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Clap, clap, clap
Em tempo: ontem, antes da sessão da furada alemã, passou um curta apenas razoável. Foi o suficiente para o público irromper em aplausos. Definitivamente, no Festival do Rio a galera aplaude até enterro!
Escrito por Marcelo às 16h52
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Furadas do Festival

Depos do patético Um vazio em meu coração, ontem assisti a mais uma furada do Festival do Rio: o alemão Canções da noite. Baseado apenas no diálogo de um casal em crise, enfurnado no apartamento em que moram, o filme é uma sucessão de frases e imagens sem grande significado, mas ditas e mostradas como se fossem profundas. Uma dica: evitem!
Às vezes me pergunto como selecionam coisas como essas...
Escrito por Marcelo às 13h03
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Mafalda quarentona

O Pentimento comeu mosca, porque foi ontem que a adorável Mafalda completou 40 anos. Casmurra que só, apesar dos novos tempos sem utopia ela continua inteirona. Minhas homenagens, hoje.
Escrito por Marcelo às 12h10
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Café do bem

O No Mínimo traz hoje uma ótima notícia para aqueles que, a meu exemplo, são praticamente viviados em café, seja o expresso ou o de coador. A matéria assinada pela jornalista Conceição Lemes assinala que estudo recente comprovou os benefícios da bebida, se tomada em até cinco pequenas xícaras diárias. Abaixo, um trecho da reportagem. Mas vale conferir tudo lá no site.
"Café emagrece e faz bem"
 Conceição Lemes
"(...) Agora, um estudo realizado pelo Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da Escola Paulista de Medicina, ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), traz ótimas notícias para Benês, Soraias e outros milhões de fãs da bebida: tomar diariamente até cinco xícaras pequenas de café passado em coador de pano ou filtro de papel não eleva os níveis de colesterol nem de triglicérides – as gorduras sangüíneas. "Essas formas de preparo impedem a passagem das gorduras do café. De quebra, quando combinado com dieta balanceada, ajuda a emagrecer", revela a nutricionista Rosana Perim Costa, autora da pesquisa. O cardiologista Francisco Fonseca, coordenador do setor, orientador do trabalho e professor, acrescenta: "Consumido dessa maneira, o café diminui a oxidação das gorduras do sangue, podendo até contribuir para reduzir a aterosclerose e as doenças cardiovasculares (...)".
Escrito por Marcelo às 11h30
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Quem tem boca...

"É uma perda irreparável. Pior é a brutalidade como as coisas acontecem na cidade".
Frase do jogador Edmundo sobre o assassinato do "pacífico" bicheiro Maninho.
Escrito por Marcelo às 11h15
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O novo de Patrice Leconte

O Críticos colocou hoje no ar minha resenha sobre Confidências muito íntimas, de Patrice Leconte. O diretor é responsável por filmes deliciosos, como O marido da cabelereira, Um homem muito esquisito e A viúva de Saint-Pierre. Abaixo, um trecho da minha crítica. A íntegra está aqui.
(...) Leconte narra a história de Anna (Sandrine Bonnaire), que no auge da crise matrimonial procura um psicanalista. Por distração, logo na primeira consulta ela erra de consultório e vai parar na sala do tributarista William Faber (Fabrice Luchini). Estranhamente fascinado por Anna, Faber não desfaz o engano e passa a ministrar sessões. Aos poucos, a relação avança para um sentimento mútuo de dependência, cuja essência localiza-se no problema que mitiga a vida de ambos: a solidão. As circunstâncias propostas na trama obedecem a mote recorrente do cinema: o inusitado encontro que bagunça o cotidiano do casal, funcionando como ponto-de-partida para novos ventos. O trabalho de Fabrice Luchini sobressai na composição do metódico homem de meia idade que há mais de 30 anos cumpre as mesmas tarefas, legadas pelo pai. O perfil do indivíduo metódico, quase apático, evidencia-se entre outros fatores através de manias prosaicas, como a sistemática arrumação dos sapatos, e as poucas palavras que pronuncia – ao menos antes de conhecer Anna – revelam sua introversão. Faber limita-se a fitar o mundo; parece dele não tomar parte. E Leconte sublinha tal condição em cena que cita explicitamente o clássico Janela Indiscreta: o tributarista observa pela janela os vizinhos do prédio defronte a sua sala – o velho que lê, o casal que discute, dois namorados –, mas seu voyeurismo e sua imobilidade, evidentemente, não se devem a nenhuma perna quebrada. O caso dele é mais sério, e menos explícito (...).
Escrito por Marcelo às 11h07
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Flavio Izhaki em entrevista
O amigo Flavio Izhaki concedeu uma entrevista sobre o Prosas cariocas ao site do Caco Belmonte, escritor gente boa lá das bandas do sul do país. Abaixo, um trecho. A íntgra está aqui.
"(...) A Paralelos proporcionou uma visibilidade para essa leva de bons autores que o Rio tinha escondido (especialmente os inéditos). O Prosas Cariocas busca revelar alguns desses autores para um público mais amplo e agregar outros que já estão em fase mais avançada da carreira (livros publicados, prêmios). São projetos co-irmãos, mas a coincidência de nomes não é tão grande assim. Apostamos em nomes desconhecidos que achamos que valiam a pena e outros que eram pessoas consagradas no meio. Mas a proposta do livro é desvelar o Rio através da Literatura. O mote de bairros é simples, mas o livro consegue alcançar seu objetivo nisso. Sobre segunda edição (“bairros volume II”), acho que o natural é procurar outro mote, independente da repercussão que esse livro alcance (e sem a barreira de só ter escritor carioca) (...)"
Escrito por Marcelo às 12h08
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Mais links
Na lista de links à direita, entraram também os blogs da Cecilia Giannetti (Escreve escreve), da Ana Beatriz Guerra (À segunda vista) - amigas e co-autoras do Prosas cariocas - e da Sabine Martins (Elo primitivo), também escritora e que volta e meia pinta por aqui.
Escrito por Marcelo às 11h19
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Os sonhadores

Em tempo: o Críticos.Com já colocou no ar minha resenha sobre Os sonhadores, do Bertolucci. Abaixo, um trecho. Leia na íntegra aqui.
"(...) A elegância nos movimentos de câmera expressa-se em planos capazes de mexer com os brios do mais gélido espectador. Não há tomadas banais. Até mesmo o recurso da câmera lenta, que costuma pecar pela redundância, é bem trabalhado, sublinhando com sutileza o exato ponto em que Matthew vê-se enredado pelos mistérios de Isabelle. O mais importante é que o “estetismo” de Bertolucci não prejudica a fluência da história – como já ocorreu em algumas produções anteriores do cineasta, caso de O Céu Que Nos Protege –, nem corrói seu conteúdo. Sim, porque o filme, baseado no romance The Holy Inocent, de Gilbert Adair (que assina o roteiro), não deixa de questionar certos traços de uma geração movida pela utopia, como o contraste entre a “independência” ansiada (e alardeada) e a dependência financeira dos pais – que mandam, periodicamente, o cheque para o sustento da casa e a comida dos garotos (...).
Escrito por Marcelo às 10h55
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Portal Literal

Hoje, o Pentimento estréia novo link. Falo do Portal Literal, coordenado pela Heloísa Buarque de Holanda e traz artigos, entrevistas, notícias quentes e informações bastanteb úteis para quem gosta de literatura. Na edição que está no ar, há uma interessante matéria sobre os primeiros textos de Rubem Fonseca e Zuenir Ventura e um bate-papo com o escritor Raimundo Carrero. Vale a conferida.
Escrito por Marcelo às 10h49
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Drummond pela manhã

"Memória"
Carlos Drummond de Andrade
"Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão.
Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão."
Escrito por Marcelo às 10h58
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Cartazes

Os donos da simpática Beringela (assim mesmo, com "g" no lugar do "j"), livraria-sebo aqui no Centro da cidade, têm uma obsessão semelhante à minha: cartazes de filmes. Quem já esteve lá em casa, pôde notar que as paredes da sala são ocupadas parcialmente por pôsteres de cinema: Manhattan, Jules e Jim, Terra estrangeira e Asas do desejo. No quarto, está Paris, Texas. Guardo alguns outros, além dos já citados, e tenho verdadeira fascinação pelo assunto. Pois bem: lá na Beringela, faz alguns anos, havia um cartaz lindo do roadmovie de Wenders, que durante muito tempo "namorei". Agora, os camaradas me aparecem com A mulher do lado, um dos meus eleitos entre as tantas pérolas que Truffautt dirigiu. Com a delicadeza usual, o cineasta narra os acontecimentos que se sucedem quando o protagonista (vivido por Gerard Depardieu) vê-se diante de um problema: uma mulher com quem já tivera forte relação (Fanny Ardant, deslumbrante, em seu primeiro trabalho com Truffautt) muda-se para a casa ao lado. Nem tenho mais paredes onde afixar cartazes, mas este eu daria um jeito...
Escrito por Marcelo às 10h37
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Para os amigos arquitetos

