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Paulão e sua enciclopédia
Essa quem passa é o Braulio Neto: a partir da próxima semana, o querido Paulão Sete Cordas estará no Carioca da Gema todas as segundas-feiras comandando o show "Enciclopédia do samba". Acompanhado de Richah (na voz) e de uma "cozinha" de primeira, o violonista e arranjador desencavará pérolas desconhedidas de bambas como Bide, Marçal e Nelson Cavaquinho. Sempre a partir das 20h30.
Escrito por Marcelo às 16h37
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Ainda sobre o Caymmi
Está mesmo uma beleza a entrevista que a Stella, neta e biógrafa, fez com ele e que enfeita a capa do Caderno B de hoje. Confira aqui.
Escrito por Marcelo às 14h28
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A vida é simples

Um bom antepasto, um bom vinho, uma boa massa, uma linda noite estrelada. E assim tudo se resolve.
Escrito por Marcelo às 11h54
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Lyra no Pasquim

Autor de algumas das mais bonitas canções da bossa-nova ("Sabe você" e "Influência do jazz" entre elas) e "adversário" do estilo tatibitati de outros compositores do movimento (Ronaldo Bôscoli, por exemplo), o "don juan" Carlinhos Lyra é o entrevistado da última edição do Pasquim. Entre os entrevistadores, o nosso parceiro Fernando Toledo.
Escrito por Marcelo às 11h49
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Família em festa

Deitado em sua rede, ouvindo o som suave do mar que versou como poucos, o grande Dorival Caymmi completa hoje 90 anos. A homenagem do Pentimento vem em dose dupla. Porque ontem sua filha Nana, que ao lado da Bethânia estrela meu Olimpo entre as cantoras barsileiras, também aniversariou. Então, posto aqui uma composição do pai, que ela gravou como ninguém. Não deixem de conferir o tributo que o pessoal do Bip prestou ao velho baiano, com a remessa de 90 rosas e uma linda carta escrita pelo Marceu Vieira. O texto, que tem a marca da sensibilidade sempre impressa nas crias do Marceu, está no Mascavinhas.
"Nem Eu"
Dorival Caymmi
"Não fazes favor nenhum Em gostar de alguém, Nem eu, nem eu, nem eu. Quem inventou o amor Não fui eu, não fui eu, Não fui eu, não fui eu, Nem ninguém.
O amor acontece na vida, Estavas desprevenida E por acaso eu também. E como o acaso é importante, querida, De nossas vidas a vida Fez um brinquedo também.
Quem inventou o amor Não fui eu, não fui eu, Não fui eu, não fui eu, Nem ninguém.
O amor acontece na vida, Estavas desprevenida E por acaso eu também. E como o ocaso é importante, querida, De nossas vidas a vida Fez um brinquedo também.
Quem inventou o amor Não fui eu, não fui eu, Não fui eu, não fui eu, Nem ninguém."
Escrito por Marcelo às 11h13
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Paulinho no Municipal

Acabei de ler na Agenda do Samba e do Choro e não estou nem acreditando: neste sábado, 1º de maio, às 16h, Paulinho da Viola e a Velha Guarda da Portela se apresentarão com a Orquestra Petrobrás Pró-Música, numa homenagem ao Dia do Trabalhador, em pleno Teatro Municipal. O nobre palco é mais do que adequado ao mestre e ao pessoal da VG. Além de tudo, o show terá preços populares: R$ 2 (galeria); R$ 6 (balcão simples); R$ 10 (platéia e balcão nobre); R$ 60 (frisas e camarotes - 6 lugares). O negócio é correr para garantir o ingresso!
Escrito por Marcelo às 11h06
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Cortázar no Rio

O grande Augusto Sales é quem passa a dica sobre o evento "Cortázar no Rio: Encontro de Cronópios", que acontecerá todas as primeiras terças dos meses de abril a julho, sempre às 19 horas, na Livraria Al´Farabi - Rua do Rosário, 32 -, trazendo para o público o universo do escritor. A programação inclui, no dia 4 de maio, a leitura de contos do autor, "Simulacros" entre eles. Haverá uma performance da atriz Andréa Claudia Bernardino, que interpretará o capítulo 7 do célebre "O Jogo da Amarelinha", e que será ilustrada com algumas surpresas. Nos intervalos das apresentações, o dj Claudio Nabuco comandará as carrapetas com tangos de autoria do Cortázar e muito jazz. Haverá também sorteio de livros. Confira a pauta completa do encontro no Epiderme.
Escrito por Marcelo às 18h15
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13 anos sem ele

Foi um dos caras que mais admirei a vida toda. Quando ele morreu, há exatos 13 anos, senti como se fosse um amigo. Mas minhas lembranças são as melhores: um ótimo show no Teatro da Barra, a participação especialíssima no comício do Lula em 1989 e, tempos depois, a peça que o Dácio Malta escreveu com muito carinho sobre ele e me fez chorar por duas horas. Gonzaguinha: dignidade, fragilidade, coragem, generosidade e acima de tudo esperança. Uma referência para mim. É um tributo a ele esta canção:
"Como se fora brincadeira de roda, memória Jogo do trabalho na dança das mãos, macias O suor dos corpos na canção da vida, história O suor da vida no calor de irmãos, magia Como um animal que sabe da floresta, perigosa Redescobrir o sal que está na própria pele, macia Redescobrir o doce no lamber das línguas, macias Redescobrir o gosto e o sabor da festa, magia Vai o bicho homem fruto da semente, memória Renascer da própria força, própria luz e fé, memória Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós, história Somos a semente, ato, mente e voz, magia Não tenha medo, meu menino bobo, memória Tudo principia na própria pessoa, beleza Vai como a criança que não teme o tempo, mistério Amor se fazer é tão prazer que é como se fosse dor, magia Como se fora brincadeira de roda, memória Jogo do trabalho na dança das mãos, macias O suor dos corpos na canção da vida, história"
Escrito por Marcelo às 18h05
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Brocado

"Fortuna audaces juvat"
Escrito por Marcelo às 11h06
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Samba
O caderno Zona Sul de O Globo de hoje traz um roteiro de rodas de samba que não se incluem entre as mais "arrumadinhas" (e caras). Não estão lá o CCC, o Carioca da Gema, o Rio Scenarium, e sim o Cine Buraco, o Copérnico, o Guanabara, o Bip Bip, o Juarez e o Severyna. Mestres Galotti e Luiz Filipe Lima na foto de capa.
Escrito por Marcelo às 10h50
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Não custa repetir

"Alegria"
Arnaldo Antunes
"eu vou te dar alegria eu vou parar de chorar eu vou raiar um novo dia eu vou sair do fundo do mar eu vou sair da beira do abismo e dançar e dançar e dançar a tristeza é uma forma de egoísmo eu vou te dar eu vou te dar eu vou
hoje tem goiabada hoje tem marmelada hoje tem palhaçada o circo chego
hoje tem batucada hoje tem gargalhada riso e risada do meu amor"
Escrito por Marcelo às 10h45
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De novo!

