem a mote recorrente do cinema: o inusitado encontro que bagunça o cotidiano do casal, funcionando como ponto-de-partida para novos ventos. O trabalho de Fabrice Luchini sobressai na composição do metódico homem de meia idade que há mais de 30 anos cumpre as mesmas tarefas, legadas pelo pai. O perfil do indivíduo metódico, quase apático, evidencia-se entre outros fatores através de manias prosaicas, como a sistemática arrumação dos sapatos, e as poucas palavras que pronuncia – ao menos antes de conhecer Anna – revelam sua introversão. Faber limita-se a fitar o mundo; parece dele não tomar parte. E Leconte sublinha tal condição em cena que cita explicitamente o clássico Janela Indiscreta: o tributarista observa pela janela os vizinhos do prédio defronte a sua sala – o velho que lê, o casal que discute, dois namorados –, mas seu voyeurismo e sua imobilidade, evidentemente, não se devem a nenhuma perna quebrada. O caso dele é mais sério, e menos explícito. Se a composição de Luchini beira a perfeição, Sandrine Bonnaire está um tom acima, tanto ao retratar a moça retraída do período inicial, quanto no papel da mulher contundente e impositiva da segunda metade do filme. A movimentação dos dois atores obedece a marcações claramente teatrais, mas falta punch à direção. Leconte acerta, contudo, ao caracterizar o estado interior dos personagens por intermédio de locações fechadas – em poucos momentos a câmera sai do escritório -, iluminação com toques noir e cenografia centrada em cores sóbrias. À medida que se conhecem, a progressiva transformação vai sendo sublinhada, com algumas tomadas externas e mais luz. O figurino também muda. A encasacada Anna deixa a echarpe, depois as luvas, e enfim as mangas compridas, até surgir em vestidos estampados, transparências e blusas com decote. Em resumo, Leconte dá seu recado ao alocar adequadamente os elementos fílmicos e aplicar mais uma vez com competência a gramática visual que começou a ser desenhada bem lá atrás por Griffith. Tudo isso faz de Confiências Muito Íntimas um filme “correto”. Adjetivos mais generosos soariam exagerados, porque ao fim o espectador sente que falta algo. Alma, talvez.
Escrito por Marcelo às 14h21
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Canção de hoje

Mas apesar de o carnaval estar próximo, hoje aqui no Pentimento é dia de rock. Rock com subtexto.
"Por você"
Barão Vermelho
"Por você eu dançaria tango no teto Eu limparia os trilhos do metrô Eu iria a pé do Rio a Salvador Eu aceitaria a vida como ela é Viajaria à prazo pro inferno Eu tomaria banho gelado no inverno Por você eu deixaria de beber Por você eu ficaria rico num mês Eu dormiria de meia pra virar burguês Eu mudaria até o meu nome Eu viveria em greve de fome Desejaria todo o dia a mesma mulher
Por você, por você Por você, por você
Por você eu conseguiria até ficar alegre Pintaria todo o céu de vermelho Eu teria mais herdeiros que um coelho Eu aceitaria a vida como ela é Viajaria à prazo pro inferno Eu tomaria banho gelado no inverno Eu mudaria até o meu nome Eu viveria em greve de fome Desejaria todo o dia a mesma mulher"
Escrito por Marcelo às 12h22
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Bloco dos coleguinhas
Parabéns aos amigos Marceu e Janjão, autores (ao lado de Fábio Nascimento) do samba vencedor de 2005 do bloco Imprensa que eu gamo. O bloco desfila amanhã, com concentração às 17h, no Mercadinho de Laranjeiras.
"O Larry Rohter, será que ele é?"
Marceu, Janjão e Fábio Nascimento
"Deu no New York Times
que a Garota de Ipanema é fofa
E viram nas morenas bundas flácidas
Com celulites e culotes retumbantes
Que a nossa musa agora é uma baleia
Sereia de antigos carnavais
"O Brazil não conhece o Brasil"
O Lula é presidente ou um barril?
Não gosta de cachaça
Não entende de mulher BIS
O Larry Rohter, será que ele é?
VEJA, ISTO É a nossa ÉPOCA
Só tem PLAYBOY, não há MANCHETE nem VISÃO
Já não tenho mais emprego
Mas pelo menos me livrei do pescoção
No carnaval, eu faço frila
No Mercadinho, em liquidação
(Imprensa, meu bem)
Imprensa Que Eu Gamo, meu bem BIS
Cheguei a dez, mas já estou a mais de cem
(e o Larry deu!)"
Escrito por Marcelo às 11h33
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...