Esta foi o Fredão quem passou: o nosso amigo mineiro Álvaro Drummond, mais conhecido nos saraus da Urca como Schöenberg, está no Rio para participar do lançamento de Jovens arquitetos, livro coordenado por Roberto Segre, professor e pesquisador da FAU/UFRJ. Álvaro tem uma obra – a Capela de São Francisco em Juiz de Fora - retratada na publicação e convida os cariocas a darem um pulo amanhã, a partir das 18h30, no IAB, onde o evento acontecerá.
Escrito por Marcelo às 18h35
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Francis, por Dapi

Ainda no esquema Ctrl C + Ctrl V, o texto irrepreensível do Dapieve em sua coluna de sexta passada, em O Globo. O assunto foi o grande Francis Hime:
"Sr. Hime"
Arthur Dapieve
"Na mesa do Estrela da Lapa, durante show no começo do mês, a moça se espantou: “Nunca tinha notado que metade das coisas que gosto são dele”. Dele, Francis Hime. A casa de espetáculos, ao menos até que as contas sejam refeitas, foi de uma beleza efêmera. A obra de Hime, não: sua beleza perdura desde que a primeira música, “Sem mais adeus”, parceria com Vinicius de Moraes, foi composta na varanda do Antonio’s, em 1963.
Tendo assistido a shows do maestro no Rival BR, no Canecão e no Estrela da Lapa desde setembro do ano passado, sinto-me no prazer de lembrar que ele estará, hoje, às 21h, e amanhã, às 20h e às 23h, se apresentando no Mistura Fina. Quem sabe o leitor também não se surpreenderá, como a moça na Lapa, com o latifúndio que Hime ocupa, escritura dividida com Vinicius e Chico Buarque, entre outros, no nosso imaginário afetivo.
O pretexto para estes shows, bem como para os do início de setembro, é o relançamento do songbook “Álbum musical” (1997) pela Biscoito Fino. O pretexto poderia ser, como os espetáculos do ano passado, divulgar o seu disco mais recente, “Brasil Lua cheia”, que inclui “Corpo feliz” (parceria com Cacaso), “Disfarçando” (com Olívia Hime) e “Choro incontido” (com Paulinho da Viola). Tanto faz. A alta qualidade é a mesma.
Ajuda o fato de que Hime compôs bastante, algo em torno de 400 músicas, mas gravou pouquíssimo: apenas dez álbuns desde o inaugural “Francis Hime” de 1973, o LP que continha “Atrás da porta” e “Minha”. Esta seletividade, que garante a excelência nem sempre devidamente reconhecida de sua obra, aproxima este carioca bem-nascido a 31 de agosto de 1939 do personagem da coluna da semana passada, Paul Simon.
Hime, porém, aparenta ser muito mais novo do que Simon, da classe de 1941, aparenta ser muito mais novo do que é, aparenta ser o irmão mais novo do Fábio Júnior. Essa juventude aos 65 anos pode ser tão surpreendente quanto notar que metade de tudo o que a gente gosta leva a sua assinatura. Essa juventude explica o vigor dos shows e o eterno ar de “estou de bem com a vida, sim” que o maestro passa ao microfone e ao piano.
O parceiro mais assíduo no “Álbum musical”, claro, é Chico Buarque: 11 das 18 faixas levam também o jamegão daquele sujeito que joga bola direitinho e ainda escreve “Budapeste”. Como intérprete, Chico aparece em, olha ela aí de novo, “Sem mais adeus”. Esta música — bem como “Anoiteceu” (outra de Vinicius), “Embarcação”, “Atrás da porta” e “Trocando em miúdos” (as três do camisa 10 do Polytheama) — formam uma espécie de segmento gilete-por-favor-para-cortar-os-pulsos. Convém escutá-las nos dias bons. No entanto, mesmo nos ruins, o sereno Hime injeta algum sentido nessa joça de vida.
Gravada originalmente no seu LP de 1982, “Pau Brasil”, “Embarcação” assombra-nos como um navio-fantasma, sobretudo na interpretação que a mulher e parceira Olívia Hime registrou no “Álbum musical”, com arranjo de Cristóvão Bastos. Ficou tão bom, mas tão bom, que o próprio Francis passou a considerá-la um pouco co-autora. É um samba, samba tão triste que a gente só atina isso quando ouve o baixo se fazendo de surdo.
A letra antiépica diz: “(...) Deus, eu pensei que fosse Deus/ E que os mares fossem meus/ Como pensam os ingleses/ Mel, eu pensei que fosse mel/ E bebi da vida/ Como bebe um marinheiro de partida, mel/ Meu, eu julguei que fosse meu/ O calor do corpo teu/ Que incendeia meu corpo há meses/ Ar, como eu precisava amar/ E antes mesmo do galo cantar/ Eu te neguei três vezes/ Cais, ficou tão pequeno o cais/ Te perdi de vista para nunca mais (...)” Melódica e harmonicamente ricas, e sempre compostas antes das letras, as músicas de Hime são um estímulo para qualquer parceiro. Aqui, Chico teve de ser sublime.
Depois disso, quando nada para aliviar a barra, vale ouvir a delicada “Luiza”. No “Álbum musical”, ela ganhou a interpretação de Toquinho. Cantiga de ninar composta pela dupla para a terceira filha de Hime (Luiza, com Z) e para a terceira filha de Chico (Luísa, com S, o que o faz grafar a música “Luísa”), ela é fundamentalmente uma delicada canção de amor, que abre com os versos “Por ela é que eu faço bonito/ Por ela é que eu faço o palhaço/ Por ela é que eu saio do tom/ E me esqueço no tempo e no espaço”. Atemporal.
A única faixa de “Álbum musical” que carece de atualização é “E se”, outra parceria Hime-Chico. Alistando coisas improváveis, a letra de 1980 (aqui cantada por Daniela Mercury) fala o seguinte: “E se o Botafogo for campeão”. Ora, o verso deveria mudar para “E se este time sem-vergonha do Botafogo conseguir permanecer na Primeira Divisão”. Atropela a métrica, sim, mas o maestro, vascaíno descendente de dois pioneiros jogadores alvinegros, os ingleses Norman e Gilbert Hime, é craque e há de dar um jeito nisso.
Afinal, Hime, o Francis, é, como os seus antepassados, um gentleman . Esta característica está não apenas no modo, desprovido de afetação, com que se dirige às platéias de seus shows ou que circula pela cidade que ama. Está, também, no próprio modo de cantar e de tocar coisas lindíssimas como “Meu caro amigo”, “Navios” ou “Vai passar”. Ele é, como um de seus personagens, um sujeito que bate o portão sem fazer alarde. Entretanto, Francis Hime sempre nos deixa a leve impressão de que nunca é tarde."
Escrito por Marcelo às 13h05
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Literatura de saias

