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Vamos às finais, ó pá!

Que Flamengo e Santo André nada!! Hoje é dia de torcer por Portugal. Avante, esquadra lusa!
Escrito por Marcelo às 12h24
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"Qualquer maneira de amor vale a pena"

Um registro da divertida caminhada do Dia Nacional do Orgulho Gay, que aconteceu domingo passado, em Copacabana. Fui conferir a democrática festa de homossexuais e transgêneros, levando, é claro, a minha maquininha digital. Entre as muitas fotos que fiz, achei esta a mais bacana.
Escrito por Marcelo às 12h15
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Filmes

Entre os tantos filmes a que assisti nas últimas semanas, dois me chamaram especialmente a atenção. Dogville é sem dúvida um ponto alto da (irregular) carreira de Lars Von Trier. Excepcionalmente encenado, como se uma peça de teatro fosse, o filme propõe uma interessantíssima discussão sobre provincianismo e aceitação da diferença. Creio que vai muito além do que fazer meramente uma crítica a Bush e seus correligionários. Basta pensar em Tieta do Agreste, lembrar das cidadezinhas interioranas do Brasil, para perceber áreas de contato. Já Moça com brinco de pérola é a estréia promissora de Peter Webber na direção. Com a sutileza adequada e uma ótima direção de atores, Weber flagra a atração insinuada entre o pintor Vermeer e Griet, uma de suas empregadas, numa interpretação cheia de silêncios e hesitações de Scarlett Johansson. A seqüência em que ela entreabre os lábios a pedido do pintor, enquanto ele a retrata, é de uma sensualidade de tirar do sério.
Escrito por Marcelo às 11h44
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"Ai, mas que saudade..."

Hoje, se vivo, meu pai completaria 71 anos. Guardo boas lembranças do velho, apesar da doença que o consumiu e do sofrimento em que se viu enredado durante grande parte da vida. Com as dores decorrentes deste sofrimento, aprendi bastante. Afinal de contas, sou muito parecido com ele em certos aspectos - extremamente emocional, por exemplo - e a gente tem que ter cuidado para dosar bem nossos traços a fim de que venham nos possam ajudar, e não o contrário. Pensei em homenageá-lo aqui com uma canção. De início, seria Nelson Gonçalves, talvez seu cantor preferido. Um dia, com ele já doente, levei-o para assistir a um filme sobre Nelson. Ele chorou a sessão inteira, eu me doendo por dentro. No fim, agradeceu emocionado e pediu que fôssemos ao cinema outras vezes. Fiquei feliz. Em seguida, lembrei de Altemar Dutra, de Roberto Ribeiro... tantos poderiam ser os artistas escolhidos, artistas que ele admirou por toda a vida, e alguns dos quais me ensinou - ainda que indiretamente - a também admirar. Depois de muito meditar, escolhi esta parceria do João com o Paulo César Pinheiro. Meu tributo ao pai. "Eh, vida vôa..."
"Espelho"
João Nogueira / Paulo César Pinheiro
"Nascido no subúrbio nos melhores dias Com votos da família de vida feliz Andar e pilotar um pássaro de aço Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço Com as fardas mais bonitas desse meu país O pai de anel no dedo e dedo na viola Sorria e parecia mesmo ser feliz
Eh, vida boa Quanto tempo faz Que felicidade! E que vontade de tocar viola de verdade E de fazer canções como as que fez meu pai
Num dia de tristeza me faltou o velho E falta lhe confesso que inda hoje faz E eu me abracei na bola e pensei ser um dia Um craque da pelota ao me tornar rapaz Um dia chutei mal e machuquei o dedo E sem ter mais o velho pra tirar o medo Foi mais uma vontade que ficou pra trás
Eh, vida à toa Vai no tempo vai E eu sem ter maldade Na inocência de criança de tão pouca idade Troquei de mal com Deus por me levar meu pai
E assim crescendo eu fui me criando sozinho Aprendendo na rua, na escola e no lar Um dia me tornei o bambambã da esquina Em toda brincadeira, em briga, em namorar Até que um dia eu tive que largar o estudo E trabalhar na rua sustentando tudo E assim sem perceber eu era adulto já
Eh, vida voa Vai no tempo, vai Ai, mas que saudade Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade E orgulho de seu filho ser igual seu pai Pois me beijaram a boca e me tornei poeta Mas tão habituado com o adverso Eu temo se um dia me machuca o verso E o meu medo maior é o espelho se quebrar"
Escrito por Marcelo às 11h05
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Olhares sobre a Justiça