Novo equívoco da arbitragem e assim lá se vão cinco pontos...
Escrito por Marcelo às 10h35
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Lições de Jornalismo

Uma beleza o texto "O jornalismo já foi uma arte", publicado na coluna do Flavio Pinheiro no site No Mínimo. Na matéria, Flavio fala sobre o livro "Fama e anonimato", de Gay Talese, que acaba de ser lançado pela Companhia das Letras. Talese é autor de algumas das mais interessantes reportagens no estilo que se convencionou chamar de "new jornalism", batendo de frente com a incessante (e um tanto idiota) busca pela "objetividade absoluta" que marcou o Jornalismo de algumas décadas atrás. Abaixo, um trecho do texto. Aqui, a íntegra.
"(...) Talese côa no tempo as lições do perfil e investe contra novas algemas do jornalismo. A devoção ao gravador, por exemplo, que ele abomina porque transforma a arte de escrever em "mera transcrição, para o papel, de entrevistas radiofônicas". E a disseminação de um certo jornalismo de gabinete, que prescinde do olhar, que "não suja os sapatos", para ficar no exemplo de Ricardo Kotscho, citado por Werneck.
A primeira e perene lição de "Frank Sinatra..." é a de que é possível escrever um bom perfil sem entrevistar o perfilado, mas entrevistando todo mundo que está à sua volta e observando-o com uma atenção que não se esgota nos gestos, mas nas intenções deles. Talese tentou de tudo para falar com Sinatra e não desistiu até a última hora. Mas achou que já tinha informação suficiente para escrever depois de cinco semanas em Los Angeles. E tinha (...)"
Escrito por Marcelo às 18h25
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Estudando o conto brasileiro
A Estação das Letras promove nos dias 12, 19, 26 de maio e 2 de junho o curso "Quatro encontros sobre o conto brasileiro", com o professor (e gente boníssima) Italo Moriconi, autor da celebrada e controversa antologia lançada pela Editora Objetiva. O objetivo é refletir, através de diversas leituras e de orientação teórica e bibliográfica, sobre o conto brasileiro, das suas origens à atualidade. As aulas acontecerão às 18h30, na Sala Multimídia do Museu da República, e o custo total é de R$ 130,00. Mais informações, aqui. Estarei lá!
Escrito por Marcelo às 18h10
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De volta!

O talentoso Moidsch mandou e-mail avisando que disponibilizou um fotolog no mesmo endereço do seu blog. Com o reaparecimento do Moidsch, não me venham falar que não há nada além de meras coincidências, ok?
Escrito por Marcelo às 17h42
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Digerindo...

Enfim vi o tão polêmico "Irreversível", dirigido por Gaspar Noé e estrelado pela estonteante Monica Belluci e por Vincent Cassel. Ainda estou digerindo o filme. Amanhã comento.
Escrito por Marcelo às 14h04
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Ana Luisa no Arte Clara

A cantora paulista Ana Luisa, acompanhada do Luis Felipe Gama, estará fazendo show no próximo fim-de-semana no Instituto Cultural Arte Clara. O Rodrigo Zaidan pede para o pessoal conferir o trabalho da dupla, que ele subscreve. É do Zaidan (em parceria com o amigo Luciano Garcez) a belíssima música-título do cd da Ana, "Linha d'água".
O Arte Clara, aliás, abriu inscrições para vários cursos interessantes, entre eles: "Escrever para televisão" (por Maria Carmem Barbosa), "Oficina de roteiro para cinema" (com Luiz Carlos Maciel), "Oficina de teatro para adolescentes" (por Ernesto Piccolo e Rogério Blat), "Oficina de humor" (por Duda Ribeiro e Stella Freitas) e "Introdução à produção de trilha sonora" (por Adriano Mesquita).
Escrito por Marcelo às 13h27
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Livros sobre música
A tradicional Feira de Livros está de volta à Cinelândia e, passeando por lá hoje, notei que a Barraca de nº 30 oferece muitos livros difíceis de se achar sobre música. Há publicações sobre Sinhô, Pedro Caetano, Orlando Silva, o carnaval carioca e até (pasmem, senhores!) Toninho Geraes.
Escrito por Marcelo às 13h23
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Entrevistas fictícias

Com algum atraso, faço menção aqui à ótima série de "entrevistas exclusivas fictícias" que o caderno Mais!, da Folha, publicou no último domingo. No estilo "ping-pong" (perguntas e respostas), os textos encenam entrevistas com escritores notoriamente reclusos, como Dalton Trevisan, Rubem Fonseca e JD Salinger, e foram preparados por gente mui competente e da área, como Bernardo Carvalho e Nelson de Oliveira.
Escrito por Marcelo às 12h13
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Cuenca em palestra
O JP Cuenca manda avisar que amanhã, a partir das 14h, estará dando uma palestra em que falará sobre literatura em geral e sua trajetória especificamente, incluindo leitura de trechos do romance "Corpo presente". O evento acontece na Rua Pereira da Silva 86, Laranjeiras.
Escrito por Marcelo às 18h07
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Da série 300 caracteres - I
O pai lhe disse seja prudente, seja metódico, seja feliz, meu filho; e o filho só queria ser gauche na vida. Se é triste? Certamente não, embora as linhas da face murmurem, e ele até chore de vez em quando.
Não, não, nada a ver com ser gauche.
Escrito por Marcelo às 16h23
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A paixão pelos livros

Queria indicar aqui "A paixão pelos livros", que foi lançado pela Casa da Palavra na Bienal de São Paulo. Trata-se de uma coletânea que reúne textos de D`Alembert, Camilo Castello Branco, Varlam Chalámov, Plínio Doyle, Carlos Drummond de Andrade, Gustave Flaubert, Benjamin Franklin, Rodrigo Lacerda, John Milton, José Mindlin, Montaigne, Petrarca, William Saroyan e Caetano Veloso. Em comum, o tema: em todas as narrativas, os autores contam como os livros mudaram suas vidas, lapidaram sua percepção e ajudaram a preencher os vazios do dia-a-dia. Não é o caso de todos nós?
Escrito por Marcelo às 13h55
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Pitacos

O Campeonato Brasileiro mal começou e já não agüento mais ver nossos "sábios" comentaristas detonando os clubes cariocas. Ei, vamos com calma... Há um evidente equiíbrio entre as equipes (ainda que nivelado por baixo) e não creio que faremos tão feio assim. Tenho ouvido muitas incongruências. Um exemplo: por que o São Paulo é colocado entre os favoritos, se tem um time não mais do que mediano (pra não dizer medíocre). Entre os nossos, acredito que o Botafogo causa preocupação, não só pela baixa qualidade do elenco, mas principalmente por uma falta de entusiasmo que pode resultar em rebaixamento. Insisto que, apesar de ter vencido o Flu nas semifinais do Carioca, o Vasco é muito fraco também, considerando que a "turma do chinelinho" está aumentando cada vez mais. Ainda assim, deve ficar lá pela 15ª, 16ª posição. Quanto ao Fla e ao Flu, aposto que, embora dificilmente lutem pelo título, têm banca para brigar por vagas nas copas continentais...
Escrito por Marcelo às 13h39
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João Donato e Wanda Sá

Boa pedida para hoje é o pocket-show de João Donato e Wanda Sá no Allegro Café, da Modern Sound. Marcando o lançamento no Brasil do disco gravado pela dupla, o espetáculo começa às 19h e - o melhor - é de graça.
Escrito por Marcelo às 12h47
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Para a Juli