Esta resenha já saiu no Prosa e Verso faz um tempinho, mas ainda não tinha postado. Como hoje estou repleto de trabalho, resolvi colocá-la aqui, para não deixar o Pentimento sem atualização. Segue o texto:
"25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira" - Luiz Ruffato (org.) - Editora Record - 368 páginas - R$ 39,90
Marcelo Moutinho
O conceito de "literatura feminina" é aceito e repudiado talvez em iguais partes por suas agentes naturais: as escritoras. Durante a recente Festa Literária Internacional de Parati (Flip), por exemplo, as componentes da mesa Vozes femininas - Rosa Montero, Isabel Fonseca e Adriana Lisboa – foram unânimes em rejeitar o rótulo. Em contrapartida, há autoras e, principalmente, ensaístas, como Helena Parente Cunha, que sustentam na identificação de elementos compartilhados a defesa da qualificação, indicando como principal traço comum a "busca de uma personalidade autônoma". Organizador da coletânea "25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira", (Editora Record), Luiz Ruffato sabiamente preferiu driblar a polêmica, privilegiando de forma pura e simples o mapeamento sobre nomes que começaram a conquistar algum destaque no país nos últimos 20 anos.
Já na orelha do livro, a professora Regina Dalcastagnè observa que a seleta de Ruffato mira para além da questão de gênero. Partindo do pressuposto de que não há uma "literatura masculina", Dalcastagnè argumenta que relegar a obra das autoras a qualquer escaninho conceitual seria marcá-las com uma "posição subalterna, menos legítima". Portanto, a relevância do trabalho de Ruffato está em fazer um recorte preciso sobre os novos nomes de nossa cena literária, expondo suas escrituras, independentemente de mérito. Isto, quem decide é o leitor.
Antes de se iniciarem os contos propriamente ditos, o organizador do livro assina uma bem fundamentada apresentação, em que analisa sob perspectiva histórica o surgimento de escritoras no país, insinuando-se pouco a pouco num reino eminentemente masculino. No estudo, Ruffato ressalta o papel de Júlia Lopes de Almeida, precursora ao conquistar espaço na primeira antologia brasileira de contos, que circulou em 1922. Júlia despontava entre 35 homens.
Em seguida, acompanha progressivamente uma tradição que viria a se fundamentar, fulgurando em plenitude a partir da década de 30, com o sucesso de Rachel de Queiroz e, posteriormente, Clarice Lispector, Nélida Piñon, Zélia Gattai e Lya Luft, entre tantas outras que pavimentaram a estrada na qual caminham hoje as 25 autoras do volume que chega às livrarias.
Como sói acontecer em compilações de múltiplos escritores, o livro aduz grande diversidade estilística e certa irregularidade, embora sob o aspecto temático os textos apresentem alguma proximidade. Aí, sim, com a presença de tópicos afeitos ao gênero feminino - a gravidez, a perda do filho -, ao lado de outros, mais universais - relações amorosas, de amizade, idiossincrasias familiares...
Com acento pop, fragmentado e evidente influência da internet, despontam Clarah Averbuck ("Psycho", cuja prosa insípida confirma o equívoco de ter extrapolado os limites do blog), Luci Coll ("No céu, com diamantes", com hipertextos, referências à publicidade e ao cinema), Simone Campos ("Bondade") e Ana Paula Maia – em "Nós, os excêntricos idiotas", a narradora imaginada por ela chega a subscrever outro ponto característico dessa novíssima geração, ao admitir: "Só escrevo em primeira pessoa. Não sai nada se eu imaginar um personagem; ele não me diz coisa alguma".
Optam por uma dicção, digamos, mais clássica, Fernanda Benevides de Carvalho ("Pão físico"), Cecília Costa ("O sétimo mês", belo conto algo prejudicado pelo excesso de referências), Livia Garcia-Roza ("Minha flor"), Guiomar de Grammont ("Glória", que estabelece interessante reflexão sobre o processo literário), Claudia Laje ("Uma alegria"), Tércia Montenegro ("D.T.", o único a tocar em questões sociais), Adriana Lisboa ("Caligrafias"), Cíntia Moscovich ("Um oco e um vazio), Nilza Resende ("Por acaso"), Heloísa Seixas ("Madrugada"), Rosa Amanda Strausz ("A um passo"), Ivana Arruda Leite ("Mãe, o cacete"), Claudia Tajes ("Flor roxa"), Paloma Vidal ("Mundos paralelos") e Leticia Wierzchowski ("O morro da chuva e da bruma").
Infelizmente, nem mesmo os textos das autoras já referendadas por público e crítica estão à altura de suas obras. Distinguem-se as experimentações de Mara Coradello em "Silver tape", as poderosas imagens de Augusta Faro em "Gertrudes e seu homem", e a inventividade de Índigo ao reviver o pacto de Fausto em "Drinque com uma azeitona dentro", criando um demônio beberrão que tenta a narradora durante prosaico exame colegial. Também o conto "Um elefante", de Állex Leila, que explora a fixação platônica de um rapaz por jovem praticamente desconhecida e dialoga com verso da canção "Congênito", de Luís Melodia: "O tudo que se vê não representa tudo".
Em meio aos 25 textos, dois merecem especial atenção. "Considerações sobre o tempo", de Adriana Lunardi, cuja qualidade se anuncia já no impactante parágrafo de abertura, em que a escritora reflete sobre o drama de só podermos avaliar a real importância das coisas a posteriori, nos desvãos da memória, quando "já instaladas no campo linear de nossas biografias". A premissa, no decorrer da narrativa, permeia a lógica interna do conto, que se ampara no sentimento de solidão mais absoluto que o homem pode conhecer.
Uma história de perda também dispensa vigor a "Desalento", da jovem Tatiana Salem Levy. Trata-se do lancinante relato da dor inexpugnável de uma mãe diante da morte do filho ainda pequeno. É nada menos do que brilhante o enfoque sobre as reações da protagonista quando o caixão do menino desce à terra, pontuado por seguidas expressões "Não!", sempre entre parênteses, como se soluços fossem. Tatiana nos faculta um daqueles momentos em que literatura alcança seus pontos ótimos; rara ocasião na qual podemos chamá-la, sim, na essência, de "feminina". Porque apesar de criarmos metáforas intensas – e o "revés de um parto" de Chico Buarque decerto é uma delas -, nós, homens, nunca teremos como experimentar tal desespero.
Escrito por Marcelo às 12h52
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Bertolucci

Ontem assisti a Os sonhadores, mais recente filme de Bertolucci. Até amanhã minha resenha deverá entrar no ar lá no Críticos. Mas adianto aqui que é um filmaço. Classifico desde já entre os melhores do diretor italiano. Elegância formal com conteúdo e sem banalidade.
Escrito por Marcelo às 12h25
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Amanhã, no "Críticos"

O site Críticos.Com, do qual participo ao lado de outros jornalistas (como Marcelo Janot, Carlos Alberto de Mattos, Daniel Shenkler, Luciano Trigo, Ricardo Cota e Pedro Butcher), começará amanhã a publicar as resenhas dos filmes que estão na programação do Festival do Rio 2004. Minha estréia é com Antes do pôr-do-sol, de Richard Linklater. Confiram!
Escrito por Marcelo às 18h25
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Em outubro, no Sesc

Reserve já o seu lugar!
Escrito por Marcelo às 14h10
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A estrela nua

O terceiro aviso: no próximo domingo, a partir das 23h, o programa Cadernos de Cinema, da Rede Brasil (antiga TVE), exibirá o filme A estrela nua. Dirigida por José Antônio e Ícaro Martins, e estrelada por Carla Camurati e Cristina Aché, a produção é livremente inspirada no livro Um sopro de vida, de Clarice Lispector, e tem alguns ecos rodriguianos. A estrela nua ganhou do prêmios de melhor roteiro, direção e fotografia da Associação Paulista de Críticos de Arte; o Prêmio Especial do Júri e de melhor atriz coadjuvante (Carla Camurati) no Festival de Gramado; e de melhor direção, atriz, figurino, cenografia e música no Rio Cine Fest, em 1985. Após a exibição, o programa Cadernos de Cinema veiculará um debate sobre o filme, com participação da atriz Cristina Aché, do diretor de teatro Marcus Vinicius Faustini, do psicanalista Luiz Fernando Gallego e deste que vos escreve.
Escrito por Marcelo às 10h57
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Orquestra Guanabara
Composta pelos chorões do Tira Poeira, os sambistas e donos da bossa do Quem São Esses Caras, os representantes do samba-funk do Farofa Carioca, além do DJ e amigo Marcelo Janot, a Orquestra Guanabara faz seu primeiro show dia 2 de outubro, às 22h, no Ballroom, onde estará em cartaz às segundas-feiras do mês de outubro. Cada noite terá um convidado especial. Na estréia, o nome é Jorge Aragão.
A Orquestra apresenta em seu repertório releituras de Zé Kétti, Chico Buarque, João Nogueira, Baden Powell, Gilberto Gil, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, entre outros bambas da MPB. Um verdadeiro baile com clássicos e os novos arranjos que vêm sendo ensaiados pelo grupo para garantir a pista cheia a noite toda!
Escrito por Marcelo às 10h40
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Arte de Portas Abertas

O segundo aviso é que amanhã começa também o já tradicional Artes de Portas Abertas, em Santa Teresa. Vou ao evento praticamente todos os anos, porque o bairro, que já é um charme só, fica ainda mais gostoso com as ruas cheias de gente e os ateliês abertos para visita. Boa oportunidade para almoçar por lá e também para conhecer a livraria Largo das Letras, que fica ali pertinho do Bar do Mineiro. A livraria inaugura hoje para convidados, e já estará funcionando durante o Portas Abertas. Outra visita obrigatória para quem for a Santa é a barraca em que estarão expostos trabalhos da Paulinha e da amiga Flavia Marques. Paulinha fez graciosos balões de cabaça e caixas pintadas à mão; Flavia criou colares coloridos. A barraca ficará no Mercado das Pulgas, bem no centro do Largo dos Guimarães.
Escrito por Marcelo às 10h33
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Zé Kétti