Ainda hoje, no site Críticos.Com, entrará no ar artigo de minha lavra sobre o ótimo documentário justiça, de Maria Augusta Ramos. A respeito do filme, indico também a leitura da primorosa resenha feita pelo Carlos Alberto Mattos. O texto do Carlinhos ambém está no site.
Escrito por Marcelo às 12h54
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Fabiana Cozza no Bip

Dias desses mandei um e-mail para a assessoria da Fabiana Cozza, tentando saber como comprar O samba é meu dom, seu cd de estréia. Hoje recebi a resposta, e com uma ótima notícia: na próxima quinta-fira, a partir das 21h, ela estará no Bip mostrando um pouco do seu trabalho. Os discos serão vendidos no local. Mais um programaço de graça!
Escrito por Marcelo às 12h43
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Sob o signo de câncer

Profusão de aniversários de coleguinhas neste fim de junho, início de julho: além de mim, Anderson Baltar, Paulo Roberto Pires, Leonardo Lichote, Mônica Ramalho, Alexandre dos Santos, Vicente Magno (o PPS). Haverá alguma relação entre o Jornalismo e o signo de câncer?
Escrito por Marcelo às 12h37
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Na Modern Sound

Hoje, também de graça, tem lançamento do cd solo do violonista Caio Márcio (integrante do grupo Tira Poeira), na Modern Sound. O pocket-show começa às 20h.
Escrito por Marcelo às 12h32
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Rádio Nacional de volta

A amiga Zilmar Basílio informa que a célebre Rádio Nacional está ressurgindo, graças à dedicação e ao trabalho do atual diretor, Cristiano Menezes, que conseguiu o indispensável apoio da Petrobrás. Para marcar a volta da rádio, haverá, no próximo dia 1º de julho, às 13h, uma roda de samba em plena Praça Mauá. Entre os convidados, Délcio Carvalho, Wilson Moreira, Wanderlei Monteiro, Dalmo Castello, Nelson Sargento, Mariozinho Lago, Dorina e o grupo Candongueiro.
Escrito por Marcelo às 12h28
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Amanhã

Há quatro ou cinco anos não passo um Dia dos Namorados acompanhado. Podem dizer o que quiser: é uma data comercial, só serve para fazer restaurante e lojas ganharem dinheiro etc. Eu curto. Acho que pode significar um momento de confirmação daquilo que por vezes está guardado no subtexto do dia-a-dia, nas coisas mínimas. É claro que elas valem. Valem muito. Mas passar um dia como o de amanhã junto, jantar num lugar bacana, trocar presentes que signifiquem para o outro, tudo isto é também muito bom - e só ajuda, e só reforça laços. Por sorte, por maturidade, por ter encontrado alguém, por ter aprendido (e estar aprendendo) a compreender a diferença, por mil razões, este ano poderei dar presentes. E eles começam aqui:
"Sonho real"
Lo Borges
"À primeira vista A paixão não tem defesa Tem de ser um grande artista Pra querer se segurar Faz tremer a perna Faz a bela virar fera Quando alguém que a gente espera Quer se chegar
Só de pensar Já me faz mais feliz Nem bem o amor começa Eu já quero bis Chega e instala a beleza No mesmo momento. . .
Ilusão tão boa Quanto o astral de uma pessoa Chega junto, roça a pele E já quer se enroscar Lê seu pensamento Paralisa seu momento Ao se encostar
Felicidade pode estar pelo sim Às vezes do teu lado Tem alguém afim Chega e instala a beleza No mesmo momento. . .
Vem andar comigo Numa beira de estrada Desse lado ensolarado Que eu achei pra caminhar Vem meu anjo torto Abusar do meu conforto Ser meu bem em cada porto Que eu ancorar Felicidade pode estar pelo sim Às vezes do teu lado Tem alguém afim Chega e instala a beleza Momento de sonho real"
Escrito por Marcelo às 15h53
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Dez mais - Livros
A propósito, os meus "dez mais" (a ordem não implica preferência):
. Notas do subsolo, de Dostoievski
. O estrangeiro, de Camus
. Metamorfose, de Kafka
. Felicidade clandestina, de Clarice Lispector
. O livro do desassossego, de Fernando Pessoa
. Poesia completa, do Pessoa
. Os dragões não conhecem o paraíso, do Caio Fernando Abreu
. Quase memória, de Carlos Heitor Cony
. O encontro marcado, de Fernando Sabino
. Contos, de Machado de Assis
Escrito por Marcelo às 10h41
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A "estréia" de Sabino

