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Cenas cariocas

Estava eu no elevador de um dos prédios da Avenida Marechal Cãmara, quando entra um camarada e pede: "18º andar, por favor." O ascensorista responde: "Mas o edifício só vai até o 15º". O cara não perde a parada: "Então me deixa em qualquer um. Estou no prédio errado mesmo!"...
Escrito por Marcelo às 18h24
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Lisboa concorre ao Jabuti
Saiu a lista dos indicados deste ano ao Prêmio Jabuti, o mais importante das Letras nacionais. Fiquei muito feliz ao ver, na categoria Romance, o livro Um beijo de Colombina, da amiga e grande escritora Adriana Lisboa. Quem acompanha já há algum tempo este blog sabe que sempre fui um entusiasta do trabalho dela. Estou na torcida!
A lista dos indicados:
ROMANCE: “Budapeste” (Cia das Letras), de Chico Buarque; “Cantos de outono” (Record), de Ruy Câmara; “Diário de um fescenino” (Cia das Letras), Rubem Fonseca; “Um beijo de Colombina” (Rocco), de Adriana Lisboa; “Mongólia” (Cia das Letras), de Bernardo Carvalho; “Pérolas absolutas” (Record), de Heloísa Seixas; “A margem imóvel do rio” (L&PM), de Luiz Antônio de Assis Brasil; “Araã” (Hedra), de Evandro A. Ferreira; “A tarde da sua ausência” (Cia das Letras), de Carlos H. Cony; e “Ugolino e a perdiz” (Cosac), de Davi Arrigucci Jr.
CONTOS E CRÔNICAS: “Mínimos múltiplos comuns”, de João Gilberto Noll (W11); “O vôo da madrugada”, de Sérgio Sant’Anna (Cia das Letras); “Famílias terrivelmente felizes”, de Marçal Aquino (Cosac); “Melhores crônicas” (Global), de José Castello; “Brás” (Boitempo), de Lourenço Diaféria; “Memórias inventadas” (Planeta), de Manoel de Barros; “Pequenos amores” (Objetiva), de José Roberto Torero; “Montanha-russa” (L&PM), de Martha Medeiros; “Do B” (Record), de Eugênio Bucci; e “Ilha deserta — Livros” (Publifolha), de vários autores.
POESIA: “Poesia reunida” (Nova Fronteira), de Alexei Bueno; “Sphera” (Record), de Marco Lucchesi; “Macau” (Cia das Letras), de Paulo H. Britto; “Gaiteiro velho” (Bertrand), de Fausto Wolff; “Metade da arte” (Cosac), de Marcos Siscar; “Caveira 41” (Cosac), de Age de Carvalho; “Só a noite que amanhece” (Record), de Alphonsus de Guimaraens F.; “50 Poemas Escolhidos pelo autor” (Galo Branco), de Anderson Braga Horta; “Máquina de escrever” (N. Fronteira), de Armando Freitas Filho; e “Trajetória Poética” (Escrituras), de Álvaro Alves de Faria.
Escrito por Marcelo às 16h39
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Mais uma do Abelão

É a segunda vez que o "treineiro" Abel aparece por aqui, nenhuma delas por ato ou declaração elogiável. Agora, ele aproveitou a briga judicial do Vitória para jogar em seu campo a partida contra o Flamengo pela semifinal da Copa do Brasil (que acabou adiando o jogo), para bradar: "É um absurdo! Se eu estivesse na Europa, não teria que enfrentar isso!. A pergunta que fica: será que se ele estivesse no Velho Continente poderia "orientar" seu time à beira do campo normalmente, como vem fazendo, apesar de ter sido suspenso pelo STJD? "Faça o que eu digo..."
Escrito por Marcelo às 14h32
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Zélia e (boa) companhia

Volta e meia cruzo com ela dando suas corridinhas pela orla da Urca: falo de Zélia Duncan, que lançou um disco no qual registra canções que ouvia na infância e na adolescência, sob influência principalmente da mãe, e que foram fundamentais para que ela decidisse dedicar sua vida à música. Sobre as 20 faixas do cd de Eu me transformo em outras, pairam nomes que marcaram época, como Elizeth Cardoso, Araci de Almeida, Silvia Telles, Nelson Gonçalves, Wilson Batista, Tom e Vinicius, Haroldo Barbosa, Claudionor Cruz e Pedro Caetano, entre tantos outros, o que de princípio revela o desafio ao qual Zélia se propôs. E se ela se sai bem na empreitada é graças principalmente às ótimas companhias escolhidas -Marco Pereira (violão de 8 cordas), Hamilton de Holanda (bandolim), Márcio Bahia (bateria e percussão) e Gabriel Grossi (gaita) - e ao decompromisso que imprime ao trabalho: em vez de optar por simplórias imitações ou buscar roupagens "revolucionárias", Zélia simplesmente canta, e com evidente prazer. Se há um reparo a fazer ao disco, deve-se às desnecessárias "citações" em alguns arranjos. Melhor seria se o os solos dos tão competentes artistas que a acompanham se limitassem à própria canção interpretada. No balanço final, contudo, o saldo é extremamente positivo. Minha faixa preferida no cd é Janelas abertas, mas como não consigo ouvi-la sem lembrar da Elizeth, posto aqui a segundona do meu ranking particular:
"A deusa da minha rua"
Newton Teixeira / Jorge Faraj
A deusa da minha rua tem os olhos onde a lua Costuma se embriagar Nos seus olhos eu suponho Que o sol num dourado sonho Vai claridade buscar.
Minha rua é sem graça mas quando por ela passa Seu vulto que me seduz A ruazinha modesta é um paisagem de festa É uma cascata de luz.
Na rua uma poça d'água Espelho da minha mágoa Transporta o céu para o chão Tal qual o chão da minha vida A minh'alma comovida O meu pobre coração.
Infeliz da minha mágoa Meus olhos são poças d'água Sonhando com seu olhar Ela é tão rica e eu tão pobre Eu sou plebeu e ela é nobre Não vale a pena sonhar."
Escrito por Marcelo às 12h28
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Nana e Danilo na Lagoa

Hoje tem Nana e Danilo Caymmi apresentando-se, de graça, no Parque dos Patins (na Lagoa). O show, em homenagem aos 90 anos do pai, o grande Dorival, começa às 21h.
Escrito por Marcelo às 12h19
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Primeiras frases

"A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la."
In Viver para contar, de Gabriel Garcia Marquez
P.S. O quadro é Sapatos, de Van Gogh
Escrito por Marcelo às 18h18
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Farenheit 9/11

Como informa o Joaquim Fereira dos Santos em sua coluna n' O Globo de hoje, muito em breve poderemos conferir as inúmeras "qualidades estéticas" que fizeram Farenheit 9/11 ganhar a Palma de Ouro, prêmio principal do Festival de Cannes, este ano. O trailer começa a circular por aqui já no próximo dia 25.
Escrito por Marcelo às 16h19
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Teatro-dança na Unirio
Hoje, às 21h, na Unirio, haverá apresentação gratuita do espetáculo de teatro-dança Hipocampelefantocamelo e Brasilianas - Humberto Mauro em dois estudos, cuja cenografia foi desenvolvida pela amiga Juliana Samel. Às 22h15, o jornalista Ronaldo Werneck comandará um debate sobre a peça e para meia-noite está programado um show com a música afro do grupo Tambores do Glória. Basta chegar, entrar e curtir.
Escrito por Marcelo às 15h29
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FLIP no JB