Como amanhã estarei fora do Rio durante o dia, queria adiantar algumas notícias. A primeira delas, a pedido do amigo Nininho: o Sindicato dos Professores do Rio (Sinpro-Rio) promoverá amanhã evento em homenagem ao grande Zé Kétti. A roda será comandada conjunto Bossa do Samba, mas além de música haverá também cinema (com a exibição do documentário Meu cumpadre Zé Kétti, de Nelson Pereira dos Santos) e um bate-papo entre a filha do compositor, Geisa Kéti, e este que vos escreve. A entrada é franca e as atividades começam às 18h. O Sinpro-Rio fica na Rua Pedro Lessa, 35 - 2º andar.
Escrito por Marcelo às 10h23
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Primaveras

Pela chegada da primavera, pelo Paulinho (que inspirou meu conto) e para tirar um sorriso dela.
"Nova ilusão"
Claudionor Cruz e Pedro Caetano
"É de teus olhos a luz Que ilumina e conduz Minha nova ilusão É nos teus olhos que eu vejo O amor e o desejo do meu coração És um poema na terra Uma estrela no céu Um tesouro no mar És tanta felicidade Que nem a metade consigo exaltar
Se um beija-flor descobrisse A doçura e a meiguice Que seus lábios tem Jamais roçaria as asas brejeiras Por entre roseiras e jardins de ninguém Ó dona dos sonhos Ilusão concebida Surpresa que a vida Me fez das mulheres Há no meu coração Uma flor em botão Que abrirás se quiseres"
Escrito por Marcelo às 13h06
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Lembranças cariocas 2
Assisti ontem à segunda edição do show Lembranças cariocas, que fica em cartaz até a próxima semana no Centro Cultural Carioca. Desta vez, o espetáculo homenageia a Praça Tiradentes, e os vocais estão (muito bem) entregues aos amigos Nilze Carvalho e Pedro Paulo Malta. A dupla esbanja entrosamento. Ela, no papel da "mulata dissimulada"; ele, no do malandro que às vezes de dá mal (mais uma vez são impagáveis as expressões faciais do Pepê). Entre os destaques da noite, apontaria a tocante interpretação da Nilze para "Ai, Ioiô" - belíssimo samba-canção de Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto, que contou com o adequado arranjo minimalista, só com violão (do amigo Lucas Porto) e acordeon (Kiko Horta) - e as ótimas histórias contadas pelo Pepê. Uma pena que são tão poucas. Pela curta duração do show (pouco mais de uma hora), creio que seria possível incluir mais "causos" interessantes, com referências históricas ao lugar e às canções.
Escrito por Marcelo às 12h54
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Mais vendido
Acabo de receber a boa notícia: o Prosas cariocas foi o best-seller da Casa da Palavra durante a Primavera dos Livros.
Escrito por Marcelo às 17h29
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Antes do amanhecer (o retorno)

Alguém aí assistiu a Antes do amanhecer? Sou completamente apaixonado por este filme, que já vi diversas vezes. Para quem não lembra (ou nem sequer viu), a história trata do encontro de um jovem casal, vivido por Julie Delpy e Ethan Hawke, durante uma viagem de trem pela Europa. Repentinamente apaixonados, ele, um americano de férias, e ela, uma estudante francesa, passam juntos algumas poucas (e espetaculares) horas, até que o dia termina e precisam se separar. O diretor Richard Linklater conduz a trama com delicadeza e a leve melancolia que a situação praticamente impõe. Um filme delicioso e algo triste, enfim.
Bem, no início deste ano Linklater resolveu dar seguimento à história, com Antes de pôr-do-sol. E desde então estou curiosíssimo para conferir (e temeroso de que ele tenha estragado tudo). Na seqüência, Jesse e Celine se reencontram após nove anos. Ele agora está casado, e ela, desiludida. A sinopse informa: na nova produção, os dois caminham por Paris, recordando o dia que passaram juntos e fazendo um balanço de suas vidas a partir daquele primeiro encontro.
O novo filme está no Festival do Rio, que começa na próxima sexta. Como vou escrever sobre ele para o Críticos, assistirei hoje mesmo. As expectativas estão lá no alto!
Escrito por Marcelo às 11h50
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Nostalgia da modernidade

Estive nos últimos dias ouvindo bastante o disco Nostalgia da modernidade, que o Lobão gravou em 1995. Talvez seja o seu trabalho mais bem acabado, embora também curta os anteriores O rock errou (1986) e Vida bandida (1987). Nostalgia é o resultado de quatro anos de pesquisa sobre o samba e muito estudo de violão clássico, que resultaram num álbum maduro, orgânico e conceitual, em que Lobão propõe essencialmente uma "religação" com a melhor tradição da música popular brasileira, sem perder de vista o futuro. Gosto bastante da canção título, mas também desta Sem sono, principalmente por causa dos versos "A chuva cai / Tão devagar na manhã / Que as coisas de ontem serão / As coisas da noite a seguir". A letra:
"Sem Sono"
Lobão
"Em qualquer tom Em qualquer outro lugar Em que eu possa cantar Uma canção de dormir A chuva cai Tão devagar na manhã Que as coisas de ontem serão As coisas da noite a seguir E a hora é a mesma A mesma e sempre absurda Que sendo pressa ou vagar A hora é o mesmo lugar Estando aqui A relembrar o porvir Não ouço a chuva cair Nem o vento frio a soprar São tantos sons Pela manhã a lembrar Como a noite ainda está Tão acordada em mim Com um assovio a entoar Uma canção de dormir"
Escrito por Marcelo às 11h49
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"Prosas" no No Mínimo
A coluna de hoje do Paulo Roberto Pires no site No Mínimo faz alusão carinhosa ao nosso Prosas cariocas. O texto:
"Livros à mancheia"
Paulo Roberto Pires
"É curiosa e rara a experiência de viver sem limites a ficção e a realidade, os livros e as pessoas, a narrativa e a vida. No último final de semana me vi diante de uma pequena platéia, ao lado de Ruy Castro e quatro jovens escritores (Rodrigo Lacerda, Marcelo Moutinho, Joca Reiners Terron e Pedro Sussekind), debatendo as relações do escritor com a cidade. O cenário, o Jockey Club carioca, tomado pela Primavera dos Livros, evento que une pequenos e médios editores e consegue dosar em medidas justas feira e festa. E tome discussão, e tome bairrismo, e tome evocação do passado da cidade, de sua singularidade e decadência.
Era o fim de uma semana pesada em noites de autógrafos e, ao defender meu ponto de vista nada original (de que, na ficção, a cidade é melhor como personagem do que paisagem) e evocar um fantasma recorrente (o de Marques Rebêlo), percebi que toda teoria, como acontece muitas vezes, é vã. Discutia-se ali em que medida o Rio tomava conta da ficção mas, pelo menos para mim, a ficção é que tinha se misturado inexoravelmente com o que chamamos de realidade depois de percorrer tantas e distintas narrativas que grudam-se à cidade.
"De cada amor tu herdarás só o cinismo", primeiro romance de Arthur Dapieve, abriu a semana de autógrafos e disparou a estranha mistura de realidades. Nas 14 semanas em que se passa a ação, Dino, o quarentão atormentado por uma típica serial teaser, caça e foge de Adelaide, este o nome da mocinha, por bares, shows e carnavais que têm nome, número e endereço. São caminhos muito conhecidos, muitas vezes percorridos, que subitamente são invadidos por Dinos extraviados ? no balcão do Jobi, um cenário-personagem da história ? e Adelaides displicentes, que saíram sorrateiramente das páginas do livro e se multiplicam pela cidade. Ou seria o contrário?
"Heranças do samba" não tem nada de ficção. Inventaria na sensibilidade de Aldir Blanc, Hugo Sukman e Luiz Fernando Vianna algumas das "famílias" artísticas (às vezes também biológicas) que não deixaram a peteca cair na difícil negociação das tradições do samba com a contemporaneidade. Não é e nem quer ser história é, também, mais do que jornalismo sem o ranço das "pesquisas" musicais talibambas.
No lançamento, era indiferente folhear o livro ou olhar em volta: eles estavam ali, zanzando pelo Centro Cultural dos Correios ? onde está montada a exposição de mesmo nome, parte do mesmo projeto ? e às vezes até cantando. Na saída, dou de cara com um Ford bigode, uma mulher com um relógio na cabeça e um diabo, sentado num banquinho, esperando sua vez. Não, não eram as caipirinhas, mas o set de um filme sobre Noel Rosa, montado ali fora, como um presente. Era demais para uma noite que já tinha me empurrado para a infância no capítulo "Os frutos da tamarineira", que fala do samba nascido no Cacique de Ramos, a quadra da rua Uranos que tanto tem a ver com as memórias da família.
Mais evidente, e nem por isso óbvia, foi a chegada de "Prosas cariocas", volume reunindo 17 jovens escritores que elegeram bairros para ambientar seus contos. O roteiro, coordenado por Flavio Izhaki e Marcelo Moutinho, relaciona cantos pouco cantados da cidade como Lins de Vasconcelos e Pavuna e, surpreendentemente, não inclui a musa recorrente, Ipanema. Na mistura de tantas vozes, há lugar para tudo, do Catete arruinado de Flávio Izhaki à delicada Laranjeiras de Adriana Lisboa. Ou ainda para um híbrido entre crônica e conto de Bianca Ramoneda, "Quando se Muda", relato extraordinariamente sincero das passagens entre subúrbio e Zona Sul que, mais uma vez, confunde minha percepção de memória e das histórias.
Foi assim, nesta nuvem de ficção, que, como numa máquina do tempo, comprei raros exemplares da Editora do Autor, que Fernando Sabino e Rubem Braga mantiveram entre 1960 e 1966. Naquele catálogo, os livros, objetos, eram tão importantes quanto os títulos. Glauco Rodrigues, Carlos Scliar e Bea Feitler eram alguns dos capistas. Por puro fetiche, tenho agora em minha estante o grafismos que Bea fez para "O homem nu", de Sabino, uma linda edição do "Retrato na gaveta", de Otto Lara Resende e poemas de Paulo Mendes Campos ("Testamento do Brasil" e "O Domingo Azul do Mar"). Este livros, reais, são também um pouco ficção: estão novinhos, como tivessem sido lançados agora.
Para culminar tantas viagens, amanheci no sábado dentro de um texto, me vi aprisionado nas colunas de um jornal. Transformado num animal estranho que poderia ter saído do borgiano "Livro dos seres imaginários" ou de uma bad trip de Hunter S. Thompson, virei personagem. Mais uma vez, tive a certeza de que a realidade é um detalhe desagradável e de que ficção é tão somente uma das formas de felicidade, a de conseguir preencher tantos vazios com narrativas tão simples, que transformam até a realidade física e te fazem crer que é possível continuar."
Escrito por Marcelo às 11h05
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Na Primavera