Uma beleza a Carta que o Paulo Roberto Pires dedicou ao Fernando Sabino no site No Mínimo, no ensejo do lançamento de Os movimentos simulados, romance escrito originalmente em 1946 e que só agora o escritor mineiro resolveu publicar. No texto, Paulo faz alusão ao grande Encontro marcado, um dos meus "dez mais", o que só me fez ficar mais curioso para conferir o livro que ora é lançado.
Só não entendo quando o colunista, ao mencionar Encontro, especula: "Mas se este livro fosse escrito hoje, num mundo fragmentado, exagerado por si só e muito mais distante da culpa, o jovem Fernando Tavares Sabino poderia ser considerado “maldito”, “transgressor” e quantos outros rótulos se tem inventado para enfeixar uma geração que tem pisado fundo nas experiências extremas, na sexualização extremada, numa vontade pouco discreta de afrontar o distinto público. “Os movimentos simulados”, Fernando, é puro rock’n’roll – e me arrisco a transformar isso num elogio mesmo conhecendo tua devoção ao jazz mais tradicional". Trata-se de um elogio ou de uma crítica?
Em qualquer um dos casos, vale a leitura da Carta.
Escrito por Marcelo às 10h36
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"Museu de grandes novidades"

Rosinha de Valença e Ray Charles. Poderia falar de ambos aqui, embora saiba que vários blogs amigos e encarregarão de fazê-lo com mais propriedade. O fato é que ontem assisti ao delicioso filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho sobre o inquieto Cazuza. E posso adiantar que os diretores, roteiristas (Fernando Bonassi e Victor Navas) e, sobretudo, o ator Daniel de Oliveira conseguiram captar muito bem o que foi a década de 80, contextualizando-a historicamente sem forçar a barra e sem maniqueísmos. Ali está uma geração inflada de vitalidade, que simplesmente faz as coisas, para o bem e para o mal. O filme tem clichês? Tem sim. Mas emociona. Emociona pra cacete.
A partir do segundo solo, tive todos os vinis do Cazuza. Vivíamos uma época em que era preciso romper com os "ídolos dos pais" (eles mesmos, nossos queridos Chicos, Caetanos, Bethânia) e eleger novas vozes. Até para remexer um coreto demasiadamente comportado pela apatia. Essa desconstrução, até hoje mal compreendida, foi extremamente necessária e salutar, benéfica inclusive para o que se convencionou chamar de MPB. Rendeu também obras-primas, como a canção abaixo
"Blues da piedade"
Cazuza / Frejat
"Agora eu vou cantar pros miseráveis Que vagam pelo mundo derrotados Pra essas sementes mal plantadas Que já crescem com cara de abortadas Pras pessoas de alma bem pequena Remoendo pequenos problemas Querendo sempre aquilo que não têm Pra quem vê a luz Mas não ilumina suas minicertezas Vive contando dinheiro E não muda quando é lua cheia Pra quem não sabe amar Fica esperando Alguém que caiba no seu sonho Como varizes que vão aumentando Como insetos em volta da lâmpada Vamos pedir piedade Senhor, piedade Pra essa gente careta e covarde Vamos pedir piedade Senhor, piedade Lhes dê grandeza e um pouco de coragem Quero cantar só para as pessoas fracas Que estão no mundo e perderam a viagem Quero cantar o blues Com o pastor e o bumbo na praça Vamos pedir piedade Pois há um incêndio sob a chuva rala Somos iguais em desgraça Vamos cantar o blues da piedade"
Escrito por Marcelo às 10h16
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Santo Antônio

Meu fotolog traz hoje fotos (com a acima) feitas há pouco na Igreja de Santo Atnônio, que está em festa. Confiram!
Escrito por Marcelo às 14h18
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Agora, sim