"Catavento e Girassol"
Guinga / Aldir Blanc
"Meu catavento tem dentro O que há do lado de fora do Teu girassol Entre o escancaro e o contido Eu te pedi sustenido E você riu bemol Você só pensa no espaço Eu exigi duração Eu sou um gato de suburbia Você é litorânea Quando eu respeito os sinais Vejo você de patins
Vindo na contramão Mas quando ataco de macho Você se faz de capacho E não quer confusão Nenhum dos dois se entrega Nós não ouvimos conselho Eu sou você que se vai No sumidouro do espelho
Eu sou do Engenho de Dentro E você vive no vento do Arpoador Eu tenho um jeito arredio E você é expansiva O inseto e a flor Um torce pra Mia Farrow O outro é Woody Allen Quando assovio uma seresta Você dança, havaiana
Eu vou de tênis e jeans Encontro você demais Scarpin, soirée Quando o pau quebra na esquina Você ataca de fina E me ofende em inglês É fuck you, bate-bronha E ninguém mete o bedelho Você sou eu que me vou No sumidouro do espelho
A paz é feita no motel De alma lavada e passada Pra descobrir logo depois Que não serviu pra nada Nos dias de carnaval Aumentam os desenganos Você vai pra Parati E eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro O vento escancarado do Arpoador Teu girassol tem de fora O escondido do Engenho de Dentro da flor Eu sinto muita saudade Você é contemporânea Eu penso em tudo quanto faço Você é tão espontânea
Sei que um depende do outro Só pra ser diferente Pra se completar Sei que um se afasta do outro No sufoco somente pra se aproximar Cê tem um jeito verde de ser E eu sou meio vermelho Mas os dois juntos se vão No sumidouro no espelho"
Escrito por Marcelo às 16h50
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Machuca

Subscrevendo a Moniquinha, também recomendo essa graça de filme que é Machuca, de Andrés Wood. Mais uma produção a confirmar a boa fase do cinema sul-americano.
Escrito por Marcelo às 11h35
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Aniversário

"Coda"
Eugénio de Andrade
"Nenhum pensar agora: calma e profunda corrente de silêncio entre mim e o que de mim ainda se aproxima: simples fulgor antes de arder no cume talvez a cal: ou só o seu rumor".
P.S. O poeta portugês completa 82 anos hoje...
Escrito por Marcelo às 11h20
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Turma da Bossa

A boa pedida no início da noite de domingo é o show da Turma da Bossa, capitaneada pela amiga Juli, nas calçadas da Rua Vinícius de Morais. O espetáculo começa às 20h e será promovido pela Toca do Vinícius. É chegar de viagem e seguir direto pra lá!
Escrito por Marcelo às 11h18
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"Perdoando Deus"

"(...) Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. (...)"
Clarice Lispector
Escrito por Marcelo às 10h15
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O ofício do escritor

Do já citado A sabedoria do coração, aliás, indicaria três ensaios: A morte criativa e Reflexões sobre a arte de escrever, além do texto que dá nome ao livro. Em todos eles, Henry Miller medita sobre as motivações e o processo da escrita. O belo trecho abaixo é de Reflexões... Notem que a confissão do próprio fracasso "no chamado mundo da realidade", presente no primeiro parágrafo de Sexus através de seu narrador, aqui se repete. Os grifos são meus.
"(...) Acho que devia também confessar que fui levado a escrever porque isto provou ser a única saída para mim, a única tarefa digna da minha capacidade. Tinha honestamente experimentado todos os outros caminhos para a liberdade. Eu era um fracasso deliberado no chamado mundo da realidade, não um fracasso por falta de habilidade. Escrever não era uma ‘fuga’, uma maneira de me evadir da realidade cotidiana: pelo contrário, significava um mergulho ainda mais profundo na água salobra – um mergulho na fonte onde as águas estavam sendo constantemente renovadas, onde havia um perpétuo movimento e agitação. Olhando retrspectivamente a minha carreira, vejo-me como uma pessoa capaz de empreender quase qualquer tarefa, qualquer mister. Foi a monotonia e a esterelidade das outras saídas que me levaram ao desespero. Eu exigia um campo em que fosse simultaneamente senhor e escravo: o mundo da arte é o único campo assim. Penetrei nele sem qualquer talento aparente, um completo noviço, incapaz, desajeitado, atado, quase paralisado pelo medo e apreensão. Tive de assentar um tijolo sobre o outro, registrar milhões de palavras no papel, antes de escrever uma palavra real, autêntica, arrancada de minhas entranhas. A facilidade de falar que possuía era um estorvo; asimilara todos os vícios do homem instruído. Tinha que aprender a pensar, sentir e ver de uma maneira totalmente nova, de uma maneira não-instruída, de uma maneira própria, o que é a coisa mais difícil do mundo. Tive que me atirar a correnteza, sabendo que provavelmente iria afundar. A grande maioria dos artistas está se atirando com salva-vidas ao pescoço, e quase sempre é o salva-vidas que os faz afundar. Ninguém que se entregue voluntariamente à experiência pode se afogar no oceano da realidade. O pouco progresso que exista na vida não é fruto da adaptação mas da ousadia, da obediência ao impulso cego. ‘Nenhuma ousadia é fatal’, disse René Crevel, uma frase que nunca hei de esquecer. Toda a lógica do universo está contida na ousadia, isto é, na criação a partir do ponto de apoio mais inconsistente e reduzido. No início, essa ousadia é confundida com a vontade, mas com o tempo a vontade esmorece e o processo automático assume o seu lugar, e este, por sua vez, tem que ser interrompido ou abandonado para que se instaure uma nova certeza alheia ao conhecimento, à habilidade, à técnica ou à fé. Pela ousadia chega-se a essa misteriosa posição X do artista, e é esse porto seguro, que ninguém consegue exprimir com palavras, que no entanto perdura e destila de cada linha que se escreve."
Escrito por Marcelo às 16h19
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"Com as roupas e as armas de Jorge"