O Caderno B de hoje traz ótima matéria da Helena Aragão sobre a Festa Literária Internacional de Parati. Estaremos lá! O texto:
"Parati globalizada"
Helena Aragão
"Em 2003, a inglesa Liz Calder, sócia da editora Bloomsburyi, conseguiu tornar real seu sonho de transformar a pequena cidade fluminense que escolheu para viver em cenário de um evento sobre livros. Charmosa, a Festa Literária de Parati (www.flip.org.br) deu certo: produziu momentos de informalidade - como o historiador Eric Hobsbawn calçado em chinelos e o romancista inglês Hanif Kureishi correndo atrás do seu filho vestido de Homem Aranha -, recebeu milhares de pessoas, 21 escritores e, basicamente, uma crítica: a pequena variedade de editoras envolvidas no projeto.
A se julgar pela programação da segunda edição da Flip - sigla que já foi incorporada ao vocabulário dos apaixonados por livros - os organizadores conseguiram aparar as arestas. Mais democrática, a agenda, que vai de 7 e 11 de julho, vai dar conta de 16 editoras e 38 autores, com patrocínio do Unibanco e da Biblioteca Nacional. A instituição pública quer aproveitar a vitrine internacional da festa para revigorar seu programa de tradução para livros brasileiros no exterior.
Para dar conta do esperado aumento de público, a tenda dos autores terá 550 lugares (a R$15) e a do telão, 800 cadeiras (a R$ 5). A venda de ingressos para os debates, que foi alvo de reclamações no ano passado, desta vez ficará por conta de uma empresa especializada, a Ticket Master (http://www.ticketmaster.com.br), que começa os trabalhos em 7 de junho.
- Tivemos algumas lições com a primeira edição. Uma diz respeito às leituras, que deram certo, mas devem ser mais curtas este ano. Outra, é a necessidade de contemplar a literatura estrangeira além da anglo-saxã. Teremos 10 países representados - explica o diretor de programação Flávio Pinheiro.
São eles Inglaterra (Jonathan Coe, Ian Mc Ewan e Martin Amis), Irlanda (Colm Tóibin), França (Pierre Michon e Geneviève Brisac), Espanha (Rosa Montero), Portugal (Miguel Souza Tavares e Lídia Jorge), Canadá (Margareth Atwood), EUA (Paul Auster, Siri Hustvedt, Jeffrey Eugenides, Isabel Fonseca), Argentina (Pablo De Santis), Angola (José Eduardo Agualusa) e Brasil (com 20 escritores, como Chico Buarque e Luis Fernando Verissimo).
Chama atenção a quantidade de escritores que lançam obras novas na festa. Como Jonathan Coe, que apresenta Clube dos podres (Record) e lê trecho de Closed circle, publicação inédita mesmo na Europa. Os novos livros do casal Paul Auster e Siri Hustvedt (respectivamente Noite do oráculo e O que eu amava) já estarão nas livrarias e serão lidos por eles. O experiente Pierre Michon vai autografar Vidas minúsculas, seu livro de estréia nunca lançado antes por aqui. Mesmo os que não têm novidades saindo do forno, como Ian McEwan e Martin Amis, já se comprometeram a ler textos inéditos.
O formato dos debates, em mesas temáticas, será mantido para este ano. Vozes femininas, por exemplo, reunirá quatro escritoras: a jornalista Rosa Montero é a única com lançamento programado (de A casa da louca). Enquanto Isabela Fonseca vai falar da prosa de Elisabeth Bishop, Geneviève Brisac fará uma reflexão em torno da obra de Virgínia Woolf e Adriana Lisboa lerá trecho de seu Um beijo de Colombina.
- O texto narrado pela voz do próprio autor dá ao público a noção de que esta é apenas uma das leituras possíveis - diz a autora carioca.
Mais fiel ao desenho do mercado editorial brasileiro atual, o festival também vai estimular os jovens escritores que sonham ser atrações de mesas no futuro. A primeira ação neste sentido é abrigar o lançamento do número de estréia da revista carioca Paralelos, que reúne a prosa de representantes da ''novíssima literatura brasileira''.
- São cerca de 30 contos e uma espécie de bonus-track, com um bate-papo que mostra quais são os seus anseios e expectativas dos autores - explica o editor Augusto Sales.
As angústias não devem ser muito diferentes das vividas por jovens que já estão no mercado e participam da mesa Caras novas: o mato-grossense Joca Terron, o pernambucano Marcelino Freire e o gaúcho Daniel Galera discutem a face urbana de suas obras.
A turma da Paralelos é também uma das organizadoras (junto com outras publicações, como a Ácaro de São Paulo) da segunda atividade destinada a estreantes: uma oficina de romance, ministrada pelo escritor amazonense Milton Hatoum, em que os 50 participantes concorrerão a bolsa de um ano para escrever um livro.
Com tantas atrações, a segunda edição da Flip parece destinada a repetir o sucesso de 2003. O desafio dos organizadores para 2005 será diferente: manter a qualidade e evitar o crescimento excessivo."
Escrito por Marcelo às 15h11
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"Um copo de cólera" na TV

Hoje pela manhã participei da gravação do programa Cadernos de Cinema, exibido aos domingos, às 23h30 (com reprise aos sábados, no mesmo horário), pela Rede Brasil (antiga TVE). A emissora terá a coragem de colocar no ar o filme Um copo de cólera (quem viu, sabe por que estou falando isso...), dirigido por Aluizio Abranches, com base na novela homônima de Raduan Nassar. Após a transmissão do filme, será veiculado o debate do qual participei, ao lado da atriz Julia Lemmertz, do diretor teatral Moacyr Chaves e e da escritora Marcia de Almeida. O programa passa no dia 6 de junho. Quando estiver mais próximo, dou outro aviso aqui.
Escrito por Marcelo às 14h41
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E Xerém brilha na Europa...

Ao contrário de muitos amigos fãs de futebol - que admiram o Real Madrid, o Barcelona, o Arsenal... -, torço por um único time fora do Brasil: o Futebol Clube do Porto. Isto, desde que estive na bela e lírica cidade, conhecida por seus vinhos e pela imagem da Ribeira, que, às margens do Rio D'Ouro, reúne ótimos bares e restaurantes. Tenho lá um amigo, o Nuno, e todas essas lembranças me vieram à mente ontem, quando o Porto conquistou o título máximo da Europa: a Liga dos Campeões da Uefa. Para dar ainda mais brilho à notícia, o primeiro gol (um golaço!) foi de uma cria de Xerém: Carlos Alberto, pura alma tricolor. Parabéns aos irmãos portugueses!
Escrito por Marcelo às 10h55
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Novos links
A partir de hoje, o Pentimento conta com mais dois novos links. O primeiro é o Gotas de Luar, da Gi, que já há algum tempo vem freqüentando este espaço e os blogs amigos. O segundo vem diretamente de Lisboa: é o Absorto, do Eduardo Graça.
Escrito por Marcelo às 18h15
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Raduan, simplesmente

"(...) tínhamos então as pernas curtas, mas debaixo desse teto cada passo nosso era seguro, nos parecendo sempre lúcida a mão maciça que nos conduzia, era sem dúvida gratificante a solidez dessa corrente, as mãos dadas, a mesa austera, a roupa asseada, a palavra medida, as unhas aparadas, tudo tão delimitado, tudo acontecendo num círculo de luz, contraposto com rigor - sem áreas de penumbra - à zona escura dos pecados, sim-sim, não-não, vindo de parte do demônio toda mancha de imprecisão, era pois na infância (na minha), eu não tinha dúvida, que se localizava o mundo das idéias, acabadas, perfeitas, incontestáveis, e que eu agora - na minha confusão - mal vislumbrava através da lembrança (ainda que viesse inscrito no reverso de todas elas que "a culpa melhora o homem, a culpa é um dos motores do mundo"), ao mesmo tempo em que acreditava, piamente, que as palavras - impregnadas de valores - cada uma trazia, sim, no seu bojo, um pecado original (assim como atrás de cada gesto sempre se escondia uma paixão) (...)"
Escrito por Marcelo às 16h49
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A bossa é paulistana?

