www.marcelomoutinho.com.br

Hoje, em plena sexta-feira 13, entrou no ar o meu site pessoal: www.marcelomoutinho.com.br. Além de informações sobre os livros que escrevi/organizei, a página disponibiliza resenhas literárias, críticas de cinema, contos, artigos e crônicas de minha lavra, e conta com uma sala de imprensa, na qual há releases e fotos para donwload. O blog Pentimento também se muda para lá, integrando-se ao site. Portanto, a partir de agora, este endereço com extensão zip.net pára de ser atualizado. Peço que atualizem seus links.  E espero vocês por lá!



 Escrito por Marcelo às 11h32
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Murilo Rubião

 

Estou realmente impressionado com a literatura de Murilo Rubião. Já havia lido dois ou três textos da lavra do escritor mineiro, mas nesta semana devorei (em dois dias) O pirotécnico Zacarias, lançado pela Companhia das Letras. O volume traz dois breves estudos sobre a obra de Rubião, além de uma cronologia, mas a riqueza maior está mesmo nos contos, marcadamente fantásticos - o que evidencia que, em pleno florescer desse tipo de literatura na América Latina, os anos 40, tínhamos um digníssimo representante.

O conto que dá título ao livro é uma pequena obra-prima. Zacarias é um narrador-defunto, assim como o Brás Cubas de Machado de Assis, que simplesmente insiste em transitar entre os vivos, certo de que "sua capacidade de amar, de discernir as coisas", é bem superior à dos seres que por ele passam, "assustados". O ex-mágico da Tabera Minhota é outra pérola. O protagonista de uma hora para a outra se vê investido de poderes mágicos, acionados sem que ele mesmo possa controlar. A situação se agrava quando os efeitos desse inexplicado fenômeno começam a prejudicá-lo perante as autoridades. Desesperado, tenta o suicídio reiteradamente, mas as mágicas sempre o salvam. Ele então ouve na rua um infeliz homem dizer que "ser funcionário público era suicidar-se aos poucos". A frase que lhe dá "nova esperança de romper em definitivo com a vida" e ele se emprega nuam Secretaria de Estado.

O sarcasmo machadiano de Rubião volta-se também contra a burocracia, como desmonstram os contos O edifício (que conta a história da construção de um prédio que já não tem razão de ser e ainda assim nunca se acaba) e A fila (sobre as desventuras de Pererico, que passa longuíssimo tempo numa cidade estranha, aguardando numa fila na vã esperança de falar com o gerente da Companhia).

Essas narrativas são curtas e precisas, fruto de muito trabalho do autor, conhecido pelo perfeccionismo como que reescrevia cada texto. Em pocuo mais de 70 anos de vida, Rubião publicou apenas sete livros. A boa notícia é que, com O pirotécnico Zacarias, A casa do girassol vermelho e O homem do boné cinzento (as outras duas seletas editadas pela Companhia das Letras) - toda a produção do autor está agora disponível no mercado.


P.S. Sobre Rubião, aliás, o amigo Miguel Conde escreveu bela resenha/matéria em edição do Prosa & Verso no ano passado... 



 Escrito por Marcelo às 13h30
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Colóquios Rumos Jornalismo Cultural & Rumos Literatura

Anotem em suas agendas: nos próximos dias 16, 17, 23 e 24, o projeto Itaú Cultural realizará pela primeira vez eventos no Rio de Janeiro. Os colóquios Rumos Jornalismo Cultural e Rumos Literatura acontecerão no Centro Cultural da Justiça Federal, com palestras sempre das 18h às 21h45 e entrada gratuita, e reunirão escritores, jornalistas e professores de literatura de todo o país. Peter Burke, Humberto Werneck, João Cezar de Castro Rocha, Ruy Castro, Alberto Mussa, Lourival Hollanda e Silviano Santiago são alguns dos nomes confirmados. Participarei do painel A importância da crítica na ficção contemporânea, ao lado da querida Beatriz Resende e de Flávio Carneiro, no último dia do colóquio. Confira, abaixo, a programação completa:

Rumos Jornalismo Cultural

 

Dia 16

 