A exemplo do primeiro, na Travessa, foi ótimo o segundo lançamento do Prosas cariocas na Primavera dos Livros. Alguns amigos e autores chegaram a tempo de assistir ao debate O escritor e a cidade, do qual tive a honra de participar, ao lado dos ilustres Ruy Castro, Paulo Roberto Pires, Joca Reinors Terron, Rodrigo Lacerda e Pedro Sussekind (foto 1). No início da noite, aconteceu o lançamento propriamente dito (foto 2), cheio de presenças queridas (mais uma vez, sem nomes), "celebridades" (como o cantor Otto) e companheiros escritores da cena paulistana, como Marcelino Freire, Marcelo Mirisola e o próprio Joca Terron. Na foto 3, estou ladeado pelo Mirisola, pelo Xico Sá e pelo Joca.
Escrito por Marcelo às 14h32
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Debate e oficinas no Sesc

O Sesc Copacabana promoverá em outubro o evento A nova prosa carioca, com idealização e curadoria deste que vos escreve. As atividades começarão no dia 4, às 20h, com um debate sobre o tema central. Na mesa, estarão, além de mim (mediador), a professora Beatriz Resende, a editora do Idéias (JB), Cristiane Costa, e os escritores Adriana Lisboa e João Paulo Cuenca. Nos dias posteriores, Adriana (5, 7, 11 e 14) e Cuenca (6, 8, 13 e 15), sempre às 16h, comandarão oficinas literárias gratuitas. Quem estiver interessado em participar, deve correr, pois as vagas são limitadas. O Sesc fica na Rua Domingos Ferreira, 160 - Tels: 2547 0156 e 2548 1088
Escrito por Marcelo às 12h47
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Primeira resenha
A Helena Ortiz, que edita o jornal Panorama da Palavra, escreveu a primeira resenha sobre o Prosas cariocas. Segue o texto:
"Prosas (e promessas) cariocas"
Helena Ortiz
"Os leitores que abriram o suplemento literário d´O Globo do dia 11/9 deram-se conta de que alguma coisa estava acontecendo. O jornal dedicava, naquele sábado, 4 páginas ao lançamento de um livro de autores novos. Quatro páginas dedicadas a autores jovens, desconhecidos e VIVOS – coisa impossível num período (enorme!) em que aquelas páginas privilegiaram autores estrangeiros, de preferência mortos. Seria uma indicação de que o jornal está começando a olhar em volta, a observar que a literatura está no seu cultivo, no movimento que faz, e quase nunca nas listas dos mais vendidos? Uma esperança.
De esperança também é feito o livro Prosas Cariocas, cuidadosamente editado pela Casa da Palavra, com prefácio de Ruy Castro, em que estão reunidos 17 autores cujos textos têm como pano de fundo os bairros do Rio de Janeiro. Alguns deles já foram editados, outros estão iniciando, todos cientes de que literatura é coisa séria e que é preciso, nesses tempos de naufrágios, juntar-se a quem sabe remar.
As histórias reunidas são, como indica o título, prosas. Há contos, mas também crônicas e ainda reminiscências – escritos, enfim. Não que seja importante estabelecer o gênero, embora fosse natural no caso, uma vez que há uma tendência para o tradicional. Não há intenção de revolucionar a linguagem. Não há ousadias, em matéria de experimentalismos. Todo o mundo é sério. As diferenças ficam, portanto, por conta da imaginação e do talento na hora de contar.
De cara, você abre o livro e observa que os autores não estão em ordem alfabética. Por que? Não se sabe. Fica aquela perguntinha: qual foi o critério? Mas deixa-se pra lá e vai-se além. É mais importante ler o que se passa debaixo da terra, nos confins da Ilha, em que Cecília Gianetti fala da tristeza mais triste – o aborto – e ainda hoje tão presente na vida de uma mulher; reconhecer o povo na prosa de Mariel Reis, que através do diálogo traz inteira a população da Pavuna, com um toque de surrealismo, já que a vida no subúrbio está cheia dele; sobrepor-se ao calor de Madureira, recolhido por Vinicius Martinelli Jatobá, que aposta na chuva como prenúncio de felicidade duradoura.
Cito esses nomes porque é nessa ordem que aparecem no livro, do qual fazem parte também Adriana Lisboa, Ana Beatriz Guerra, Antonia Pellegrino, Augusto Sales, Bianca Ramoneda, Flávio Izhaki, Henrique Rodrigues, João Paulo Cuenca, Mara Coradello, Marcelo Alves, Marcelo Moutinho, Miguel Conde e Sidney Silveira. Não vou além, no entanto, para dizer do que gostei mais ou menos. Outro leitor fará, certamente, a sua escolha. Da diversidade se faz a arte. Mas não abro mão de destacar Juva Batella, no belo A Varredora, onde o Leblon é visto como um território de trabalho, feito por seres invisíveis, no caso o gari, que antes fora garçom, e por cuja memória faz-se presente o Leblon desse e de outros tempos. Uma prosa impecável.
Importa saber de que faixa etária são esses prosadores cariocas? Não. Importa saber que ao andarem pelas ruas do Rio de Janeiro refletem sobre suas vidas e as dos outros. Sentem, pensam e escrevem, na contramão da cultura de massa. Sabem que a caminhada é longa e muitas vezes não se concretiza. Podemos rever antologias de todas as décadas e verificar que poucos seguiram pelo caminho da literatura. O que importa mesmo é que estão ali. Trabalham, comunicam-se, articulam-se no sentido de abrir espaço para suas vozes, abafadas que são por músicas nefastas e interesses editoriais que se preocupam antes de tudo com coisas tipo: É vendável? Não é vendável? O texto é comercializável? Dá pra mudar? Escreve alguma coisa sobre sexo. Bota umas coisas de lesbianismo.
É possível que alguns desses jovens prosadores deixem de escrever no futuro, enquanto outros prosseguirão, uma vez que já se destacam no ramo. Do futuro ninguém é dono. Há em todos uma certa tristeza com a decadência da cidade. Todos viveram (e sofreram) um bom pedaço de suas vidas. Também parece que amadureceram depressa demais. (Ou a cidade foi se deteriorando rápido demais?) Mas estão firmes, sobreviventes, resistentes, e mais ainda, apegados à literatura como salvação. Há esperança, portanto.
E Ruy Castro? Fez o dever de casa. Disseram-lhe do que se tratava. Escreveu como um profissional. Leu os textos? É possível que não. Ou então foi acometido do velho medo de dizer hoje que aquele é o escritor de amanhã. Acontece com muitos.
Ruy Castro não está andando pelas ruas do Rio de Janeiro. E se está, certamente não está olhando para os lados."
Escrito por Marcelo às 11h11
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Festival do Rio 2004