Em matéria publicada hoje no Caderno B, o repórter João Bernardo Caldeira comenta sobre um documentário ainda a ser lançado, que pretende mostrar que o movimento da bossa-nova teve forte desenvolvimento também em São Paulo. O filme da diretora Débora Veríssimo ainda está em produção, mas promete provocar algum barulho. Um trecho da matéria:
"Ela é paulistana, ela é paulistana?"
João Bernardo Caldeira
"A história da bossa nova pode estar prestes a ser reescrita. Um projeto de documentário aprovado pelo programa Petrobras Cultural pretende mostrar que o gênero não foi criado apenas por Tom Jobim, João Gilberto e Vinicius de Moraes. Segundo a paulistana Débora Veríssimo, 41 anos, diretora de publicidade que usará o tema para estrear na seara dos filmes, havia uma importante filial do movimento em São Paulo. Não chega a ser novidade que a Terra da Garoa abrigou expoentes do gênero, como César Camargo Mariano. Difícil é determinar a real importância da cidade para a bossa nova, tanto em termos criativos como profissionais.
Jane Moraes, 60 anos, será uma das entrevistadas do documentário. Mãe da diretora e ex-integrante do trio de bossa Os Três Moraes, da década de 60 (mais tarde, ela formaria com o marido a dupla Jane & Herondy) , ela reclama do preconceito contra os paulistas, o que teria contribuído para mergulhar artistas como Sérgio Augusto, autor de Barquinho diferente e Deixa pra lá, gravadas por Claudete Soares no esquecimento.
- O próprio João Gilberto freqüentava a minha casa. Ele vinha tocar e ganhar dinheiro em São Paulo, inclusive usando o violão do meu irmão emprestado. Mas parece que ele faz questão de não falar ou não lembrar disso - diz.
A afirmação suscita reações diversas no meio musical.
- Todo dia aparece alguém dizendo que o João Gilberto tocou em seu violão - ironiza o jornalista Ruy Castro, autor de Chega de saudade - A história e as histórias da bossa nova.
Autor da música-ícone O barquinho (em parceria com Ronaldo Bôscoli), o capixaba Roberto Menescal ajudou a fundar o movimento no Rio.
- João ia na minha casa duas vezes por semana, mas e daí? Isso não tem importância. Estou curioso para ver esse documentário. É a mesma coisa que fazer um filme sobre o futebol na Suíça - brinca Menescal. (...)"
P.S. Na foto, Claudette Soares, entre Pedrinho Mattar e Sergio Augusto. Leia o texto na íntegra aqui.
Escrito por Marcelo às 11h38
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Donanna na TV
Atenção, cinéfilos e fãs de bizarrices em geral: hoje, às 23h, estréia no Canal Brasil o programa Tarja Preta. Funcionando como uma espécie de Cantina Donanna do cinema nacional, o programa apresentado pelo ator Selton Mello promete levar ao ar entrevistas com nomes como Zé Bonitinho, Carlos Mossy e Agildo Ribeiro. A proposta, adianta Selton, "é privilegiar o torto". Ou seja, não haverá correção de som, censura a palavrões ou coisas do gênero. O primeiro entrevistado (o de hoje) é Paulo César Peréio. Mas o programa não se limitará ao bate-papo. Está previsto, por exemplo, o quadro Seqüência Phoda, dedicada a veicular algumas das cenas, digamos, "mais quentes", da pornochancahada nacional. Imperdível, não?
Escrito por Marcelo às 11h12
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Falando sobre sexo

O site Críticos.com publica ainda hoje minha resenha sobre a divertida comédia Falando sobre sexo, dirigida por John McNaughton e estrelada por Bill Murray, James Spader, Lara Flynn Boyle e Jay Mohr. Um trecho:
Falando sobre sexo certamente não é uma comédia para ficar na lembrança; passa ligeira como o gosto de um doce consumido no meio da tarde. No entanto, uma inevitável sensação de surpresa toma de assalto o espectador quando lembra que a direção do filme coube a John Mc Naughton, o mesmo que "cometeu", em 1998, o apelativo "Garotas selvagens". Ao contrário do que ocorre naquele arremedo erótico-noir que misturava de forma insossa sexo e ação, em Falando sobre sexo o diretor revela comedimento e acerta no tratamento farsesco ao explorar a trama que envolve um casal à beira da separação, dois terapeutas e uma disputa judicial
Melinda (Melora Walters) e Dan (Jay Mohr), à beira a separação, buscam ajuda para resolver seus problemas conjugais e acabam envolvidos numa tremenda confusão, muito por culpa das trapalhadas de seus analistas - a dra. Emily Page (Lara Flynn Boyle) e o dr. Roger Klink (James Spader) – e do conflito estabelecido entre os dois advogados vividos por Bill Murray e Magen Mullaly. A usual premissa poderia ganhar tratamento banal, mas adquire contornos interessantes porque Mc Naughton habilmente sugere, sob a capa do enredo, a existência de um verdadeiro divórcio entre a linguagem popular e as nomenclaturas técnicas. Concentrando-se, no caso, em termos afins ao Direito e à Psicanálise (...).
Escrito por Marcelo às 10h23
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100 anos do Bangu

Muito bacana o documentário sobre os 100 anos do Bangu Atlético Clube, reprisado ontem pela ESPN Brasil. Além de deliciosas histórias sobre a atuação do bicheiro Castor de Andrade (ou "seu Castor", como prefere o pessoal que conviveu com ele), grande patrono da entidade, o filme expõe felizes lembranças dos tempos de glória, capitaneadas pelos atletas conquistaram o título carioca de 1966. Através do depoimento deles, vimos como foi de fato vergonhosa a atitude de dirigentes rubro-negros e do jogador Almir, que provocaram uma grande briga na metade do segundo tempo da partida final, simplesmente para impedir que o time do Bangu desse a volta olímpica no Maracanã. O grande momento do documentário, porém, é mesmo o relato do ponta-esquerda Ado, sobre o pênalti perdido que impediu aquela que seria a maior conquista do clube: o campeonato brasileiro de 1985. Acompanhei de perto a história, porque a partir da fase semifinal fui ao então "maior do mundo" torcer pela equipe. Ado fala do assunto um desconforto que chega a doer dentro de quem lhe assiste.
Escrito por Marcelo às 10h12
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Ionesco no CCBB

Na sexta passada, fui conferir a montagem de As cadeiras, "farsa trágica" de Eugène Ionesco, em cartaz no Teatro do CCBB. Dirigida por Massoud Saidpour e estrelada pelo ótimo Ricardo Blat e por Ana Paz, a peça é um mordaz ataque às vazias convenções sociais que nos cercam, o desgaste da "palavra" diante de sua banalização, encerando ainda uma reflexão dorida sobre nossa "necessidade" de reconhecimento, ainda que se sustente em bases frágeis ou simplesmente imaginadas. A trama é simples. Blat interpreta um homem que vive numa ilha isolada, acompanhado apenas da mulher (Ana Paz) e destroçado existencialmente. Com um emprego medíocre – pelo menos diante das ambições iniciais dele próprio e da companheira -, ele se prepara para o dia em que afinal será revelada ao mundo a sua "Mensagem", através de um Orador previamente escolhido. Para ouvi-la, convida professores, jornalistas, presidentes, reis e rainhas, que supostamente se sentarão nas tais cadeiras a que alude o título.
Tenho que confessar que no início da montagem temi pelo que vinha. O exagero gestual nas interpretações de Blat e Ana nada acrescentavam ao texto já essencialmente "absurdo" de Ionesco, soando redundante. Aos poucos, porém, ambos encontram o tom e conseguem retirar toda a força que a peça contém (é dispensável apenas a referência ao Rio de Janeiro, uma boba tentativa de "atualização"). Não sou crítico de teatro, mas desde já deixo a dica: vale a pena conferir "As cadeiras".
Escrito por Marcelo às 10h01
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Kill Bill em promoção

Como a maioria já sabe, ainda não vi "Kill Bill", do Tarantino, e já estava preocupado com a possibilidade de o filme sair de cartaz. Eis que após o almoço, caminhando pela Rua da Assembléia, deparo-me não só com a primeira parte, mas também com a segunda (que só estreará no Brasil no final do ano) sendo vendidas em DVD (pirata, é claro) num camelô. Negociei um pouco e rapidamente fechei negócio: as duas por R$ 25,00. Feito o acerto, ainda ganhei um cartão com o telefone do camarada, que me garantiu o fornececimento de qualquer produção que esteja nos cinemas...
Escrito por Marcelo às 14h18
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Dedos das moças

A Mariana, a Eugênia, a Patrícia, a Luise e a Vicki, algumas das quais já mantêm blogs próprios, lançaram ontem o Dedos das Moças, um novo espaço na internet, no qual cada uma escreverá um artigo diariamente (de segunda a sexta). O texto de estréia é da Mariana. Confiram!
Escrito por Marcelo às 12h06
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Não haveria Guevara...