Que me emocionou no sábado. E que sabe das coisas da vida...
"A página do relâmpago elétrico"
Beto Guedes / Ronaldo Bastos
"Abre a folha do livro Que eu lhe dou para guardar E desata o nó dos cinco sentidos Para se soltar Que nem o som clareia o céu nem é de manhã E anda debaixo do chão Mas avoa que nem asa de avião Pra rolar e viver levando jeito De seguir rolando Que nem canção de amor no firmamento Que alguém pegou no ar E depois jogou no mar
Pra viver do outro lado da vida E saber atravessar Prosseguir viagem numa garrafa Onde o mar levar Que é a luz que vai tescer o motor da lenda Cruzando o céu do sertão E um cego canta até arrebentar O sertão vai virar mar O mar vai virar sertão Não ter medo de nenhuma careta Que pretende assustar Encontrar o coração do planeta E mandar parar Pra dar um tempo de prestar atenção nas coisas Fazer um minuto de paz Um silêncio que ninguém esquece mais Que nem ronco do trovão Que eu lhe dou para guardar
A paixão é que nem cobra de vidro E também pode quebrar Faz o jogo e abre a folha do livro Apresenta o ás Pra renascer em cada pedaço que ficou E o grande amor vai juntar E é coisa que ninguém separa mais Que nem ronco de trovão Que eu lhe dou para guardar"
Escrito por Marcelo às 11h40
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Flores e confetes

Para um casal bacana : Pepê e Claudinha, que hoje comemoram um ano de namoro. Bom demais (e alentador) ver quem a gente gosta sendo feliz.
Escrito por Marcelo às 11h37
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Porque eu tinha em vinil...

... e no sábado, feliz da vida, comprei em cd...
"Tudo em você"
Beto Guedes / Ronaldo Bastos
"Eu não chamo o abandono de solidão Viver sob a noite estrelada Atravessar Ponto na multidão Quem não se sente só
Sol na pele Pingos de chuva em cada olhar Sinais Passam nas carruagens que vão pro mar Vão e não voltam mais Antes me dão um nó
Quem repara bem na paixão Não separa um sim de um não Um não de um talvez Terá sua vez A primeira condição De um amor viver de ilusão Querer ser feliz Sugar na raiz Tudo em você
Quem não sente a brasa dormida do coração pulsar Diz alguém que não treme frente a visão Anjo que passa e vai Imã que nos atrai
Mal secreto não pede esmola nem tem perdão Viver sob a noite estrelada Atravessar Ponto na multidão Quem não se sente só
Sol na pele Pingos de chuva em cada olhar Sinais Passam nas carruagens que vão pro mar Vão e não voltam mais Antes me dão um nó
Quem repara bem na paixão Não separa um sim de um não Um não de um talvez Terá sua vez A primeira condição De um amor viver de ilusão Querer ser feliz Sugar na raiz Tudo em você"
Escrito por Marcelo às 17h29
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Manhattan

Os planos da cidade revezando-se e, a sublinhar as imagens, "Rapshody in blue", de Gershwin, tocada pela Orquestra Sinfônica de Nova Iorque. Uma das aberturas mais bonitas da história do cinema...
Escrito por Marcelo às 15h37
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Milhares de xingamentos
O amigo Sidney Silveira teve no último fim-de-semana a experiência de ser xingado por alguns milhares de pessoas. Seguinte: no concurso público para Técnico Judiciário do TRF, constou da prova de Português um texto assinado pelo amigo para o caderno Prosa e Verso (O Globo). Foi a resenha do Sidney que serviu de base para as 20 perguntas subseqüentes, que versavam desde questões sobre o pensamento de Santo Agostinho, quanto a respeito de aspectos gramaticais do artigo. O comentário quase unânime foi que a prova estava dificílima. Pobre Sidney!
Escrito por Marcelo às 15h02
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A música que agrega

Muito interessante a matéria de capa do Caderno B (JB) de hoje, assinada pela Helena Aragão. O texto fala sobre o livro "Brasil rito e ritmo: um século de música popular e clássica", de Leonel Kaz, que será lançado amanhã e pretende analisar como a música popular se consolidou como a arte mais representativa do Brasil durante o século 20. O livro inclui fotografias raras, como esta acima, do Cartola. Um trecho da matéria:
"Um país ligado pelos ouvidos"
Helena Aragão
''Nos últimos dias do império e primeiros da República (...) a música popular cresce e se define como uma rapidez incrível, tornando-se violentamente a criação mais forte e a caracterização mais bela da nossa raça.''
A frase de Mário de Andrade, o guru do nacionalismo, tem certo tom de profecia. Dali para a frente, de fato, a música se tornou o esteio cultural da sociedade brasileira, a arte capaz de unir multidões e quebrar barreiras. Para entender o que fez essa primazia musical se manter até os dias de hoje, o jornalista Leonel Kaz organizou o livro Brasil rito e ritmo: um século de música popular e clássica (Edições Aprazível, R$ 180), publicado ano passado como brinde da Bradesco Seguros e que ganha agora tiragem comercial de apenas mil exemplares. A obra, que tem charmosa edição em formato de LP, será lançada amanhã, às 19h30, na Livraria da Travessa, em Ipanema (...)"
Escrito por Marcelo às 14h20
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Vanzolini e Hermínio

Mais uma vez, é o amigo Fernando Toledo quem avisa: a Revista Música Brasileira desta semana traz um artigo do próprio Fernando, sobre os 80 anos de Paulo Vanzolini, e o perfil de Hermínio Bello de Carvalho, pelo Luís Pimentel. Abaixo um trecho do texto do Fernando. Confira o resto aqui.
"(...) Letrista genial, Paulo Vanzolini certas vezes faz com que nos deparemos com termos insólitos. Quem se atreveria a colocar, numa canção popular, estes versos: E Balbina toda cheia de fricote/ Como Venus hotentote pôs Brigite no chinelo? Pois Vanzolini o fez, no samba Não vou na sua casa. E os versos não passam da descrição da empregada negra da casa, que, por certos predicados, segundo o autor, superava a musa Brigite Bardot (...)"
Escrito por Marcelo às 13h39
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Seu Jair no Rival

Hoje, Seu Jair do Cavaquinho celebra seus 84 anos, às 19h30, com um show no Teatro Rival. Estão confirmadas as participações especiais da Velha Guarda da Portela, da Teresa Cristina e da Marisa Monte. Segundo a Agenda do Samba e do Choro, no roteiro Seu Jair relembrará antigos sucessos como "Eu e as flores", "Barracão de zinco", "Doce na feira", "Cavaquinho feliz", "Sabiá", "Eu te quero", "Vou partir" e "Pecadora". Os ingressos custam R$12. Estou pensando seriamente em ir...
Escrito por Marcelo às 12h03
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Fim-de-semana
Um fim-de-semana intenso, viramundo, montanha russa. Destaques: um encontro inesperado na Praça Tiradentes, o sarau cheio de energia boa na casa da Luise, a exposição "Yanomami" com a Ju querida, a antiga namorada dizendo que "tem muito orgulho de ter namorado comigo", a certeza de que estou bastante firme e sereno para o que vier, a alegria que germina da generosidade que é apoiar um amigo.
Escrito por Marcelo às 11h45
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Fonogramas "de grátis"