18h: Jornalismo Literário: Como os artifícios da literatura podem ser empregados no jornalismo? Ainda há espaço na mídia para as grandes reportagens? Uma discussão sobre os limites entre literatura e jornalismo. Com Humberto Werneck e Ruy Castro. Mediação de Felipe Pena

 

20h: Os conceitos e os valores da cultura contemporânea: O que caracteriza uma mudança de Era? Quais parâmetros foram utilizados para determinar a Era Moderna e, posteriormente, a Contemporânea? Com Peter Burke e João Cezar de Castro Rocha. Mediação Felipe Lindoso 

 

Dia 17

 

18h: Cibercultura e jornalismo cultural: As novas possibilidades de expansão da informação pela web. A credibilidade dos textos publicados online também estará em debate. Além do acesso restrito (ou não) ao universo virtual. Com Juremir Machado da Silva, Mario Lima Cavalcanti e Beatriz Ribas. Mediação de Guilherme Kujawski

 

20h: A cultura na imprensa:Como conciliar o espaço para a crítica de arte nos meios de comunicação à intensa produção artística contemporânea? Qual são os critérios utilizados pelos editores e repórteres de cultura ao optar pela publicação de determinada matéria? Como a academia analisa a cobertura cultural? Com Mário Marques, Mauro Ventura e Gustavo de Castro. Mediação: Claudiney Ferreira



 Escrito por Marcelo às 16h31
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Rumos Literatura

 

Dia 23

 

18h: A crítica literária como criação artística. O limite entre a reflexão literária e a produção de uma nova obra. Ao fazer a releitura de determinada obra o crítico-escritor ou escritor-crítico não acaba fazendo uma nova criação. Como um obra aparentemente ficcional pode se revelar em ensaio literário. Com Antonio Fernando Borges, Alberto Mussa e Lourival Holanda. Mediação de Renato Cordeiro Gomes

 

20h: Os valores da literatura e a contemporaniedade: Três importantes nomes da crítica e da literatura contemporânea discutem o papel e a relevância do universo literário na sociedade. A forte interferência da tentativa de captar uma realidade na literatura também estará em debate. Com Silviano Santiago, Vera Lucia Follain de Figueiredo, Miguel Sanches Neto. Mediação de Maria Esther Maciel.

 

Dia 24

 

18h: Importância da crítica na ficção contemporânea: A relação entre críticos e escritores: como uma boa crítica reflete na obra do autor. Uma análise da crítica literária produzida nos jornais, na academia e pelos próprios escritores. Com Beatriz Resende, Flávio Carneiro e Marcelo Moutinho. Mediação de Paula Barcellos 

 

20h: Cânones da Literatura Brasileira: Até que ponto a instituição do cânone não inibe novas reflexões acadêmicas? Qual a importância do cânone na produção da crítica e da literatura contemporânea? Com Alcides Cardoso dos Santos, Moacyr Scliar e Leda Tenório da Motta. Mediação de Marco Lucchesi



 Escrito por Marcelo às 16h29
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Hermínio no Roda Viva

O programa começa daqui a pouco (22h30), mas ainda há tempo para a dica: o entrevistado de hoje no Roda Viva (TV Cultura) é o grande Hermínio Bello de Carvalho. Não é coisa para se perder... 



 Escrito por Marcelo às 22h00
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Livro e filme

 

Na Semana Santa de carinhos, livros e filmes, destaque para Lygia Fagundes Telles, com A estrurura da bolha de sabão. Embora bastante desigual quanto ao vôo que as narrativas conseguem alçar, o livro lançado originalmente em 1978 tem altíssimos momentos, como A confissão de Leontina e, sobretudo, o conto título - que, aliás, nasceu de um episódio real. Em 1973, Paulo Emílio Salles Gomes, marido de Lygia, lhe contou que tinha um amigo que estudava a estrutura da bolha de sabão. Ao ouvir o comnetário de Paulo Emílio, ela se lembrou de, quando menina, soprava bolhas "e corria atrás delas com o instinto perverso de estourá-las". "Então comecei a imaginar que a bolha seria um símbolo do amor, que é frágil como película, fácil de ser rompida, e ao mesmo tempo é beleza e plenitude", revela a autora.