Interessantíssima a coluna de Roberto Pompeu de Toledo na Veja desta semana. No texto, ele arrola possibilidades sobre como estaria Che Guevara hoje, caso não tivesse morrido. E com pertinência conclui: ao contrário do que vem afirmando o Walter Salles, não dá pra pensar o filme Diários de motocicleta sem se livrar do "peso" do mito...
As supostas vidas de Ernesto Guevara
Roberto Pompeu de Toledo
Ernesto "Che" Guevara conheceu o martírio nas selvas da Bolívia, aos 39 anos, e virou pôster. E se tivesse sobrevivido? Algumas hipóteses:
• Teria voltado a Cuba, se reintegrado ao governo e até hoje figuraria entre os quadros mais altos da administração da ilha, em perfeita consonância com o companheiro Fidel Castro. Guevara, aos 75 anos, teria ralos pêlos brancos na cabeça e na barba e, fiel à farda, assim como Fidel, sofreria, no entanto, o inconveniente de ela acentuar-lhe a barriga avantajada. "Guevara ordena a prisão de mais um grupo de escritores e jornalistas dissidentes" seria o tipo de notícia com o qual ele vez ou outra voltaria à tona. Ou, então: "Guevara defende o fuzilamento do oficial acusado de conspirar contra o regime cubano".
• Teria rompido com Fidel Castro, desencantado com a burocratização do regime e com o alinhamento ao sistema soviético. Depois de perambular por vários países latino-americanos, teria chegado a Ribeirão Preto, onde a sorte o aproximaria de um jovem chamado Antonio Palocci. Apesar da diferença de idade, vários traços comuns os uniam. Eram ambos médicos, estavam ambos mergulhados na revisão de seu esquerdismo original, e engajavam-se ambos no mesmo esforço de aprender a conviver com a economia e a política como elas são, não como gostariam que fossem. Guevara se tornaria um dos mais íntimos colaboradores de Palocci, quando este se elegeu prefeito da cidade, e teria continuado ao lado do amigo se a Argentina não viesse a reclamar sua presença, à época da eleição do presidente Néstor Kirchner. Kirchner, encantado com a mistura de idealismo e pragmatismo do doutor Guevara, chamou-o para ministro das Finanças. Hoje, como Palocci no Brasil, ele estaria administrando a economia de seu país natal com realismo e prudência. Suas políticas seriam muito apreciadas pelo mercado.
• Teria, depois da Bolívia, dado continuidade a seus ingentes esforços revolucionários no Chile de Salvador Allende. Seu idealismo e seu ardor estariam agora a serviço de uma nova tentativa de construção do socialismo, e de um socialismo diferente, mais aberto e democrático do que o implantado em Cuba. No Chile teria conhecido um jovem exilado brasileiro de nome José Serra. A amizade entre os dois se solidificaria quando, por ocasião da queda de Allende, escaparam juntos do Chile. Passaram então a perambular pelo mundo, sempre em contato um com o outro, trocando idéias e experiências, enquanto, em paralelo, se despiam das idéias radicais da mocidade. Depois de ter finalmente voltado ao Brasil, Serra escreveu-lhe falando maravilhas do grupo político com que se entrosara, no qual brilhavam figuras como Franco Montoro, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, e perguntando: não desejaria ele transferir-se para o Brasil, e incorporar-se à mesma turma? Guevara aceitou. E eis como, hoje, ele seria, se não um prócer, porque estrangeiro, uma importante eminência parda do PSDB. Na boca do povo, seria "o argentino do PSDB", em contraposição a Luis Favre,"o argentino do PT".
• Teria abandonado a política, assim como Rimbaud abandonou a poesia, e virado um aventureiro metido em obscuras transações comerciais. A aproximação entre os dois é pertinente. Guevara é o Rimbaud da política, assim como Rimbaud é o Guevara da poesia. Rimbaud virou traficante de armas na África. Guevara escolheria algo igualmente maldito e transgressor, a única maneira de dar vazão à sofrida morte do sonho revolucionário.
• Teria abandonado a política mas, ao contrário da hipótese anterior, abraçado uma existência de perfeita paz e harmonia burguesa. Assim como certos autores imaginam Jesus casado com Maria Madalena, cercado de filhos e vivendo a vida de um homem comum, se tivesse escapado da cruz, eis o antigo combatente de Sierra Maestra estabelecido com um consultório médico, partilhando a casa com mulher e filhos e querido dos vizinhos. Digamos que vivesse num bairro de classe média de Lima, ou de Caracas, capitais de países que conheceu na juventude, durante uma louca viagem de motocicleta. Ou, então, estaria vivendo em... Ousaríamos dizê-lo? Ou, então... Não é nossa intenção achincalhar o ídolo, mas, vá lá, desculpemo-nos e sigamos em frente. Ou, então... estaria vivendo em Miami. Sim, Miami. E achando que Jeb Bush não governa assim tão mal a Flórida.
Tudo isso foi para dizer que o belo Diários de Motocicleta, filme de Walter Salles ovacionado no Festival de Cannes na semana passada, só faz sentido se o espectador tem em mente algo que não consta do entrecho – o fim nobre e trágico do personagem. Se Guevara tivesse escapado de morrer na Bolívia e assumido qualquer das encarnações acima, os diários que escreveu sobre a viagem de motocicleta não teriam valor. A própria viagem não teria valor. E não haveria filme, e não haveria pôster. Não haveria nem Guevara, pois Guevara só é Guevara porque sua vida se congelou antes de ficar pronta".
Escrito por Marcelo às 10h36
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Ótima opção no dial

A partir da próxima segunda-feira (dia 31), todos nós que penamos para ouvir boa música nas rádios vamos ter uma ótima opção (pelo menos uma vez na semana, das 22h às 23h...): é que o amigo Janot estreará na Globo FM (92,5) o programa Identidade Brasileira – As várias faces da nossa música, que promete misturar ritmos e estilos sem preconceito, mapeando os tesouros do nosso cancioneiro e oferecendo ao ouvinte também pitadas de informação sobre como a MPB se vem reciclando e se reinventando desde o século passado. O programa será reprisado no bar Melt, no Leblon, às quartas-feiras, sempre antes do início da festa Identidade Brasileira, também comandada pelo DJ Janot.
Escrito por Marcelo às 10h06
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Os jongos, cirandas e sambas do Lúcio

Na sexta-feira, eu e Paulinha estivemos no Bar do Ernesto, após uma rápida (mas clássica) passada no Capela, para prestigiar o amigo Lúcio Sanfilippo, que comemorava seu aniversário. Noite agradabilíssima, não só devido ao ótimo repertório do cantor e do bolo de chocolate que causou sensação. É que, além disso, houve a canja muito bacana das cantoras do Jongo da Serrinha (Deli Monteiro, Lazir Sinval e Luiza Marmello), que, aliás, estarão amanhã se apresentando no Teatro Rival.
Escrito por Marcelo às 14h20
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Fotolog atualizado

Ó, só pra avisar: tem fotos novas no meu fotolog...
Escrito por Marcelo às 11h52
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Blog da Mônica Ramalho
A Paulinha foi quem descobriu, mas já estive lá e conferi que é muito bacana o blog O meu fusca fala, da Mônica Ramalho. Fica aqui a indicação. Hoje mesmo vou botar um link ali nos indicados...
Escrito por Marcelo às 11h27
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Longe da água