Esta nota saiu no Idéias (JB) de sábado passado:
"Já estão disponíveis para consulta on-line os acervos de música, bibliotecas e Rádio IMS do Instituto Moreira Salles, no site www.ims.com.br. Inicialmente, poderão ser acessados 13 mil fonogramas do período que vai da criação da indústria fonográfica no Brasil até 1964. São sambas, lundus e choros, as primeiras músicas de Pixinguinha, as únicas gravações de Chiquinha Gonzaga e a primeira gravação instrumental feita na América Latina: um solo do flautista Patápio Silva, gravado em 1902. Do catálogo de livros, poderão ser acessadas as bibliotecas dos escritores Otto Lara Resende e Jurandir Ferreira e do crítico de teatro Décio de Almeida Prado."
Escrito por Marcelo às 11h30
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American Splendor

Muito acima de minhas expectativas iniciais o filme "O anti-herói americano", que conta a história de Harvey Pekar, um burocrata que resolve transformar sua vida em quadrinhos, e o faz com a ajuda do grande Robert Crumb, obtendo sucesso na empreitada. Uma figuraça, o Harvey, apaixonado por jazz e HQs, cheio de manias e obssessões, e que é interpretado no filme com brilhantismo por Paul Giamatti. E figuraças são também seus companheiros de trabalho, fonte profícua de material para seus textos.
Além de seqüências hilárias, como as desconstrutivistas idas de Harvey ao programa de David Letterman, "O anti-herói americano" faz uso bastante adequado da animação dentro da montagem e propõe uma interessantíssima discussão sobre a "adaptação" e as relações entre vida e obra, que se dá através do diálogo permanente entre o próprio Harvey (que comenta a interpretação de Giamatti), o Harvey personagem da HQ e até mesmo um Harvey levado aos palcos. Fica a dica...
Escrito por Marcelo às 11h21
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Um ano
Hoje, Dia Nacional do Choro e de São Jorge, faz exatamente UM ANO que conheci a Paulinha...
Escrito por Marcelo às 17h17
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Das nossas insignificâncias (e da relevância das palavras)

"Poema"
Manoel de Barros
"A poesia está guardada nas palavras
é tudo o que eu sei.
Meu fado é de não entender quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não cultivo conexões com o real.
Para mim poderoso não é aquele
Que descobre ouro.
Poderoso para mim é aquele que
Descobre as insignificâncias: do mundo e as nossas.
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios"
Escrito por Marcelo às 16h26
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Porque este outono anda estranho...

"Inverno"
Adriana Calcanhotto / Antonio Cícero
"No dia em que fui mais feliz Eu vi um avião Se espelhar no seu olhar até sumir De lá pra cá não sei Caminho ao longo do canal Faço longas cartas pra ninguém E o inverno no Leblon é quase glacial Há algo que jamais se esclareceu: Onde foi exatamente que larguei Naquele dia mesmo O leão que sempre cavalguei? Lá mesmo esqueci Que o destino Sempre me quis só No deserto sem saudade, sem remorso só Sem amarras, barco embriagado ao mar Não sei o que em mim Só quer me lembrar Que um dia o céu Reuniu-se a terra um instante por nós dois Pouco antes de o Ocidente se assombrar"
Escrito por Marcelo às 11h54
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Comida caseira
No domingo, ao chegar ao Aeroporto Santos Dumont, peguei um táxi para ir para casa. Ao saber que morava na Urca, o motorista comentou comigo que ficcava no bairro o boteco onde ele almçoava diariamente. Elogiou muito a comida caseira do lugar e ainda me disse o preço fixo: R$ 5,00 (!!!). Bem, fiquei curioso... Ontem, passando pela porta do bar com a Paulinha, conferi o cardápio e contei a história a ela. Falei então que um dia iria conhecer a comida de lá.
Não foi preciso conversarmos mais (sabe essas coisas que namorados sacam no ar?). As horas se passaram até a fome chegar e, no momento de escolher onde almoçaríamos, foi quase que automático rumarmos para o boteco. Ótima supresa! Carne assada (com espaguete para mim, com purê de batatas para ela), feijão preto e arroz, acompanhados de uma cerveja geladíssima - tudo muito gostoso. A conta? R$13,40 no total (valeu a correção, P.). Fica a dica. O bar é o último da rua, próximo ao Farinha Pura...
Escrito por Marcelo às 10h14
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Meu vizinho

Ontem, além de Dia do Índio, aniversário da Bá e do Getúlio Vargas, quem completou idade nova foi o Roberto Carlos. Gosto de muitas canções antigas do "Rei", que infelizmente acabou de transfomando numa caricatura de si mesmo. Mas gosto de uma em especial - "As curvas da Estrada de Santos" -, que integra este discaço aí de cima, de 1969, que traz ainda pérolas como "Sua estupidez" e "As flores do jardim de nossa casa". Ontem, o Arlindo lembrou de "As curvas..." no blog dele. Hoje, é a minha vez. Tão adequada... e ainda me faz lembrar Paraty...
"As curvas da Estrada de Santos"
Roberto Carlos e Erasmo Carlos
"Se você pretende saber quem eu sou Eu posso lhe dizer Entre no meu carro na estrada de Santos E você vai me conhecer Você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim E que na minha idade só a velocidade Anda junto a mim Só ando sozinho E no meu caminho o tempo é cada vez menor Preciso de ajuda Por favor me acuda Eu vivo muito só Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo Eu piso mais fundo Corrijo num segundo Não posso parar Eu prefiro as curvas da estrada de Santos Onde eu tento esquecer Um amor que eu tive E vi pelo espelho na distância se perder Mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar As curvas se acabam E na estrada de Santos não vou mais passar"
P.S. O título do post deve-se ao fato de que o estúdio dele, uma mansão linda, fica na minha rua, lá na Urca.
Escrito por Marcelo às 12h04
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No entanto, hoje ela se forma...
Bem, as coisas não estão plenas como poderiam estar. Então, para hoje cabe bem esta canção. Primeiramente, pelo que fala. Em segundo lugar, porque a letra dela faz parte de um livro que ganhei, faz alguns anos, da minha irmão caçula, a mesma que para desmedido orgulho deste mano velho, forma-se hoje em Letras (Português-Espanhol), pela Uerj... São para você estas flores, Flávia.

"Poema"
Cazuza / Frejat
"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento a tempo Eu acordei com medo e procurei no escuro Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo Porque o passado me traz uma lembrança Do tempo que eu era criança E o medo era motivo de choro Desculpa pra um abraço ou um consolo Hoje eu acordei com medo, mas não chorei Nem reclamei abrigo Do escuro, eu via um infinito sem presente Passado ou futuro Senti um abraço forte, já não era medo, era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim De repente a gente vê que perdeu Ou está perdendo alguma coisa Morna e ingênua Que vai ficando no caminho Que é escuro e frio, mas também bonito Porque é iluminado Pela beleza do que aconteceu Há minutos atrás"
Escrito por Marcelo às 10h49
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Papo furado
A "lebre" foi levantada ontem no Mascavinhas, após a saraivada de correlações (publicadas em artigos na imprensa) entre o Flamengo campeão e o "povo feliz", e a "paz" que voltou às ruas. Ah, vamos falar sério! O Urubu foi campeão com todo o merecimento: sobrou na turma... Agora, essas analogias simplistas são de matar! Servem a especulações bobas como esta, em que os torcedores podem se regozijar por fazer parte de uma "nação" (urgh! três pancadas na madeira contra os fascismos!), mas também a especulações menos sorridentes. Quem já não ouviu falar, por exemplo, que os índices de criminalidade caem nos dias em que o rubro-negro vence? Ambas as assertivas nascem da mesma semente: a falta de rigor analítico. Ou, se preferirem, a língua desconectada do cérebro.
Escrito por Marcelo às 10h19
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Revelantes debates em Sampa