No livro, essa percepção felizmente fica submersa, permanece entre os não-ditos, nos desvãos do texto, que impressiona principalmente pela capacidade de Lygya em intensificar em graus abrasivos o lirismo sem resvalar - nunca - no clichê. Uma verdadeira aula de composição literária.

Entre as películas, surpreendentemente gostei de Medo e obsessão, trabalho do Wim Wenders ao qual ainda não havia assistido. Digo "supreendentemente" porque o tema central, aludindo aos traumas da sociedade americana após o atentado de 11 de setembro, já encheu a minha paciência. Mas, apesar de um escorregão ali, outro aqui, Wenders conduz o enredo com a leveza possível. A tirar por esse filme e pelo ainda mais recente Estrela solitária, vejo que o cineasta alemão, autor de obras-primas como Alice nas cidades, Paris, Texas e Asas do desejo, parece estar voltando a acertar a mão.



 Escrito por Marcelo às 11h40
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A louca da casa

Até hoje só havia lido pequenos trechos desse delicioso livro que é A louca da casa, da espanhola Rosa Montero. Misto de ensaio e autobiografia com tintas ficcionais, o livro esmiuça o processo de criação literária sem didatismo bobo e com muito, mas muito sabor. Rosa Montero consegue dividir com o leitor, de uma forma inesperadamente íntima, as agruras vividas por aquele que escreve. Agruras referentes às fronteiras e interseções entre a ficção e o dia-a-dia, à vaidade, à relação com o sucesso (ou com sua ausência) e, sobretudo, com a "louca da casa", expressão com a qual Santa Teresa de Jesus definiu a imaginação.

Duas coisas em especial têm me chamado a atenção no livro. A primeira delas é o elo quase inexorável, e que a autora faz questão de sublinhar, entre o trabalho do escritor e a obsessão com a morte. "A gente sempre escreve contra a morte", observa Rosa, em assertiva que eu subscrevo totalmente. Embora saibamos que a batalha contra o tempo é uma derrota prévia, insistimos em preencher com palavras a ilusão da eternidade. Essa parece ser a nossa vã fortaleza, e assim vamos vivendo. 

A outra diz respeito ao engajamento. Já me manifestei em várias resenhas contra a utilização da literatura como ilustração de teses, o que infelizmente é bastante comum. Pois Rosa classifica o "utilitarismo panfletário" como "traição máxima ao ofício". "A literatura é um caminho de conhecimento que precisamos percorrer carregados de perguntas, não de respostas", anota ela, com impressionante precisão. Como registrei certa vez, creio que a narrativa pressupõe uma zona de penumbra, e que qualquer luz mais pronunciada pode deixar escapar da sombra o subtexto. 

Em suma, A louca da casa é um livro fundamental para todos aqueles que se lançam no estranho, mas fascinante mundo da literatura. Não hesito em indicá-lo aqui ainda sob o entusiasmo da descoberta (tardia, bem sei) e a alegria de ver compartilhadas algumas de minhas angústias.



 Escrito por Marcelo às 12h56
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Crônica do Mês - Número 2 - Abril/07

 

Ipês

 

Marcelo Moutinho 

 

Começaram a florescer os ipês. Ao passar de carro pelo Aterro do Flamengo hoje cedo, notei que o mais apressado deles – o de cor roxa, que fica no finalzinho da Praia de Botafogo, ao lado de um posto de gasolina – já se abriu em flores lilases. É esse ipê isolado no parque desenhado por Burle Max, solitário em meio ao tráfego, à fumaça e à pressa de todos nós, que precede ano após ano a primavera absolutamente própria da espécie. Porque os ipês não obedecem às estações; florescem de junho a setembro, indiferentes aos recortes do tempo e às medidas dos homens.

 

Leio que pertencem à família das bignoniáceas, e que seu nome tem origem tupi-guarani, significando ‘pau ou madeira que flutua’. Para mim, contudo, o sentido é outro. Os ipês são um contraponto possível à eventualidade do mau-humor matinal, um rasgo de lirismo no cinza do cotidiano, minha companhia diária no trajeto rumo ao Centro.