Também no sábado passado, mas no caderno Idéias, foi publicada a minha resenha sobre o livro Longe da água, do Michel Laub. Como houve alguns cortes no texto, posto o original aqui:
Angústias e desejos que flutuam sobre a água
Longe da água - Michel Laub / Editora Companhia das Letras / 128 páginas / R$ 28,00
Marcelo Moutinho*
Três temas dominantes - fonte de vitalidade, meio de purificação e centro de regenerescência - encerram as clássicas significações simbólicas da água. Quando se trata especificamente do "mar", seu constante movimento confere à metáfora contornos mais ambíguos, que apontam para a flutuação de sentimentos e desejos de nossa existência. Neste estado transitório entre possibilidades e realidades configuradas movem-se os três principais personagens de Longe da água, recém-lançado romance de Michel Laub.
Conduzido por um protagonista anônimo, o enredo concentra-se na lembrança de sua convivência com Jaime e Laura quando os três, ainda adolescentes, seguiam de Porto Alegre para o litoral nas férias de verão. O envolvimento do desinibido e conquistador Jaime com a garota, sob os olhares dúbios e tímidos do amigo, anuncia o triângulo amoroso que será tragicamente interrompido, e cujas conseqüências ao longo do romance moverão as idas e vindas (geográficas e temporais) do narrador, hoje um bem-sucedido e balzaquiano editor de livros em São Paulo.
Resumida assim, a trama poderia denotar um simplismo capaz de afastar leitores mais exigentes. Porém, como o autor nos adverte logo na primeira frase, "nada pode ser tão banal" e "não é bem disso que estamos falando". Pois embora concentre-se em tão (aparentemente) frágil argumento, Laub demonstra tamanho domínio da tessitura literária que, além de revesti-la de uma delicadeza que exprime o estado interior do narrador, consegue espelhar a abissal culpa que carregará a partir daquela temporada de verão na praia. A cada retorno ao episódio que demarcou para sempre as trajetórias dos três, novas luzes são acrescidas. Tal mecanismo realça a tentativa de esmiuçar o passado atrás de um sentido moral, e torna o leitor solidário dessa busca, o que é sugerido num desabafo do personagem: "O que as pessoas não entendem é que você não pode revelar o que elas realmente gostariam de saber".
As quatro partes em que Laub divide o romance – "Longe", "Água", "Mais longe" e "Mais água" – refletem as sucessivas aproximações e distanciamentos entre o protagonista e aquela que constitui a alegoria central da história, e que tanto ele quanto Jaime tentaram na juventude dominar: como surfistas, o desafio de ambos era manter-se de pé, logrando algum "controle" sobre as ondas. Era um tempo de "estréias": "Não há ninguém que escape disso, sempre há uma primeira vez, o dia em que a sua vida toma rumos inesperados por causa de outra pessoa, (...) em que se toma um caminho sem volta, mesmo que seja o caminho torto, no qual a amizade se transforma em desconforto, e a admiração se transforma em inveja, e o resto do que esta dentro de você se transforma em rancor e em ódio e em vingança".
Ainda que encare com algum ceticismo o presente - eivado de uma "estabilidade" claudicante -, ao debruçar-se sobre a adolescência o narrador não chega a resvalar na nostalgia. Mostra-se, ao contrário, pleno de tormento. Até porque naquele cenário deram-se duas referências essenciais - o beijo fundado numa traição e a morte -, que viriam a perdurar pelos anos subseqüentes. Ele mesmo o ressalta: "Sempre me causaram espécie os marcos idílicos que se imiscuem nas lembranças, o parâmetro a ser homenageado pelo resto dos dias, o metro de pureza em comparação com qualquer cenário posterior. Comigo nunca seria assim: a angústia que eu sentia por continuar pensando em Laura e em Jaime, por continuar remontando ao dia em que ele morreu e o dia em que a beijei, porque esses foram os verdadeiros dias, (...) não apontava para nenhuma forma de homenagem". Afinal, o passado continua dentre dele, "não há como se livrar", e malgrado a conquista da serenidade, nem mesmo quando é "homem pronto e completo" e a vida, como vaticinou Paulo Henriques Brito, tão-só um "caldo morno", parece suscetível de se dissipar.
* Jornalista e escritor
Escrito por Marcelo às 11h11
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Desconstruindo Young

Antes de qualquer coisa, reproduzo aqui a esclarecedora e necessária resenha que o amigo Sidney Silveira escreveu para o Prosa e Verso, sobre o novo livro da poseur Fernanda Young. Um texto que merece ser lido:
"Uma engenhosa idéia de romance maculada por vulgar amoralidade"

Aritmética, de Fernanda Young. Editora Ediouro, 400 pgs. R$ 49
Sidney Silveira
"Não se tem notícia da forma, possivelmente heróica, como Ulisses possuiu a sua Penélope, talvez numa noite cálida em Ítaca, após 20 anos de fiel abstinência da mulher, e nem das preferências sexuais de Édipo e Jocasta, antes de se revelar a tragédia de ambos. Também desconhecemos se Capitu realizava algum fetiche proibitivo com Bentinho, ou que êxtases a imaginária Dulcinéia del Toboso seria capaz de proporcionar ao fidalgo D. Quixote, sob a sombra dos moinhos de vento e sonho. Mas embora não desçamos a detalhes íntimos destes famosos personagens, eles encarnam dramas e dilemas da condição humana, que são os de sempre: o bem e o mal, a vida e a morte, o amor e o ódio, a descrença e a fé, a verdade e o mistério, a razão e a loucura, o ciúme, etc. Fazer de tudo isso um pastiche quase indiscernível — tendo como pano de fundo o prazer erótico, e como instância máxima o egoísmo — foi obra do mundo moderno. A visão reducionista do ser humano a sexo, egolatria e violência, da qual nos deixamos impregnar, está fazendo a literatura deixar de ser literária, para tornar-se “literal”. O caso de Fernanda Young, em seu livro “Aritmética”, é típico: uma engenhosa idéia de romance não encontra execução à altura, por diferentes motivos. Um que salta aos olhos é a tediosa predominância da motivação sexual nos questionamentos dos personagens, que, em boa parte do livro, são machos e fêmeas reféns de minúcias performáticas em vista do gozo mais intenso, a partir do qual orientam as suas escolhas. Advirta-se que, no mundo atual, não temos o direito de ser puritanos, de corar como donzelas vitorianas ao ler uma frase vulgar (e no livro há muitas!). O problema é: a banalização da amoralidade faz desses personagens meros títeres, e lhes tira a tensão humana entre ser e dever-ser, que distingue o verdadeiro personagem do fantoche. São figuras antiliterárias, e literais caricaturas. O mote de Fernanda Young para o livro é excelente. João Dias, escritor de cerca de 40 anos, casado, “descobre” América, mulher também casada, e grávida, por quem se apaixona. Isto em 1962. Dada a impossibilidade de se manterem como amantes regulares, eles decidem ver-se em datas marcadas numa progressão geométrica, sempre dobrando o intervalo entre cada encontro: um mês, dois meses, quatro meses, oito meses, 16 meses, e assim por diante. Às vésperas do décimo encontro, já com mais de 70 anos, João Dias resolve fazer um balanço de sua vida, e aí a trama se divide em diferentes narrativas, ora do filho de João Dias, Eduardo, também escritor, ora de sua neta Mariana, ora de um narrador onisciente, etc. A autora tem o mérito de manter a unidade estrutural do livro, em meio a essas múltiplas vozes, e sugere o comportamento abjeto dos protagonistas como uma maldição familiar, atavismo que começa no ato de João Dias e América, o “pecado original” transmitido às gerações futuras. Até aí, tem-se um instigante roteiro. Mas literatura é mais do que planificação, mais do que um bom enredo, mais do que o afã iconoclasta, na maioria das vezes juvenil, de querer pôr abaixo imagens socialmente aceitas. E Fernanda Young se perde na superfície da própria visão de mundo, espargida nas digressões e atos dos narradores, os quais chegam a parecer uma só pessoa, com idêntica perspectiva, por assim dizer “fálica”, diante das situações da vida. Talvez por falta de referências filosóficas de João Dias, permeia o livro um misto de pseudofreudismo e nietzschianismo, que resulta em coisas como: a arte vista, apenas, como o expurgo de fantasmagorias do inconsciente humano, e o artista, como um sujeito antiético cuja biografia sequer deva ser conhecida; ódio à velhice, despontencializadora da vontade; perda das nuances da alma humana e redução de tudo ao fator sexual; mentira como fim inescapável das relações; incapacidade para um amor que seja doação desinteressada; inveja e hipocrisia. Se houvesse um só personagem ciente da degenerescência moral em que as coisas vão, testemunha perplexa de um mundo corrompido, a história teria outra força. Mas todos, sem exceção, estão numa caverna platônica absolutamente escura, na qual os homens estão na “estúpida significância de possuir um pênis”, e as mulheres são capazes de ter o órgão sexual “umedecendo-se de culpa” (sic). Neste cenário, João Dias e Eduardo, os artistas do livro, adotam um tom confessional que se pretende sincero, para narrar coisas escabrosas. Acontece que, na vida, a honestidade ultrapassa a sinceridade, pois as maiores aberrações podem ser sinceramente praticadas — mas não de forma honesta. Em suma, sem o vislumbre do horizonte moral, não existe humanidade, propriamente, e por isso falta aos personagens de “Aritmética” uma aparência verossimilmente humana, com as contradições inerentes à nossa natureza, e o senso ético que (ainda) nos pode distinguir dos outros animais da escala zoológica. Fernanda Young tem idéias, sabe conduzir a trama e é capaz de escrever boas frases. Por isso, o leitor pode esperar mais de sua literatura".
* SIDNEY SILVEIRA é jornalista
Escrito por Marcelo às 11h07
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Para quem gosta de ler