Resenha atrasada para o Prosa e Verso, início de pesquisa para um documentário, acontecimentos decorrentes do lançamento do Prosas cariocas, curadoria de evento no Sesc Copacabana, além dos tradicionais trabalhos (OAB e CAARJ): em resumo, ando enrolado. E já começaram as cabines para o Festival do Rio 2004. Ontem vi meu primeiro filme, o péssimo Um vazio no coração. Bem, todo esse nariz de cêra é para dizer que com muito orgulho estarei este ano novamente integrando, ao lado dos amigos Marcelo Janot, Carlos Alberto de Mattos e Ricardo Cota, entre outros, a equipe do site Críticos.Com, que fará uma das mais completas coberturas do Festival. Confiram!
Escrito por Marcelo às 11h03
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Heranças do samba

Estou curioso para conferir a exposição e o livro do projeto Heranças do samba, que pretende contar um pouco da história do gênero, fazendo a ponte entre antigos e novos compositores. A mostra, que está em cartaz no Espaço Cultural dos Correios, e o livro, escrito pelos bambas Aldir Blanc, Hugo Sukman e Luiz Fernando Vianna e editado pela Casa da Palavra, são parte de um programa que seguirá ao longo de 2005, com shows e o lançamento de cds.
Enquanto finalizava o Prosas cariocas, pude acompanhar um pouco o processo de produção do livro, que, dividido em sete capítulos, centra-se na trajetória dos compositores cuja obra foi fundamental no processo histórico de sedimentação do gênero e no mapeamento de novos talentos. Já no primeiro capítulo - Lampejos de mato e cristal – resplandece a tradição da Serrinha, remontando às origens do jongo e a inauguração de uma linhagem da qual fazem parte, entre outros, Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Dona Ivone Lara, Délcio Carvalho, desaguando em nomes como Zé Luiz, Wilson das Neves e o jovem Bruno Castro.
Filhos do Samba – Amor e Rebeldia, o segundo capítulo, trata das escolas de samba, e sublinha o papel de Portela, Mangueira e Salgueiro, com seus expoentes e suas peculiariedades, na construção do carnaval carioca. Os autores mostram também a influência que as três escolas exerceu (e certamente exerce) sobre diversos compositores, de outros bairros do Rio ou de outros estados, como São Paulo.
No capítulo seguinte - Das rodas de samba ao samba de roda - é a vez de ressaltar a importância de Noel Rosa e do bairro de Vila Isabel para a história do samba. Músicos novos e antigos como Martinho da Vila, Cláudio Jorge, Agrião e Dunga, que constróem verdadeiras crônicas da vida urbana. Nessa parte, o livro aponta também as afinidades entre Vila Isabel e a Bahia, por intermédio de gente como Roque Ferreira e Nelson Rufino.
A história na palma da mão é o quarto capítulo, que apresenta ao leitor o partido alto, talvez a mais complexa forma de se cantar o samba. Os três autores destacam aqui os trabalhos de Martinho da Vila e Zeca Pagodinho, chegando a partideiros menos conhecidos do público, como Tantinho da Mangueira, Jorge Presença, Renatinho Partideiro e Chapinha. Os capítulos posteriores abordam a importância do Cacique de Ramos, de onde saiu o grupo Fundo de Quintal, o "boom" do pagode nos anos 80 e a fase atual, com a revitalização da Lapa e novos atores em cena.
Escrito por Marcelo às 14h19
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Cuenca no JB
Parabéns também ao amigo JP Cuenca, que estréia amanhã uma coluna no Caderno B (Jornal do Brasil). Certamente, será um motivo a mais (num panorama em que, infelizmente, há cada vez menos) para ler o JB.
Escrito por Marcelo às 10h57
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"Porra! Vamos fazer silêncio!"

A frase acima, ou uma de suas variantes, é "dita" sempre aos gritos. Quem está lá pela primeira vez até se assusta, e pode pensar que aquele baixinho que profere as diatribes é mau sujeito. Qual o quê! O querido Alfredinho é uma das pessoas mais amorosas que conheço, coração do tamanho do mundo. Hoje, no seu aniversário, o Pentimento não poderia deixar de lembrá-lo.
Escrito por Marcelo às 10h53
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Poema

Poema que conheci há pouco mais de uma semana. Divido com vocês:
"Significado"
Czeslaw Milosz
"– Quando eu morrer, verei o avesso do mundo. O outro lado, além do pássaro, da montanha, do poente. O significado verdadeiro, pronto para ser decifrado. O que nunca fez sentido fará sentido, O que era incompreensível será compreendido.
– Mas e se o mundo não tiver avesso? Se o sabiá na palmeira não for um signo Mas apenas um sábia na palmeira? Se a Sequência de noites e dias não fizer sentido? E se nesta terra não houver nada, apenas esta terra?
– Mesmo se assim for, restará uma palavra Despertada por lábios agonizantes, Mensageira incansável que corre e corre, atravessa Campos interestelares, atravessa galáxias giratórias, E clama, reclama, grita."
P.S. O quadro é Avesso, de Juliana Carvalho Carnasciali
Escrito por Marcelo às 10h24
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Clarice em texto e imagem
Felicidade clandestina é meu livro preferido entre os tantos publicados pela Clarice Lispector, essa autora a quem, como vocês estão fartos de saber, dispenso imensa afeição. Ontem, conversava por telefone com a amiga Ju, e ela me dizia como o conto Perdoando Deus, que faz parte do livro, tem sido importante por esses dias. É a pedido dela que o posto aqui. A imagem que o acompanha é uma das investidas de Clarice pela artes plásticas: o quadro Tentativa de ser alegre.

"Perdoando Deus"
Clarice Lispector
"Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.
Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso "fosse mesmo" o que eu sentia - e não possivelmente um equívoco de sentimento - que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.
E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.
Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.
Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.
... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe."
Escrito por Marcelo às 10h18
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Em "O Dia"
O lançamento do Prosas mereceu registro hoje na coluna da Claudia Cecília, no jornal O Dia:

"A TURMA que fez o ‘Prosas Cariocas’, livro com 17 contos sobre bairros do Rio, lançado ontem na Travessa e de novo amanhã, na Primavera dos Livros: Ana Beatriz Guerra (E), Flavio Izhaki, Marcelo Alves, Henrique Rodrigues, Cecilia Giannetti, Marcelo Moutinho, Vinicius Martinelli Jatobá, João Paulo Cuenca e Adriana Lisboa"
Escrito por Marcelo às 10h07
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Drummondiando

A pedido do HR, que ama este poema, e ainda no clima do nosso livro...
"Coração numeroso"
Carlos Drummond de Andrade
"Foi no Rio. Eu passava na Avenida quase meia-noite. Bicos de seio batiam nos bicos de luz estrelas inumeráveis. Havia a promessa do mar e bondes tilintavam, abafando o calor que soprava no vento e o vento vinha de Minas.
Meus paralíticos sonhos desgosto de viver (a vida para mim é vontade de morrer) faziam de mim homem-realejo imperturbavelmente na Galeria Cruzeiro quente quente e como não conhecia ninguém a não ser o doce vento mineiro, nenhuma vontade de beber, eu disse: Acabemos com isso.
Mas tremia na cidade uma fascinação casas compridas autos abertos correndo caminho do mar voluptuosidade da vida aos homens diferentes, que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis choraram.
O mar batia em meu peito, já não batia no cais. A rua acabou, quede as árvores? a cidade sou eu a cidade sou eu sou eu a cidade meu amor."
Escrito por Marcelo às 12h38
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O lançamento de ontem