 

E é aquele ipê roxo na última curva da Praia de Botafogo que anuncia a cor da temporada que se inaugura. Como um arco-íris atemporão que se insurge antes mesmo da chuva, ele toca o primeiro acorde, ao qual os outros ipês da cidade prestarão reverência, como se todos eles - peças de um dominó colorido - sentissem a obrigação de envernizar os olhos da cidade em penugens amarelas, rosas, brancas, verdes.

 

Justamente no período menos ensolarado do ano, ele abre suas asas para debochar da paisagem gelada das ruas, da frieza posada dos que trafegam ligeiros em seus carros turbinados sem percebê-lo, do cheiro ocre que o vento retira da Baía de Guanabara e lhe sopra nas folhas, fazendo-as dançar mesmo que não queiram.

 

Ele é a sílaba tônica, o senão, a epifania plausível na recém-nascida semana. O tom dissonante que torna possível viver as horas seguintes sem a impressão de que são apenas horas, a lufada de ar que empresta oxigênio para o dia todo.

 

O ipê roxo de Botafogo está alheio aos homens com seus tantos e imensos problemas. Não repara o menino que joga os limões para o alto sinal de trânsito, nem a senhorinha que atravessa a pista com a sacola da Casa & Vídeo nas mãos. Ignora a louca que se julga guarda de trânsito e orienta os motoristas em estranhos movimentos com os braços para um lado e para o outro. Desconhece o preço do táxi, do cinema, da chapinha no cabelo, do prêmio da Mega-Sena. E mantém-se em silêncio, na quietude de quem a tudo ignora para apenas estar ali, na última curva antes da Praia do Flamengo, oferecendo uma visão singela a quem o espreita, por um instante que seja, numa manhã de segunda-feira.



 Escrito por Marcelo às 14h37
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Herberto Helder

"Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os seus recessos negros
onde se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se: O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, essa lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tao feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas".


P.S. Jà há algum tempo não publicava poemas aqui no blog. Volto, pois, com versos brancos lusitanos...



 Escrito por Marcelo às 23h39
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Minha mais nova cerveja preferida

Apesar de beber de todas, sempre tive minhas cervejas preferidas. Durante um bom tempo, a número um foi a Bohemia. Quando a produção ganhou ritmo industrial e houve uma brutal queda no sabor, comecei a flertar com a Brahma Extra, sempre difícil de encontrar. Na falta das duas, a Antártica Original e a Skol sempre fizeram bom papel. Até hoje todas essas estão na minha listinha particular, ao lado da Serra Malte (quando vou a São Paulo).

Só que há cerca de um mês elas ganharam a companhia da Therezópolis Gold, que nesse pequeno período tomou o primeiro lugar na preferência. Conheci a marca numa recente subida à Serra, quando consegui convencer F. a almoçar na minha mui estimada Taberna Alpina. Sempre peço o mesmo prato quando vou lá: filé à forrestier. E dessa vez, quando perguntei ao garçom (garçom à moda antiga, daqueles que sabem das coisas) quais cervejas eles tinham, ele questionou se eu conhecia a Therezópolis Gold. Disse que não e, como gosto de experimentar novos sabores, pedi uma garrafa.

Logo no primeiro gole, tomado de espanto e da alegria que toma conta de nós nessas descobertas, disse a F.: "Espetacular! Espetacular!". No decorrer dos dois dias em que permanecemos na cidade, seja no restaurante em que jantamos, seja na Cremerie Genéve (lugar obrigatório) ou no bar da feirinha, só pedi Therezópolis Gold. Qual não foi minha supresa, então, quando encontrei algumas garrafas à venda num posto do Jardim Botânico, nem pertinho de casa. Enchi de imediato a geladeira. E a supresa ficou ainda maior quando li no blog do Simas e, depois, no do Edu - dois amigos que entendem do riscado -, loas semelhantes à Therezópolis.

Pesquisando na internet, percebi que todos nós estávamos marcando bobeira, já que a marca existe desde 1912. A Therezópolis tem, inculsive, uma home-page, na qual são informados os locais onde pode ser encontrada aqui no Rio.