Resisti dois dias em postar isto aqui. Foi originalmente encontrado pela Juli na biblioteca de um Ciep e sintetiza, como poucos textos que já li, o sentimento de quem tem uma relação íntima e especialíssima com os livros:
"Castigo"
Leo Cunha
"Podem me prender no quarto Eu saio pela janela. Podem me trancar a janela, Eu fujo pelo telefone. Podem cortar o telefone, Eu pulo dentro de um livro"
Escrito por Marcelo às 12h28
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Na Lapa

Alô, povo da Lapa: hoje na coluna Gente Boa (O Globo), o Joaquim Ferreira do Santos anuncia que brevemente a região ganhará duas novas atrações. A primeira é a pizzaria que será aberta ao lado do Carioca da Gema (os proprietários são os mesmos). A outra é "A Estrela da Lapa", mais uma casa voltada para o samba, comandada por Ruy Solberg.
Escrito por Marcelo às 12h16
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Aniversário do Lúcio
Hoje vai rolar a comemoração do aniversário do amigo Lúcio Sanfilippo no Bar do Ernesto. Além do próprio, que apresentará seu repertório de sambas, maxixes, jongos, cocos, cirandas, afoxés e canções do disco que está para ser lançado, alguns de seus amigos artistas prometem abrilhantar a festa. Já confirmados: Dely Monteiro, Lazir Sinval, Luiza Marmello (as três cantoras do Jongo da Serrinha), Ana Costa e Pedro Holanda. A entrada custa R$ 10,00, sem consumação mínima.
Escrito por Marcelo às 11h53
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Frases soltas de um livro que estou lendo

"Ferir alguém é um ato de relutante intimidade"
"Mas sou livre para quê? Indubitavelmente, a liberdade definitiva é escolher, recusar a liberdade em prol das obrigações que nos unem à vida - envolver-se"
"Porque palavras são atos e provocam acontecimentos. Depois que saem não se pode recolhê-las"
Escrito por Marcelo às 11h30
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Céu de Brasília

Li por esses dias que o Hamilton de Hollanda, talentoso bandolonista, gravou "Ceú de Brasília" no seu novo disco. Estou curioso para ver como ficou a canção do Toninho...
"Céu de Brasília"
Toninho Horta
"A cidade acalmou
logo depois das dez
Nas janelas a fria luz
Da televisão divertindo as famílias
Saio pela noite,
Andando nas ruas
Lá vou eu pelo ar
Asas de avião
Me esquecendo da solidão
Da cidade grande, do mundo dos homens
Num vôo até ver nascer o mato, o sol da manhã
As folhas, os rios, o azul
Beleza bonita de ver
Nada existe como o azul sem manchas
Do céu do planalto central
E o horizonte imenso aberto
Sugerindo mil direções
E eu nem quero saber
Se foi bebedeira louca
Ou lucidez"
Escrito por Marcelo às 11h18
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Afinal, é aniversário dela!

Outro breve parêntese no nosso recesso para registrar o 27º aniversário da minha mana Flávia. Caramba, menina: 27!!! Pra mim, você continua sendo a caçula pequenininha, emotiva e teimosa (taurina, né?) ... Feliz cumpleaños, chica!
Escrito por Marcelo às 18h32
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Protesto justo

Interrompo o recesso deste blog momentaneamente para informar que o Crunch, meu chocolate preferido, parou de ser fabricado. Diante de tão terrível notícia, convoco os fãs do finado Kri a mandar e-mails para a Nestlé protestando contra a medida.
Escrito por Marcelo às 16h02
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Em recesso
Escrito por Marcelo às 11h39
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Filmes, debate e roda

O nosso blog oficial sobre samba já informou, mas aviso aos que passeiam por estes cantos que no dia 28 de maio o Arte Sesc Flamengo (Rua Marquês de Abrantes, 99) sediará o projeto "Samba Tintim por Tintim". Os trabalhos começam às 16h, com a projeção de alguns curta-metragens - "Coruja", "Partido alto", "Nelson Sargento" e "Música para terminar em samba" (senhas distribuídas a partir de 15h). Os trabalhos seguem com um debate reunindo quatro apaixonados pelo gênero - o compositor Nei Lopes, o músico Moacyr Luz, o jornalista e amigo João Pimentel e o webmaster da Agenda do Samba e do Choro, Paulo Eduardo Neves - para falar um pouco sobre as origens e as características do samba, num clima totalmente informal (senhas a partor de 18h). Após o papo, haverá, é claro, uma roda, capitaneada por Pedro Amorim (cavaquinho), Alfredo Del Penho (violão de 7 cordas) e Paulino Dias (percussão).
Escrito por Marcelo às 18h29
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O som do silêncio

Porque às vezes é isto o que se tem para ouvir: o som do silêncio.
"The sound of silence"
Simon / Garfunkel
"Hello darkness, my old friend, I've come to talk with you again, Because a vision softly creeping, Left its seeds while I was sleeping, And the vision that was planted in my brain Still remains Within the sound of silence.
In restless dreams I walked alone Narrow streets of cobblestone, 'Neath the halo of a street lamp, I turned my collar to the cold and damp When my eyes were stabbed by the flash of a neon light That split the night And touched the sound of silence.
And in the naked light I saw Ten thousand people, maybe more. People talking without speaking, People hearing without listening, People writing songs that voices never share And no one dared Disturb the sound of silence.
"Fools" said I, "You do not know Silence like a cancer grows. Hear my words that I might teach you, Take my arms that I might reach you." But my words like silent raindrops fell, And echoed In the wells of silence
And the people bowed and prayed To the neon god they made. And the sign flashed out its warning, In the words that it was forming. And the sign said, "The words of the prophets are written on thesubway walls And tenement halls." And whisper'd in the sounds of silence."
Escrito por Marcelo às 14h12
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O tal do "Iogurte"
Assim como o Flavio Izhaki e a Mardoux, faço parte da rede, mas nunca entendi muito bem para quê serve - falo, é claro, do Orkut. O caderno megazine (O Globo) de hoje, traz uma matéria que tenta esclarecer tal questão. Segue:
"O que é mesmo o Orkut?"
Elis Monteiro