Domingo passado, na casa do Chico Mattoso, em Pinheiros, rolou um churrasco de confraternização entre o pessoal do Rio que estava na cidade para a Bienal. Infelizmente, soube do acontecimento com atraso, pois meu celular não funcionava em São Paulo e haviam deixado recado para mim. Vejam o relevante debate que perdi - e que o Sales postou no Epiderme...
"KY - NÃO SAIA DE CASA SEM ELE
Uma das grandes discussões relevantes e altamente intelectualizadas levantadas durante os encontros em São Paulo é a de que quase todos os slogans publicitários servem como uma luva para o produto KY. Vejam os seguintes exemplos que rolaram durante o churrasco literário:
(contribuições de Augusto Sales, Cecília Gianneti, João Paulo Cuenca, Chico Matoso, Antônio Prata, Fabrício Corsaletti, Grazi, etc.)
KY - Não saia de casa sem ele; KY - Amo muito tudo isso; Tem coisas que só o KY faz por você; KY - Uma questão de bom senso; KY - Essa é a real; Esse é o momento, que gostoso que é... KY; KY - essa é a boa; Algumas coisas o dinheiro pode comprar, outras...
- E por aí vai..."
Escrito por Marcelo às 20h57
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No Idéias...
A segunda, que saiu no JB, é da coletânea "De primeira viagem", organizada pela Heloísa Prieto:

Ritos de passagem
Coletânea de contos apresenta a dor e o prazer das primeiras descobertas
Marcelo Moutinho
De primeira viagem - Heloisa Prieto (org.) - Ilustrações de Graça Lima e tradução de Ricardo Gouveia - Companhia das Letras - 152 páginas- R$ 28,50
Pegar carinhosamente pelas mãos os leitores que começam a debruçar-se sobre a vida adulta e levá-los para caminhar pelos bosques da ficção é o evidente objetivo da seleta de contos De primeira viagem. O livro reúne narrativas inéditas de Ana Miranda, Fernando Bonassi, Milton Hatoum, Moacyr Scliar, Paulo Bloise, Tony Belloto e Heloisa Prieto - organizadora da coletânea -, além de ''Juventude'', de Joseph Conrad, e de um texto em prosa poética de Arthur Rimbaud, que serve como epígrafe da publicação.
Ao uni-los, costurando e dando organicidade à obra, uma situação repete-se em todos os contos: no centro da trama, os protagonistas enfrentam desafios diante dos quais se revelam ''marinheiros de primeira viagem'', conforme alude o título. São ritos inaugurais, que podem se dar na forma da descoberta do primeiro amor ou do sexo, no desafio de uma reportagem, no pasmo diante da insanidade... Ou seja, em circunstâncias que desvelam, cada qual a seu modo, as dores e delícias que acompanham o amadurecimento.
Como costuma ocorrer em compêndios do gênero, há certa irregularidade entre os textos arrolados, tanto sob o aspecto qualitativo quanto - e ainda mais acentuadamente - com relação ao olhar, por vezes altivo e em outras revestido de saudosismo, direcionado ao tempo da juventude. Tal latência está presente já nas duas ''iluminuras'' de Rimbaud que abrem o livro. Na terceira parte de ''Vinte anos'', ele descreve ''como estava cheio de flores o mundo no verão''. Na seguinte, porém, ressalva: ''Quanto ao mundo, quando saíres, em que se tornará? Em todo caso, nada das aparências atuais.''
A magia, o alumbramento e a beleza das flores que pareciam confundir as estações para o poeta francês repetem-se, por exemplo, em ''O primeiro amor'', de Ana Miranda. A autora é precisa ao descortinar em primeira pessoa o vulcão de sentimentos que domina a protagonista, uma menina platonicamente apaixonada pelo jovem jogador de basquete. ''Sozinha, no banco de trás do carro, eu olhava a paisagem do lago, do mato, da Lua que brilhava no céu e se refletia na água, que era a mesma paisagem de sempre, do caminho de volta do clube para casa à noite, mas havia alguma coisa diferente naquela paisagem, lobos nas sombras, ruídos, ameaças, frutas de sabor estranho, ela me convidava a entrar, e eu me vi correndo no mato, desabalada como se fugisse, enquanto ouvia as batidas da bola na quadra batendo pá pá pá repetidamente'', relata no longo parágrafo que encerra o conto, intensificando o turbilhão de novas sensações que a domina. Alegria semelhante será experimentada pelo jornalista que se vê prisioneiro do perfume de uma colega de trabalho em ''Mocidade, nove letras, horizontal'', de Belloto, e pela contadora de histórias que se encanta com a sabedoria infantil, em ''Era uma vez... pela primeira vez...'', de Prieto.
Outras narrativas privilegiam episódios em que as experiências impõem-se sem tanto júbilo. Em ''Varandas da Eva'', Hatoum segue os preceitos do conto clássico ao reservar para o leitor uma surpresa final na história do menino que começa a tornar-se homem quando conhece o sexo, e ainda mais ao notar um dia, quase atônito, que as ''complicações'' multiplicaram-se, ''as respostas esquivaram-se das perguntas''. Há ainda o rapaz que sofre, ''chorando em silêncio'', ao notar que a amada enlouqueceu (em ''Teste vocacional'', de Bloise); o menino que teme horrivelmente a cobrança social dos colegas (em ''O sorriso de Lúcifer'', de Scliar); e o adolescente que se depara com uma blitz no ambiente conflagrado da metrópole (em ''Uma viagem dentro da noite'', de Bonassi).
O ponto alto do livro, contudo, é mesmo o mellviliano texto de Conrad. Ao relembrar para amigos também já maduros suas aventuras náuticas, o protagonista Marlow encena metaforicamente o teatro da própria existência. ''Ah, a juventude! Sua força, sua fé, sua imaginação! Para mim, aquela nave não era um traste velho transportando um monte de carvão pelo mundo em troca de um frete -- para mim ela era o empenho, a prova, o julgamento da vida'', exulta ele, ao comentar as dificuldades da carcomida embarcação que inunda e depois pega fogo durante sua viagem a Bangcoc. Conrad constrói cenas emblemáticas, como a que registra uma das tábuas do barco já quase destruído projetando-se para fora do casco, ''um passadiço por cima do mar profundo e levando à morte''. Como se o destino convocasse Marlow a caminhar sobre a tábua, cuja extremidade o personagem parece vislumbrar enquanto expõe seu périplo para aqueles homens com os ''rostos marcados pelo trabalho duro, pelas decepções, pelo sucesso, pelo amor''; com os ''olhos cansados procurando ainda, procurando sempre, procurando ansiosos por alguma coisa na vida que, enquanto se espera por ela, já se foi, passou sem ser notada, em um suspiro, em um momento fugaz, junto com a juventude, com a força, com o romance das ilusões''.
Escrito por Marcelo às 12h50
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Em dois tempos
No sábado passado, curiosamente pela primeira vez saíram ao mesmo tempo resenhas minhas no Prosa e Verso (O Globo) e no Idéias (JB). A primeira é do livro "Formas breves", de Ricardo Piglia:

Irreverência, rigor, realidade e pistas falsas
Formas breves, de Ricardo Piglia. Tradução de José Marcos Mariani de Macedo. Editora Companhia das Letras, 120 páginas. R$ 27
Marcelo Moutinho
É o próprio Ricardo Piglia quem melhor sintetiza o que o leitor encontrará nas 120 páginas de "Formas breves". São "narrativas reais e também variantes, versões imaginárias de argumentos existentes", que compõem e dão viço à coletânea de ensaios do escritor argentino, lançada pela Companhia das Letras. Ao abdicar de estabelecer fronteiras rígidas entre verdade e ficção, ou mesmo entre o que seria análise crítica ou puro deleite criativo, Piglia consegue, nos 11 textos do livro, operar com os mesmos mecanismos que crê constituírem a argamassa da literatura atual: a falsificação, a "mescla", a "combinação de registros", a "barafunda de filiações".
"Os textos não requerem maior elucidação. Podem ser lidos como páginas perdidas no diário de um escritor e também como os primeiros ensaios e tentativas de uma autobiografia futura", anota o autor. Assim, a obra tem lugar tanto para relatos como "Hotel Almagro" — que espelha de forma delicada os primeiros tempos de Piglia em Buenos Aires, quando ainda se via dividido entre a capital argentina e La Plata, província onde lecionava — quanto para alentados estudos, como "Os sujeitos trágicos", no qual explicita alguns pontos da relação conflitiva e tensa que viceja entre os campos da literatura e da psicanálise.
Mesmo em tais ensaios é possível ver as digitais de um artífice da criação. Há irreverência embaralhada ao rigor analítico. Há passagens reais ao lado de pistas falsas. E há, sobretudo, boas histórias. É o caso, por exemplo, da reprodução de um diálogo entre James Joyce e o psicanalista C.G. Jung, que Piglia cita buscando lustrar sua definição sobre o que seria um "artista". O autor de "Ulysses" procurou Jung ansioso por uma solução para o quadro psicótico da filha. Após mostrar ao psicanalista alguns textos produzidos pela jovem, comentara, desconcertado: "Ela escreve o mesmo que eu escrevo". A Joyce, que dava formas finais ao seminal "Finnegans Wake", o psicanalista responde: "Mas onde você nada, ela se afoga..."
As reflexões de Piglia trafegam pela obra de alguns dos mais respeitados escritores argentinos, como Macedonio Fernández, Robert Arlt e, evidentemente, Borges, cujas singularidades tornam-se, em "Formas breves", pontos-de-partida para que o autor explore temas como processo criativo, tradição e vanguarda, verdadeiras obsessões de quem ama o ofício literário. Piglia acolhe a premissa de Borges segundo a qual as literaturas "secundárias e marginais, deslocadas das grandes correntes européias, têm a possibilidade de dar às grandes tradições um tratamento próprio". Neste lugar incerto, nasceria uma outra tradição, "clandestina", construída retrospectivamente. Abrindo mais o leque, critica os que mecanicamente igualam "vanguarda" à "modernidade". "Se ser de vanguarda quer dizer ser ‘moderno’, todos nós, escritores, queremos ser de vanguarda", ironiza. Para ele, a vanguarda hoje converteu-se num "gênero", e seus movimentos típicos — o isolamento, a ruptura com o mercado esconderiam paralelamente "fantasias de ingressar nos meios de comunicação de massa".
No livro, a fusão entre eruditismo e afeição, traço da prosa do escritor argentino, alcança um de seus grandes momentos no célebre estudo "Teses sobre o conto", em que define o gênero com base em seu "caráter duplo". Segundo Piglia, o conto sempre narra duas histórias, é construído para desvelar artificialmente algo que estava oculto. "Um relato visível esconde um relato secreto, narrado de um modo elíptico e fragmentário", que no conto clássico provocava um efeito de surpresa e, na versão moderna, tornou-se mais elusivo. "Formas breves" inclui ainda um estudo posterior, "Novas teses sobre o conto", cujo foco centra-se na questão do "desfecho" nas narrativas curtas.
Malgrado a variedade, os ensaios do livro dialogam entre si, expondo o rigor e a paixão com que Piglia se entrega à literatura. "Todas as histórias do mundo são tecidas com a trama de nossa própria vida. Remotas, obscuras, são mundos paralelos, vidas possíveis, laboratórios onde se experimenta com as paixões pessoais", vaticina, como se ainda que precariamente resumisse seu olhar sobre a escritura. Calvino, outro autor que soube como poucos fazer da crítica um ofício criativo, assinalara que "as linhas uniformes de caracteres minúsculos ou maiúsculos, de pontos, vírgulas, de parênteses, páginas inteiras de sinais alinhados, encostados uns aos outros como grãos de areia, representam o espetáculo variegado do mundo numa superfície sempre igual e sempre diversa, como as dunas impelidas pelo vento no deserto". É por estas dunas que Piglia passeia.
Escrito por Marcelo às 12h45
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Poema de volta

Voltei de São Paulo. Era preciso estar no trabalho hoje pela manhã. Além disso, meu coração ficara no Rio - e já estava sentindo falta dele. Um poema que li no caderno Mais (Folha) ontem:
"Despojamento"
Ivo Barroso
"Eliminei o excesso de paisagem
simplifiquei toda a decoração
retirei quadros flores ornamentos
apaguei as velas copos guardanapos
e a música
Bani a inutilidade do discurso
Na mesa de madeira
Nua
Apenas dois pratos
Sem talheres
O banquete será tua presença."
Escrito por Marcelo às 10h37
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Diário da Paulicéia 3