Foi muito bacana o primeiro lançamento do Prosas Cariocas, que aconteceu ontem à noite na Travessa de Ipanema. Presenças ilustres de mestres como o grande Antonio Torres, do Ruy Castro (autor do prefácio), de um sem número de jornalistas (Arthur Dapieve, Paulo Roberto Pires, Manya Millen, Marcelo Janot, Claudinha Lamego, Pedro Paulo Malta, Elis Galvão, Bráulio Neto, Silvio Essinger, Leonardo Lichote, Rosana Lobo, Monica Ramalho), da família, da afilhada e da madrinha, da trupe da OAB, de amigos queridos (sem nomes, sem nomes, para não causar ciumeira...) e dos blogs vizinhos, além de freqüentadores costumeiros deste espaço e escritores que não fizeram parte da coletânea, mas nos prestigiaram, casos de Tatiana Salem Levy, Rosana Caiado, Ronize Aline, Sabine Marins e Francisco Slade. Destaque também para o mítico Alfredinho, que largou o Bip por pelo menos uma hora para prestigiar o evento. Muito obrigado a todos. Aos que não puderam ir, haverá nova chance no sábado (esta, sem cerveja...).
P.S. As fotos acima (Antonio Torres, eu e Flavio ao fundo, e vitrine da Travessa) foram tiradas pela Bá. Nos próximos dias, posto outras...
Escrito por Marcelo às 11h34
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No Globo Tijuca e na Folha
No suplemento da Tiijuca, hoje:
"Maracanã e Muda retratados em livro de contos sobre os bairros da cidade"

Rafael Teixeira
"Um mapa literário da cidade é a base do livro “Prosas cariocas”, que reúne 17 contos de jovens escritores sobre bairros que vão da Pavuna ao Cosme Velho, da Urca a Madureira, passando pelo Centro. A área da Grande Tijuca, como não poderia deixar de ser, também está representada nos bairros da Muda e do Maracanã. Boa parte dos escritores só havia publicado textos em blogs e revistas eletrônicas. Para o organizador da coletânea, o jornalista Marcelo Moutinho, foi uma oportunidade de juntar gente nova, que vem fazendo anonimamente a literatura da cidade. — O mote dos bairros foi providencial porque ao mesmo tempo que mapeamos um pouco desses escritores, mapeamos a cidade também — explica Moutinho. O Maracanã é o bairro onde mora o protagonista de “A escolha de Elias Antero”, do jornalista Sidney Silveira. Segundo o autor, a opção pelo bairro foi natural, já que o personagem é um professor aposentado da Uerj. — Toda a ação se passa naquela área compreendida entre a Uerj, o Maracanã e a Igreja do Divino Espírito Santo — diz Silveira, que morou na Tijuca por 30 anos e só no fim de 2003 se mudou para Copacabana. Outra “exilada” da Tijuca que tem um conto sobre a região é a jornalista Bianca Ramoneda, que escreveu sobre a Muda. O conto “Quando se muda” é praticamente um relato que gera até dúvidas se é autobiográfico. A própria autora ajuda a confundir um pouco mais a cabeça do leitor: — O ponto de partida é documental. Eu de fato moro no Leblon e já morei na Muda. Mas o quanto daí se torna ficção é que não se sabe. “Prosas cariocas” será lançado no sábado, às 19h, no evento Primavera dos Livros, no Jockey Club."
Na Ilustrada (Folha de S. Paulo), ontem:
"Prosas Cariocas" une "elite" de jovens autores do RJ"
" Será lançado hoje, às 20h, na Mega Travessa de Ipanema (r. Visconde de Pirajá, 572, Rio), o livro "Prosas Cariocas - Uma Nova Cartografia do Rio" (Casa da Palavra), coletânea reunindo textos de 17 dos principais jovens autores do Rio. Escritores como Adriana Lisboa, Cecilia Giannetti, João Paulo Cuenca, Antonia Pellegrino, Mara Coradello e Marcelo Moutinho ambientam seus contos cada um em um bairro carioca. O prefácio é do escritor e jornalista Ruy Castro. Um segundo lançamento será no sábado, na Primavera dos Livros."
Escrito por Marcelo às 11h23
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Pautas

Alguns assuntos que iria comentar, mas não deu por causa do fechamento dos jornais e do lançamento do "Prosas":
. O "mico" do Claudio Assis na cerimônia de entrega do Grande Prêmio Tam de Cinema;
. Minha participação no Cadernos de Cinema (Rede Brasil), debatendo A estrela nua, de José Antonio Garcia e Ícaro Martins;
. O Festival do Rio, que se aproxima;
. O FlaxFlu de domingo;
. O livro No andar do tempo, de Iberê Camargo, que achei num sebo em Ouro Preto;
. O disco Nostalgia da modernidade, de Lobão, que andei ouvindo novamente e só melhora com o tempo;
. O poema "Significado", de Czeslaw Milosz (este eu posto na semana que vem);
. O livro/projeto Heranças do Samba.
Escrito por Marcelo às 11h45
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Aqui estamos nós!

Mantendo o tom monocórdico deste blog nos últimos tempos (semana que vem isso passa), aí estão 15 dos 17 autores que constituem o livro Prosas Cariocas. Sim, "constituem", porque se trata de um projeto eminentemente coletivo, e que só tem razão por ser assim: soma, e não oposição. Na multiplicidade de estilos, de histórias, de personagens; na barafunda de escrituras; na profusão de cores fortes e esmaecidas; no grafismo de listras verticais, horizontais e diagonais; na topografia sensual ou acidentada; na fortaleza e na precariedade; ou seja; nas "várias cidades dentro da cidade" (como disse certa vez o Marques Rebêlo), creio que conseguimos construir uma imagem possível do Rio.
Registro aqui meu obrigado a todos os escritores que fazem parte da coletânea, e agradecimentos especialíssimos à Paulinha (pela força, sempre!), à Martha, da Casa da Palavra (por ter acreditado no projeto de dois malucos sem experiência no mercado editorial), e sobretudo ao Flavio Izhaki, parceiro querido que segurou tantas barras nos dias em que estive fora.
O primeiro lançamento é hoje, às 20h, na Travessa Mega de Ipanema. Espero vocês todos lá!
P.S. A ótima foto acima foi tirada pela Vivian Ribeiro, numa deferência à turma...
Escrito por Marcelo às 10h52
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Chique?