"Partindo da teoria que diz que qualquer pessoa está a pelo menos seis níveis de separação de todos os outros habitantes do planeta, o Google lançou no início de fevereiro a rede de relacionamentos Orkut , a nova febre da internet. Espécie de clube, o site cria uma teia de relacionamentos que liga pessoas que se conhecem a outras que ainda não se encontraram. Por ser fechado — só entra quem for convidado por alguém já cadastrado no serviço — tem despertado a curiosidade dos internautas. Afinal, para que ele serve? A princípio, para reunir, num mesmo local, os contatos de uma pessoa. Mas o grande barato está em navegar pela rede de amigos dos outros, em busca de conhecidos ou amigos perdidos. O site também serve como mural de recados: os usuários podem mandar mensagens para todos os “amigos dos amigos”. Assim, fica mais fácil alugar um apartamento ou convidar pessoas para uma festa, por exemplo. O Orkut funciona como um blog. O usuário preenche uma ficha com dados principais, interesse (namoro, amizade ou relacionamento profissional) e contatos (se quiser). O Orkut também pede o upload de uma foto. Depois de preenchido o cadastro, o usuário pode começar a acrescentar pessoas à sua lista. Nomes e fotos aparecerão sempre do lado direito do site. Ao clicar na foto de alguém, a página da pessoa abre, com o perfil que ela preencheu e, também do lado direito, a lista de amigos. Ideal é juntar conhecidos assim, navegando pela lista dos outros. Está aí o segredo da popularidade: quanto mais amigos tiver o participante, mais popular ele será no Orkut. O site também serve como um massageador de egos, pois os participantes podem elogiar aqueles que admiram usando ícones: corações para quem é sexy, cubos de gelo para os legais e sorrisinhos (smilies) para os confiáveis. A oferta de agrados é chamada, no Orkut, de “distribuir o karma”. Mas o símbolo mais cotado é a estrela de fã, único símbolo que tem link para as páginas de quem o distribuiu. Assim, dá para saber quem é fã de quem. Para quem deseja entrar na comunidade, uma notícia pouco animadora: não é possível dar uma de penetra. A única opção é esperar pelo convite de um cadastrado. O segredo, aqui, é a arma do sucesso. Não à toa, sites de leilões como o Ebay já oferecem convites por até US$ 10."
Escrito por Marcelo às 11h26
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África na UFRJ
Promete ser interessante o evento que os africanos que estudam na UFRJ (Campus da Praia Vermelha) promoverão na próxima sexta. Como 21 de maio é o Dia da África, eles aproveitarão para lembrar a cultura do continente, através de peças de artesanato, comidas típicas e apresentações musicais. A festa rola das 17h às 22h, ou seja, ainda a tempo de esticar na roda-de-samba do Sujinho.
Escrito por Marcelo às 11h03
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Mistérios

Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo com os torcedores de futebol? Os cruzeirenses vaiam o Alex, os rubro-negros vaiam o Felipe... Vão bater palmas para quem?
Escrito por Marcelo às 11h01
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Duas palinhas rápidas

Sobre "Orlando Silva, o cantor das multidões" - Encenação apena correta, em que pesem o ótimo repertório e a atuação à beira da perfeição do Tuca Andrada como protagonista. O cenário pobre e nada criativo e a discurseira final, recurso por demais banalizado, revezam-se com bons achados, caso da "entrevista coletiva" feita com o cantor, através da qual os espectadores recebem um grande número de informações relevantes.
Sobre "Minha vida sem mim" (foto) - Alguns clichês não chegam a prejudicar o filme, tocante reflexão sobre a morte prematura (e a vida, enfim). Sarah Polley está muito bem no papel principal, a garota que se vê vítima de um câncer fatal aos 23 anos de idade. A diretora Isabel Coixet constrói belas seqüências e consegue, sem apelação, fazer com que também a gente pense sobre o que temos feito por aqui.
Escrito por Marcelo às 14h00
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1m47 de talento

Somente agora pude ouvir com a calma e o cuidado necessários o ótimo disco da Surica, produzido com o habitual esmero pelo Paulão Sete Crdas e lançado pelo selo Fina Flor. Canções de Seu Jair do Cavaco, Picolino, Casquinha, Manacéa, Mauro Duarte e outros bambas receberam no cd o respeito devido através do registro sem firulas da pastora, dona de uma voz agradabilíssima. O destaque? Sem dúvida, "Pintura sem arte", obra-prima de Candeia:
"Pintura sem arte"
Candeia
"Me sinto igual uma folha caída Sou o adeus de quem parte Pra quem a vida É pintura sem arte
A flor, esperança se acabou O amor vento levou Outra flor nasceu, é a saudade Me invade, tirando a liberdade Meu peito arde igual verão Mas se é pra chorar, choro cantando Pra ninguém me ver sofrendo E dizer que estou pagando
Mas se é pra chorar, choro cantando Pra ninguém me ver sofrendo E dizer que estou pagando
Não, não basta ter inspiração Não basta Fazer uma linda canção Pra cantar samba se precisa muito mais Samba é lamento, é sofrimento É cura dos meus ais
Por isso eu agradeço A saudade em meu peito Que vem acalentando O meu sonho desfeito Jardim do passado Flores mortas pelo chão Pétalas, sementes de paixão"
Escrito por Marcelo às 13h50
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Fotolog

Com a compra da minha máquina digital, resolvi enfim montar um fotolog, onde postarei alguns "olhares" sobre cidades e pessoas. Ontem, eu e Paulinha caminhamos pela Urca, fazendo alguns registros (em filme e em digital). Como este ("Outono"). Lá no fotolog tem mais.
Escrito por Marcelo às 12h07
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Olhares do morro

Promete ser muito interessante a exposição Olhares do morro – Um manifesto visual, que está em cartaz no Espaço Furnas Cultural. A mostra contempla fotografias tiradas por moradores das comunidades do Santa Marta, da Rocinha e do Vidigal, que enfocam o cotidiano local para além das imagens-clichê que costumam caracterizar a favela. A exposição segue até o dia 27 de junho, sempre de segunda a sexta, das 14h às 18h, e nos sábados, domingos e feriados, das 14h às 19h. Mais informações, pelo telefone 2528-3657 ou aqui.
P.S. A bela foto acima é de Jorge Alexandre Firmino
Escrito por Marcelo às 16h57
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Sarau na Facha

A Facha promoverá amanhã, a partir das 16h30, a edição de 2004 de seu Sarau. O evento vai incluir a apresentação de bandas e djs que estudam na faculdade, além de uma feira de moda e artesanato. Como parte desta, as amigas Jubilau, Jubilona e Fêzinha irão expor algumas de suas camisas pintadas. Vamos prestigiar as meninas dando uma passadinha lá!
Escrito por Marcelo às 12h16
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Alfredinho

Após a exibição do documentário sobre Wilson das Neves, a estrela da noite ontem foi o nosso Alfredinho. Enquanto passavam no vídeo gravações de uma roda de choro e da edição de 2004 do Rancho Flor do Sereno, ele anunciava em voz alta cada pessoa conhecida que aparecia na tela. O clímax foi o momento em que a Regina (namorada dele) surgiu no fundo da cena, e se ouviu: "Aê, minha Regina!"... Ah, e, claro, quando ele viu um celular sobre a mesa onde os músicos tocavam (no vídeo! no vídeo!) e gritou: "Pelamordedeus, desliga esse celular aí!".
Escrito por Marcelo às 11h56
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O desapontador "Xuxu"