"Jorge de Capadócia"
Jorge Ben ("jor" droga nenhuma!)
"Jorge sentou praça na cavalaria E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge. Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem. Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem. Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam. E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo meu corpo não alcançarão Facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar. Cordas e correntes arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia Salve jorge! Salve jorge!
Jorge é de Capadócia Salve jorge! Salve jorge!"
Escrito por Marcelo às 15h38
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Façam suas apostas

O Campeonato Carioca começa no próximo domingo e os quatro clubes grandes, entre reforços e aquilo que podemos chamar apenas de "contratações", apostam em novos times para a temporada de 2004. As escalações abaixo deverão ser as escolhidas pelos técnicos Abel Braga (Fluminense), Bonamigo (Botafogo), Joel Santana (Vasco) e Julio César Leal (Urubu). E aí? Qual o seu palpite sobre o melhor time?
Fluminense - Fernando Henrique, Gabriel, Antonio Carlos, Fabiano Eller e Lino; Marcão, Juninho (Diego), Pretto e Felipe; Leandro e Tuta.
Botafogo - Jefferson, César Prates, Juninho, Scheidt e Marquinhos; Thiago Xavier, Túlio, Juca e Caio; Almir e Hugo.
Vasco - Cássio, Thiago Maciel, Adriano, Marcos e Diego; Ygor, Coutinho, Robson Luiz e Allann Delon; Alex Dias e Romário.
Flamengo - Diego, China, Tiago, Fabiano e Júlio Moraes; Da Silva, Júnior, Íbson e Zinho; Marcos Denner e Dimba.
Escrito por Marcelo às 14h51
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Senhora Dona Vida

Ainda hoje cedo enchi os olhos de lágrimas (re) lendo as Cartas, do Caio Fernando Abreu. Este trecho é parte de missiva enviada a um amigo, na qual relata como vinha enfrentando a barra pesada da Aids. Como bem observou o José Castello em brilhante ensaio, esse otimismo que o Caio (antes um escritor algo soturno) destila aqui e em boa parte de sua produção tardia só pintou após a descoberta da doença. É desse otimismo que estou precisando agora...
"(...) Mas para você, revelo humilde: o que importa é a Senhora Dona Vida, coberta de ouro e prata e sangue e musgo do tempo e creme Chantilly às vezes e confetes de algum carnaval, descobrindo pouco a pouco seu rosto horrendo e deslumbrante. Precisamos suportar. E beijá-la na boca. De alguma forma absurda, nunca estive tão bem. Armado com as armas de Jorge. Os muros continuam brancos, mas agora são de um sobrado colonial espanhol que me faz pensar em García Lorca; o portão pode ser aberto a qualquer hora para entrar ou sair; há uma palmeira, rosas cor-de-rosa no jardim. Chama-se Menino deus este lugar cantado por Caetano, e eu sempre soube que era aqui o porto. Nunca se sabe até que ponto seguro, mas – para lembrar Ana C., que me deteve à beira da janela – como como não se pode ancorar um navio no espaço, ancora-se neste porto. Alegre ou não: ave Lya Luft, ave Iberê, Quintana e Luciano Alabarse, chê. Vejo Dercy Gonçalvez, na Hebe, assisto A Falecida de Gabriel Villela no Teatro São Pedro; Maria Padilha conta histórias inéditas de Vicente Pereira; divido sushis com a bivariana Yolanda Cardoso; rezo por Cuba; ouço Bola de Nieve; gargalho com Déa Martins; desenho a quatro mãos com Laurinha; leio Zuenir Ventura para entender o Rio; uso a estrela do PT no peito (Who Knows?) ; abro o I Ching ao acaso : Shêng, a Ascensão ; não perco Éramos Seis e agradeço, agradeço, agradeço. A vida grita. E a luta, continua."
Escrito por Marcelo às 11h42
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