P.S. Esta foto aí em cima é do Edu, que foi malandro e comprou logo uma caixa...



 Escrito por Marcelo às 23h41
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Rápidas

. Ando enrolado com aquilo de sempre: fechamento da Tribuna. Aliás, a edição de maio do jornal da OAB trará uma matéria bem bacana com base nos relatos de criminalistas que defenderam réus repudiados pela sociedade. Exemplos desses réus? Fernando Collor de Mello, Guilheme de Pádua e Adriana de Almeida (a viúva do ganhador da MegaSena). Outro destaque é a reportagem sobre a histórica decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, reconhecendo um feto como autor de ação. Quem não é advogado e, portanto, não recebe em casa a publicação pode ler no site da OAB/RJ: www.oab-rj.org.br;

. Apesar da correria, comecei a ler Tijolo de segurança, romance escrito pelo Carlos Heitor Cony em 1963 e recentemente relançado pela Editora Objetiva. Trata-se de uma volta ao Cony depois de muito tempo, já que devorei quase todos os livros do autor. Pérolas como Quase memória, A casa do poeta trágico, O ventre e Antes, o verão, que até hoje me tocam pela suave melancolia;

. Vai rolar um showzaço no Teatro Rival hoje e amanhã: Guinga, exímio melodista, e Toninho Horta, fera na harmonia, farão duas apresentações conjuntas, sempre às 19h30. Coisa rara de se ver;

. Em breve, este blog vai migrar para um site que estou desenvolvendo junto com o designer Gabriel Pilastra. Além do Pentimento, o site trará informações sobre meus livros, resenhas literárias e críticas de cinema que escrevi, além de alguns artigos, contos e crônicas;

 

. Estreou hoje no Rio o filme Uma mulher sob influência. Pela raridade que significa um Cassavetes nos cinemas brasileiros, é o caso de correr para conferir;

. Ah, sim: Neeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeense!



 Escrito por Marcelo às 12h15
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O livro que falta

O Sérgio Rodrigues colocou um post interessante lá no blog Todo prosa, no qual comenta sobre a imensa tristeza que traz a perda de um livro. Não um livro qualquer, mas aquele volume de estimação, que você um dia empresta a alguém e nunca mais recebe de volta. Isso aconteceu comigo com Macau, do Paulo Henriques Britto. Quando me mudei para o Jardim Botânico e resolvi, sob a influência organizacional de F., arrumar a biblioteca por gênero e em ordem alfabética, percebi que meu exemplar, todo marcadinho de caneta, simplesmente havia desaparecido. Até hoje não sei a quem posso ter emprestado ou se simplesmente perdi. E é doloroso saber que, mesmo que compre um novo, este não será mais aquele Macau, que irremediavelmente se foi, e nem as marcas serão iguais. E quanto a você, qual o livro que lhe falta?



 Escrito por Marcelo às 12h36
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Salazar?

Há notícias que ameaçam fazer com que a gente desacredite de vez na espécie humana. Por exemplo: o resultado da enquete feita pela TV portuguesa para apontar quem, segundo o público, seria o "grande português" do século passado. Engana-se quem pensa que escritores como Luís de Camões e Fernando Pessoa, ou mesmo cantores como Amália Rodrigues, ou ainda políticos admiráveis como Mário Soares, foram vencedores. Não. O escolhido pela maioria (41% dos telespectadores) foi Antônio Oliveira Salazar, o ditador que manteve o país sob mão de ferro por 42 anos, num regime que perdurou inclusive depois de sua morte e só cairia com a Revolução dos Cravos, em 1974. O que teria levado nossos irmãos lusitanos a entronizar esse filho da puta?