Ontem à noite fui ao cinema novamente. Vi o delicioso "As bicicletas de Belleville", uma graça de filme. Depois, fui com o Guy conhecer o tão falado São Cristóvão, um bar temático sobre futebol que vem levando muita gente à Vila Madalena. Não ficamos. Quem nos aguardava era a Mariana, que nos apresentou ao famoso "Ó do Borogodó", lugar muito gostosinho e que, guardadas as devidas proporções, lembra um pouco o Semente. No Ó, tivemos o prazer da companhia da Roberta Valente, pandeirista e freqüentadora dos blogs da nossa "panela". Papo descontraído e cheio de risadas, ao som de choro e de um pouco de samba (principalmente quando a Mariana assumiu os vocais para uma canja especialíssima. Por causa dos feriados da semana, talvez tenha que voltar ao Rio hoje...
Escrito por Marcelo às 12h55
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Diário da Paulicéia 2
Noite de ontem: Bar Filial, na Vila Madalena. Ambiente agradável, chope escuro e um delicioso pastel de bobó de camarão. Além de tudo, o ombro amigo do Guy para ouvir minhas amarguras. Saindo de lá, fomos, seguindo o pessoal do Rio, para um lugar onde, diziam, tinha samba do bom. Quando chegamos já estava no final do show (do Délcio Carvalho), e não valia a pena ficar. Encaminhava-me para o carro do Guy, e então ouvi um grito: "Marcelo Moutinho!". Era a Mariana, do Meu outro lado de dentro, com o seu fiel escudeiro Biel. Hilário nos conhecermos assim, estando em São Paulo, mas tão ao acaso...
Hoje resolvi passar o dia sozinho, pensando na vida. Acordei cedo, tomei café e fui para o Ibirapuera. A idéia inicial era ver a exposição de Picasso, mas a fila era simplesmente impeditiva... Então caminhei, peguei sol e li os jornais - cariocas e paulistas.
Foi um momento de paz, breve, mas de muita paz. Ali, sentado no Ibirapuera, lendo e ouvindo apenas o zumbido das bicicletas, dos patins, dos passos ligeiros de homens, mulheres, crianças, famílias inteiras que a meu exemplo largavam, cada qual a seu modo, estresses e dores acumuladas... De repente, comecei a ouvir o som de uma Orquestra Sinfônica. Era o pessoal que se apresentará amanhã na Concha Acústica, creio que passando o som. Repito: foi um momento breve - e necesário - de paz. Segui a tarde só, vendo o ótimo documentário "Fala Tu", no complexo do Espaço Unibanco daqui. Na volta para o hotel, uma torta alemã com café expresso.
Escrito por Marcelo às 20h40
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Diário da Paulicéia - Parte 1
Depois de um vôo tranqüilo e no horário, cheguei a Guarulhos e fiz viagem já um pouco atribulada de "bus service" para o centro. Por quê? Porque o trânsito aqui é de impressionar qualquer morador de metrópole. E o pior: os motoristas são bem educados, ao contrário de nós, cariocas (o que, embora seja uma virtude, torna as coisas ainda mais lentas). Resultado: a entrada no hotel se deu na mesma hora em que deveria encontrar o Cuenca e o Chico Mattoso. Eles estavam com mais três amigos e me apresentaram à deliciosa carne de sol com feijão de corda e manteiga de garrafa do Rainha do Norte, um botecão em Pinheiros.
De lá, seguimos para a Bienal. Passando pela Imigrantes, senti que São Paulo mudou muito desde quando estive aqui pela última vez, há uns sete anos. Uma fileira imensa de edifícios com ares pós-modernos, que, segundo me disseram, representam hoje o metro quadrado mais caro da cidade, corta a rodovia... A Bienal em si me pareceu bem fraquinha, tanto em termos de novos livros, quanto de atrações (aqui me refiro a debates, palestras etc.). Menos estandes se comparada à última (a do Rio) e ausência de selos bacanas, como o Ciência do Acidente. Melhor para as majors.
No início da noite, acabei de reler "Deixe o quarto como está", do Amilcar Bettega Barbosa, de quem estou devorando agora o novo livro, ainda na prova. Climão portoalegrense o do novo trabalho. Daqui a pouco, tenho um chope em Vila Madalena com o Guy Corrêa, grande amigo, e o pessoal do Rio, a saber: Cuenca, Mattoso, Paulo Pires, Martha Ribas, Augusto Salles.
Escrito por Marcelo às 22h30
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Adonirando...

Bem, amanhã por volta de 11h tô chegando no Aeroporto de Guarulhos, para visitar a Bienal do Livro, além de ver e rever amigos. Pretendo ver também a exposição de Pablo Picasso e conhecer os cantos bacanas da cidade. No início da semana que vem, faço um resumo aqeui da curta viagem... Até lá!
Escrito por Marcelo às 17h48
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Sobre Little Boy e família
Trecho da coluna da Cora Rónai de hoje (O Globo), reproduzindo carta que qualquer um de nós poderia assinar:
“Prezada Governadora,
Eu não acredito que a senhora ou o seu marido sejam capazes de enfrentar o problema da segurança pública no Rio de Janeiro. Não digo resolver, afinal são muitos anos de descaso de governos anteriores (como o do padrinho político do seu marido, o sr. Leonel Brizola), digo enfrentar, mostrar trabalho. Até o momento o seu marido só se apresenta para patetices como a do caso Staheli e agora, na Semana Santa, o que vemos? Uma guerra entre os narcotraficantes que simplesmente ignoraram a polícia, e a senhora e o seu marido estavam de folga em Angra dos Reis e mandaram dizer pela assessoria de imprensa que não iriam falar por estar de férias. O Rio explodindo, a imprensa só falou da Rocinha, mas na Tijuca se ouviram tiros durante toda a noite também, e a senhora e o seu marido de férias. É inadmissível este desrespeito que a senhora e o seu marido têm pelo Rio de Janeiro. É insuportável, é irritante, é absurdo, é angustiante enfrentar esse seu despreparo e o do seu marido, é angustiante tê-los como governadores do Rio. Todas as noites espero angustiado a minha mulher voltar do trabalho, corro angustiado para casa para acalmá-la, e só vejo meu sofrimento aumentar. Estou cansado da sua cara de deboche e da cara de falsidade do seu marido. Estou cansado de vocês. E nunca pensei que fosse capaz de fazer algo em relação a isso mas eu vou fazer o que todos devem fazer: lutar politicamente para expulsá-los da vida política para sempre. Quero o casal Garotinho longe do meu Rio de Janeiro, quero vocês longe daqui e vou fazer isso pelo meu voto e pelo voto de milhares de pessoas que como eu estão indignadas com essa situação vergonhosa. Eu vou lutar politicamente pelo enterro político do casal Garotinho! Sumam da nossa vida. Não quero saber o que vocês vão fazer, não quero saber do seu cabelo, da sua igreja, só que vocês não ocupem nunca mais nenhum cargo público. BASTA!!! E espero encontrar apoio em qualquer lugar, não me interessa saber de quem é o apoio, aceito apoio do diabo para tirá-los da vida pública da minha Cidade Maravilhosa. Só temo que ele já seja aliado do casal Garotinho. Os eventos da Sexta-feira Santa me deixaram atônito com o despreparo e com o perigo real de guerrilha urbana entre os grupos narcoterroristas. ADEUS!”
Escrito por Marcelo às 16h04
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"Meu nome não é Johhny"
Estive terça-feira no lançamento de "Meu nome não é Johnny", escrito pelo colega nitiano Guilherme Fiúza, com base na história de João Guilherme Estrella, preso em 1995 pela Polícia Federal num apartamento de Copacabana, onde embalava para exportação seis quilos de cocaína, destinados ao mercado europeu. Nascido em família de classe média alta, criado no Jardim Botânico, Estrella era um dos maiores fornecedores de drogas da zona sul carioca - e alcançou tal "posto" sem disparar um tiro. Bons contatos, é o que ele tinha. Depois de cumprir pena, decidiu largar o ofício anterior e hoje dedica-se à música. A trajetória de Estrella é narrada por Fiúza sem que sejam citados nomes, mas deixa transparecer como funciona o sistema. Do qual, queira-se ou não, uma das pontas é a guerra que acontece hoje na Rocinha.
Escrito por Marcelo às 10h50
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Revista da MPB

O amigo Fernando Toledo manda avisar que a Revista Música Brasileira desta semana traz uma e ntrevista especial com a compositora e arranjadora Flávia Costa, por Rogério Lessa Bennemond, além de matérias sobre Paulo César Pinheiro (por Luís Pimentel) e a Tia Surica e o Sururu na Roda (por Fernando Toledo). Leia aqui.
Escrito por Marcelo às 09h16
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Petrópolis em dois tempos

A noite de lua cheia

O amanhecer na madrugada quase insone
Escrito por Marcelo às 12h26
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De conversa com Dona Ivone