Agora, sim, falar do túnel do tempo daqueles de fábula em que viajei no sábado passado. A passagem pelas ruas esburacadas, por aquele oceano de peles em busca de compras, por aquelas lojas e casas que não pensam em beleza-ornamento, por aquelas ruas em que muito novo ainda pisei. Agora, sim, falar da intuição de que o Tem Tudo estava perto, ali mesmo onde tomava raspadinha de groselha e brincava aos domingos com o primo André, a mãe dele sempre de olho na nossa galhardia, e a subida do viaduto, pensando no pai que se foi, na mãe querendo "dar passadinha" na casa da Teresa, eu e meu irmão implicando um com o outro, enlouquecendo o carro e os conhecidos. Agora, sim, a descida do viaduto e as imagens da Igreja de São José Operário, do Lemos de Castro, da praça onde havia apresentações dos bombeiros, do Baú da Felicidade, da casa, a casa em que nasci e comecei a conhecer as coisas do mundo, e a curva, e a Rua Carvalho de Souza em frente, e o sobrado dos tios encimando, no carnaval, o cortejo maldito das piranhas, e a Galeria do cinema do flash gordon e dos trapalhões, e as bolinhas de chocolate com crocante, e a loja, não mais verde, sei lá que cor tem agora, e o boteco onde o pai tomava chope meio claro meio escuro com o Roberto Ribeiro, e o bar que vendia trilha frita, e a passarela da linha do trem, e a quadra ao lado, e a pólo um, e as lojas americanas, e aquele caos consentido do subúrbio, e eu querendo explodir tudo isso em sujeitos, verbos, predicados e frases lógicas, mas desde já sabendo inútil, porque às vezes a palavra falta mesmo.
A certeza: nada, nada, nada, ninguém entenderia.
P.S. O quadro é A persistência da memória, de Salvador Dalí
Escrito por Marcelo às 11h21
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"As coisas"

Jorge Luis Borges
"A bengala, as moedas, o chaveiro, A dócil fechadura, as tardias Notas que não lerão os poucos dias Que me restam, os naipes e o tabuleiro. Um livro e em suas páginas a seca Violeta, monumento de uma tarde Sem dúvida inesquecível e já esquecida, O rubro espelho ocidental em que arde Uma ilusória aurora. Quantas coisas, Limas, umbrais, atlas, taças, cravos, Nos servem como tácitos escravos, Cegas e estranhamente sigilosas! Durarão para além de nosso esquecimento; Nunca saberão que nos fomos num momento".
Escrito por Marcelo às 11h00
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O nova-iorquino Geoffrey Hiller iniciou no Brasil, há muitos anos, trabalhando para as revistas Geográfica Universal e a Manchete, um trabalho de fotógrafo viajante ao qual de dedica até hoje. Em 2002 e 2003, esteve por aqui novamente, e são as imagens deste novo passeio (agora em digital) que dão corpo ao ensaio Canto do Brazil, veiculado pelo site dele. Líricas e muito coloridas, os flagrantes da vida no Rio, na Bahia, em São Paulo e em Minas Gerais fazem valer a visita.
Escrito por Marcelo às 10h42
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Mais uma visita ao Carlinhos

Cada visita ao Carlinhos lá da Pedro Lessa acaba representando cds a mais em casa e grana a menos na conta corrente. Hoje, descobri um disco com inéditas do Monarco (que a Paulinha comprou na hora) e fiz novas aquisições, a saber: Resgate, da Cristina Buarque; Luz da inspiração, do Candeia; Os grandes sambas de terreiro do Império Serrano e Mano Décio apresenta a Velha Guarda do Império. O Carlinhos avisou também que na barraca há também novidades do Xangô.
Escrito por Marcelo às 13h59
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Mais blogs
Hoje entram na listinha ali do lado dois novos links. O primeiro é do Memorabilia, da amiga Flávia Marques, que labuta ao meu lado lá na OAB. O Senhorita Elis, da jornalista e gente muito boa Elis Galvão, é o outro blog indicado. Em ambos, comentários sobre arte, cultura e o nosso cotidiano de "comunicólogos tupiniquins".
Escrito por Marcelo às 12h50
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Ufa!

Tanto a falar, tanto a falar: da pizza em Santa Teresa na sexta, do looongo sábado - a quadra da Portela, uma delícia de programa, que ainda por cima incluiu convidados da co-irmã da Serrinha, samba do bom em ótima companhia, depois a esticada no Baratos da Ribeiro, mais amigos, e o final da noite no Chapéu Mangueira, ouvindo Cartola e seu Wilson Moreira e comendo lingüiça encharcada de gordura e batatinhas calabresa - ou ainda do domingo, descobrindo um restaurante charmoso, sono, muito sono, saladinha na Prefácio e jogo da Seleção. Mas estou "pegadíssimo", e não vai rolar. Dois pontos estranhos ao acima relatado:
- Dormi e acabei perdendo minha participação no debate do Cadernos de Cinema, que foi ao ar ontem
- Kill Bill. Que decepção! Para mim, disparado, o pior filme do Tarantino.
P.S. Nas fotos, os casais amigos que, em um momento ou em outro, estiveram conosco ajudando a lustrar ainda mais o final-de-semana...
Escrito por Marcelo às 12h02
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Fotolog
Atenção: tem foto nova lá no Meu Fotolog!
Escrito por Marcelo às 11h10
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Mais uma polêmica do Hockney