Concordo com a Monica: há muito tempo o Joaquim Ferreira dos Santos não fazia um texto tão bom quanto o de sua coluna de ontem. O mote é o livro Chic(érrimo), da Gloria Kalil. Joaquim toca na ferida. A íntegra:
"Ser chique"
Joaquim Ferreira dos Santos
"Gloria Kalil parece uma pessoa naturalmente chique, dessas que não precisam comprar livros sobre o que é sê-lo — ela escreve os livros. Dita as regras do chiquismo . Já vendeu mais de 400 mil exemplares de suas lições. São pílulas, alcachofras de sabedoria. Tentam ensinar desde a maneira correta de se relacionar com os talheres ao volume certo de silicone com que a celebridade deve encher os peitos para não passar do ponto e, ao invés de gostosa, ficar gordosa . É ciência em mutação. O ser-chique feminino já foi prestar atenção para não relaxar e sentar de perna aberta. Complicou. Hoje há mulheres que até se apresentam assim e ficam o fino. Glorinha traça com equilíbrio os limites deste novo bom gosto. Esqueceu apenas de dizer, tão Brasil, que uma pessoa realmente chique não compra livros ensinando como ficar. Eu, que de chique sei apenas o que aprendi no balcão do armazém do meu pai, pesando o arroz sem botar os dedos no prato da balança, tenho claro que o problema do Social Chique Nacional, o SNC, passa longe da melhor cor para as meias num mocassim. Recomendo que Glorinha faça um adendo na próxima edição. Se todo brasileiro mantivesse as mãos, com unhas esmaltadas ou não, longe do bolso alheio, teríamos começado a entender o espírito da coisa elegante. Estaríamos liberados, pelo FMI, pela Danuza Leão, o Julinho Rego e outros arautos do comportamento na cama, na chuva, na fazenda a usar camiseta por baixo, até mesmo por cima, do paletó do smoking. Chique é passar pelo guarda da esquina e não piscar. É apertar o botão na Alfândega e não tremer. É ver o atorzinho da Globo furando a fila de espera no restaurante e gritar “Ei, meu chapa, qualé a tua”. Chique, seja de Vulcabrás ou Manolo Blahnik, é caminhar ético. Nada a ver com roupa, mas com a paz no rosto, no ombro mais bem colocado, delícias posturais provocadas pelo simples assinar a carteira da empregada. Tente. Ninguém encontra a chave do chique atrás do cheque, se me permitem a chiadeira do texto micha. Glorinha precisa vender suas lições. Esconde que esse samba não se aprende na escola da moda. É-se. Mas abrir o jogo para quem sonha em ser bacana ao fim de 258 páginas, convenhamos, seria incompatível com o propósito de delicadeza do livro. Vanderlei Cordeiro de Lima, o maratonista interceptado pelo maluco irlandês, nunca leu um livro desses. Ao beijar a medalha de bronze e não vibrar qualquer rancor, mostrou que chique é correr atrás e de suor limpo. Ser-chique é a foto dos Beatles cruzando Abbey Road. Ah, quem me dera a pose superior, o orgulho chique civil, de atravessar a Jardim Botânico sem ter que olhar em todas as direções com medo de que, entre outros perigos, alguma bicicleta venha na contramão e te beleléu. Viver com medo é brega. Glorinha sabe que educação é a verdadeira bolsa Prada dessa história e, mesmo quando ensina a namorada a dar um pé na bunda, recomenda, primeiro, que não se use expressão vulgar como a da linha anterior, e, segundo, que a coisa seja feita sem sofrimento. “Não incomode”, eis o mantra suíço que atravessa as lições e que as musiquinhas nos celulares não deixam ninguém ouvir. Não pergunte se a vizinha colocou botox nos beiços. A vida vai além da grife na gravata. Não é a beleza das flores. É o que vai escrito no cartão. Não é a grana. É como ela veio parar no bolso. O país não piora com um livro assim. Talvez fique apenas um pouco mais exótico, em tempos PTs, com a nova obsessão em não se falar de depressão na mesa de jantar nem fungar no cangote de quem está à frente na fila do banco. Não adianta. Não temos jeito. Tiro n’água. Já não palitamos os dentes, como fizemos depois de devorar o Sardinha, em compensação o filho do coronel ainda dá baforadas de havana na cara da mãe da delegada e vão todos resolver o barraco na delegacia. Continuamos, como se vibrando aqueles ancestrais carnívoros do bispo português, comendo churrasco cru no Porcão de Ipanema. Infelizmente, não há registro de civilização regada a molho campanha. Um bom começo para um país como o Brasil entrar na era do chique seria dar acesso a água e sabão para todos. Orelha limpa em alguns casos faz mais bonito que um Armani de três botões. Em seguida seriam recolhidas todas as carteiras de sabe-com-quem-está-falando, esse objeto maior, já que o Ronaldinho pegou a Cicarelli, do desejo nacional. Nossos ricos com suas carteiradas são de chanchada. Compram Glorinha e, pela altura com que continuam conversando no Gero, deixam o livro como enfeite na mesinha de centro da mansão feng shui. Não lêem, mal conseguem usar o guardanapo antes de um gole no vinho. Estamos cada vez mais grossos, descombinando sapato e cinto para chamar jornalistas de covardes, e a apenas um palmo da traseira do outro no Rebouças. Glorinha faz o dela. Tarda, porém, o futuro em que deixaremos de tossir frenéticos e encatarrados nas noites de gala do Teatro Municipal. Este mês, justo quando a deselegância frouxa dos prefeitáveis avança nas ruas, está sendo lançado o terceiro volume da coleção, o “Chic (érrimo)”. São basicamente os mesmos toques que Glorinha deu nos livros anteriores. Não adiantaram xongas. O dono daquela importante grife de roupa masculina estava terça-feira à noite no jantar do restaurante D’Amicci, do Leme — de óculos escuros, pode? As madames buzinam ensandecidas na Garcia D’Ávila, algumas com o plástico “Basta!” dizendo no vidro traseiro que o problema da violência é sempre provocado pelo outro. Todo mundo compra “Chic”. Ninguém pratica. Glorinha pede o simples. Sabe que a sua platéia é de nível elementar, gente que compreende como aceitável respeitar as leis de trânsito atravessando de-va-gar-zi-nho o sinal vermelho depois das oito da noite. Ela não complica. Pede para não amassar papel de bala laminado no cinema. Não fumar maconha na frente dos filhos. Se for homem, não use colete — a não ser que você seja o próprio Zuenir Ventura. Mulher, siga Coco Chanel — diante do espelho, troque na roupa tudo que saltar aos olhos. O problema do Social Chique Nacional é a carência de bons exemplos. Zeca Pagodinho até seria um. Depois que pegou o pacotinho da Brahma e largou a loura pobre, deixou de sê-lo. Há outro caso notório de ex-elegante, mas covarde e nem um pouco entendido nas coisas do chique me calo. Afinal, e isso até o presidente Lula sabe, onde já se viu usar meia com mocassim?!!"
Escrito por Marcelo às 10h16
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No Globo Ilha
"Coletânea traz conto sobre jovens insulanos"

"A jovem Cecília Giannetti morou 24 anos na Ilha. Nada mais natural, então, que seu primeiro conto publicado trate justamente daqui. “Ilha debaixo da terra” faz parte do livro “Prosas cariocas, uma nova cartografia do Rio”, coletânea de contos editada pela Casa da Palavra na qual 17 bairros cariocas são coadjuvantes ou protagonistas da verve literária de 17 escritores. Cecília fala da Ilha com carinho, mas não deixa de ser crítica a um comportamento que ela chama de uma “mistura de ‘Twin Peaks’ e ‘Barrados no Baile’”, duas séries americanas de sucesso. — Os jovens da Ilha se escondem atrás de uma imagem de bons-moços comportados, mas, na verdade, fazem muita besteira — diz ela. Cecília está escrevendo seu primeiro romance e terá ainda mais dois contos publicados este ano. — Outro dia, recebi um e-mail de uma antiga professora de redação do Bretanha, dizendo-se feliz pela minha carreira — conta. O lançamento do “Prosas cariocas, uma nova cartografia do Rio” acontece na quarta-feira, dia 15, na Livraria Travessa, às 20h, em Ipanema; e no sábado, dia 18, no evento Primavera dos Livros, no Jockey Club, às 19h."
Escrito por Marcelo às 12h24
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O livro do Dapi

Hoje à noite, na Livraria da Travessa, rolará o lançamento do romance De cada amor tu herdarás só o cinismo, estréia na ficção do botafoguense gente-muito-boa Arthur Dapieve. A história começa num show do R.E.M. O vocalista Michael Stipe canta uma música sobre o fim do mundo quando Dino e Adelaide cruzaram olhares no meio da multidão. Ele, um decadente publicitário de 46 anos, ela, a jovem e irresistível estagiária da agência de publicidade. Apesar de pertencerem a gerações diferentes, o encontro não parecia ser tão ruim, aliás parecia absolutamente sensacional, se o homem e a menina queriam, aparentemente, a mesma coisa. O que no início era um caso tórrido e arrebatador, lentamente se transforma numa melancólica história de amor. De cada amor tu herdarás só o cinismo começa e termina num show de rock. São 15 semanas de amor embaladas pela trilha sonora da geração de Dino – Neil Young, Pink Floyd, Joy Division –, que conduzem o leitor pelos bares e restaurantes da boêmia carioca.
Homem-feito, filhos na faculdade, Dino vivia um casamento morno e sem musicalidade até encontrar Adelaide – linda, ruiva, e livre – e voltar a sentir a excitação do rock’n’roll perdido. Apaixonado, ele acreditou que poderia dar certo. Talvez porque ela fosse jovem, porque não tivesse pressa, porque tivesse fome de viver. O fato é que, inebriado pelos encantos de Adelaide, nosso herói esqueceu que nem tudo é o que parece, que o mundo é um moinho e que em pouco tempo não seria mais o que é.
As informações acima foram retiradas do site da Editora Objetiva, que publica o romance.
Escrito por Marcelo às 11h54
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No Globo Zona Norte
"Quando o cotidiano inspira moradores e vira cenário de histórias da cidade"
Rafael Pinna
"O Mercadão de Madureira, os petiscos da Pavuna e as crianças de Lins de Vasconcelos. A Zona Norte é uma das regiões mais heterogêneas da cidade e cada bairro tem charmes e características próprias. O que é desconhecido por gente de fora e passa muitas vezes despercebido até para moradores agora virou literatura. Sábado chega às livrarias de todo o Rio o livro “Prosas cariocas — Uma nova cartografia do Rio”, da Casa da Palavra. A obra apresenta contos de 17 bairros, três dos quais na Zona Norte. Uma boa oportunidade para quem quiser ler os relatos e se identificar com histórias que, apesar de fictícias, poderiam ter acontecido com qualquer um. Quem leva Lins de Vasconcelos às páginas do livro é Marcelo Alves, de 33 anos. Formado em letras e mestre em lingüística pela Uerj, ele hoje trabalha com educação e jovens em situação de risco social. O autor, que vive no Lins de Vasconcelos desde 1982, fala de uma época em que o futebol de rua fazia parte da paisagem do bairro. — Infelizmente isso não acontece como antes devido à violência. Quem vive há mais tempo no bairro vai se identificar com o conto e moradores recentes vão saber como era a vida na vizinhança. O livro também é uma chan | |