Inaugurando o blog De conversa em conversa, que nasce para reunir as entrevistas "coletivas" coordenadas pela Paulinha (fotos e layout) e pelo nosso Pepê, já está no ar o bate-papo com Dona Ivone Lara. Muitos dos freqüentadores do Pentimento propuseram questões para a primeira-dama do samba, entre eles este que vos fala e o Flavio Vaz, além da Paulinha e do próprio Pepê. Dona Ivone, que aniversaria hoje, fala sobre o trabalho como enfermeira e assistente social, suas canções e seu amado Império Serrano, entre outros assuntos. Confiram aqui.
Escrito por Marcelo às 09h47
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Olhar infantil sobre o horror

Uma interessante exposição entra em cartaz na próxima sexta-feira (16), no Museu Histórico Nacional. A mostra reúne desenhos e poemas de algumas entre as 15 mil crianças que ficaram presas num campo de concentração em Terezín (República Checa), durante o III Reich, das quais apenas 100 sobrevivream. O local fora utilizado pelos nazistas como "exemplo de bom tratamento" dispensado aos judues detidos. Os nazis chegaram a enganar agentes da Cruz Vermelha, que visitaram o campo em 1944 e viram a produção das crianças. Alguns desenhos e poemas foram publicados no JB semana passada e são de impressionar...
Escrito por Marcelo às 09h44
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Filmes e mais filmes

Foi um fim-de-semana repleto de filmes. No cinema, o decepcionante "Onde anda você", que poderia ser uma pérola sobre a inocência de um humor em extinção, mas na verdade se revela um amontoado de lamentáveis clichês, apesar da bela atuação do Juca de Oliveira. Em DVD, mais três. Uma curiosa e correta adaptação de "O grande Gatsby" para o cinema, estrelada por Robert Redford e Mia farrow e roteirizada pelo Copolla. Não a conhecia. Além deste, "A cidade está tranqüila", de Robert Guédiguian, e "Agora ou nunca", de Mike Leigh, dois belos os tristes filmes com muitos pontos em comum - e que indico aqui...
Escrito por Marcelo às 11h02
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Em tempo...
... O que foi o Galvão Bueno chamando de Rodrigo o lateral Roger durante todo o primeiro tempo da finalíssima de ontem?
Escrito por Marcelo às 10h30
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Numa só palavra: irrepreensível
Na Folha de S. Paulo de sábado passado:
"Michael Moore volta maniqueísta e bajulador"
Marcio Aith
"Uma indústria floresce na esteira do ódio da "esquerda" americana e da opinião pública internacional à George W. Bush. Lucro fácil é obtido por quem zomba da mediocridade do presidente. Vale tudo, desde chavões previsíveis a depoimentos sobre o já lendário déficit de perspicácia do ex-governador do Texas. O documentarista e escritor Michael Moore tornou-se ícone desse mercado ao protestar contra a invasão do Iraque durante cerimônia na qual recebeu o Oscar por "Tiros em Columbine". O documentário foi visto pelos brasileiros em 2003, assim como outra obra celebrada de Moore -o best-seller "Stupid White Men - Uma Nação de Idiotas". Moore volta ao Brasil em nova dose dupla, repleta de maniqueísmo, protecionismo e tentativas de bajular o público brasileiro. No livro "Cara, Cadê o Meu País", acusa o presidente americano de tirar proveito político do 11 de Setembro e dá lições aos democratas sobre como vencer a próxima disputa pela Casa Branca. A edição brasileira traz um prefácio especial no qual Moore lamenta a ignorância dos americanos sobre o Brasil e descreve-nos como "o belo povo brasileiro". Já em"Roger e Eu", documentário feito em 1989 e lançado agora no Brasil, tenta forçar o então presidente da General Motors, Roger Smith, a confrontar a ruína social em Flint (Michigan) causada pela decisão da empresa de levar para o México a fábrica na cidade. As duas obras mostram a trajetória de um autor simplista e oportunista. A coerência exigiria de Moore, entre outras coisas, que pregasse, em seu prefácio brasileiro do livro, o fechamento dos quatro complexos industriais da GM no Brasil. Nada mais lógico, já que, em sua visão, latinos roubam empregos de americanos. Mas Moore, como as corporações que ele critica, desenvolveu a capacidade de omitir dados inconvenientes. Um mínimo esforço faria com que registrasse que o Brasil é o segundo país em exportações de revólveres para os EUA. Entre outros episódios patrocinados pelo "belo povo brasileiro", nossa indústria forneceu a arma usada em crimes raciais nos EUA e no assassinato, entre outros, do designer Gianni Versace. Mas Moore prefere surfar na popularidade do antibushismo mundial, sob o pretexto de refletir sobre os EUA pós-11 de Setembro. Em meio à multiplicidade de dúvidas e de suspeitas advindas dos atentados, Moore destaca como escandalosa, em "Cara, Cadê o Meu País", a autorização oficial para que membros da família Bin Laden saíssem dos EUA nos dias seguintes aos atentados. Bush autorizou a saída com receio de que eles viessem a ser vítimas de represálias dos americanos, e de posse de dados segundo os quais esses familiares, ricos e americanizados, haviam rompido há anos sua relação com Osama. Mas Moore, num acesso racista, diz que eles deveriam ter sido detidos. No livro, afirma também ser contra o consumo de drogas e o sexo antes dos 18 anos. Curiosamente, dá provas de ser mais parecido com Bush do que aparenta."
Escrito por Marcelo às 10h01
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No Paralelos

O Paralelos coloca no ar hoje uma edição especial com textos literários postados em diferentes blogs. O site estréia também sua "blogoteca", da qual o Pentimento orgulhosamente faz parte, e uma resenha minha, sobre o ótimo "Insolação", do russo Ivan Bunin. Um trecho:
Bunin filtra o lirismo dos interditos amorosos
Marcelo Moutinho
Integrante tardio do realismo russo, malgrado não ter alcançado a fama de nomes como Gogol, Tolstoi, Tchekhov e Dostoievski, Ivan Bunin foi o primeiro escritor do país a receber o Prêmio Nobel de Literatura, concedido em 1933. Desfazendo lamentável hiato, somente agora, 50 anos depois, o autor chega ao Brasil, com a coletânea “Insolação”, lançada pela editora Objetiva.
Nos contos do livro, Bunin constrói pequeninos mosaicos descritivos, tentando encontrar através da palavra uma organização possível em meio ao caos das sensações humanas. Não à maneira de uma Clarice Lispector, que frutifica sua matéria-prima literária justo nessa frustração, mas externando os sentimentos de seus personagens ao descrever física e poeticamente o espaço que ocupam. São epifanias na forma de gostos, cheiros, cores e séries contínuas de percepções capazes de suspender o instante, estancar o efêmero e fixá-lo na perenidade ou ilusão do eterno. Ao invés de estranhamento, há deslumbre (...)
Escrito por Marcelo às 09h41
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Benjamim

Amanhã estará no ar, no site Críticos, minha resenha sobre "Benjamim", filme da Monique Gardenberg baseado no romance homônimo de Chico Buarque e estrelado pelo Paulo José e pela Cléo Pires (foto). Só posso adiantar que o filme é bem mezzo-mezzo...
Escrito por Marcelo às 11h12
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