Bela matéria da simpática Daniela Name ocupa hoje a parte inferior da página 2 do Segundo Caderno de hoje, repercutindo as declarações do sempre polêmico David Hockney (foto), estudioso da "imagem". Autor de O conhecimento secreto, alentado estudo sobre as técnicas dos mestres da pintura clássica, Hockney agora afirma que a fotografia, após o advento do digital, começou a perder o crédito como "espelho da realidade". Na reportagem da Name, as assertivas do historiador são confrontadas com a opinião (contrária) do fotógrafo e pesquiador Pedro Vazques.
"Espelho quebrado"
Daniela Name
"Ela surgiu desbancando a pintura. Seus inventores diziam que a imagem criada na câmera escura era muito mais real — e, portanto, mais verdadeira — do que as criadas com tinta, na ponta do pincel. Mais de cem anos depois, a fotografia vive um processo de popularização em massa, graças às máquinas digitais. Mas se elas e os celulares ajudaram a tornar os meios de manipulação de uma imagem próximos de qualquer mortal também fizeram com que a fotografia ficasse mais vulnerável. Em entrevista ao jornal inglês “The Daily Telegraph”, o artista britânico David Hockney, estudioso da história da imagem, disse que a fotografia pode estar perdendo o crédito como espelho da verdade.
Para Hockney, a câmera tem mentido mais do que nunca. E o uso das imagens também tem sido o pior possível. Ele cita a armação feita pelo jornal tablóide “Daily Mirror”, que estampou em sua capa uma foto em que um suposto soldado inglês urinava no rosto encapuzado de um prisioneiro iraquiano. Mais tarde, descobriu-se que se tratava de uma montagem, e o editor do jornal, Piers Morgan, acabou sendo demitido.
— Nós não sabemos mais como olhar para uma foto — disse Hockney, que dedicou boa parte da vida a desvendar a veracidade das imagens. — Morgan disse que fotos podem ser reconstruções, mas o fato é que elas continuam sendo vendidas como se fossem verdade.
Para Hockney, as imagens fotográficas hoje são insinuações de verdade. Ele acredita que é mais fácil uma pintura ser verossímil do que uma foto:
— Posso dizer que o Cristo que se eleva no afresco de Piero della Francesca é uma prova de sua ressurreição. Se me perguntarem no que eu acredito mais, numa pintura ou numa foto, direi que, sem dúvida, é numa pintura.
As relações entre pintura e fotografia sempre foram uma obsessão para o artista, que compara o vídeo de arte que mostrou o jogador David Beckham dormindo a uma pintura. Hockney também aproximou as linguagens no livro “O conhecimento secreto”, em que provocou polêmica ao revelar os truques de pintores famosos. Agora, ele diz acreditar que nosso entendimento da guerra e da fotografia mudou profundamente depois da imagem digital.
Graças a ela estamos tendo contato com as fotos que denunciaram as torturas de prisioneiros iraquianos por soldados americanos. Hockney diz que as fotos vieram à tona por causa da obsessão dos militares por suas câmeras e celulares. Mas diz que, daqui a algum tempo, vai ser impossível acreditar no que estamos vendo nos jornais. Para ele, a fotografia vai estar cada vez mais presente, mas seu coeficiente de inverdade vai aumentar muito:
— A digital muda tudo. Em cinco anos, não vai dar para acreditar em nenhuma fotografia, de qualquer fonte. Com o filme, era possível adulterar a imagem, mas você precisava ser um expert. Estamos voltando a pintar!
O que Hockney quer dizer é que a fotografia talvez esteja se metamorfoseando em um tipo de pintura. Um tipo de abstração que põe abaixo qualquer pretensão de “espelho da verdade” do princípio de sua história como linguagem.
— Acho que o Hockney está misturando as estações. Não se pode comparar o fotojornalismo com a foto artística, que seria aquela que compete diretamente com a pintura. A afirmação dele me parece um lobby a favor dos pintores — diz o fotógrafo e pesquisador Pedro Vásquez. — Esta adulteração de imagens do Iraque aconteceu em um jornal sensacionalista. Não se pode julgar todos os fotógrafos a partir de um editor que fez besteira. Seria como tirar a credibilidade da imprensa do mundo inteiro por causa do escândalo Jason Blair (repórter que confessou ter forjado uma série de reportagens no “New York Times”).