 Escrito por Marcelo às 14h34
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Dois livros: impressões

 

Apesar de ainda estar às voltas com os textos do Bernardo Carvalho para a produção de uma resenha, durante o fim-de-semana conferi livros de dois outros autores: O dia em que o cão morreu, primeiro romance do Daniel Galera, e Ovelha negra e amiga loura, de Sônia Coutinho, que ganhou o prêmio Biblioteca Nacional de melhor volume de contos do ano passado. O romance confirma a impressão que já tinha: o Galera é um dos nomes mais interessantes da novíssima geração. Como acontece muitas vezes em trabalhos de estréia, o livro tem feições de um 'Bildungsroman', ou "romance de formação", e Galera conduz muito bem os dilemas do narrador, um jovem debutando na vida adulta que começa a conhecer a dor.

Já a seleta de contos de Sônia me decepcionou muito. Os textos pecam sobretudo pela falta de nuance, pois explicitam para o leitor o que deveria estar na penumbra. É como se o subtexto aflorasse a todo momento no meio da narrativa, sob a forma de "mensagem", o que acaba solapando a leitura por sublinhá-la demasiadamente. Estranho constatar esse problema - comum em escritores iniciantes - no trabalho de uma autora com tanta estrada...



 Escrito por Marcelo às 11h59
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60 anos em verde-e-branco

"Na minha estante de troféus, que não é lá essas coisas, mas me enche de orgulho porque acolhe generosos símbolos de reconhecimento, há um lugar especial, de destaque, para um pequeno pedestal de pedra sobre o qual reina uma coroa verde, cravejada de pequenos brilhantes, uma jóia. Está bem, não se pode garantir que são pedras preciosas. Digamos que tecnicamente elas não sejam, que sejam pedras-fantasia cobrindo uma bola de papel sem valor comercial, não importa. O que importa é que todo o conjunto - pedestal, coroa e a inscrição - é precioso para mim, emocional e sentimentalmente falando.

Trata-se de uma imerecida homenagem que o glorioso Grêmio Recreativo Escola de Samba Império Serrano me fez no dia 4 de fevereiro de 1995, como que testando a resistência emocional de um velho, calejado e sensível coração. Não havia outra razão para o prêmio, a não ser o fato público e notório de que eu já era um apaixonado pela escola.

Não sei exatamente quando a paixão começou. Um grande amor nem sempre começa com hora ou dia marcado. Simplesmente acontece e, quando você se dá conta, já está tomado por aquele misterioso sentimento que mistura empatia, simpatia, afeto e admiração. Pode-se alegar que isso ocorre entre pessoas, não com pessoas e coisas. Seria correto se o Império fosse "coisa", um objeto inanimado, e não um ser muito animado, fonte de emoção, alegria e beleza, engenho e arte. Um ser vivo com energia e sentimento, história e tradição - uma escola de grana pouca e dignidade muita."


Na impossibilidade de ir à quadra participar dos merecidos festejos ou de escrever eu mesmo um post à altura da importância da data - estou acompanhando F. na ABBR, por conta de uma cirurgia em seu joelho -, passei a palavra ao Zuenir Ventura, notório imperiano e autor do texto acima. Sim, foi no dia 23 de março de 1947 que a escola da Serrinha chegou para mudar para melhor a história do carnaval.

P.S. escrito no dia 24:

1. Como eu já imaginava, nenhum dos dois principais jornais cariocas - O Globo e Jornal do Brasil - dignou-se a abrir espaço em suas páginas para saudar os 60 anos do Império. Nem que fosse através de uma matéria ou entrevista aproveitando o 'gancho'. No entanto, o blog do Ancelmo Góis conseguiu abrir um flanco nesse silêncio opressivo que tanto revela sobre o (lamentável) panorama da imprensa brasileira. Um dos jornalistas da coluna, Aydano André-Motta, dedicou o dia de ontem a escrever posts sobre os grandes momentos da escola, relembrando sambas e personagens célebres (aqui, usando a palavra na sua acepção mais perfeita). Mas peço que vocês aguardem, pois pretendo publicar em breve aqui no Pentimento uma entrevista com o fundador da agremiação, o grande Sebastião Molequinho.

2. Bons presságios: o Império acaba de anunciar seus novos carnavalescos: a dupla Renato Lage e Márcia Lávia, responsáveis pelo lindo desfile do Salgueiro neste ano. Eles vão acumular o trabalho nas duas tradicionais escolas em 2008. 



 Escrito por Marcelo às 19h12
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