O site Críticos.Com publica hoje minha resenha sobre o filme "Xuxu", que obteve imenso sucesso na França e desde a semana passada está em cartaz nas salas brasileiras. Abaixo, um trecho do texto. Para acessar a íntegra, tecle aqui.
Desafinado hino à intolerância
Marcelo Moutinho
Boa parte da crítica européia classificou "Xuxu" como "um hino à tolerância". O filme dirigido pelo argelino Merzak Allouache efetivamente está revestido de ótimas intenções: além de trabalhar com um tema atual e pertinente – a aceitação das diferenças, sexuais e de nacionalidade -, apresenta Gad Elmaleh, talentoso ator cômico oriundo do Marrocos. Nem sempre, contudo, a relação entre propósito e realização se estabelece de todo. O resultado final de "Xuxu" é, sem dúvida, desapontador (...)
Escrito por Marcelo às 10h57
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Das Neves e seu dom

Ontem, em sessão especial promovida pelo Bip, assisti ao documentário "O samba é meu dom", centrado no percussionista Wilson das Neves. Com extrema simplicidade - e graças ao esforço coletivo de Luiz Guimarães de Castro (edição), Alex Araripe (fotografia) e Oscar Bolão (idealização) –, o filme consegue driblar as evidentes dificuldades de produção e apresentar um pouco da vida e das idéias do protagonista. Chico Buarque (de cuja banda Das Neves é baterista há muitos anos) e Miúcha têm participações especiais, mas os grandes momentos do média são os seguintes:
. A visita do percussionista à quadra do Império Serrano. Visivelmente emocionado (os olhos brilham como se estivesse a ponto de chorar), ele entra no ensaio cumprimentando cada pessoa, "bate cabeça" para São Jorge e depois vai para seu lugar, perto da bateria. O clima é de reza, de ritual...;
. O amor pelo instrumento, demonstrado em dois depoimentos. No primeiro, conta que um dia mandou a família seguir de ônibus para um show. No carro, iria a bateria. No segundo, revolta-se contra a mulher, que chamara a bateria de "trambolho", e manda, na lata: "Trambolho é você. Essa aqui é a minha bateria, o nosso ganha-pão";
. O momento em que resume, fazendo sons com a boca, o andamento das baterias das quatro escolas-de-samba mais célebres – Portela, Império, Salgueiro e Mangueira -, mostrando as diferenças entre elas e, num argumento com o qual concordo totalmente, resumindo: "Essas baterias nos deram os quatro estilos principais. O que veio depois foi apenas variação".
Escrito por Marcelo às 10h50
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As palavras

"Afinal de contas, o que são as palavras? As palavras são símbolos para memórias partilhadas".
Jorge Luis Borges, in "Esse ofício do verso"
Escrito por Marcelo às 18h21
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Lembrando o Paulinho e um domingo chuvoso...

Escrito por Marcelo às 17h49
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Pessoa ao cair da tarde

"A espantosa realidade das coisas"
Fernando Pessoa (Albero Caeiro)
"A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo (...)"
P.S. O quadro é "Crepúsculo", de Mª Isabel Ortega
Escrito por Marcelo às 17h37
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Das Neves no Bip

Hoje, às 21h, o Bip Bip exibirá o documentário sobre o imperiano e mestre da percussão Wilson das Neves. O filme passou recentemente no CCC, mas hoje quem ainda não viu (como eu) pode fazê-lo de graça.
Escrito por Marcelo às 16h07
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Herivelto, simplesmente

A culpa é da Eugênia: no dia do sarau literário, ela ficou me perturbando, dizendo que eu não conhecia nada do Herivelto Martins, ao passo em que eu insistia em afirmar que conheci as canções dele através do meu pai, que freqüentemente organizava serestas lá em casa. Hoje, ao comentar aqui no blog, ela me lembrou de novo o compositor, ao citar a dorida "Caminhemos" (tema de filme "Chuvas de verão", do Cacá Diegues, e que, parece, também faz parte da trilha de "O vestido", de Paulo Thiago, que entra em cartaz nesta sexta). Acabei botando pra tocar um cd dele e resolvi promover sua estréia aqui, com a própria, uma pérola no melhor estilo "dor de cotovelo" do Herivelto...
"Caminhemos"
Herivelto Martins
"Não, eu não posso lembrar que te amei Não, eu preciso esquecer que sofri Faça de conta que o tempo passou E que tudo entre nós terminou E que a vida não continuou para nós dois Caminhemos, talvez nos vejamos depois
Vida comprida, estrada alongada Parto à procura de alguém Ou à procura de nada Vou indo, caminhando Sem saber onde chegar Quem sabe na volta Te encontre no mesmo lugar"
Escrito por Marcelo às 13h57
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Galinhas na Rio Branco

Ontem, a caminho do café expresso que sucede o almoço, ela comentava comigo: "Muito estranho... Hoje vi três pessoas segurando galinhas. Uma delas em plena Avenida Rio Branco...". Leio o JB de hoje e descubro: funcionários da empresa estadual Pesagro distribuíram 2 mil penosas para quem passava pela Cinelândia, em protesto contra a falta de reajuste salarial...
Escrito por Marcelo às 11h56
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Assim vou acabar virando fã dela...
Mais uma vez irrepreensível a coluna da Miriam Leitão em O Globo de hoje. Uma análise bastante sensata sobre o embróglio Lula x New York Times, que se segue:
"Lei e ato errados"
"O governo Lula errou redondamente. Virou o vilão quando era a vítima. Ontem, jornais do mundo inteiro deram o assunto como manchete, o que mostra que o governo brasileiro ajudou a espalhar a notícia que lhe desagradou. Pior ainda foi a ameaça implícita na declaração do presidente de que a expulsão do jornalista foi para “servir de exemplo”. De noite, os próprios governistas queriam que a medida fosse suspensa. Até Fernando Collor se saiu melhor numa situação como esta. O “The New York Times” cometeu um erro técnico, mas a expulsão do jornalista dá ares heróicos ao mau jornalismo. O erro de Larry Rohter não foi ter falado mal de Lula. Foi ter apurado mal, escolhido a fonte errada, ignorado a técnica de ouvir mais de uma fonte e a regra de ouro de ouvir o outro lado. O mais influente jornal americano errou ao publicar uma matéria visivelmente sem confirmação e por ter ainda escolhido, na edição, uma foto que, fora do contexto, induz o leitor a erro de interpretação. Em 91, o então presidente Collor foi atingido por uma matéria corrosiva do “Sunday Times” com acusações ainda mais graves. Os áulicos sugeriram que ele publicasse matéria paga nos principais jornais britânicos. O embaixador brasileiro em Londres, Paulo Tarso Flecha de Lima, sugeriu outro caminho. O embaixador escreveu uma carta forte em resposta, mas fez mais: mostrou a reportagem a um advogado renomado. Pediu que ele encontrasse os pontos de fragilidade. Com isso em mãos, enviou o advogado ao departamento jurídico do jornal. O “Sunday Times” convenceu-se de que errara e fez um acordo: publicou uma retratação no espaço escolhido pelo embaixador brasileiro e pagou ao então presidente uma indenização simbólica que foi doada por ele a uma instituição de caridade. O assunto foi encerrado e hoje poucos se lembram dele. Atingido recentemente por um escândalo provocado pelo mau exercício da profissão, o “The New York Times” deveria ter sido atacado nesse ponto, no ponto onde está fraco no momento. A reação emocional e autoritária faz o presidente brasileiro ser confundido com chefes de Estado que ameaçam a liberdade de imprensa. A imprensa americana era conhecida por ter duas virtudes: rigor técnico e apreço pela liberdade. No governo Bush, eles aceitam passivamente uma censura vergonhosa — como a que veta o uso da imagem dos soldados mortos nos caixões — e agora o jornal mais influente dos Estados Unidos aceita publicar uma reportagem tosca, com falhas técnicas evidentes. Tudo isso é lamentável, mas ontem só se falava na expulsão do jornalista. Assim, o governo conseguiu trocar de papel e virar o | |