Vásquez lembra ainda que a fotografia, desde o princípio, sempre foi uma farsa da realidade. E nunca procurou esconder isso:
— Basta lembrar que as fotos começaram em preto-e-branco e a realidade é em cores. Ela já era uma abstração.
No Brasil, polêmicas como a do retoque das imperfeições da atriz Juliana Paes no ensaio fotográfico para a revista “Playboy” — a Jacqueline da novela “Celebridade” perdeu manchas e celulites com uma ajudinha do computador — aquecem ainda mais a questão. Alguns jornais brasileiros também apagaram digitalmente um braço ensangüentado que jazia, descolado do corpo, numa das imagens mais fortes do recente atentado em Madri. O braço foi apagado em vários países, sempre com o argumento de que a amputação, registrada bem em cima do trilho do trem que explodiu, chocaria os leitores. Seguindo o raciocínio de Hockney, estas imagens adulteradas pelo computador estariam muito mais próximas da pintura do que da fotografia, já que o editor de imagem adultera a matéria-prima inicial para que ela fique próxima do resultado considerado ideal, desejável. Exatamente como acontecia no processo de criação de um quadro, por exemplo, do Renascimento, em que madonas e santos ganhavam roupas do século XV italiano para parecerem mais reais e palpáveis aos olhos de quem os via na tela.
O fotógrafo Marcos Bonisson, que expõe na galeria Artur Fidalgo fotos em que interferiu diretamente na paisagem do Arpoador, concorda com Vásquez que Hockney não pode misturar fotojornalismo com foto como arte. E acha que a pintura não vai voltar à cena com o descrédito da imagem digital, pelo simples fato de que nunca saiu:
— A pintura sempre mandou no circuito e vai continuar mandando.
O fotógrafo e professor Milton Gurán até concorda que a imagem digital é uma abstração, mas diz que o que tornou as fotos de tortura no Iraque tão chocantes foram códigos da própria fotografia.
— As fotos têm uma linguagem de álbum de família, são uma espécie de “vovô viu a uva” visual. São fotos de amador que voltam aos primórdios da fotografia. E são um instrumento de tortura e de humilhação porque foram tiradas como lembranças, para mostrar aos presos o que eles passaram. Não acho de forma alguma que a imagem digital anule a linguagem fotográfica. Imagem digital não é exatamente fotografia, mas a linguagem da fotografia continua existindo. Estas fotos do Iraque mostram isso.
O artista Vicente de Mello, que trabalha com fotografia, acredita que é preciso estar atento ao fim que cada imagem vai ter:
— Se a foto é arte, qualquer abstração é válida. Mas se tem a pretensão de ser um registro objetivo de uma cena é preciso cuidado."
Escrito por Marcelo às 18h07
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Inutilidades da internet
Indicado pelo Flavio, do Bohemias, fui visitar um site que, a partir de um foto do nosso rosto, nos compara aos "traços" de três celebridades, como se fossemos um misto deles. Confiram meu resultado aqui. E não deixem de participar da brincadeira!
Escrito por Marcelo às 18h00
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Oito vezes trinta

"O ameaçado"
Jorge Luis Borges
"É o amor. Terei que ocultar-me ou que fugir. Crescem os muros de seu cárcere, como num sonho atroz. A formosa máscara mudou, mas como sempre é a única. De que me servirão meus talismãs: o exercício das letras, a vaga erudição, o aprendizado das palavras que usou o áspero Norte para cantar seus mares e suas espadas, a serena amizade, as galerias da Biblioteca, as coisas comuns, os hábitos, o jovem amor de minha mãe, a sombra militar de meus mortos, a noite intemporal, o sabor do sonho? Estar contigo ou não estar contigo é a medida de meu tempo. Já o cántaro se quebra sobre a fonte, já o homem se levanta à voz da ave, já se escureceram os que olham pelas janelas, mas a sombra não trouxe a paz. É, já sei, o amor: a ansiedade e o alívio de ouvir tua voz, a espera e a memória, o horror de viver no sucessivo. É o amor com suas mitologias, com suas pequenas magias inúteis. Há uma esquina pela que não me atrevo a passar. Já os exércitos me cercam, as hordas. (Esta habitação é irreal; ela não a viu). O nome de uma mulher me delata. Me dói uma mulher em todo o corpo."
Escrito por Marcelo às 14h13
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